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Execuções no campo crescem no governo Bolsonaro; há 30 anos, sindicalista era assassinado no Pará
Holofote

Execuções no campo crescem no governo Bolsonaro; há 30 anos, sindicalista era assassinado no Pará


03/02/2021 - 13h41

30 anos da execução do sindicalista comunista Expedito de Souza a mando do latifúndio do Pará

Assassinatos de lideranças no campo aumentaram sob Bolsonaro

Por Lúcia Rodrigues*

Hoje faz 30 anos que Expedito Ribeiro de Souza foi fuzilado a mando do latifúndio, na pequena Rio Maria, no Pará.

À época, em 1991, ele  era presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rio Maria e dirigente do PCdoB no Estado.

Seis anos antes, em dezembro de 1985, João Canuto, que também presidia o mesmo Sindicato de Expedito, tombava pelas balas pagas por fazendeiros.

A família Canuto teria ainda mais dois irmãos de João executados pelo poder do latifúndio.

Assim como Expedito, Canuto  era militante do PCdoB.

Prestes a completar 35 anos de sua morte em maio, Padre Josimo, então  coordenador da CPT no Araguaia (PA), foi mais uma vitima dos latifundiários da região, em 1986.

O mesmo destino teve o ex-deputado estadual pelo Pará,  advogado dos trabalhadores rurais e dirigente do PCdoB no Estado Paulo Fonteles, em junho 1987.

O ambientalista e sindicalista seringueiro Chico Mendes, cuja morte ocupou o noticiário internacional, engrossou a lista macabra ao ser abatido em dezembro de 1988, em Xapuri, no Acre.

Antes deles, Margarida Maria Alves, que inspira a Marcha das Margaridas, já havia sido executada na Paraíba, em agosto de 1983.

Desde 1985, quando a CPT (Comissão Pastoral da Terra) começou a contabilizar os conflitos no campo, a matança de lideranças não parou.

E sob Bolsonaro, as execuções aumentaram.

O ultimo relatório divulgado pela entidade, em abril do ano passado, com dados referentes a 2019, primeiro ano do governo, aponta um crescimento de 14% nos assassinatos de lideranças em relação ao ano anterior.

Dessas mortes, 84% se concentraram na região amazônica.

O relatório revela ainda que sob Bolsonaro houve um recorde nas disputas por terra, desde que a CPT passou a contabilizar os conflitos no campo.

A entidade registrou em 2019, 1.833 conflitos. O Pará lidera a lista como sempre.

*Lúcia Rodrigues é jornalista e formada em Ciências Sociais pela USP.





1 comentário

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Zé Maria

23 de fevereiro de 2021 às 22h18

Ministro do STF suspende Lei do Estado de Roraima
que autoriza uso de Mercúrio no Garimpo

Ajuizada pela Rede Sustentabilidade,
Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 6672,
alega contrariedade às normas federais ao autorizar
garimpo sem estudo de impacto ambiental.

http://portal.stf.jus.br/noticias/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=460859

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