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Wadih Damous: Bolsonaro quer usar novo comandante do Exército contra Lula e em aventuras “de um insano”
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Wadih Damous: Bolsonaro quer usar novo comandante do Exército contra Lula e em aventuras “de um insano”


30/03/2021 - 11h22

Está chegando ou já chegou a hora de as Forças Armadas decidirem se embarcam na aventura golpista de um insano que inclusive desonrou a farda ou se ficam com a Constituição e a democracia. Wadih Damous, no twitter

Da Redação

Um dos mais argutos observadores da cena política brasileira, o ex-deputado federal Wadih Damous, ex-presidente da Ordem dos Advogados no Rio de Janeiro, está ao mesmo tempo preocupado e aliviado.

Aliviado porque o ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, não aceitou sugestão da decretação de estado de sítio feita pelo presidente Jair Bolsonaro e, ao deixar o cargo, demitido, disse que não queria repetir abril de 2020, quando o presidente da República sobrevoou manifestação contra o Congresso e o STF diante do Forte Apache, o quartel-general do Exército em Brasília.

Outro motivo de alívio é que o comandante do Exército, Edson Pujol, de acordo com a jornalista Thaís Oyama, negou-se a fazer manifestação pública contra as decisões do STF que permitiram ao ex-presidente Lula recuperar seus direitos políticos.

“Parece que Bolsonaro deu um ultimato”, às Forças Armadas, diz Wadih.

Por enquanto, aparentemente, “a cúpula militar não embarcou”, afirma o advogado.

Pujol será destituído do cargo e Bolsonaro cogita colocar no lugar dele o comandante militar do Nordeste, Marco Antonio Freire Gomes.

Só que, para Freire Gomes assumir, levaria à “aposentadoria” seis generais mais antigos, que estão na fila.

A preocupação de Wadih é com o fato de que Bolsonaro parece decidido a explorar o antipetismo das Forças Armadas contra a candidatura de Lula.

De Pujol, comandante do Exército, o ocupante do Planalto queria algum tipo de protesto, como fez o ex-comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, que tuitou mensagem contra a possibilidade de o Supremo Tribunal Federal conceder habeas corpus ao ex-presidente, em 2018.

“Nessa situação que vive o Brasil, resta perguntar às instituições e ao povo quem realmente está pensando no bem do País e das gerações futuras e quem está preocupado apenas com interesses pessoais?”, escreveu Villas Bôas no dia 3 de abril daquele ano.

Foi um pouco antes do fim do Jornal Nacional, o que permitiu ao telejornal da Globo, que sempre foi porta-voz dos militares, dar repercussão dramática às mensagens de Villas Bôas, como última notícia.

A pressão, que Villas Bôas disse posteriormente ter sido combinada com outros comandantes militares, funcionou: o STF negou o habeas corpus.

O ministro Edson Fachin só respondeu a Villas Bôas três anos depois:

A declaração de tal intuito [pressionar o STF], se confirmado, é gravíssima e atenta contra a ordem constitucional. E ao Supremo Tribunal Federal compete a guarda da Constituição.

Foi dias antes de o ministro extinguir quatro processos do ex-presidente Lula em Curitiba e de a Segunda Turma do STF declarar o juiz Sergio Moro parcial no julgamento do caso do triplex do Guarujá.

Com isso, Lula recuperou os direitos políticos.

Mais recentemente, o general Sérgio Westphalen Etchegoyen, que foi ministro de Segurança Institucional no governo Temer, manifestou sua insatisfação com a Suprema Corte.

“Mais uma vez o STF sacode o Brasil com decisões que aprofundam a insegurança jurídica”, disse o general, que tem grande influência na tropa.

O próprio Wadih respondeu a Etchegoyen, no twitter:

O general Etchegoyen, por não saber nada de guerra, acha que sabe alguma coisa de direito. Sabe nada. A falta do que fazer, resolveu hostilizar o Supremo Tribunal Federal. O motivo? O de sempre: Lula. Suas ameaças não amedrontam ninguém. General, vá se ocupar e pare de falar besteira.

Agora, no entanto, estamos falando da troca de um comandante do Exército da ativa que, em tese, teria de obedecer às pretensões da base de Bolsonaro, que defende estado de defesa ou de sítio para intervir em estados onde governadores tomam decisões para tentar conter a pandemia, além de intervenção no STF e, eventualmente, golpe militar com Bolsonaro no poder.

Também chamou atenção que, com as trocas no ministério, saiu fortalecido o deputado federal Eduardo Bolsonaro, que emplacou seu candidato no Itamaraty e ainda indicou um delegado da Polícia Federal para comandar o Ministério da Justiça — cargo normalmente ocupado por políticos ou juristas.

Para Wadih, chegou a hora: ou os militares deixam o governo Bolsonaro ou terão embarcado na aventura golpista “de um insano”.





13 comentários

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Henrique Martins

30 de março de 2021 às 17h13

Complementando comentário anterior:
Não me surpreende que o ministro da defesa agora seja um general de pijama. Os golpistas precisam colocar o pessoal da Ativa no jogo senão eles perdem o poder já que o doido do fantoche que eles escolheram não está segurando a onda.

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Henrique Martins

30 de março de 2021 às 16h48

Complementando comentário anterior:
Quer saber mais: o golpe do general Vilas Boas foi dado sim, pelos generais de pijama.

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Zé Maria

30 de março de 2021 às 16h25

“O remédio contra as investidas de bolsonaro
é o afastamento.
Fascista não recua porque o outro lado
demonstrou docilidade.
A linha que ele está buscando reforçar
nas Forças Armadas precisa de contraposição
imediata.
A luta pelo Fora Bolsonaro é pra já!
Não dá pra esperar só 2022!”

Deputado Federal Glauber Braga (PSoL=RJ)
https://twitter.com/Glauber_Braga/status/1376938174430248964

“Saída dos 3 comandantes das Forças Armadas
em que reafirmaram que não participarão
de aventura golpista, deixa clara a tentativa
de GOLPE.
Mais um motivo para o IMPEACHMENT.
Em qualquer democracia se abriria o processo,
mas aqui até GENOCÍDIO está sendo tolerado.”

Deputado Federal Ivan Valente (PSoL=SP)
https://twitter.com/IvanValente/status/1376944999301013509

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robertoAP

30 de março de 2021 às 16h17

A única maneira do analfabeto presidente ganhar qualquer coisa, é roubando e trapaceando, pois se depender de sua capacidade, ele não ganha nem corrida com mocinhas de 12 anos. E já provou isso, quando levou um banho de bola da menina ambientalista Greta Thunberg, que mostrou ter Q.I. pelo menos 90 pontos acima do Tosco do Planalto, 200% mais educação e 1000% mais conhecimento do mundo e da vida.
O Brasil tem como presidente, um dos sujeitos mais burros e boçais da história da Humanidade.

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Darcy Brasil Rodrigues da Silva

30 de março de 2021 às 16h14

A tendência de confundir o PT e Lula como o centro das atenções das ações desenvolvidas pela extrema direita às vezes dá a impressão de uma espécie de egocentrismo, na falta de uma palavra em meu vocabulário para caracterizar uma organização partidária que se vê sempre no centro dos acontecimentos, sendo todas as demais organizações meros penduricalhos, simples coadjuvantes desimportantes. Porém, as alterações feitas por Bolsonaro não estão voltadas somente nem principalmente contra Lula e contra o PT, mas contra toda a oposição, inclusive a liberal; estão voltadas, portanto, contra a democracia de baixíssima intensidade em que vivemos, visando substituí-la por uma ditadura aberta.
Bolsonaro, ao mesmo tempo que tenta se desembaraçar das pressões exercidas pelo Centrão, ganha tempo para tentar galvanizar o apoio das FFAAs a um golpe de estado miliciano a partir de suas bases, de seus sargentos, cabos, soldados e baixas patentes, dando assim mais um passo na direção desse golpe, que se tornou a única forma em que ele poderia se perpetuar no poder, evitando sua inevitável prisão depois de uma derrota eleitoral em 2022.
Desse modo, seus atos atingem os interesses do PSDB tanto quanto os do PT, as pretensões políticas de Ciro Gomes, tanto quanto as de Lula. Somente os petistas acreditam que, se Lula for candidato nas eleições presidenciais de 2022, não terá concorrentes, vencendo com os dois pés nas costas. Entretanto, em uma análise desapaixonada, não é difícil de reconhecer que as possibilidades eleitorais de Ciro Gomes, por exemplo, por mais que pesquisas telefônicas de momento informem que ele só tem 7% de intenções de voto, poderiam ser vigorosamente ampliadas se ele conseguisse conjugar uma coligação de partidos reunindo desde o PCdoB , PSB, PDT, passando pelo PV, Rede, Cidadania, até o PSDB e DEM, constituindo, sim, uma terceira via, sendo inútil argumentar que a sociedade brasileira somente comportaria uma polarização entre o PT e o bolsonarismo, como querem nos fazer acreditar a golpe de marretas os analistas petistas (existe, como existia em 2018, um expectro de cidadãos comuns bastante grande na sociedade de não eleitores tanto do PT como de Bolsonaro, que podem se empolgar com um terceiro nome, levando-o ao 2° turno, não sendo esse desfecho nenhuma novidade, como ocorreu nas eleições francesas com Mácron). A tática de Ciro Gomes, se oferecendo para representar esse espectro, não é inviável, pelo contrário, possui razoável possibilidade de ter êxito (não se deve criticar Ciro por ter adotado essa tática, somente devemos criticar os meios que tem usado para efetivá-la, com seus ataques destemperados a Lula e ao PT). Assim, se o golpe de estado miliciano se viabilizasse, não apenas toda esquerda, desde simples comentaristas como eu, até Lula, mas também toda oposição liberal seriam colocados na ilegalidade. Bolsonaro atacaria, não apenas os blogues “sujos”, mas a maioria dos órgãos da mídia tradicional, como a Folha e O Globo. A ditadura bolsonarista seria uma ditadura tão ou mais sanguinária que a de Pinochet. Portanto, são essas forças políticas e sociais heterogêneas ameaçadas em seus direitos, em suas liberdades democráticas, que o deputado petista deveria contemplar em sua análise, propondo a necessidade de reuni-las urgentemente numa Frente Ampla em defesa da democracia, com o objetivo de resistir às tentativas de golpe de estado que partirem do bolsonarismo. Lula deveria integrar o Estado Maior dirigente dessa Frente, e os dirigentes e militantes do PT se integrarem aos diversos organismos de base a essa Frente vinculados, deixando para 2022 a questão de saber como o PT irá participar das eleições. A luta contra Bolsonaro é para ser travada, agora, em 2021 no âmbito de uma Frente Ampla. Atos expressivos contra o golpe de 1964 deverim ter sidos programados por essa Frente Ampla para ser realizados no dia 31 de março, mas não foram, simplesmente porque essa Frente Ampla indispensável ainda não se estruturou e o PT somente sonha em eleger Lula pela terceira vez.

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Zé Maria

30 de março de 2021 às 15h41

Jair Bolsonaro não tem mais Condições Políticas nem Psicológicas de prosseguir
na Presidência da República do Brasil.
Se depois de todos esses Desvarios dele,
o Presidente da Câmara não pautar o
Impeachment, estará dando Carta Branca
a um Golpe Militar que inclusive fechará
o Congresso Nacional e o STF.

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Henrique Martins

30 de março de 2021 às 15h09

Complementando comentário anterior:
A propósito, aposto que o mito queria mesmo era o próprio general Vilas Boas no ministério da defesa para seguir com os planos do golpe. Que eu saiba ele tem um cargo no governo apesar de estar doente. Bem. Braga Nunes deve estar disposto a fazer o serviço sujo assim como aqueles que Bolsonaro nomear para o comando das Forças. O que ele quer é subjulgar as instituições e usar as Forças (‘o meu exército’) como arma política de intimidação e opressão.
Quem diria que até as nossas Forças Armadas se deixariam controlar e humilhar por um louco. Quem diria. Durmam com um barulho desses.

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Zé Maria

30 de março de 2021 às 15h05

O Bolsonaro já é um Ditador Estulto no Poder.
Agora, está procurando outro Insano como ele
que promova o Estado de Guerra, para que
Jair Bolsonaro assuma o Controle das Forças
Policiais Estaduais e instaure o Terror.

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Henrique Martins

30 de março de 2021 às 14h42

Lembram da frase ‘aquilo que conversamos fica entre nós’?
Pois então. O general Vilas Boas deu carta branca para Bolsonaro dar um golpe no Brasil. Acontece que os generais que comandavam as Forças Armadas não são golpistas como o general Vilas Boas.
Não deve ser a toa que Vilas Boas está na condição atual. Ele deve ser tão ordinário como Bolsonaro. Deve merecer carmaticamente sua doença.
Bolsonaro por sua vez vai ser preso e algemado. Venho aqui prá dizer bingo!

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abelardo

30 de março de 2021 às 13h53

Onde as Forças Armadas querem chegar? Já não chega o grande “Mico” por que passa, ao permitir que meia dúzia de oficiais fanáticos denigra cada vez mais toa a instituição em troca de nada, absolutamente nada? O que ganha as FA participando de um governo que não cria nada, não projeta nada, não constrói nada e procura destruir tudo o que não lhe é submisso e/ou que não é do seu agrado? Será paixão por “Ditadura” a razão que faz as FA se submeter aos caprichos do pior governo que o Brasil já experimentou, em todos os tempos? É para isso que se formam militares no país? Servir de capataz, de jagunço ou milíciano fardado de um governo falido e incompetente deixa uma noção do que poderá se tornar as FA, com toda história, autoridade e reconhecimento que recebeu da população, em tempos passados.
Onde as FA pretende chegar, se alinhando a tantas más companhias?

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Juscelino

30 de março de 2021 às 12h51

Teremos um Lott?

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Gilmar Mendes

30 de março de 2021 às 12h36

Com o Bolsonaro cai por terra essa história de escola de excelência.
Estamos vendo a excelência do Bolsonaro e do pazuello.
Curso de comandos que o pazuello fez serve para que no mundo civil ?
Deve servir só para um plus no salário. Aqui fora não serve é pra nada. Não ajuda no ministério da saúde, p. ex. Não é um curso de administração.
Vai caindo por terra essa história de escola de excelência. Bolsonaro só tem um ou outro curso tb do exercito.
A atuação dele é muito aquém do esperado para quem estudou lá.
É preciso de verdade fazer uma pós boa e que sirva para trabalhar no mundo civil. Quem ficar só nessas escolinhas deles com certeza vai ficar congelado no tempo.

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