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Marcio Pochmann: Despolitizada, “nova classe média?” é desafio para partidos e sindicatos


04/05/2012 - 00h17

A nova classe média?, do professor Marcio Pochmann, está sendo lançado esta semana pela Boitempo

por Luiz Carlos Azenha

“A estrutura fundiária do Brasil é hoje pior do que em 1920. Atualmente, 40 mil proprietários rurais concentram 50% das áreas agricultáveis do País. Também é preciso acabar com essa lógica perversa que impera, em que os mais pobres são exatamente os que pagam mais impostos”.

A frase acima, do economista Marcio Pochmann, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), requer a coragem dos que remam contra a maré. O Brasil, afinal, é o país do agronegócio, onde o senso comum equivocado nos diz que os ricos vivem sufocados pela carga tributária do impostômetro. Ou seria impostura?

Pois agora Pochmann rema, de novo, contra a maré. No livro Nova Classe Média?, da Boitempo, o economista coloca uma interrogação que deixa com a pulga atrás da orelha aqueles que se orgulham de uma ascensão social que, muitos de nós acreditamos, enfim teria livrado o Brasil do estigma da pobreza.

Logo na apresentação, ele sapeca: “Seja pelo nível de rendimento, seja pelo tipo de ocupação, seja pelo perfil e atributos pessoais, o grosso da população emergente não se encaixa em critérios sérios e objetivos que possam ser claramente identificados como classe média”.

Em outras palavras, seriam os “remediados” da classe trabalhadora.

No livro, o presidente do Ipea faz uma comparação intrigante: coloca lado a lado a ascensão social promovida durante o governo Lula e a experimentada por setores da população durante o milagre econômico dos anos 70, em plena ditadura militar. Lá, acompanhada pela migração do campo para as cidades e influenciada fortemente pela Igreja Católica e suas Comunidades Eclesiais de Base (CEBs). O bispo vermelho de Bauru, Dom Cândido Padin, que o diga. Eram as sementes que iriam eclodir plenamente mais adiante, com o PT e Lula, no ABC paulista dos anos 80.

Mas, agora, Marcio Pochmann diz que os partidos políticos e o sindicalismo, entre outros, não dão conta de lidar com a base despolitizada do lulismo. Mais um trecho da introdução: “Percebe-se sinteticamente que a despolitizadora emergência de segmentos novos na base da pirâmide social resulta do despreparo de instituições democráticas atualmente existentes para envolver e canalizar ações de interesses para a classe trabalhadora ampliada. Isto é, o escasso papel estratégico e renovado do sindicalismo, das associações estudantis e de bairros, das comunidades de base, dos partidos políticos, entre outros.”

Temos, portanto, um dilema: mais ou menos Estado? Privataria ou ensino, saúde e outros serviços públicos universais e de qualidade para todos? É o que está em jogo.

Márcio já havia escrito, anteriormente, na Folha de S. Paulo, um artigo que refletia a encruzilhada brasileira. Reapresentamos o artigo, no Viomundo, com o título: Clássico brasileiro é Vaco vs. Fama.

O Brasil produzirá produtos de alto valor e conhecimento agregados (Vaco) ou ficará na combinação de fazendas, mineração e maquiladoras (Fama)?

Eu [Azenha] diria que o Fama está ganhando de goleada. Você vai ao porto de Suape e todos os guindastes são feitos na China. Você vai à moderníssima usina de energia eólica de Pedra do Sal, no Piauí, e toda a tecnologia é importada. Você percorre as novas fronteiras do agronegócio e descobre que a maior parte do lucro fica com a Cargill, a Bunge, a Monsanto, a Basf, a Massey Ferguson e outras. E, enquanto as crianças sul-coreanas baixam os livros didáticos de clouds em escolas públicas, no Brasil a banda larga é da Telefônica e o Carlinhos Cachoeira é empresário do ramo da educação superior.

Marcio Pochmann aponta para vários passos que podem reforçar o time do Vaco e, no clássico que ele mesmo inventou, diz que “a luta continua”.

O autor explica melhor que eu o Nova Classe Média?, nos trechos de entrevista que aparecem abaixo:

marcio1

marcio2

vaco

Ouça também:

Artur Henrique: Por um novo sindicalismo

Beatriz Kushnir: Como a mídia colaborou com a ditadura

Stédile: Globo faz parte da associação do agronegócio

Wanderlei Pignati: Água que você bebe só admite 13 metais pesados, 13 solventes, 22 agrotóxicos e 6 desinfetantes

Celio Bermann: Belo Monte serve a Sarney e às mineradoras

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110 comentários

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Maria Ines

03 de junho de 2016 às 09h36

Ficou lindissima. Adoro seus posts! Beijo

http://cursomaquiagempelenegra.com

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Diana Assunção: USP sobe no ranking baseada em trabalho semi-escravo « Viomundo – O que você não vê na mídia

25 de março de 2013 às 10h52

[…] [Ouça aqui uma entrevista do Márcio sobre o assunto] […]

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bernardino furtado

10 de maio de 2012 às 19h59

Caro, Azenha. O primeiro ‘M’, a Mineração, do Fama (Fazenda, Mineração e Maquiladora)tem um ‘poderoso’ efeito sobre o desenvolvimento brasileiro. A maior mineradora do Brasil, a VALE, está em conflito hoje com a proposta de criação de um novo Parque Nacional em Minas Gerais. O vídeo “Devastação sem Compensação” é instrutivo do que a Vale vai fazer nesse espaço cheio de nascentes e matas: http://www.youtube.com/watch?v=OAQDrP-Mhco&feature=g-upl
Bernardino Furtado,jornalista free-lancer, Belo Horizonte-MG.

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    H. Back™

    11 de maio de 2012 às 18h56

    É o chamado capitalismo predador, ou seja, um desenvolvimento a qualquer preço. A prioridade é devastar primeiro o quintal dos outros, prá só mais tarde acabar com o seu próprio quintal.

Marcio Pochmann: Despolitizada, “nova classe média?” é desafio … « Media Brasil

10 de maio de 2012 às 14h14

[…] here: Marcio Pochmann: Despolitizada, “nova classe média?” é desafio … :carlos, classe, estrutura-fundi, hoje, hoje-pior, luiz, marcio, marcio-pochmann, mil-propriet, […]

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Maria Dirce

07 de maio de 2012 às 19h49

Espere, a eleição para prefeito, vcs verão como a classe C esta despolitizada.

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laura

06 de maio de 2012 às 21h29

Olha aí a classe média francesa! nas ruas e derrotando Sarkosy. Algo se movimenta e é libertário. Há sim a classe média que vota na direita, mas há aquela que quer mudar.

carta maior
Paris – 31 rosas depois e uma frase que marca um rumo: “a austeridade não pode ser mais uma fatalidade na Europa”. Três décadas e um ano separam a vitória do socialista François Miterrand à presidência da República (maio de 1981) do triunfo eleitoral obtido neste domingo por François Hollande por 51,70% contra 48,30% dos votos. O modelo mais refinado do anti-herói derrotou nas urnas a versão mais xenófoba e ultrajante do liberalismo europeu: Nicolas Sarkozy ficou sem o grande sonho de revalidar seu mandato ao cabo de uma década no poder na qual seus cinco anos de presidência ficaram marcados pela panóplia de seus excessos, as promessas não cumpridas, as reformas pela metade, o desemprego, o desmonte do Estado de Bem-estar, o personalismo às últimas consequências, a arrogância e a violência racial com a qual, de uma forma ou de outra, tratou os estrangeiros.

A França encerrou uma fase na noite deste domingo e resgatou do frondoso bosque liberal a socialdemocracia europeia. Paris treme com os buzinaços e os gritos e cantos de alegria que cobrem a Praça da Bastilha. “Sarkozy terminou”, “a França Forte é a França de Esquerda”, gritava à noite a numerosa juventude que se reuniu na sede parisiense do Partido Socialista, na rua Solferino. A grande maioria desses jovens só conheceu até hoje a ação política dos governos conservadores e a fulgurante agressividade de Nicolas Sarkozy. Agora estão diante de uma nova perspectiva: “a mudança começa agora”, disse o presidente eleito no primeiro discurso que pronunciou desde Tulle (na região de Corrèze, centro sul do país), cidade da qual foi prefeito.

Pela mão de um homem discreto, sem a mais longínqua sombra de suntuosidade, que jamais ocupou um cargo ministerial e por quem, há um ano, nem seus mais fieis partidários apostavam as fichas como presidente da República, o socialismo francês regressa ao poder 17 anos depois da última vitória de François Miterrand (1988). O triunfo de Hollande é o resultado de uma construção pessoal que se plasmou logo depois de ter passado 11 anos como primeiro secretário do PS e outros dois elaborando a plataforma com a qual, no ano passado e em meio ao marasmo provocado pela queda do ex-diretor geral do FMI, Dominique Strauss-Kahn (o candidato socialista até então campeão nas pesquisas). François Hollande saiu do nada. “Hollande? Não, impossível, é uma piada”, diziam seus opositores de direita e alguns elefantes do Partido Socialista. Ele os derrotou.

Logo depois de ser eleito em 2007, Nicolas Sarkozy havia dito que ao final de seu mandato queria ser julgado por duas variáveis: a taxa de desemprego e a redução da pobreza. O julgamento veio das urnas: há um milhão a mais de desempregados e vários milhões de pobres. François Hollande pediu à história outro julgamento, o dos “compromissos maiores, com a juventude e a justiça”.

O presidente eleito disse domingo à noite que cada uma de suas “decisões se baseará em dois critérios: por acaso é justo e beneficia verdadeiramente a juventude?” A vitória do socialista francês tem, além disso, outra conotação: sua chegada ao poder rompe a cúpula hegemônica que governou a Europa nos últimos anos e que ficou conhecida como Merkozy. A dupla composta pela chanceler alemã Angela Merkel e pelo presidente Nicolas Sarkozy impôs a Europa uma única via: a austeridade sem crescimento como método e disciplina. Até que François Hollande chegasse com sua candidatura, fora dos ajustes e da restrição dos gastos não havia outro caminho. A vida era isso ou nada. François Hollande foi o primeiro dirigente da UE que levantou outra bandeira e rechaçou a bíblia do rigor fiscal sem crescimento. Isso valeu a ele a afronta de um acordo secreto pactuado entre Merkel, o primeiro ministro britânico, David Cameron, o presidente do Conselho Italiano, Mario Monti, e o presidente do governo espanhol, Mariano Rajoy, para não receber Hollande. Há dois meses, fecharam-lhe as portas. Agora, deverão colocar o tapete vermelho.

A margem da vitória de François Hollande foi mais estreita que a anunciada pelas pesquisas. Mas isso não diminui o denso golpe da história. A direita francesa protagonizou durante a campanha eleitoral, em particular durante as duas últimas semanas, uma desesperada corrida na direção da extrema-direita: fronteiras, imigração, segurança, violento discurso contra os meios de comunicação e uma vasta verborragia ultradireitista ocuparam os longos discursos de Sarkozy. Até o último momento, o atual presidente defendeu uma França ameaçada pelo mundo, pelos intercâmbios comerciais desequilibrados, os fluxos migratórios, os sindicalistas e os muçulmanos.

O conceito de “fronteira” foi para Sarkozy o antídoto contra essa massa tóxica que era o resto do planeta. À noite, no discurso que pronunciou logo após a divulgação dos resultados, Sarkozy disse: “não consegui convencer a maioria dos franceses. Assumo a responsabilidade pela derrota”. A extrema-direita com a qual tanto flertou o espera agora na primeira emboscada para esmigalhar o partido UMP e converter-se na força dominante da direita. Os conservadores têm dois inimigos em seu caminho: as eleições legislativas de 10 e 17 de junho e a extrema-direita da Frente Nacional. O enfoque moderado de François Hollande quebrou a contundente aposta ultradireitista e populista do presidente. Com ela, Nicolas Sarkozy pensou sepultar a impopularidade que o perseguia (60%) e o evidente fracasso de sua gestão. O sussurro socialdemocrata do presidente eleito tapou a fúria liberal. Sarkozy perdeu, como em toda disputa eleitoral, mas perdeu sem honra.

Imensa, coletiva, assombrosamente jovem e liberadora, como uma lufada de um perfume renovador, como o fim de um pesadelo, barulhenta e comovedora até às tripas: a alegria que explodiu nesta noite de domingo em Paris é indescritível. Agora mesmo, quando ainda se sente o tremor da história que traga o que quase já não está mais aí, as pessoas cantam e dançam na Praça da Bastilha, correm pelas ruas com bandeiras francesas, garrafas de Champagne, retratos de François Hollande e rosas na mão. Esta explosão coletiva tem o nome mais humano que se conhece: esperança. Sarkozy deixa atrás de si um país agredido: “demasiadas fraturas, demasiadas feridas, demasiados cortes separaram nossos concidadãos entre si. Isso acabou. O primeiro dever de um presidente é unir”, disse Hollande em seu discurso. Suas palavras já foram plasmadas no seio da esquerda, e isso o conduziu ao poder presidencial: uniu as correntes socialistas, atraiu os votos dos ecologistas e, sobretudo, agrupou em torno de sua a leal esquerda radical liderada por Jean-Luc Mélenchon na Frente de Esquerda. Quando François Hollande terminou seu discurso , uma mulher que estava na Praça da Bastilha, tinha os olhos cheios de lágrimas. Só conseguiu dizer: “Quando o escuto, tenho a impressão de voltar a minha casa. Este é o meu país”.

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Donizete

06 de maio de 2012 às 12h22

Acredito que a educação e politização (esta independente do grau de estudo)deveriam ter peso maior nessa classificação de classe média.

Responder

ricardo silveira

06 de maio de 2012 às 03h38

Chamar a atenção para a despolitização dos que foram promovidos a uma maior renda é, sem dúvida, importantíssimo. Mas, esta é uma constatação, até certo ponto, óbvia, e não uma desqualificação do feito, mesmo porque é uma questão de justiça, e até necessário como condição prévia a qualquer politização. A questão é como produzir a politização no tempo que corre. Não me parece que essa possibilidade vá decorrer da maior capacidade tecnológica. Antes dessa, ou a ela concomitante, penso que é preciso um espaço público livre de monopólios.

Responder

    pperez

    06 de maio de 2012 às 12h30

    Na minha opinião a politização da sociedade, está muito atrelada à sua formação historica/cultural.
    Num País em que a parcela maior da sociedade sempre foi explorada pela elite que se manteve na casa grande até poucos anos atrás,a perseguição moral,psiquica e fisica era o premio a quem se atrevia a contestar a logica deste sistema.
    Hoje,a elite ainda tem poder e mais agressividade, mas a sociedade organizada tambem se fortaleceu, porém sente dificuldade de contar com lideranças autenticas,compromissadas e capazes.

Marcio Pochmann questiona otimismo brasileiro | Outras Mídias - Outras Palavras

05 de maio de 2012 às 23h03

[…] Por Luiz Carlos Azenha, no Viomundo […]

Responder

FrancoAtirador

05 de maio de 2012 às 17h01

.
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Em linhas gerais, fico com a tese do Occupy Wall Street:

Só há 2 classes: a explorada (99%) e a exploradora (1%).
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Responder

LUIZ FORTALEZA

05 de maio de 2012 às 14h12

Só pra esclarecer, minha crítica aqui é ideológica, teórica… mas continuo apoiando essa estratégia histórico-conjuntural de futuros revolucionários da esquerda brasileira, espero que seja, ensaiar os passos para superar o capitalismo. Pelos menos, estamos controlando o Estado burguês na medida do possível… um passo, um pequeno passo…vamos em frente que a história é contingente, imprevisível.

Responder

    Mário SF Alves

    06 de maio de 2012 às 17h10

    Pois é, Luiz. Ou isso, ou…
    Vamos ter de reler O Capital e adotar o materialismo-histórico-dialético como sendo A REPRESENTAÇÃO da realidade. E se assim tiver de ser, que viva a tese do quanto pior melhor (inclusive as presepadas do cachoeira), e que venham as circunstâncias (que nunca virão) para, enfim, fazer eclodir a derradeira, a científica, a revolução.
    Nesse ínterim, amigo, adeus PT, adeus enfrentamento político e adeus credibilidade dos blogs sujos.
    Elucubrações à parte, e a bem da verdade, sou o “Em linhas gerais, fico com a tese do Occupy Wall Street: Só há 2 classes: a explorada (99%) e a exploradora (1%)”, do Franco Atirador e pela rigorosa apuração da conspiração Veja/Demóstenes/Mendes/Cachoeira.

    LUIZ FORTALEZA

    07 de maio de 2012 às 21h35

    Vc não imagina como foi difícil eu compreender este método abstrativo de Marx onde o ponto de partida é a realidade nas suas íntimas conexões, relações. Muitos intelectuais compreenderam mal Marx e até eu mesmo. Pensei ter compreendido O Capital de Marx, mas no doutorado, uma colega minha, um professora de economia da UFSE me deu uma outra leitura da estrutura de O Capital e aí percebi como estava com uma leitura aparente da obra de Marx, ao pé da letra… Foi aí que me dei conta da minha ignorância ao estudar Marx. Até um universitário alemão veio estudar conosco, porque na Alemanha não se dá economia marxista nas Universidades alemãs. Vc talvez não tenha ideia da complexidade das teses sobre a crise do valor em O Capital, daí eu achar que leram o tomo I e se esqueceram de ler os tomos II e III que trata justamente desta crise de valorização do valor. E se vc for ler os Grundrisse – os rascunhos – para ele escrever O Capital, vai perceber que muita coisa Marx não pôs na sua obra maior, devido a seu limite temporal. E esta obra dos Grundrisse hoje é por muitos autores mais importante do que o próprio Capital, pois há questões que Marx colocou e não desenvolveu plenamente porque faltava o que temos hoje o capitalismo mais evoluído.

Mario Silva Lima

05 de maio de 2012 às 13h49

Pochmann tem razão,a “nova classe c”é despolitizada,mas se depender dos partidos ou dos sindicatos que temos,ela está perdida,continuará à deriva e o resultado pode não ser o melhor.Olhar a História da Alemanha nazista para não cair no mesmo erro.
PS:a “nova classe c”saiu da miséria para a pobreza, não para a classe média como quer a propaganda.Aí é que mora o perigo:na propaganda!

Responder

    xacal

    06 de maio de 2012 às 19h27

    Mas o que significa “ser politizado”? Eu não creio que animais políticos por natureza, como os homens, podem ser “despolitizados”.

    Há demandas imediatas e outras de longo prazo. Há valores universais e temas relacionados ao viés de classe.

    O pobre quando escolhe satisfazer sua “necessidade fisiológica” para se manter vivo, faz a escolha política possível, mas não menos importante de quem imagina estar debatendo os “grandes temas”.(aliás, o que são mesmo?).

    Eu continuo a perguntar: qual é a agenda do “politizado”?

Alexandro e Marcelo: Sobre os rumos da política brasileira « Viomundo – O que você não vê na mídia

05 de maio de 2012 às 12h00

[…] por Alexandro Rodrigues e Marcelo de Matos, em comentários no post do Márcio Pochmann Alexandro: Márcio Pochmann é um dos mais brilhantes intelectuais brasileiros de sua geração. Claro, enfático, prático. Diz o que deve ser dito sem aquela linguagem rebuscada e cafona da intelectualidade tradicional. Tive o prazer de assistir algumas palestras suas enquanto cursava Economia na PUC de Campinas. Ele é amigo do meu orientador na graduação. […]

Responder

Marcelo de Matos

05 de maio de 2012 às 11h41

O que vou dizer não é, de forma alguma, uma provocação à esquerda predominante aqui no Viomundo. Duas notícias deixaram-me perplexo nesta manhã: 1ª) o blog 247 acena com uma possível chapa única em Minas, com Fernando Pimentel (PT) para governador, o prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB), para vice e o governador de Minas, Antonio Anastasia (PSDB), para o Senado; 2ª) em Itupeva-SP, o jornal arqui-tucano da cidade anuncia a candidatura de um petista à prefeitura, apoiado por uma coligação de 17 partidos. No romance “O Leopardo”, de Lampedusa, o personagem Tancredi declara: “É preciso que tudo mude para que tudo fique como está”. Quer dizer: seria preciso acabar logo com o regime monárquico e proclamar a república, não como na França, com derramamento de sangue, mas, encenando uma farsa. Assim os nobres unir-se-iam à nascente burguesia siciliana e continuariam no poder, que é o que realmente importa. Bem, esse é o cenário que se anuncia. Cada qual que faça a sua leitura.

Responder

CLÁUDIO LUIZ PESSUTI

05 de maio de 2012 às 11h10

Gosto muito do Marcio Pochman, mas é o governo do partido dele, aliás, ele é candidato do PT à prefeitura de Campinas, que se aproveita e estimula este movimento.O Prouni, tão festejado na mídia oficial, estimula, por exemplo, estas faculdades horrorosas privadas, Anhanguera a frente.Observem por exemplo, esta isenção de IR para o PLR dos amigos metalúrgicos.Ora, fora o casuísmo, é mais um estímulo ao consumo desenfreado capitalista, puro.Fora a reprodução de uma prática das elites, a repulsa em pagar impostos, que é o que financia o Estado para a realização das políticas públicas.Enquanto beneficiado, quer que os outros paguem impostos, quando começa a melhorar, é o primeiro a não querer pagar impostos!O lamentável é que , quando é conveniente, renunciar a receitas que o Estado tem direito é “gerar empregos e renda, graças ao aumento do consumo”.Interessante que o governo tem dois discursos, um , da “austeridade” para seus próprios funcionários.Já para a companheirada, renuncia a impostos é para “estimular o consumo e jogar dinheiro na veia da economia”…O Gilberto Carvalho até comentou que era benéfico esta isenção pois o “trabalhador não guarda dinheiro”.Guardar dinheiro para a educação dos filhos, por exemplo…Agora, imprevidência e falta de planejamento viraram virtudes para o petismo…

Responder

LUIZ FORTALEZA

05 de maio de 2012 às 09h09

A questão dos direitos humanos é pura filantropia burguesa – Karl Marx em “A Questão Judaica”.

Responder

    Marcelo de Matos

    05 de maio de 2012 às 12h04

    Hoje é politicamente impossível sustentarmos essa tese de Marx. Já que você falou em “Questão judaica”, pergunto se seria possível resumir em pouquíssimas palavras o que é essa questão. Sei que são séculos de história, de escravidão, de discriminação, de genocídios. Na minha ignorância, porém, ainda não entendi direito essa expressão “problema judeu”. Um primo meu, estudante de filosofia, tinha sobre a mesa um livro em francês chamado “Le problème juif”. Perguntei o que era esse problema e ele respondeu com uma pergunta – Você tem cultura religiosa? Disse que nenhuma e ele respondeu secamente – Então, esqueça os judeus.

    LUIZ FORTALEZA

    05 de maio de 2012 às 13h18

    Grosso modo falando, “A Questão Judaica” em Marx fala da questão do Estado cristão-alemão onde os judeus não tinham espaço político neste Estado, porque este justamente não era laico, blá blá… O objetivo dos judeus-alemães era tornar o Estado laico, independente da religião, mas o seu poder comercial suprimia essa questão, ao colocá-los em vantagem comercial. Mas o que é importante ressaltar neste texto de Marx é a sua crítica aos direitos do homem propagado pela Revolução Francesa em 1789, com a declaração dos direitos do homem em 1791 e 1793 etc. O que Marx quis dizer com isso, que a emancipação política, que quer promover os direitos humanos, é apenas uma revolução parcial, porque não mexe nos pilares da sociedade burguesa que impede a realização desses direitos humanos que é a propriedade privada egoísta na forma de capital, o trabalho explorado e Estado dominado pelo poder econômico. O Estado é a fonte das mazelas sociais, segundo Marx, porque justamente o Estado é um dos pilares da sociedade classista que visa diluir nele os interesses públicos e privados, eis a contradição da sociedade burguesa. Só que o Estado na verdade tem caráter classista e está instrumentalizado para realizar os interesses de uma classe que domina politica, economica e culturalmente um determinado período histórico com uma formação social determinada, cujo fim último é realizar a riqueza pra uma minoria, a saber, a propriedade privada para a classe burguesa. Dito isso, Marx conclui que é impossível o Estado ser esse demiurgo da solução das contradições e antagonismos sociais, porque na teoria a sua impotência administrativa resulta resulta dele não conseguir realizar a finalidade e a boa vontade política de combater os males sociais, porque ele é mesmo produtor desses males sociais a serviço dos interesses do capital. Mas o mais interessante é qdo Marx critica a política do “substitucionismo” no Estado moderno burguês, pois esta mudança de pessoas ou de partido no poder do Estado moderno é nada mais nada menos do que uma ilusão política de querer realizar a verdadeira emancipação humana que é negar a política tal qual ela é, ou seja, a da burguesia. A verdadeira realização da política para Marx é aquela em que a situação existente fica submetida à crítica autêntica. E a crítica autêntica é aquela que vai na raiz dos males sociais combatendo suas causas e não seus efeitos. Por isso Marx denominar os liberais, aí incluo a esquerda moderna brasileira, de libertários políticos, iludidos com a democracia vulgar da burguesia. Jamais, jamais, realizar=se-á uma sociedade justa, fraterna e solidária qdo a prática social desta sociedade é de caráter privado, egoísta. É preciso negar a situação histórica existente para que uma nova possa emergir. E só acontecerá qdo o sujeito histórico tiver, não uma consciência cidadã, mas uma consciência ideológica, teórica, do seu conflito de classe, da sua história presente. E aí eu poderia fazer uma tese sem fim… e paro por aqui. Risos. MORAL DA HISTÓRIA: vivemos ilusões políticas ao querer transformar a realidade com meios capitalistas.

    LUIZ FORTALEZA

    05 de maio de 2012 às 13h32

    Continuando: com meios políticos capitalista. Marx errou em algumas questões de previsão lá no ano de 1848, mas o próprio Engels, depois da morte de Marx, reconheceu que não se poderia mais fazer aquele modo de luta da revolução proletária francesa de 1871, pois o proletariado estava imaturo politicamente, e as condições objetivas não estavam dadas. O que é atual em Marx, é o seu pensamento universal sobre a crise de valorização do valor, ou seja, do capital, e a onipotência política do Estado burguês, mesmo sob administração dos proletários. Marx disse na VI tese sobre Feuerbach: é na práxis que o homem prova a verdade, a força e a terrenalidade do pensamento. Isolado da práxis, o pensamento é pura escolástica.

    LUIZ FORTALEZA

    05 de maio de 2012 às 13h40

    error: onipotência política do Estado do burguês.

    Certo: a impotência político-administrativa do Estado burguês.

    Agora confronte tudo o que Marx disse com a realidade de hoje.

    Marcelo de Matos

    05 de maio de 2012 às 14h24

    Grato pela atenção. Ainda preciso ler mais alguma coisa sobre o tal “problema judeu”. Isso quando eu não estiver ocupado com os meus próprios problemas.

    LUIZ FORTALEZA

    05 de maio de 2012 às 16h11

    De nada, eu sei que é uma leitura difícil e complexa a de Marx, mas se a gente entender e estar atento a cada frase e parágrafos, entendendo suas conexões, a gente aprende a ler melhor Marx. Já vi muito intelectual na tv matar as ideias de Marx, sem saber nem aonde Marx piou.

ZePovinho

05 de maio de 2012 às 08h37

Eu sabia,mizifio Azenha,que com a idade voce abandonaria a pérfida ideologia da qual era escravo.Chego a chorar de emoção por vê-lo no rol dos Homens Bons:

“…De agora em diante o Jornalista Luis Carlos Azenha fará parte de uma tropa , composta por homens bons do porte de Reinaldo Azevedo , Bóris Cazoy e Merval Pereira , que combatem altivamente as calunias e mentiras propagadas pelos blogs sujos contra homens bons como José Serra e Demóstenes Torres”………..

http://www.hariovaldo.com.br/site/2012/05/03/jornalista-comunista-abandona-o-lado-negro-da-forca/

Jornalista comunista abandona o lado negro da força
03/05/2012

http://maureliomello.blogspot.com.br/2012/04/extra-azenha-novo-contratado-do-psdb.html

PS:Ei,mizifio Azenha,me arranja um empreguinho aí no governo de São Paulo como assessor ou membro de um desses conselhos de administração tipo Sabesp.Prometo comparecer uma vez por mês.Tenho parentalha em Mauá.

Responder

Cláudio

05 de maio de 2012 às 03h48

Tem que se criar o lucrômetro. Base despolitizada é algo extremamente preocupante, como se não bastasse a eterna ameaça da classe mérdia, prostituta social.

Responder

LUIZ FORTALEZA

05 de maio de 2012 às 00h05

Do economista da UNICAMP Edmundo Costa:O PIB MUNDIAL é de 55 trilhões de dólares e a especulação financeira mundial é de 635 trilhões de dólares. Moral da história: o sistema de produção (PIB) não terá capacidade de remunerar a especulação financeira mundial. Esta é a crise financeira mundial.

Responder

LUIZ FORTALEZA

04 de maio de 2012 às 23h33

Ainda tem gente que acredita na harmonia entre lucro e salário. Marx já falou tanto sobre isso em suas obras, mas parece que os economistas burgueses ortodoxos ignoram. Acreditam na humanização do complexo chamado capitalismo. A essência do capitalismo é enriquecer a minoria e empobrecer maioria. O fundamento do capital é rebaixar salários ao nível do preço de subsistência do trabalhador. Será que já se esqueceram do ciclo de Kondratieff? Da crise estrutural e sistêmica do capital desde 1973? O capitalismo está em crise mundial e o Brasil não vai ficar imune a essa crise mundial. Pensar o modo de distribuir riqueza nos marcos da lógica do capital, é querer fortalecer as ilusões políticas dos libertadores políticos que tanto Marx criticava. É reforçar a onipotência da vontade política do Estado burguês como gerenciador do conflito entre capital e trabalho. Não adianta expor paliativos econômicos a partir da lógica da exploração capitalista. A essência do sistema é mesmo explorar o trabalho, caso contrário, o sistema do capital tem um colapso e morre. Em outras palavras, não há riqueza sem pobreza, não há capital sem trabalho explorado;e o mito da onipotência da vontade política, do gerenciamento da crise do capital é mais uma ILUSÃO que se vende há séculos… Nem Vargas, nem JK, nem LULA, nem Keynes, nem sociedade do bem-estar social, nem ninguém vai acabar com a desigualdade do sistema pq sua natureza é essa: produzir miseráveis.

Responder

    LUIZ FORTALEZA

    04 de maio de 2012 às 23h57

    VARGAS representou o industrialismo, JK, JANGO E DITADURA MILITAR o nacional desenvolvimentismo, Collor, Itamar e FHC, o neoliberalismo ortodoxo. Lula e Dilma, o neo-desenvolvimentismo, pior do que o desenvolvimentismo populista dos anos 1955-1978.

    assalariado.

    05 de maio de 2012 às 08h51

    Luiz, obrigado por estas aulas de desilusão sobre o instinto animal ‘invisível’ que o capital expressa através dos seus braços midiáticos e que, por sua vez, nos midiotiza e ilude, a chamada classe média formadora de opinião. Seus ‘especialistas’ nunca passam de garotos de recado, a serviço da ideologia burguesa e do pensamento único. Obrigado por estas aulas comentadas.

    Saudações marxistas.

    Filipe Rodrigues

    05 de maio de 2012 às 11h27

    O Neo-desenvolvimentismo é pior que o Desevolvimentismo Populista?

    O Velho desenvolvimentismo tinha pouca preocupação com o social, o modelo Cepalino era cheio de falhas, pois investiu enormes quantidades de dinheiro no crescimento econômico e quase nada no bem-estar social, o resultado foi que metrópoles como São Paulo mais que dobraram sua população.
    O modelo populista pode ter sido mais eficiente com suas políticas industriais mais consistentes (devido a taxa de câmbio muito depreciada).

    Itamar foi um intervalo da ortodoxia (uma heresia comparar-lo com FHC e Collor), em seu curto período no governo, o Brasil cresceu em média 5%.

    LUIZ FORTALEZA

    05 de maio de 2012 às 14h07

    KKKK Vá se entender lá com o BOITO JR., foi ele quem falou num artigo eletrônico…que o neodesenvolvimentismo de Lula e Dilma é pior que o desenvolvimentismo populista dos anos 1960, mas acho que ele se refere ao crescimento industrial…

SILVA

04 de maio de 2012 às 23h13

O sucateamento do ensino no Brasil iniciou no regime militar através do Acordo MEC-USAID. Trabalha comigo no escritório estudante de Direito que tem dificuldade de interpretar textos, dificuldade de redigir, fazer recursos, contra-razões… mas tem vontade de aprender. Se forma no fim do ano e falei para ela com o diploma de advogada para disputar mercado. Não quer ficar no meu escritório. É péssima a qualidade de ensino no Brasil

Responder

    Felipe

    06 de maio de 2012 às 13h08

    O sucateamento do ensino no Brasil iniciou no regime militar através do Acordo MEC-USAID. Trabalha comigo no escritório estudante de Direito que tem dificuldade de interpretar textos, dificuldade de redigir, fazer recursos, contra-razões… mas tem vontade de aprender. Se forma no fim do ano e falei para ela com o diploma de advogada para disputar mercado. Não quer ficar no meu escritório. É péssima a qualidade de ensino no Brasil

    De fato. Pela leitura do seu comentário, extremamente truncado, dá para ver que a educação no Brasil é péssima. É o roto falando do esfarrapado. Típico dos nossos amigos de esquerda. É contrarrazões, não contra-razões. Vai estudar, filho.

viviane legnani

04 de maio de 2012 às 20h54

Tenho trabalhado diretamente com nova classe média há três anos. Explico: sou professora dos cursos de licenciaturas na universidade, os quais concentram muitos desses alunos. Assim, sinto diariamente o impacto do baixíssmo nível da educação básica da escola pública, pois esses jovens têm dificuldades para escrever e ler.Além disso moram longe, alimentam-se mal e trabalham, duramente, ao longo da graduação. Obviamente, diante de tantas dificuldades demonstram pouco sensibilidade para com os problemas sociais e percebo que não estão muito dispostos a quebrar o ciclo da baixa qualidade da educação nas escolas. Forçando um pouco a barra posso dizer: identificam-se mais com os opressores do que com os oprimidos. Ações violentas de policiais, por exemplo, são muito bem vistas. A “ética” superegóica é a seguinte: “me sacrifico, sofro diarimente e qualquer um, que não fizer do mesmo modo, não merece clemência”. Confesso que a disciplina que têm me comove, mas a rigidez com que julgam os outros me assusta.

Responder

    Fabio Passos

    04 de maio de 2012 às 23h40

    Viviane,
    Penso que a antiga classe média sofre destes mesmos cacoetes que você descreveu para os remediados da classe trabalhadora:
    – Pouca sensibilidade aos problemas sociais.
    – Identificam-se mais com os opressores do que com os oprimidos.
    – Aplaudem a violência policial.

    Creio que isto é fruto da despolitização, tanto da antiga quanto da nova classe média.

Gustavo Pamplona

04 de maio de 2012 às 20h24

“O melô do cachoeira”
http://www.youtube.com/watch?v=GowGB-mBjWU

Divirtam-se! =D

—-
Desde Jun/2007 melodiando no “Vi o Mundo”! ;-)

Responder

Julio Silveira

04 de maio de 2012 às 20h10

Como o cidadão brasileiro não tem grande tradição literaria, ele se acostumou a beber sua informação através da midia corporativa, a formar seus conceitos dela, então não podemos deixar de considerar que o grande peso dessa despolitização vem da grande midia corporativa. Ela procura generalizar os maus feitos na politica brasileira como se fosse um fenomeno exclusivamente nosso.Cria a cultura do todo pelo um.
Cria com isso um descredito consideravel nos agente politicos em geral, com consequente baixa estima no cidadão que passa a nãoi confiar em seu sistema e a duvidar até da propria nacionalidade. E já creio, que fazem isso de caso pensado, pelos estrategistas desses grupos, de forma maldosa, como maneira de se tornarem agentes politicos importantes, e atraentes nessa valorização artificial. Por isso costumam atrair os politiqueiros, como vaga-lumes a luz. Por isso até hoje muitas questões importantes são relegadas, por força dessa coerção e coação oculta vinda de elemento que prestam serviço a esses grupos, como temos observado.

Responder

    Werner [email protected]_2

    05 de maio de 2012 às 23h31

    concordo plenamente Julio.

    Acho que mais que os proprios partidos, parte notavel da despolitização é siim atribuivel a grande midia.
    Ao inves de programas que primam por premios e diversao de gosto duvidoso tivessemos documentarios, informativos, debates, filmes classicos… certamente o “nivel cultural” melhoraria.

    E parece, isto está longe de ser interesse tanto da velha midia quanto dos proprios politicos.

    Temos longo caminho pela frente, é fato.

    Mas isso é fenomeno mundial. Tenho acompanhado à serie “A TV que se faz no mundo” francesa de origem, apresentada aqui pela tv Brasil às 4as feiras, e rapaz, tem cada coisa neste mundão… às vezes até piores que aqui. Embora a serie esteja meio “datada”, os ultimos programas apresentados parecem ser de 2006… e muito já mudou, como por exemplo na Argentina.

xacal

04 de maio de 2012 às 19h35

Há outros setores da intelectualidade tratando deste tema, como Jessé Souza, da Universidade Estadual do Norte Fluminense/RJ.

Como todo problema, não dá para ter uma abordagem monocórdia, ou simplista. É difícil delimitar os parâmetros de classe partindo de conceitos puramente econômicos, ideológicos ou “culturais”(baseados em consumo, hábitos de lazer e plataformas de informação utilizadas).

Mas parece que alguma coisa já revela o “caráter” da nova classe trabalhadora:

-tem viés conservador-religioso forte(vide a oscilação eleitoral no caso Dilma-aborto)

-é sensível a cantilena neo-udenista(vide o movimento pendular pró-Marina Silva), mas quando confrontada com a possibilidade de perder o que já conquistou com o modelo Lula-Dilma adota o pragmatismo.

-reconhece o papel indutor do Estado, mas deseja se livrar da pecha de dependentes da política social que lhes permitiu a mobilidade.

-enxergam a Educação como bem ou valor imprescindível, e tendem a cobrar do Estado boas escolas públicas ou investirem nas privadas quando podem.

No entanto, não dá para cristalizar “preconceitos” como li aqui: Todas as classe, independentemente do nível de escolaridade formal, desenvolvem seu “saber político” a partir de necessidades mais urgentes e outras estratégicas.

E por mais paradoxal que pareça, é justamente o maior conforto econômico e mais escolaridade que trazem mais aversão a política e mais conservadorismo. É só observar o público de Veja, ou a estreiteza infértil da maioria dos estudantes abastados das Universidades Públicas.

Os ricos são tão ou mais utilitaristas e oportunistas que os pobres, ou os “novos classe média”, o problema é que as “demandas” dos ricos são douradas pelo manto da legitimação ideológica que critica o Bolsa Família, mas chama subsídio e renúncia fiscal de “indução do desenvolvimento”.

O problema na “nova classe média” é que a aproximação com os andares mais altos(a velha classe média)promove a herança dos valores, justamente quando as instituições democráticas estão aprisionadas ou pela agenda do poder financeiro ou pela incapacidade de formular novas perspectivas e propostas de convivência coletiva.

Responder

mello

04 de maio de 2012 às 17h40

Marcio Pochmann é brilhante. Candidato petista à Prefeitura de Campinas, merece ser eleito . Vamos ver se a esquerda radical e também os udeno esquerdistas o apoiam…Será que o psol se desprende dos seus “companheiros” do dem, psdb e pps e o apoia?

Responder

    Luiz Carlos Azenha

    04 de maio de 2012 às 19h19

    O PSOL, infelizmente, tem uma queda para apoiar a direita.

    xacal

    04 de maio de 2012 às 20h06

    Pois é Azenha,

    Concordo plenamente com você, e veja como é engraçado: é justamente quem se reivindica mais “politizado” que acaba por tangenciar os extremos, que te tão extremos acabam por se juntar.

    Então, acho que o título “despolitizado” não cabe como rótulo para a “nova classe média”, e talvez para nenhuma classe.

    O desafio é enxergar o senso político de cada estrato social, e dentro de cada um destes “rótulos” enxergar a diversidade de manifestações, e como estes interesses múltiplos se expressam e pressionam na luta pelo poder e na satisfação de suas demandas.

    José Roberto

    04 de maio de 2012 às 23h22

    Ótima piada Azenha,
    Perguntinha: o PSOL também apóia ou faz coligação com o José Sarney, Renan Calheiros e o Fernando Collor como o PT?

    mello

    05 de maio de 2012 às 00h14

    Mas essa direita apoia o governo do PT, enquanto aquela esquerda o rejeita, une-se à parcela da direita na oposição, sistematicamente….não para alterar a realidade social do País, mas simplesmente tentar impedir que ela se altere do jeito que o Governo conduz .
    Porchmann tem uma visão mais progressista mas não abandona o campo de luta, até chega a disputar poder em nome desse partido que já detem o governo federal..

Paciente

04 de maio de 2012 às 17h16

O fato é o seguinte: com a picaretagem que rola a torto e a direito no ensino superior, o negócio não anda não!

Formar profissional de nível superior lendo “módulo”? O que é isso? Cursinho para arrumar emprego? Tá feia a coisa…

O diploma superior não encerra a questão. E o conteúdo? E a capacidade de inovação? E a máquina de xerox de livro escrito por gringo que não para?

Tá feia a coisa!!!

Responder

    strupicio

    05 de maio de 2012 às 08h15

    na mosca….além do livro acrescentaria que tb a maquina de xerox foi obra de gringo é ou não é? (ah sim…um dos maiores “empreendedores” do tal ensino superior é o famigerado Charles Waterfall..e os demais são clones do mesmo)

Orivaldo Guimarães de Paula Filho

04 de maio de 2012 às 16h38

Um novo livro do Márcio Pochmann é sempre uma ótima notícia e este é um tema que muito tem me interessado. Outro dia em um descompromissado batepapo com alguns amigos, disse que educação é diferente de cultura e que as pessoas que estão atualmente melhorando o seu nível educacional com cursos superiores normalmente não melhoram o seu nível cultural, já que estes cursos superiores são em faculdades privadas e com viés exclusivo para o mercado de trabalho (não tenho nada contra isso, mas no futuro teremos problemas com certeza), além de que a maioria das pessoas que estão ascendendo socialmente tem um perfil consumista e que, inclusive, é estimulado pelo pouco acesso a cultura real. O primeiro desejo é um veículos automotor de uso individual, depois viagens ao exterior (destino preferencial Miami – muito cultural!!!!) e por fim bens de consumo “de marca” (roupas, sapatos, etc.), além de um vínculo religioso estranho a cultura brasileira, inclusive gerando repudio aos valores culturais genuinamente brasileiros (folclore, religião, hábitos, etc.) e coroando tudo isso o que o livro diz, a despolitização quase total (se estou comprando, tudo está bem!) o que em breve fará ascender ao poder a direita mais retógrada.
Sou um entusiasta do progresso social dos anos Lula e Dilma, mas temos que tomar cuidado e iniciar imediatamente um processo de discussão real sobre esta ascensão social e demonstrar que não é apenas o consumo que deve ser louvado e buscado, que não podemos visar exclusivamente o mercado de trabalho quando buscamos a melhoria educacional e que precisamos valorizar o Brasil e a sua cultura, ou seja, precisamos politizar a ascensão social, pois é dai que melhoramos a democracia. E, para lembrar, meus amigos concordaram apenas em parte e disseram que esta é uma análise muito pessimista e que só poderia ter sido feita por um comunista ateu. Adorei o elogio! Por um Brasil verdadeiramente laico e democrático!

Responder

Maria Thereza

04 de maio de 2012 às 15h54

Quem sou eu para discutir com Marcio Pochman. Entretanto, apesar de todas as contradições embutidas na questão da nova classe média/remediada, creio que saímos da lógica perversa de “primeiro fazer o bolo crescer para depois dividir”. Penso que esse é um ótimo momento, para que pessoas responsáveis e comprometidas com o desenvolvimento do Brasil, comecem a desenvolver ações para politizar a sociedade como um todo, inclusive tirando a pecha de que a política é sempre uma coisa suja. A CPI do cachoeira e da veja pode ser uma chance única para que nossos representantes saiam da péssima avaliação que têm perante a população. E vamos combinar que sair de onde estávamos para ter uma indústria de ponta, mão de obra qualificada, entre outros requisitos para o desenvolvimento, em apenas 10 anos, não é moleza. Ainda por cima com toda a imprensa velha, solidamente ancorada no capital gritando contra.

Responder

strupicio

04 de maio de 2012 às 15h08

um dos muitos equivocos da esquerda é o endeusamento acritico de pobres e proletarios…(nunca consegui ser de esquerda pq nao era possivel amar os pobres, os trabalhadores, o povo e a humanidade…essa turma toda nao vale o que o gato enterra)…se todos viemos de um mesmo caldo de cultura envenenado e apodrecido desde o começo, como os mais desvalidos entre todos podiam ser melhores? sem chance..como diz o bandido do Carandiru segundo Drauzio Varela ja citado por aqui. A bem da verdade não temos uma esquerda com a menor compreensão do marxismo, o que temos são positivistas com o viés cristão muito acentuado que transforma tudo em religião, pq são inacapazes de confrontar questões de fé e duvidar do que foi aprendido.

Responder

    Lucas Cardoso

    04 de maio de 2012 às 21h49

    Essa é a diferença principal entre um esquerdista e um direitista. Os pobres não são “desvalidos”, em geral eles são tão bons ou até melhores do que qualquer um de nós ou da elite. Um esquerdista entende que uma pessoa não é pobre porque ela é inferior, ela é pobre porque foi vítima de falta de oportunidades e de circunstâncias sociais ruins. Um direitista tem ilusões de darwinismo social que o levam a pensar que aqueles que obtêm “sucesso” o fazem por serem mais virtuosos, quando, pelo menos em nossa sociedade, é geralmente o contrário.

    strupicio

    05 de maio de 2012 às 08h07

    Sua intervenção ao meu comentário foi cortês e adequada e merece resposta. Mas acho difícil exprimir ideias mais elaboradas teclando letrinha por letrinha aqui..deve concordar que é um saco né? Longe de desejar a vc ou qq um, algo assim, mas se quebrar um braço ou pegar dengue fraquinha e ficar em casa uma semana inteira pede alguém pra ir na locadora e pegar todos os filmes do Buñuel e assiste, que entende o que quero dizer. Se não der pra pegar todos pega Nazarin que já ajuda bem.

Lucas Cardoso

04 de maio de 2012 às 14h33

“Temos, portanto, um dilema: mais ou menos Estado? ”

O dilema não é apenas se devemos ter mais ou menos Estado. O Estado era grande nos países fascistas. Se, como existe hoje, a principal preocupação do Estado é a socialização dos custos das grandes empresas e a proteção dos lucros dos empresários, então não adianta ter um Estado grande.

Precisamos de uma mudança qualitativa do Estado muito mais do que uma mudança quantitativa.

Responder

Regina Braga

04 de maio de 2012 às 14h26

Pois é…Quem transformou o Cachoeira em empreendedor?Quem montou o esquema perverso de corrupção dentro do país? Quem desmontou a educação e saúde? Quebrar uma herança de séculos, em dois mandatos,fica inviável,mesmo para o Pochmann…Campinas, pode ser uma grande experiência,se tiver, um sucesso estrondoso…tenho certeza que o PT não fara vistas grossas.E a velha e nova classe média são muito fortes em Campinas…Vamos ver o sucesso da empreitada(nada haver com a delta).

Responder

Bruno

04 de maio de 2012 às 14h09

A esquerda está com medo de a criatura matar o criador…

Responder

Noir

04 de maio de 2012 às 12h43

Márcio Pochmann para Presidente da República em 2018.

Responder

    Marcelo de Matos

    04 de maio de 2012 às 12h58

    Os planos desse gaúcho, por enquanto, são mais modestos: prefeitura de Campinas em 2012, pelo PT, embora, por seus artigos, ele agrade mais à esquerda tipo PSOL.

    Alexandro Rodrigues

    04 de maio de 2012 às 13h09

    Por não ser puxa-saco dizendo que tudo que o PT faz é uma maravilha, sempre vem com esse papo: esse aí psolista, esse aí faz o jogo da direita. Quem dera!

    A sorte do PT é que estes partidos mais a esquerda são infantis! Usam métodos antiquados de mobilização política. Existe um contigente enorme de brasileiros que já está de saco cheio desse duopólio PTxPSDB, mas diante do cenário político partidário brasileiro, fazer o quê?

    Sorte seria do Brasil ter um presidente como Marcio Pochmann! Mas, pelo andar da carruagem (vide o meu outro comentário) acho mais provável elegermos um Piñera!

    Alexandro Rodrigues

    04 de maio de 2012 às 13h05

    Seria bom de mais pra ser verdade meu caro Noir. O PT não deixaria…

    Mas atenção povo de Campinas, Pochmann será candidato a prefeito. É o candidato ideal para uma cidade inovadora, rica mas abandonada como Campinas.

Alexandro Rodrigues

04 de maio de 2012 às 12h24

Márcio Pochmann é um dos mais brilhantes intelectuais brasileiros de sua geração. Claro, enfático, prático. Diz o que deve ser dito sem aquela linguagem rebuscada e cafona da intelectualidade tradicional. Tive o prazer de assistir algumas palestras suas enquanto cursava Economia na PUC de Campinas. Ele é amigo do meu orientador na graduação.

O que ele diz, é aquilo que grande parte da tradicional militância de esquerda declara e, por isso, é taxada de fazer o jogo da direita pelos lulistas fundamentalistas. Os ganhos sociais, econômicos e institucionais para o país da Era Lula são indiscutíveis. Mas, na sana tresloucada de se fazer hegemônico, o PT esqueceu de levar consigo aqueles que emergiam a partir das políticas que seu governo implantou.

O resultado disso está por vir. Como diz PHA (a quem eu classifico como um governista fanático), o Brasil que elegeu Lula e Dilma poderá eleger em 2014 (sim, 2014, o jogo não está ganho) ou em 2018 o Piñera tupiniquim (talvez um Eike Batista).

Com a ascensão da classe remediada (esse é o termo correto, por que estamos longe de ser classe média), o PT deveria ter dado condições para que esta população tenha acesso a outros mecanismos de informação para formar sua opinião. Quais instrumentos? Banda larga, uma TV pública de qualidade (não esta porcaria da TV Brasil) e educação básica sólida ensinando aos mais jovens a verdadeira História do Brasil (contando com todos pingos nos “is” a formação de nossa sociedade racista, elitista e corrupta).

Mas havia um projeto de poder e enriquecimento ilítico de alguns líderes petistas no caminho. Eles tinham mais o que fazer… O resultado é um governo altamente aprovado pela população refém de quadrilhas políticas e midiáticas e que não consegue implantar uma agenda transformadora, uma verdadeira revolução cidadã.

O jogo está no começo, quem será o nosso Piñera?

Responder

    Marcelo de Matos

    04 de maio de 2012 às 14h35

    Não sou psicólogo, mas, talvez consiga afastar essa sua fobia de um Piñera na Presidência. Ser Presidente não é um bônus, mas, um ônus. Dúvido que algum empresário bem sucedido queira deixar o mundo dos negócios para ficar no fogo cruzado PT/PSDB. O único que cometeu essa loucura foi Ermírio de Moraes que, em 1986, concorreu nas eleições para governador de São Paulo, mas perdeu para Orestes Quércia. Outros milionários (ou candidatos a) têm recusado cargos públicos. Marcio Thomaz Bastos aceitou ser ministro da Justiça perdendo muito dinheiro. Agora está ganhando mais como advogado do Cachoeira. Pérsio Arida e Daniel Dantas foram convidados por Collor para o Ministério da Fazenda, mas, declinaram o convite, aceito por Zélia Cardoso. Eike jamais aceitaria: ele é candidato a homem mais rico do mundo e não está difícil consegui-lo. Olavo Setúbal, do Banco Itaú, aceitou ser prefeito biônico de Sampa e disse que não queria ser Presidente: só se tivesse a “clear majority” (clara maioria) de que falam os ingleses. Nada desse entrevero PT/PSDB.

    Alexandro Rodrigues

    04 de maio de 2012 às 15h33

    Marcelo, minha citação à Eike Batista é só uma provocação. O quero dizer nas entrelinhas é que um vagabundo qualquer, ala Collor, Serra ou Aécio, que garantir para a massa despolitizada que o seu Iphone ou Ipad novo estará garantido, não titubeará a apoiá-lo numa eventual candidatura!

    Aqui cabe uma crítica. Falamos muito de Sarneys, Renans, Malufs. Quem os coloca lá? Ok, a mídia é controlada por estes caras, mas não precisamos de muita coisa para saber que a saúde está ruim, que a educação é uma porcaria e que nossas cidades beiram à uma guerra civil.

    Por isso sempre afirmo: o povo do Maranhão merece morrer de fome! O povo de São Paulo merece pegar trem e metrô lotado todas as manhãs! O povo do Rio merece viver sobre o fogo cruzado do crime organizado! Nós merecemos o Congresso Nacional que temos, fomos nós que os colocamos lá!

    Leonardo

    07 de maio de 2012 às 16h07

    É isso que eu tenho falado há tempos. Muito boa sua colocação.

Mariza

04 de maio de 2012 às 12h14

Eu fico admirada com as análises feitas e principalmente a comparação entre o governo Lula e o governo ditatorial. A classe C se ascenderá também na educação. Ela compreende muito bem que a educação pode levá-los mais longe e melhorar a sua vida. Lula ´fez a redistribuíção de renda de fato, ainda que o mínimo, a ditadura ao contrário, explorou, roubou, saqueou o Milagre Econômico, nunca existiu a não ser empropaganda.O pobre do interior nada teve de bom, hoje não, estamos no interior, mas não estamos abandonados como no período da DITADURA. Lula é apenas um homem e Dilma uma mulher, são altamente inteligentes, mas não são DEUSES para mudar um país, um povo que foi explorado por mais de meio milênio. Nós da classe C podemos não ter toda essa educação, mas sabemos muito bem o quê e quem melhorou a nossa vida.

Responder

    laura

    05 de maio de 2012 às 07h36

    Concordo com o comentario que diz que na classe C, a maior educação também contribuiu para escolhas políticas que percebem o que a politica de Lula e Dilma lhes proporcionou. Dei aula em São Paulo em uma universidade em Ita a classe C, pela minha experiencia, não é homogenea e tem contradições e conflitos. Há quem se venda sim em uma eleição em São Paulo para carrear votos para o PSDB ( arregimentados pels delegacias de ensino) em troca de manter seu emprego precario( não tem direitos CLT, não são concursados), substituem professores quando faltam e dependem de uma escolha na delegacia de ensino.
    Havia quem defendesse Lula fervorosamente e situasse sim, conflitos de classe.
    Aco, finalmente que comprar carro e consumir algo mais é DIREITO dessas pessoas, pois também tem DIREITO a uma vida um pouco mais confortavel. Afinal, porque só da classe media tradicional para cima é que se pode consumir bens que melhoram a vida, sim? isso é preconceito! O que diferencia a classe media ascendente da ditadura( que conheci bem pois vivia na periferia) e a atual é a despolitização da sociedade no sentido de que naquela época havia, digamos um “espirito pós 68” e mlitante que hoje desapareceu. mas que se renova com os escrachos e o levante popular nas universidades e os indignados do mundo. Algo se move no sentido de uma repolitização da sociedade, libertária novamente após um negro periodo de terror pleno-neo-liberal. este ainda é vigente também, a sociedade vive em conflito. Não é homogenea. Nem a classe c.

    laura

    05 de maio de 2012 às 07h58

    Ah! Uma relação complexa, multifacetada e até conflitiva com o mundo pode aparecer até em um individuo. Convivo com algumas pessoas que poderiam ser considerada”classe C” emergente, jovens oriundos das classes populares e que entraram em universidades particulares(porque não entram nas públicas) no Nordeste, onde estou agora.
    Um deles: consome o que pode , gasta MUITO com roupas,tem uma vaidade absurda, vive ligado na internet com um computador dado, consome loucamente musica pop americana e geral-Beyoncé, Adele, e muitos que nem conheço. ADORA a Sandy. Enfim um universo de classe média despolitizada e onde navega sem ter real acesso, pois vive de salario minimo. Mas na hora de votar e depreender as questões politicas da cidade onde vive, onde há uma “oligarquia” estupida , onde familias mandam e desmandam dividindo o poder há muito, sabe muito bem do que se trata e votou no PT nas ultimas eleições. Portanto, há que postar-se diante da realidade e não figurar uma “classe média conservadora” que mais é construção ideológica do que qualquer outra coisa. Afinal, a militancia politica na ditadura era em grande parte de classe media. Lenin, Trotsky ,Che Guevara( icones aqui da esquerda) eram de classe media até onde compreendo a classe me´dia também tem contradições e não é homogenea.Penso que a classe me´dia tem que ser melhor compreendida neste momento no país, pois é muito mal compreendida, inclusive no que se refere as questões economicas(parte da classe media no Brasil está DECAINDO de classe, e enfrentando o trabalho precario generalizado). Se há assunto que merece ser investigado a serio neste país, hoje é esse.Não mais cliches. Afinal, há sim uma mudança estrutural que leva a um campo espraiado da classe media e de visão de mundo classe média no país e no mundo, com a sociedade da informação. E que vive do trabalho precario. É essa classe media que está nas praças do mundo contra a financeirização e sua própria precarização. então, chega de clichês!

assalariado.

04 de maio de 2012 às 11h46

Marcio Pochmann, entrou num assunto que sempre questionei: ‘nova classe Média’, (onde?) Vai mais fundo, e afirma: despolitizada (isto mesmo, sem aspas). Ora, meus comentários, sempre foram negativados pela pequena burguesia alienada e seus genéricos que aqui aterrizaram, pelo fato d’eu afirmar que uma coisa é ser classe média, outra, é estar classe média. Aí é que entra o papel tatico/ estratégico das instituições partidárias e sindicais.

Então pergunto: Enquanto a dona Dilma ‘governa’ qual seria e será o papel destas ‘instituições democráticas’, diga- se de passagem, que ele (o Estado burgues)autoriza a funcionar para ajudar a administrar o desenvolvimento do capital e seus lucros, sem com isso se preocupar com o sentido na qual o Marcio se dirige. Ou seja, o Marcio analisa esta situação conjuntural do ponto de vista da ascensão dos explorados, digo, dos novos assalariados. Resta saber se os da social democracia estão preparados para sair desta situação de complexo de vira latas e partir para uma efetiva e verdadeira aproximação destas instituições juntos ao mundo dos assalariados, conhecidos também como colaboradores. É verdade, esqueceram de avisar o povo.

Conceição/ Azenha sem querer mandei um comentário pela metade, delete-o por favor. Abraços Fraternos.

Saudações Socialistas.

Responder

Marcelo de Matos

04 de maio de 2012 às 11h46

Já que estamos na seara dos paradoxos, vou acrescentar mais um: trabalho ou charme? No romance Lady Barberina, Henry James conta que o sonho do nobre inglês, empobrecido, era casar a filha com um fazendeiro americano. O fazendeiro entraria com o dinheiro e a donzela inglesa com o charme e a tradição. Isso está ocorrendo no comércio internacional. Gosto dos produtos esportivos Ellesse: os italianos entram com o design e a tradição e os chineses com o trabalho. Um bom vinho da Califórnia precisa ter um nome francês, senão não emplaca. Os biquinis brasileiros, embora mais caros, são exportados porque incorporam algo do charme carioca. Os norte-americanos venderam as grandes produtoras cinematográficas, mas, continuam imbatíveis na produção de filmes, exportando o charme de galãs como Richard Gere e George Clooney. Está aí um nicho que poderemos expandir.

Responder

Emília

04 de maio de 2012 às 11h41

Tenho cá minhas dúvidas se a chamada nova classe média é realmente despolitizada. Não creio que ela seja, mas …

Responder

    Helio Filho

    04 de maio de 2012 às 15h07

    Em que pais do mundo, afinal, a Classe Media se mostra politizada?
    Vejam os resultados das eleicoes na Franca – os votos da extrema direita
    vieram da classe remediada… Hitler chegou ao poder gracas aos votos da classe media, financiado pelas grandes empresas, e verdade.
    O americano medio tambem nao e grande exemplo de cidadao politizado, e por ai vai..
    Talvez nossa classe remediada siga um caminho diferente. A prova foi dada em 2006 e 2010, onde ignoraram solenemente o que viam na TV e votaram pragmaticamente. Esse pessoal da futura classe media, hoje remediada, mostra-se muito mais inteligente do que os formadores de opiniao e intelectuais supunham. Enfim, o debate e interessante, o autor merece ser lido, mas evitemos vaticinios precipitados.
    Tenho para mim que se existe um futuro muito melhor para o Brasil, ele vira da chamada Classe C. E desconfio que Lula, e agora Dilma, conhecem o assunto como ninguem, aquele por instinto, esta por conviccao.

Marcelo de Matos

04 de maio de 2012 às 11h17

“O Brasil produzirá produtos de alto valor e conhecimento agregados (Vaco) ou ficará na combinação de fazendas, mineração e maquiladoras (Fama)?” Ficará na Fama, com um detalhe: sendo a 6ª economia do planeta. Economistas do quilate do doutor Pochmann já disseram que o país teria de escolher um nicho para se desenvolver: não dá para competir com a indústria asiática e, ipso facto, o caminho mais óbvio é a produção de commodities. Os asiáticos (Ilha de Formosa) estão concluindo uma fábrica de tablets em Jundiaí. Precisaram levar técnicos e engenheiros daqui para estudarem na ilha. Não temos escolas capazes de produzir “vacos”: nosso ensino é um vácuo. A economia aborígene, porém, não se limita à produção de commodities. Temos um formidável parque industrial, composto de indústrias alienígenas, como a Foxcomm de Jundiaí. São indústrias estrangeiras, mas, conceitualmente, “nacionais”. Por fim, para melhorar o ensino não basta investir mais: é preciso seleção, como o exame de admissão, pois sem ela não se obtém qualidade.

Responder

Fernando Alvares

04 de maio de 2012 às 11h16

O problema é que o PT e movimento sindical mudaram muito. O PT infelizmente optou pelo pragmatismo e tanto com Lula quanto com Dilma não enfrentaram as oligarguias que ainda deitam e rolam por aqui.
Concordo que Lula trabalhou e conseguiu melhorar um pouco a distribuição de renda e diminuiu a desigualdade social, o que não é pouca coisa, num pais onde a elite é tacanha e mesquinha como o nosso.
Contudo, as altas taxas de aprovação de Lula o credenciavam a promover mais mudanças.
O movimento sindical, forte e vigoroso que voltou à cena no final da decada de 1970 não existe mais.
Hoje os sindicalistas, com raras excessões, estão mais preocupados com eus próprios interesses do que com os interesses mediatos e imediatos dos trabalhadores, vide o Primeiro de maio da CUT e da Força Sindical, shows festas, premios e tudo patrocinado por “doações de empresas e empresários.
As centrais sindicais estão atreladas à partidos politicos CUT – PT, Força Sindical – PDT, CGT – PC do B, somente a titulo de exemplo e tornaram-se correia de transmissão dos partidos politicos. As “lideranças” sindicais, são tb lideranças partidarias e invariavelmente condicionam e atrelam a luta sindical aos seus próprios interesses partidarios. Os trabalhadores podem e devem se organizar politicamente, porem uma coisa é participar da vida politica, organizar-se para interferir nas decisões politicas, outra bem diferente é manipular trabalhadores com fins eleitoreiros.
Não podemos esquecer de mencionar o profundo apego ao cargo e ao staus de “dirigente sindical” que permeia o meio. Dirigentes se perpetuam nas entidades sindicais com o unico objetivo de usufruir das estruturas dos sindicatos tais como carros, ajuda de custo e outras benesses.
Muitos sindicatos que representam categorias importantes têm dirigentes que sequer trabalham na base sindical. São dirigentes que estão no movimento sindical a mais de 15, 20 anos e neste periodo, as empresas em que trabalhavam fechou, faliu, mudou de estado, contudo, permanecem nas estruturas sindicais acupando importantes cargos nas diretorias sem a menor legitimidade e sem menhuma legalidade.
Os sindicatos hoje, assim como no passado sobrevivem do imposto sindical, não precisam prestar contas dos recursos que recebem, não precisam de associados, por isso se afastaram dos trabalhadores. Não precisam dele…

Responder

lia vinhas

04 de maio de 2012 às 11h09

Como interpretar comentários tão negativos sobre as mudanças que tiraram o Brasil do fundo do poço e pouco a pouco, afinal foram seis séculos de políticas em sua esmagadora maioria de pura exploração do país pelos “de cima” nacionais e estrangeiros. com raras exceções, deu para entir que são realmente do contra e, por trás da supoosta preocupação com a politização e educação da classe dita C, querem mais é desqualificar o que vem sendo feito. Se estão preocupados, por que não ajudam a mobilizar as pessoas para reivindicarem saúde e educação públicas de qualidade, com passeatas gigantes como fazem os supostamente anti-corrupção ou pelos direitos dos gays e pela liberação da maconha? O que eles fazem para dar mais consciencia politica as pessoas? Eu faço diariamente a minha parte onde quer que esteja e tenho colhido as melhores das impressões.

Responder

    Marcelo de Matos

    04 de maio de 2012 às 11h20

    Apoiado Lia.

    antoniocm

    04 de maio de 2012 às 11h58

    Falou tudo.

strupicio

04 de maio de 2012 às 10h53

A nova classe média virou objeto de pesquisa de tudo aqui no Brasil. Tem marca de eletrônicos que produz aparelhos especialmente para os novos consumidores. A tal marca descobriu: “O consumidor da classe C ama música em alto volume. O lazer se concentra nos churrascos de fim de semana, onde ocorre a confraternização. O aparelho de som é o elo entre os familiares e os amigos. Nasceu assim o primeiro minisystem para a classe C, cuja caixa de som tem potência três vezes superior à de um aparelho de som comum.” Tá puxado.

Responder

    Marcelo de Matos

    04 de maio de 2012 às 12h03

    O doutor Drauzio Varella disse que grande parte dos acidentes ocorre durante os churrascos de laje. Precisam inventar um chip que apita quando o cidadão da nova classe C se aproxima da beirada da laje.

Hildermes José Medeiros

04 de maio de 2012 às 10h19

Claro que é por aí. Esse negócio de classe “C” nada mais passa do que as pessoas que estavam desempregadas e tinham alguma qualificação, que encontraram oportunidade de emprego a partir do governo Lula. A despolitização da maioria dos trabalhadores dá-se através do PIG (Partido da Imprensa Golpista), que os partidos no poder e o governo nem de longe se preocupam em combater. Pelo contrário, é tolerado e de certa forma defendido pelo próprio governo com o mantra da liberdade de imprensa, nos seus “serviços” para alienar e manter o povo fora da política são mais do que benvindos a essa gente. Do povo só o voto interessa às forças políticas atuantes no Brasil, em todo o espectro, da esquerda mais furibunda e barulhenta (que tudo fazem para continuar se beneficiando do fundo partidário, mas não dão passos para orientar e se ligar ao povo) ao outro extremo, que também adoram o fundo partidário. E ficamos nessa geleia geral que é formada pela coalização partidária que está no poder, tocando uma variante do neoliberalismo, tirando direitos do povo. Agora mesmo mexem na caderneta de poupança para favorecer e defender o rentismo, a ciranda financeira, além de terem entregue a maioria dos servidores públicos para pendurar a complementação de suas aposentadorias -forma nada injusta, que alivia os recursos fiscais e os libera- numa poupança manipulada e gerida no mercado financeiro, o governo lavando as mãos, não garantindo essa complementação nos níveis iniciais, sem se deteriorar, como a deterioração que acontece com as aposentadoria dos segurados do INSS, que não se preocupam em corrigir. É uma irresponsabilidade, que mostrará sua face perversa em pouco tempo, criando grandes problemas para futuros governantes. Sem falar, claro, na reforma agrária que foi abandonada. Continuamos com nossa economia sendo tocada segundo ao ditames do Consenso de Washington, cuja principal diretriz é tudo para o capital, vale dizer para os ricos, sendo os trabalhadores com empregos de má qualidade e mal remunerados (caso do trabalhador remediado), grande parte empregados nas multinacionais que passaram a dominar nossa economia, com o agravante da desindustrialização que tem refreado a expansão do emprego no pais. Tem muito mais como a absurda terceirização nas empresas e atividades do governo. Dá para ver que na realidade há uma enganação, embora esteja conjunturalmente melhor, mas um melhor mais do que instável. Pouco de estrutural está sendo previsto ou encaminhado.

Responder

    zezinho

    04 de maio de 2012 às 18h09

    Vc poderia ser mais claro? A culpa é do PiG? E o que ele fez para despolitizar as massas? Deve ser por ter noticiado a podridão que é a política. É isso?

E. S. Fernandes

04 de maio de 2012 às 10h16

O tripé latifundio, monocultura e escravidão de Caio Prado Junior em “A formação do Brasil contemporâneo” parece dar o rumo ao nosso país, ainda no século XXI. Talvez o termo utilizado pelo autor, “fóssil” ainda nos sirva. Sobre este aspécto, os governos Lula e Dilma ainda não fizeram quase nada, em que pese a recente investida de Dilma contra a banca. O texto é ótimo, pois constata empiricamente a tese posta.

Responder

damastor dagobé

04 de maio de 2012 às 10h15

“o problemas é que essas pessoas ascenderam pelo consumo, e não pela educação.”
deve ser a tal educação que promove os trotes onde calouros de medicina afogam-se uns aos outros e coisas semelhantes né?

que coisa…a direita bate nos pobres que melhoraram de vida pq estão empesteando aeroportos, shoppings, hipermercados, pedindo pizza, comprando carro…a esquerda bate também pq afinal o que quer essa gentinha? comprar coisas que nunca puderam antes, comer melhor, comprar remédios? e sem pedir a opinião dos “luas pretas” da sinistra?…é…sabe a historia da intelligentsia do Millôr..ele que disse, não eu…

Responder

    zezinho

    04 de maio de 2012 às 12h20

    Meu caro, releia o texto. Vc está cego pelo recalque.

WilliaN

04 de maio de 2012 às 09h58

Governos de esquerda são bons para prover o essencial: comida, vestuário, acesso à educação e saúde. A partir do momento que o cidadão tem o mínimo para viver ele quer TER tudo aquilo que o dinheiro pode comprar e que ele antes não tinha como. O que a classe média quer é comprar o carro, a TV de tela plana, viajar para uma praia do nordeste, nem que tenha que pagar em 60 vezes. Antes de se sentir cidadão, ele se sente consumidor. E ele vai votar naquele que prometer que ele poderá ter isto tudo. Não vai votar por gratidão naquele que tenha o ajudado a chegar até ali, vai votar naquele que ele achar que vai levá-lo adiante.Assim como as emissoras de TV estão procurando falar com esta nova classe média, também os partidos terão que fazer esta transição.

Responder

Moacir Moreira

04 de maio de 2012 às 09h39

O mito da “nova classe C”.

A sociedade capitalista é dividida em opressores e oprimidos e há um grupo intermediário espremido entre esses dois pólos que é a pequena burguesia.

Marx já escreveu tudo o que podia escrever a esse respeito e parece que tem gente que ainda não entendeu.

Na minha opinião, essa ideia de “nova Classe C” nada mais é do que uma estratégia do petucanato – (dobradinha PT/PSDB – oligarquia brega brasileira – meros gerentes civis dos interesses do crime organizado internacional – este sim manda! – associados aos nazi-anarco-trotskistas que nada mais são do que pequenos e grandes burgueses do tipo anarquista-capitalista.

Assim aliados e associados, criaram esse monstrengo chamado classe C que compram no carnê, usam cheque especial, cartão de crédito e recorrem aos agiotas, entre outras técnicas para endividar o pobre e fazê-lo trabalhar de graça apenas para pagar as contas.

O mito da “classe C” é uma tática da direita para dividir ainda mais o povo, mas chega a hora em que esse plano vai começar a fazer água como acontece com todos os planos psicopatas e idiotas da burguesia.

O engraçado é que os próprios nazi-anarco-trotskistas não se consideram pequena-burguesia, termo aliás praticamente proibido de ser mencionado na TV, e se proclamam classe média, a um passo do paraíso.

http://www.youtube.com/watch?v=UQP5XrvWyLc

Dilma Rousseff recomenda o livro “A Nova Classe Média” – Marcelo Neri – CPS/FGV
http://www.youtube.com

Responder

Mariac

04 de maio de 2012 às 09h38

Lula fez mais do que qualquer um faria, em cada atitude em sua vida. Apenas nasceu e viveu em tempos sombrios e em um país governado por pessoas sombrias, mesmo no Congresso que o acompanhou, ou guerreou com ele.

Agora a sociedade tem que dar o segundo passo, apesar de Katias, PIGs e outras mazelas.

Concordo plenamente com as palavras acima: As casas Bahia não vão resolver nossos problemas, até porque em governos anteriores as lojas se concentraram e não há nenhuma concorrência. Cada vez mais shoppings fechados, e mais supermercados, e mais autorizações para eles. Ao invés de incentivos a novas formas de comércio em ruas, mais segurança para eles, mais mercearias de bairros, mais produções pequenas de alimentos. Até alimentos já são importados. Ou mudamos ou mudamos. Mas com Dilma vai. Se não faltar apoio explícito dos que enxergam.

Responder

    Antonio

    04 de maio de 2012 às 23h23

    Lula fez o possível, se mais fizesse nao teria terminado o seu mandato. Além disso, lutou durante oito anos com grande dificuldade para ter maioria no Congresso, pois foi obrigado a se aliar ao PMDB. Sem a aliança com os corruptos do PMDB nao teria governabilidade, perderia maioria no Congresso e ficaria refém de corruptos mais corruptos (se isso é possível) do que o PMDB. E quem colocou senadores e deputados no Congresso foi o povo, por isso, acredito que Lula realizou uma grande obra, talvez comparável a Vargas. A luta de Vargas foi a mesma luta de Lula, a História se repetiu, a diferença é que na época de Vargas eles eram mais transparentes na sua dependencia das ordens do exterior, com o Lula as forças anti nacionalistas (dependentes da matriz) utilizam métodos mais complexos. A única chance de mudar é a Internet e a educação, sem eles a matriz juntamente com o PIG continuará a manipular e mandar no país. Roberto Marinho escolhia ministros e ditava regras no governo FHC, que nao tem vinte anos – nossa democracia é uma criança de um ano que conseguiu dar os primeiros passos. A luta contra os inimigos do país não é fácil, eles estao em todas as estruturas do poder.

Remindo Sauim

04 de maio de 2012 às 09h33

Discordo da comparação. Foi exatamente durante os governos golpistas que agricultores pobres do interior do Brasil vieram para os grandes centros e se tornaram miseráveis. Foi também durante a época do golpe que a classe rica concentrou mais ainda em seu poder a maior fatia da renda nacional. O PT, ao contrário, está tirando este pessoal da miséria e os transformando em cidadãos brasileiros com muito mais renda e assistência por parte do governo. No tempo da milicada eram só migalhas, não se dividia o bolo. Agora o povão começa a receber o que tem direito. É pouco ainda, mas estamos no caminho certo.

Responder

    Mariac

    04 de maio de 2012 às 09h40

    É mais que verdade que o regime militar não funcionou em termos econômicos. Com os incentivos que tiveram até um qualquer um faria melhor.

Jair de Souza

04 de maio de 2012 às 08h59

Creio que as palavras de Márcio Pochmann devem ser lidas e escutadas com a máxima atenção por todos nós, especialmente por aqueles que se encontram em posições de decisão no PT. Em um comentário que fizera com anterioridade, eu chamei a atenção para as análises de Márcio Pochmann. Se não houver uma preocupação por parte de todos os que almejamos alcançar uma sociedade mais justa e equitativa em fazer com que os inegáveis ganhos materiais que parcelas importantes de nossa população antes excluída conquistaram nos últimos anos, provavelmente, essas pessoas não avancem nada além dos interesses individualistas e consumistas. As profecias da troglodita Kátia Abreu podem até virem a se materializar. Lembrem-se que ela preconizou que esta grande massa de pessoas recém incorporadas ao mercado, logo, logo, estaria votando em gente como ela. Vai depender do PT, de todas as outras forças progressistas e de cada um de nós fazer com que o futuro não se encaminhe por esta via katiabreuiana.

Responder

Fernando

04 de maio de 2012 às 08h56

o problemas é que essas pessoas ascenderam pelo consumo, e não pela educação.

O governo optou por programas de transferência de renda, o que foi muito bom para as Casas Bahia, ao invés de optar pela erradicação do analfabetismo, por exemplo.

Responder

    Remindo Sauim

    04 de maio de 2012 às 09h43

    As escolas em todos os níveis tem muito mais alunos do que em 2002. Esta geração que desde 2003 sobe na vida, aos poucos vai dando mais valor a educação. É um processo de médio prazo.

    Filipe Rodrigues

    04 de maio de 2012 às 10h08

    Quer dizer que a educação no Brasil era melhor 20 anos atrás?????
    Quando era maior o número de analfabetos e jovens fora da escola, menos pessoas com curso superior.
    Muitos desses novos universitários são da nova classe C e o governo federal voltou a investir nas universidades públicas depois de mais de 20 anos.
    Numa sociedade de consumo, onde a mídia cumpre um papel nefasto é fácil culpar governo e consumidores.
    Obs: A nova classe C é muito heterogênea para tentar criar esteriótipos.

    assalariado.

    04 de maio de 2012 às 12h43

    Felipe, muita calma nestas horas, explico: Não confunda (qualidade) com (quantidade). Vou dar um exemplo pessoal: tenho filhas na universidade (via prouni e sem terra) e eu, só consegui me ‘formar’ recentemente no 2º grau. Porém observo, e faz tempo, no meu 1º grau aprendi que, não bastava somente ler e escrever, tem que saber interpretar esta leitura. Sim, as minhas filhas ‘na faculdade’ não conseguem explicar o que elas leem. É o resultado do chamado analfabetismo funcional, implantado -(na marra)- pelo golpe de Estado que a burguesia e seu braço politico armado deram em 1964.

    Saudações Socialistas.

    João Leite

    04 de maio de 2012 às 12h22

    Todo investimento em Saúde e Educação tem seu resultado a médio e longo prazo, dependendo do foco a ser investido. Você meu caro esperaria a médio e longo prazo para ter o mínimo pra tirar a barriga da miséria? O Brasil é muito maior do que pensas!!!

Mardones Ferreira

04 de maio de 2012 às 08h31

Pois é. A culpa pela falta de educação política da ”nova classe média” é da falta de uma reforma no sistema educacional. Ou da prioridade para esse setor.
Infelizmente, a direita política está no céu, pois segue vivendo dessa despolitização. E a esquerda não conseguiu por em prática seu antigo programa para o desenvolvimento do Brasil.
É preciso creditar essa derrota, em grande parte ao PT, pois abriu mão de sua história para chegar ao poder. Temendo uma intervenção dos EUA apoiada pela direita(PSDB, PFL, Globo e cia ltda)?
Será que no livro, o Márcio citou a contribuição do PT para esse cenário? Os governistas do PT atacam de radicais aqueles que rejeitaram as alianças covardes feitas em nome da governabilidade que manteve o estrutura neoliberal no Brasil.
Taí o resultado.

Responder

Vinícius

04 de maio de 2012 às 08h22

Ainda não li o livro, mas vou dar meu pitaco. Lá na época dos militares o PIB Brasileiro crescia a taxa próxima de 10%. A realidade Brasileira era outra. Lá atrás foi cristalizada a grande diferença entre classes no Brasil. O Márcio Pochmann é exelente economista e bom pesquisador. Ele sabe que o capitalismo chegou tarde no Brasil e sempre houve relações sombrias entre o capital e poder político.
Como bom economista cabe a ele apontar os problemas de nosso “desenvolvimento tardio e torto”, mas também propor soluções???
Quando leio os textos do Márcio geralmente percebo que ele não propõe soluções.
Mas tudo bem! Essas análises são fundamentais para propor e implementar políticas públicas.
Obs. Há mais de dois anos assisti entrevista com Marco Aurélio Garcia e ele falou muito sobre essa “nova classe média”. Portanto, não se trata de nenhuma novidade. Quaquer cidadão mais atento já sabe do tema que o Márcio trata com dados, gráficos e estatística.

Responder

Ana Cruzzeli

04 de maio de 2012 às 08h18

O que o Marcio coloca muitos já previam tempos atrás, ele foi um dos que diziam isso. Eu tive o desprazer de perceber uma das faces pervesas disso em 2007, mas a coisa ficou pior em 2009 e estourou em 2011.
E não se assustem, a coisa sempre será violenta e quem teme chingação é melhor não entrar na briga.
Essas pessoas estão em todas os lugares, em todas as categorias e não se iludam ele pode ser seu vizinho ou seu colega de trabalho. Esse caso é para educação mas não em sentido formal, os professores mais politizadas precisam trabalhar nas duas frente de maneira nunca antes pensada do contrário a revolução será desacelerada.
E não tem jeito mesmo é partir para o ataque sem dó nem piedade à Rede Golpe de Televisão, com regulação sim, mas isso por si só não resolverá, vide o caso da Veja…

Responder

Lu Witovisk

04 de maio de 2012 às 08h06

Aiiii que sina… na verdade é isso mesmo, estamos cada vez mais nas mãos das coorporações. Enquanto a Cristina estatiza a industria do petroleo, a Dilma abraça o Eike. Isso só pra fugir do exemplo da banda lerda do Hibernardo. A nova classe média está nas mãos da ditadura do consumo e da midia, não tem como politiza-la sem quebrar uns ovos midiaticos (coisa que não acontecerá tão cedo). ôoo tristeza.

Responder

    Filipe Rodrigues

    04 de maio de 2012 às 11h17

    Impressiona como setores da esquerda brasileira acreditam na divisão feita pelo PIG entre petistas e bolivarianos, essa acusação de que estamos cada vez mais refém das corporações é falsa, tudo bem que o presidencialismo de coalizão atrapalha, mas as atitudes do governo brasileiro nada difere dos demais vizinhos sul-americanos:

    – Privatizada pelo governo anterior, a Vale fazia o que bem entender, desde 2003 o governo federal vem influenciando nas decisões da empresa, através das capitalizações do BNDES e Fundos de pensão o governo é hoje o maior acionista da empresa.
    – Com o Pré-sal a lei do Petróleo mudou, do modelo de Concessão para o da Partilha, com maior controle da União nas reservas e na Petrobrás.
    – Áreas que sofreram um forte processo de desnacionalização (Petroquímica, Fertilizantes)voltaram a ter investimentos públicos
    – Ameaçada com a privatização do governo anterior, a Eletrobrás ganhou musculatura e capacidade de investimento.
    – Mesmo que o ministro das comunicações seja inepto, a Telebrás foi resgatada
    – Criação da TV Brasil
    – Fortalecimento dos bancos públicos (Caixa, BB) frente a crise mundial
    – De acordo com reportagem da Istoé semana passada, a Embraer vem sofrendo uma intervenção do governo federal

Fabio Passos

04 de maio de 2012 às 08h05

Pochmann é esclarecedor.
Temos potencial para ser uma das nações mais desenvolvidas do planeta.
O que nos impede é o poder das oligarquias decrépitas. A pior “elite” do mundo.

Uma descrição impressionante do subdesenvolvimento brasileiro:

“… Você vai ao porto de Suape e todos os guindastes são feitos na China. Você vai à moderníssima usina de energia eólica de Pedra do Sal, no Piauí, e toda a tecnologia é importada. Você percorre as novas fronteiras do agronegócio e descobre que a maior parte do lucro fica com a Cargill, a Bunge, a Monsanto, a Basf, a Massey Ferguson e outras. E, enquanto as crianças sul-coreanas baixam os livros didáticos de clouds em escolas públicas, no Brasil a banda larga é da Telefônica e o Carlinhos Cachoeira é empresário do ramo da educação superior.”

Responder

Candide

04 de maio de 2012 às 07h28

baixa politização rima com escassa educação…

Responder

    assalariado.

    04 de maio de 2012 às 12h05

    Candide, tudo bem! teremos que mudar os rumos da educação formal burgues (sim, educação segundo os preceitos do capital). Só que, esta sua afirmação esta em contradição com o analfabeto Lula (no sentido formal, burgues), com o Lula, culto e altamente politizado. Ou seja, será que da parte dos que se dizem do povo não haveremos de tomar a frente junto com os partidos e sindicatos para educarmos nosso povo politicamente? Sim, teremos que tirar a bunda da cadeira do computador e partirmos para um trabalho de base.

    E agora?

    Abraços Fraternos.

    strupicio

    04 de maio de 2012 às 13h00

    Véi..na boa??? conhece a expressão “a excessão que confirma a regra”??…
    quando vc é capaz de citar nome e sobrenome, endereço e CPF de um ex-operário inteligente e politizado é pq o problema é bem maior que parece a principio é ou não é???

    assalariado.

    04 de maio de 2012 às 14h17

    Strupicio, no seu comentário não tem o botão responder. Então vou responder via meu comentário. Realmente, Candide e Strupicio estão com a razão. Errei ao pegar uma exceção -(neste caso, o Lula)- e determina-lo como regra. Ou seja, Lula é exceção, não regra. Abracei um valor errado. Desculpas.

    Saudações Socialistas.

    Mário SF Alves

    06 de maio de 2012 às 16h18

    Assalariado,

    Por enquanto, enquanto nossas bundas ainda estiverem coladas nas ditas cadeiras, socorramo-nos nos blogs sujos. É um jeito. O outro é o Governo sinalizar nessa direção. Seja através de um plano consistente de desenvolvimento socioeconômico; seja através de estímulos a esses mesmos blogs e/ou pela via da regulamentação da CFB no que tange às responsabilidades das concessionárias de rádio e televisão.


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