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Diário da Resistência


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Virgínia Barros: Desmilitarizar polícia é prioridade da UNE


17/10/2013 - 17h34

PARA A DEMOCRACIA CONTINUAR VENCENDO

Por Virgínia Barros*, especial para o Viomundo

Daqui a poucos meses, o golpe de Estado do dia 1º de abril de 1964, que deu início a 21 anos de ditadura militar no Brasil, completará meio século.

Embora pareça – felizmente – cada vez mais distante, o soco foi tão forte que, vez em quando, ainda sentimos falta de ar.

A liberdade, conquistada com a vida de brasileiras e brasileiros, entre eles muitos estudantes, ainda vive lamentáveis sufocamentos, mesmo frente ao estado democrático.

Nesta semana marcada pelo dia dos professores e por protestos estudantis em São Paulo, Rio de Janeiro e outras cidades, o grito por democracia encontra eco em duas grandes bandeiras da juventude brasileira contemporânea: a democracia interna das universidades e a desmilitarização da polícia.

No campus, jovens como os da Universidade de São Paulo, a maior universidade pública do país, carregam hoje o slogan “Diretas Já!”, relembrando a campanha da década de 1980 que levou milhões às ruas de todo o Brasil pela redemocratização e pelo direito da população em eleger o seu presidente da República.

O movimento estudantil que estava na Praça da Sé, naquele 16 de abril de 1984, junto a mais de 1,5 milhão de manifestantes, é o mesmo que agora ocupa as ruas da capital paulista para levar ao conhecimento da sociedade os seguintes questionamentos: por que em 2013, tantos anos após o fim do regime ditatorial, na eleição para reitor da principal universidade do país, entre mais de 100 mil membros da comunidade universitária, apenas uma quantidade irrisória (sem paridade entre estudantes, professores e funcionários) tem direito a voto?

E por que, ao final do processo, quem nomeia o reitor é o governador do Estado de São Paulo, baseado em uma lista tríplice indicada pelo Conselho, mas que, mesmo assim, não é respeitada?

Eleições diretas e paritárias e o fim da lista tríplice são algumas das reivindicações dos estudantes que ocupam a reitoria da USP nas últimas semanas.

No entanto, a intransigência do atual reitor, João Grandino Rodas afronta, inclusive as instituições mais importantes do país. Em nota, o DCE questiona: “Como pode o reitor da maior universidade do país não receber os estudantes, mesmo que a Justiça tenha determinado a necessidade de tal diálogo? Onde quer chegar a reitoria com isso?”

Não é necessário aguardar o desenrolar dos fatos para perceber que, infelizmente, a política autoritária de Rodas já chegou a um cenário desanimador de violência, intolerância e abuso do estado sobre os movimentos sociais.

Na última terça-feira, 15 de outubro, estudantes que defendiam nas ruas a democracia nas universidades estaduais paulistas foram covardemente encurralados, agredidos e presos pela polícia militar do Estado.

O fatídico dia dos professores em São Paulo e no Rio de Janeiro reforça a necessidade de mudanças significativas nesse modelo de corporação policial, herdado pela ditadura, que esvaziou a policia civil e reformulou a polícia militar para sua configuração atual.

É necessário acabar com sua estrutura militarizada e empreender uma mudança institucional coerente à sociedade democrática de direitos conquistada pelo povo brasileiro.

A proposta de desmilitarização consiste na mudança da Constituição, por meio de Emenda Constitucional, de forma que polícias Militar e Civil constituam um único grupo policial, e que todo ele tenha uma formação civil, humana, não belicista e hierarquizada nos moldes tenebrosos das atuais PMs pelo Brasil.

Não há como compactuar mais com uma instituição de segurança pública que ofereça a seus homens e mulheres treinamento semelhante ao de soldados que precisem eliminar um inimigo externo.

O policial não deve ter a população como sua inimiga e sim respeitar direitos, bem como também ser julgado e tratado como um cidadão.

Diversos jovens que protestavam pacificamente em São Paulo e no Rio de Janeiro, na noite da terça-feira, acabaram feridos devido à truculência da PM, entre eles diretores da UNE e da União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE-SP).

Os episódios de despreparo e de agressão à cidadania daqueles que estavam ali presentes apenas reforçam a necessidade de discussão deste tema

A democracia precisa continuar vencendo. Para isso, é pontual que a imprensa deixe de lado a sua sanha faminta pelo espetáculo da violência policial e faça o seu verdadeiro papel de informar a população sobre as pautas reais de estudantes, professores, trabalhadores, cidadãs e cidadãos que têm tomado as ruas, desde o mês de junho, com o anseio de mudar o Brasil.

Por uma universidade democrática, por uma polícia desmilitarizada. Pela saúde da nossa liberdade, para que 1964 mantenha-se como uma lembrança distante, ainda que amarga.
Sigamos na luta!

*Virgínia Barros é presidenta da União Nacional dos Estudantes.

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13 comentários

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FrancoAtirador

19 de outubro de 2013 às 16h31

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Se a extrema-esquerda parasse de atirar pedras no PT

e passasse a atirar esterco na Mídia Bandida

que é quem, hoje, realmente representa o Capitalismo,

poderia se ter alguma esperança de democratização

não só das polícias, mas do Estado Brasileiro.
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Responder

lukas

19 de outubro de 2013 às 08h49

UNE, cada vez menos representando os estudantes.

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J Souza

18 de outubro de 2013 às 21h55

E qual a posição da UNE sobre a privatização do pré-sal?
A UNE concorda que o pré-sal seja “consumido” para satisfazer os interesses eleitorais do partido que ela ajudou a colocar no poder?
Se o governo fosse do PSDB, a UNE o deixaria privatizar com a mesma leniência?
E quanto ao piso dos professores, que não vem sendo cumprido em vários Estados?
A UNE leva em consideração que uma grande parte dos estudantes brasileiros vai, no futuro, ser professor?
E quanto às terceirizações? O debate sobre elas não é importante para o futuro dos estudantes?
Se a UNE não tem essas prioridades, talvez ela esteja perdendo sua razão de existir…

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ricardo

18 de outubro de 2013 às 19h25

Despartidarizar a UNE é prioridade dos estudantes.

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Desmilitarizar a polícia é prioridade | APRA

18 de outubro de 2013 às 13h08

[…] Por Virgínia Barros, no blog Viomundo: […]

Responder

Carlos Cunha

18 de outubro de 2013 às 13h01

Essa turma to PT/PCdoB usa a UNE como trampolim eleitoreiro para cargos políticos. Por isso usam assuntos que não dizem respeito à péssima qualidade do ensino para meter o bedelho: é para aparecer e ter motivos de sobra para colocar no cartão “ex-presidenta da UNE”, ou para colocar na propaganda partidária “lutou ao lado dos estudantes”. Pouco importa se a causa era realmente “estudantil” ou se nada se relacionava ao ensino público, gratuito e de qualidade. O eleitor é idiota, não se importa, por isso essa prática continua dando certo tanto para políticos de direita quanto de “esquerda” que desejam desde jovens construir um “passado de lutas” para colocar no currículo. Quem já é vacinado contra isso, coincidentemente, tem boa memória. Vejamos: alguém da turminha da “esquerda” já teve a oportunidade de desmilitarizar a PM? Bem, podemos ver que já um partido que se diz de “esquerda” no poder desde 01/01/2003. Houve algum movimento nesse sentido desde então? Alguma coisa que dê a entender que ao menos pensaram no assunto? Lula REALMENTE colocou como “prioridade” a desmilitarização? Bem, se fosse mesmo “prioridade”, porquê até hoje não foi sequer discutida no Congresso? Qual o conceito de “prioridade”? A prioridade é de momento? É porque o assunto é moda? É porque dá ibope? Se não é, porque não foi pensado antes? Não foram 10 anos de governo da mesma coalizão que possui a UNE? Não é a presidência da república (e seus partidos aliados) do mesmo agrupamento partidário da presidência da UNE? Não é um grupo com sintonia de ideais? Quantas vezes esse assunto da desmilitarização foi debatido em congressos partidários? E dessa discussão, quais conclusões se transformaram em projeto de emenda constitucional? QUANDO? Foi prioridade desde 10 anos atrás, e eu não soube porque não me informo, ou após 10 anos estão tentando me fazer de palhaço com essa coisa de “prioridade”?

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gerson

17 de outubro de 2013 às 23h55

Não deveria ser preocupação da UNE que tivéssemos uma educação publica superior de qualidade?Com amplo acesso as publicas?inclusive as estaduais

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Brasileiro

17 de outubro de 2013 às 20h40

Quem explica: grupos receberam dinheiro e treinamentos de guerrilha de Cuba, na luta por democracia,como de Cuba,Russia, China, Albania….

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Vixe

17 de outubro de 2013 às 19h45

Tá mas…
Foi a PM que quebrou vidraças e depredou carros só pra descer o sarrafo nso “manifestantes”???
Esse molecada ainda vai dar combustível para um novo golpe militar…
Quem viver, verá…

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    Gerson

    18 de outubro de 2013 às 08h45

    Essa molecada não cara pálida, minoria manipulada por vc. deve ignorar quem, os não alienados mudarão a história desse país.

    ricardo

    19 de outubro de 2013 às 13h40

    Não é só a molecada, não. Tem coroa burro no meio disso.

    Vixe

    19 de outubro de 2013 às 19h31

    Pois é…
    Em 1964 alguns “manifestantes” também mudaram a história deste país… pra pior… *(vide a Marcha da Família para com Deus e a Liberdade)
    O resto da história a gente já conhece.
    Foram pelo menos 25 anos para “consertar” estas mudanças.
    O que essa molecada FACEBOOK tá fazendo é criar condições e argumentos para um novo golpe.
    As mentes dos milicos não mudaram muito desde aquela época.

Filme denúncia: "O Brasil está perdendo a soberania" em Libra - Viomundo - O que você não vê na mídia

17 de outubro de 2013 às 17h56

[…] Virgínia Barros: Desmilitarizar polícia é prioridade do movimento estudantil […]

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