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Botafogo corre atrás da sobra do PSL, para puxar o tapete de Bolsonaro ou cobrar uma conta alta
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Opinião do blog

Botafogo corre atrás da sobra do PSL, para puxar o tapete de Bolsonaro ou cobrar uma conta alta


22/10/2019 - 07h41

Da Redação

O presidente Jair Bolsonaro, refém do MDB de Fernando Bezerra (líder do governo no Senado) e Romero “com o Supremo, com tudo” Jucá, agora depende de Rodrigo Maia para sobreviver.

O presidente da Câmara, também conhecido como Botafogo, tem o poder de determinar a abertura de processo de impeachment.

Botafogo é a alcunha que Maia recebeu de executivos da Odebrecht que operavam o propinoduto eleitoral da empresa.

Maia já disse que está interessado em promover a fusão entre seu partido, o Demo, e o restolho do PSL, o partido que dá sustentação a Jair Bolsonaro.

O PSL é o partido do laranjal de Pernambuco e Minas Gerais, que violou as regras que exigiam 30% de candidaturas femininas para desviar dinheiro público do fundo partidário em favor de candidaturas de seus coronéis regionais.

Um deles é Luciano Bivar, fundador e presidente da sigla de aluguel.

Outro é o ministro do Turismo, Márcelo Álvaro Antônio, coronel do PSL em Minas Gerais.

O presidente Bolsonaro instalou o filho Eduardo na liderança do PSL na Câmara depois de uma longa batalha, mas a turma de Bivar não desistiu de reconquistar o posto.

Não se sabe a que preço Bolsonaro conquistou maioria na bancada de 53 deputados do PSL.

O presidente resiste em deixar o PSL por medo de que “sua” bancada — inclusive os filhos Flávio e Eduardo — fique sem mandato.

Além disso, o PSL dispõe de R$ 110 milhões para as eleições municipais de 2020 só em fundo partidário, sem contar o fundo eleitoral.

Os filhos de Bolsonaro, Flávio e Eduardo, foram destituídos das presidências regionais do PSL no Rio de Janeiro e em São Paulo, o que dificulta a pretensão da família de apontar o dedaço na escolha dos candidatos a prefeito.

Maia mira na expansão do Demo para cacifar sua própria candidatura em 2022 ou servir de linha auxiliar a João Doria, do PSDB, ou mesmo ao trabalhista Ciro Gomes, do PDT, que vem enchendo o demo de elogios.

Uma eleição antecipada não está fora dos radares, mas depende dos humores da economia.

Uma nova eleição teria de ser convocada se Bolsonaro não chegar à metade do mandato.

O cálculo político de Maia também deve considerar esta possibilidade, embora o PIB esteja salivando pelas privatizações, a começar pelo pré-sal, e dificilmente vá trocar Bolsonaro em pleno andamento das “reformas” que unem o ministro da Economia Paulo Guedes a Rodrigo Maia.

Porém, a bala está na agulha: o corregedor do Tribunal Superior Eleitoral, Jorge Mussi, vai anexar a prestação de contas do PSL à investigação pedida por PT e PDT sobre os disparos em massa no WhatsApp que favoreceram a candidatura de Jair Bolsonaro em 2018.

Mussi já pediu os dados de quatro empresas suspeitas de fazer disparos: Quickmobile, Yacows, Croc Services e SMS Marketing — de acordo com o UOL.

O site também diz que se o WhatsApp colaborar é possível fazer a geolocalização das pessoas que fizeram disparos em massa.

O WhatsApp pertence ao Facebook e o dono das empresas, Mark Zuckerberg, tem demonstrado colocar seu lucro pessoal acima da responsabilidade com as disputas eleitorais no mundo.

Nos Estados Unidos, Zuckerberg se negou a banir notícias falsas impulsionadas por candidatos mediante pagamento — uma benção para a campanha de reeleição de Donald Trump.

No Brasil, o site Vortex revelou que o PSL pagou R$ 65.400,00 à empresa Ideia Marketing, de Érico Filipe de Mello e Costa, que foi assessor da família Bolsonaro na Câmara dos Deputados durante 14 anos.

Antes do primeiro turno das eleições de 2018, Érico deixou registro por escrito de que editava falas ao vivo de Jair Bolsonaro e disparava por WhatsApp.

Pela legislação eleitoral, disparos em massa só podem ser feitos usando base de dados organizada pelo próprio candidato.

Érico utilizou um cadastro voluntário na internet.

Além disso, os valores gastos devem ser declarados na prestação de contas do candidato, o que não aconteceu.

O truque foi contabilizar as despesas nas contas do PSL, que tem prazo de até cinco anos para serem auditadas.

Bolsonaro agora depende do PIB e de Maia, um de seus mais íntimos representantes, para permanecer no Planalto.

No mínimo, a conta será alta.

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2 comentários

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Zé do rolo

22 de outubro de 2019 às 20h47

Sendo o Botafogo ou nhônhô o Rodrigo Maia é esperto e estrategista a ponto de ditar ordens de votação na Câmara ao Bozo.

Responder

João

22 de outubro de 2019 às 11h48

Assim esta o Chile depois dos protestos contra o “aumento dos preços das passagens”

https://youtu.be/xlPVcoWykNY

Dá uma olhadinha, Paulo Guedes!
Dá uma olhadinha, Bolsonaro!

Responder

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