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Petroleiros denunciam movimento de tropas do Exército no interior da refinaria Gabriel Passos, em MG: “Foram dois dias, até dormiram lá”; vídeo
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Petroleiros denunciam movimento de tropas do Exército no interior da refinaria Gabriel Passos, em MG: “Foram dois dias, até dormiram lá”; vídeo


14/06/2022 - 10h46

Por Conceição Lemes

Na sexta-feira, 10/06, o deputado federal Rogério Correia (PT-MG) recebeu no seu escritório em Belo Horizonte três diretores do Sindicato dos Petroleiros de Minas Gerais (Sindipetro/MG): o coordenador-geral Alexandre Finamori, Marcelo Maia e Guilherme Alves.

Os três levaram ao parlamentar uma denúncia seriíssima, como mostra o vídeo abaixo.

“A Refinaria Gabriel Passos (Regap), a única de Minas Gerais, está sendo entregue a preço de banana, podendo ser vendida nas próximas semanas”, alerta Alexandre Finamori.

“Além disso, para piorar, com a presença do Exército fortemente armado dentro das dependências da refinaria, tentando intimidar a luta dos trabalhadores contra a privatização”, ressalta.

“O Exército estava lá dentro?!, reage o deputado.

Diante da anuição dos três petroleiros, Rogério Correia reforça: “Esse governo colocando o Exército dentro de uma refinaria é muito grave”.

INTIMIDAÇÃO E RISCOS DE A REFINARIA EXPLODIR

Nós conversamos um pouco mais com o coordenador-geral do Sindipetro/MG.

Viomundo — No vídeo, você diz que a Gabriel Passos pode ser privatizada nas próximas semanas. Quando seria?

Alexandre Finamori — A Gabriel Passos deve ser a próxima refinaria a ser privatizada. Isso deve acontecer na próxima reunião do Conselho de Administração da Petrobrás, marcada para 29 de junho.

Mais um desmonte do governo Bolsonaro. A privatização da Gabriel Passos vai trazer tanto monopólio local privado quanto aumento de todos os combustíveis. É um ataque à população mineira em geral.

Viomundo — Em que dia a Gabriel Passos foi ocupada pelo Exército?

Alexandre Finamori — Na verdade, foram dois dias, 8 e 9 de junho. Eles até dormiram dentro da refinaria.

Viomundo — O que foram fazer na refinaria?

Alexandre Finamori — Segundo a rádio peão, o Exército estava fazendo um treinamento de ocupação. Mas, oficialmente, o Sindipetro/MG não recebeu nenhum esclarecimento.

Na própria quarta-feira, 8 de junho, nós enviamos um ofício (veja abaixo) à direção da Regap, em Betim (MG), pedindo informações sobre a motivação da ocupação e alertando para os riscos de movimentação de tropas militares no interior da refinaria.

Viomundo — A direção da Regap respondeu?

Alexandre Finamori —  Até agora, não .

Viomundo — Na avaliação do Sindipetro, qual o objetivo da ocupação?

Alexandre Finamori — Intimidar os trabalhadores. Veja bem. Ela ocorreu justamente no momento em que estávamos começando reuniões com a base para a batalha do dia 29 de junho.

Viomundo — Em que áreas os soldados ficaram?

Alexandre Finamori –– Pelo que a diretoria do sindicato foi informada, houve movimentação das tropas militares no interior de toda a refinaria, inclusive em áreas operacionais restritas.  Eles ficaram andando, ostensivamente, com fuzil armado na área industrial, que tem muitos tanques de combustíveis e é extremamente explosiva.

Portanto, não bastasse o assédio moral imposto aos empregados, há os riscos das armas. 

Viomundo — Se acidentalmente um tiro fosse disparado, o que poderia acontecer?

Alexandre Finamori — Nos questionaram: “Ah, mas os fuzis poderiam estar sem munição…”

Ok. Só que não temos como saber. O fato é andar armado dentro da área industrial da refinaria é um tremendo risco, pois ela é altamente explosiva.

Se eventualmente um tiro for disparado, pode explodir toda a refinaria e o seu entorno. Colocando, portanto, em risco os trabalhadores, a população ao redor e a própria refinaria. 

DEPUTADO REQUER AUDIÊNCIA PÚBLICA

Nessa segunda-feira, 13/06, o deputado Rogério Correia protocolou na Comissão de Legislação Participativa da Câmara dos Deputados pedido (na íntegra, mais abaixo) de audiência pública para esclarecer a presença ostensiva de tropas do Exército no interior da refinaria e ameaça de privatização da Regap.

Convidados a participar: 

Ministro Walton Alencar Rodrigues, Tribunal de Contas da União – TCU

José Mauro Ferreira Coelho, presidente da Petrobrás

Ana Paula Lopes do Vale Saraiva, gerente-executiva da gestão de
portfólio da Petrobras

Rodrigo Costa Lima e Silva, diretor-executivo de Refino e Gás Natural da
Petrobras

Alexandre Finamori França Baptista, coordenador-geral do Sindicato
dos Trabalhadores na Indústria de Destilação e Refinação de Petróleo no Estado de
Minas Gerais – Sindipetro/MG

Deyvid Souza Bacelar da Silva, Coordenador Geral da Federação Única
dos Petroleiros – FUP.

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4 comentários

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Isaias viana

16 de junho de 2022 às 09h59

Por acaso a Petrobrás é uma estatal=pertence ao governo e é ponto estratégico que as tropas federais conheçam as instalações caso precisem ocupar em caso de guerra ou risco iminente.
Será que soldados tão bem treinados seriam irresponsáveis ao ponto de disparar aleatoriamente dentro da unidade?
A unidade não tem seguranças fortemente armados ( treinados pelo exército) que também transitam pela fábrica portanto não há risco, a menos que haja invasão ou confronto.
O deputado em questão deveria dar menor importância ao fato de militantes o procurarem para defender interesses de sindicatos e sugadores de estatais.

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Eleomar Carlos de Oliveira

16 de junho de 2022 às 09h02

Este tipo de treinamento a comum na refinária, já aconteceu em outros governos inclusive quando o PT estava governando, mais quando é com Jair Messias Bolsonaro fica mais em evidência.

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Rodrigo

16 de junho de 2022 às 08h54

Trabalho na refinaria . E se realmente armas fossem um risco tão grande com diz o texto ,os vigilantes não usariam. E o exército não ficou na área de refino , os mesmo fizeram um reconhecimento de carro e depois um deles ficou na portaria 2 que uma área livre longe da planta.

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marcio gaúcho

14 de junho de 2022 às 17h58

No golpe militar de 1964, esse tipo de ocupação foi feita. Estarão ensaiando para o golpe do Bozo? Os militares já passaram dos limites há bastante tempo. Está mais do que na hora de colocá-los na caserna e impedir aqueles reformados de pijama de atuarem politicamente dentro das forças armadas, pois são eles que chocam o ovo da serpente, saudosistas do poder e dos benefícios pessoais auferidos durante a ditadura.

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