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Lúcia Rodrigues: A derrota do PT nas eleições de 2020 e o seu futuro
Em 1979, Lula discursa a metalúrgicos de cima de uma mesa no estádio de Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, em assembleia que decidiu pelo início da primeira greve geral da categoria. Foto: Memorial da Democracia
Holofote

Lúcia Rodrigues: A derrota do PT nas eleições de 2020 e o seu futuro


30/11/2020 - 12h19

O PT e seu futuro

Por Lúcia Rodrigues*

A derrota do PT nas eleições de 2020 se deve em grande medida ao fato de que a classe trabalhadora não existe mais nos moldes que o originou.

As grandes plantas fabris com a concentração de milhares de trabalhadores sob a influência de sindicatos são cada vez mais exíguas.

Antigamente qualquer pessoa que assistisse TV saberia responder quem era o presidente da CUT em alguns segundos.

Hoje, isso se restringe cada vez mais a quem acompanha de perto a política.

Por quê?

Porque a CUT perdeu o protagonismo que tinha anteriormente na organização da luta da classe trabalhadora.

Esse protagonismo, no entanto, não foi assumido pela Conlutas, pela CTB nem por outra Central.

Ele se diluiu em “ene” movimentos sociais: negro, feminista, lgbtqi etc.

As lutas passaram a ser feitas fora do eixo de classe propriamente dito.

E o PT por ser um partido cujo o enraizamento vem do modelo anterior teve dificuldade para ceder a essa novidade.

Já o PSOL embarcou de mala e cuia nessa perspectiva. Se transformou em um partido de causas.

Na minha avaliação, a classe trabalhadora existe e continuará existindo enquanto o capitalismo não for derrotado.

O problema é que hoje está pulverizada e diluída em trabalhadores, por exemplo, de aplicativos.

Como dar liga e corpo a isso é que é o pulo do gato.

Mas os problemas do PT vêm de antes desta eleição e das duas anteriores.

O Partido dos Trabalhadores sofreu outros duros golpes ao longo dos anos.

Perdeu a hegemonia na ala progressista da Igreja Católica, outro pilar de sua fundação.

A Teologia da Libertação foi engolfada pela ala dos carismáticos.

Não bastasse isso, ainda foi abalroada pelos evangélicos neopentecostais que proliferaram nas periferias, antigo reduto do petismo.

Além disso, o PT viu o último de seus três pilares de fundação ruir nesta eleição, com o embarque dos intelectuais na candidatura de Boulos.

Esse terceiro pilar já havia sofrido um abalo significativo com o fato dos governos do PT na Presidência da República terem optado pela conciliação de classes ao seu enfrentamento.

Os escândalos do Mensalão e da Lava Jato também impactaram os três eixos do tripé.

Isso sem contar a traição de ter se elegido em 2014 com um programa econômico e governado com outro.

Joaquim Levy, no Ministério da Fazenda, foi o exemplo mais paradigmático dessa perda de apoio.

A luz no fim do túnel ainda parece estar longe.

E mesmo com todos os problemas, a direção majoritária do PT, cada vez mais burocratizada, dificilmente embarcará em algo como uma frente de partidos de esquerda, sem querer que as demais forças políticas se submetam à sua liderança.

*Lúcia Rodrigues é jornalista e formada em Ciências Sociais pela USP.





9 comentários

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Eli Braz

01 de dezembro de 2020 às 08h35

Eu diria que o advento das fake news e do whatsapp foi o que mais massacrou o PT.
O segundo como principal veículo do primeiro.
A quantidade de gente que ainda acredita em kit gay, que Lula é bilionário e que o PT destruiu o Brasil é inacreditável.

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Orlando Fogaça Filho

01 de dezembro de 2020 às 07h39

Muito fraco o artigo, mas em resumo, diz: a culpa é do PT e o PSOL a salvação.
Acontece que as bandeiras de identidades do PSOL apenas dividem e escondem a luta de classes. O socialismo não precisa (e não deve) se ater às lutas de grupos minoritários porque ele não vê diferença entre iguais e por óbvio, se busca a igualdade, considera todos iguais no futuro que almeja. Lutar por igualdade já engloba o feminino, LGBTs, pretos, amarelos, vermelhos, preservação da natureza, preservação da vida, sustentabilidade do planeta, etc.

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Zé Maria

01 de dezembro de 2020 às 00h11

A Globo e satélites, e a Mídia FasciPaulista e assemelhadas,
depois de cada turno das Eleições no Brasil, mostram o Copo
meio Cheio da Direita, especialmente do PSDB, e o Copo meio
vazio da Esquerda, em especial do PT. Está na hora de inverter.

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Zé Maria

01 de dezembro de 2020 às 00h05

O PT saiu das Eleições Municipais de 2020 com 183 Prefeitos Eleitos.

O PT venceu em 7 Cidades com Mais de 200 Mil Habitantes, sendo
3 no Primeiro Turno e 4 no Segundo Turno.

Ao todo, o PT governará no País 6.045.238 Habitantes, a partir de 2021,
mais do que os 6.033.981 Habitantes das 254 cidades em que elegeu
Prefeitos em 2016.

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Zé Maria

30 de novembro de 2020 às 22h51

Alguns Dados Concretos sobre Partidos Políticos e Eleições Municipais

Em 2020 (1T+2T), o PSDB perdeu 283 Prefeituras, em relação a 2016.
Caiu de 803, há 4 anos, para 520 Prefeitos Tucanos Eleitos, neste ano.

Foi o Partido que mais perdeu Prefeituras de uma eleição para outra.

Os Tucanos não conseguiram sequer chegar ao 2º Turno em cidades populosas importantes, onde o PSDB governa, como Guarulhos (a 2ª Maior do Estado de São Paulo) – onde foi superado por PT e PSD – e Porto Alegre/RS – onde PCdoB e MDB seguiram adiante.

Além disso, apesar de manter a Prefeitura de São Paulo, em 2020,
a votação do PSDB, no 1º Turno, reduziu-se a quase metade do que
havia obtido em 2016, na Capital Paulista.

A Coisa não tá Mamão com Açúcar pro Candidato do Centrão Midiático
que a Globo já lançou a Presidente para 2022 e de quem a Mídia Venal
– notadamente a FasciPaulista – quer que os demais Partidos de Direita
sejam Satélites. O Dória disputa o mesmo campo político do Bolsonaro.

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Zé Maria

30 de novembro de 2020 às 17h30

No Final do Século 20, o Neoliberalismo fechou as Portas das Fábricas
e abriu as Portas do Inferno, com Dispositivos e Aplicativos ÔnLáini,
de onde saiu o Nazi-Fascismo Ocidental do Século 21 da ‘Era Cristã’.

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Luiz Gomes Moreira

30 de novembro de 2020 às 14h09

Menina! O teu comentário só vai valer para os próximos anos, e nem sei até quando. A indústria metalúrgica cheia de empregados vai desaparecer logo. A automatização vai liquida-la bem logo, pois é bem fácil adapta-la para automatização quase total. Logo, pode esquecer as greves. Daí, talvez venha o fim do capitalismo. Num mundo todo automatizado, só haverá consumo se as horas de trabalho sejam reduzidas muito, e muito. Ou, conforme aquele cientista inglês paralitico, que morreu em 2017, os empresários não terão mercado para seus artigos (e exploração), pois não terão consumidores. Fabricar para quem? E, este quem terá grana, se não existem empregos (e renda) Não vai demorar tanto assim. Em 2050, tudo vai estar nesta situação.

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Afonso Schroeder

30 de novembro de 2020 às 13h59

Vemos que ao meio (PT) tem alguns doutrinamentos estranhos que não condizem com os dias atuais é notório radicalismos vistos pelas abstenções que ficaram acima dos 30% se isolar trousse consequências nefastas sendo que política é aglutinar participando viu-se por todo Brasil alianças que o ()PT…?

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    Deka

    30 de novembro de 2020 às 21h26

    Aliança com quem? PSB, PDT? E desde quando eles são partidos de esquerda? O PDT do Ciro quer se alinhar ao DEM! Essa conversa que é culpa do petê, petê, petê, já encheu. É cada uma!


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