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Vereadora Ana Lúcia: Ricardo Barros já trouxe a Maringá o “rei da fraude”, que prometeu fábrica de aeronaves e hoje está preso. Agora, Barros “será fritado” por Bolsonaro
O italiano, Barros com Bolsonaro e a vereadora. Reprodução de vídeo e das redes sociais.
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Vereadora Ana Lúcia: Ricardo Barros já trouxe a Maringá o “rei da fraude”, que prometeu fábrica de aeronaves e hoje está preso. Agora, Barros “será fritado” por Bolsonaro


29/06/2021 - 16h10

Da Redação

O ex-prefeito de Maringá, deputado federal, ex-ministro da Saúde do governo Temer e hoje líder do governo Bolsonaro na Câmara, Ricardo Barros, sempre se aproveitou de governos frágeis para fazer avançar seus interesses pessoais, atuando como uma espécie de lobista de luxo para fortalecer seu clã.

A opinião é da ex-professora da Universidade Estadual de Maringá, doutora em Urbanismo e hoje vereadora pelo PDT, Ana Lúcia Rodrigues, que acompanha a trajetória de Barros desde que ele se elegeu prefeito da cidade paranaense de 400 mil habitantes.

O engenheiro civil do PP paranaense ocupou o cargo de prefeito de 1989 a 1993, foi secretário da Indústria, Comércio e Assuntos do Mercosul de Beto Richa, emplacou a esposa Cida Borghetti de vice-governadora do próprio Richa, elegeu a filha Maria Victoria deputada estadual, foi ministro da Saúde de Michel Temer e ainda emplacou o irmão Silvio como prefeito de Maringá (2005-2013) e secretário de Planejamento e Coordenação Geral de Richa.

Num caso provavelmente inédito, o irmão de Barros foi secretário de Desenvolvimento Urbano da própria cunhada, Cida Borghetti, quando ela assumiu o governo do Paraná — Richa licenciou-se para concorrer ao Senado.

Desenvolvimento Urbano rima com obras.

Foi assim que Barros migrou parte de sua base eleitoral de Maringá para Curitiba, de olho no futuro político.

 Ao longo deste tempo, de acordo com a pesquisadora, Barros sempre apresentou projetos megalomaníacos em Maringá, que nunca deram qualquer resultado — a não ser um parque, o Eurogarden, que teria sido construído para beneficiar o loteamento de um amigo.

Fábrica de aviões dos Estados Unidos e a maior fábrica de meias do mundo, de origem chinesa, foram algumas das promessas.

De acordo com a vereadora, um dos projetos que Barros prometeu trazer para Maringá foi do empresário italiano Luigino Fiocco, que hoje é conhecido como “rei da fraude” no continente europeu — e está preso.

Fiocco chegou a apresentar em Maringá, em 2013, o projeto da Avio Brasil Indústria de Aviões, com o objetivo de ter acesso a fundos públicos.

Para a vereadora, o auge da carreira de Barros foi no ministério da Saúde de Temer. O hoje líder de Bolsonaro na Câmara dizia que o SUS estava superdimensionado — ele tinha relações próximas com os planos de saúde privados.

Mas… tudo poderia ter acabado ainda no mandato de Barros como prefeito de Maringá, quando a Câmara de Vereadores abriu uma CPI para investigar uma série de irregularidades.

Uma delas: uso de dinheiro público para reformar a casa de um correligionário.

O prefeito conseguiu arquivar a CPI com treze votos favoráveis — vereadores que ficariam famosos posteriormente como o “Grupo dos 13”, de sustentação aos interesses do prefeito.

Hoje, além de liderar o apoio do Centrão ao presidente da República, Barros emplacou a esposa num dos melhores cargos públicos do Brasil: Cida Borghetti é diretora da Itaipu Binacional.

À época do Ministério da Saúde, Ricardo Barros adiantou à Global, sócia da Precisa — agora intermediária na compra das vacinas da Covaxin — R$ 20 milhões para a compra de remédios contra doenças raras, que nunca foram entregues.

Barros é o autor da emenda que permitiria ao Brasil importar as vacinas chinesas sem registro, nem autorização da Anvisa, pagando de forma antecipada — mesmo com o risco de que as doses não fossem entregues.

Para a vereadora, como aconteceu com Sergio Moro, Ricardo Barros agora será “totalmente fritado” por Bolsonaro. Isso exigirá algum acerto entre o presidente e o Centrão para tirar Barros da liderança na Câmara.

Assistam (no topo) ao raio xis que a vereadora de Maringá fez do clã Barros!





1 comentário

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Joao Maria da Silva

29 de junho de 2021 às 19h02

O tubarãozinho sempre fez e desfez em Maringá, sem nunca ser confrontado. Apenas Requião uma vez disse que ia ter uma conversa com ele, com o cinto na mão, mas parece que desta vez vai ter complicações com a justiça.

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