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Randolfe Rodrigues denuncia arbítrio e truculência de Eduardo Cunha
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Randolfe Rodrigues denuncia arbítrio e truculência de Eduardo Cunha


26/05/2015 - 15h09

Eduardo Cunha

Eduardo Cunha afronta o Congresso e a Democracia

por Randolfe Rodrigues*

O deputado Eduardo Cunha afronta os parlamentares, rebaixa a Câmara dos Deputados, constrange o Congresso Nacional e espanta a Nação brasileira com sua mais recente demonstração de arbítrio e truculência.

Desrespeitando os 68 deputados federais de vários partidos da Comissão Especial que, durante três meses, debateram com seriedade a esperada Reforma Política, o deputado Cunha acaba de cancelar, arbitrariamente, a reunião final que faria a avaliação do relatório a ser encaminhado ao plenário.

Pior: o deputado Cunha destituiu, na prática, a Comissão Especial, chamando a Reforma Política para uma precoce votação em plenário nesta terça-feira (26).

Será uma votação apressada, estouvada, sobre mudanças fundamentais da vida brasileira, com impacto direto para os cidadãos e eleitores que todos representamos nas diferentes instâncias do Legislativo brasileiro – no plano municipal, estadual e federal.

A Reforma Política implica discussão séria sobre fatos de repercussão permanente, como o financiamento das campanhas eleitorais, a reeleição e o sistema proporcional ou não na eleição de deputados e vereadores, entre outras questões relevantes.

São mudanças que devem refletir a vontade do povo brasileiro, aqui representado no Congresso Nacional pela vontade majoritária, soberana e democrática dos Deputados Federais.

O gesto antidemocrático e personalista do deputado Cunha se explica por seu receio de que seja derrotado em questões pontuais de sua exclusiva preferência, como a instituição do nefando ‘distritão’, modelo que acaba com o sistema proporcional de eleição e massacra as siglas partidárias, e a manutenção do contaminado sistema de financiamento privada das campanhas eleitorais, matriz de corrupção sistêmica comprovada nas investigações da Polícia Federal sobre a Operação Lava Jato.

O deputado Cunha deve entender que, embora presidente da Câmara, ele é apenas um parlamentar entre 513 deputados federais.

O deputado Cunha precisa compreender que sua vontade pessoal e seu arbítrio não podem sufocar a vontade da maioria e não podem comprometer o futuro do País.

Como diz o frustrado relator da Comissão Especial, deputado Marcelo Castro, o trabalho exaustivo cumprido durante três meses por 68 parlamentares será substituído, de repente, pelo relatório oral de cinco minutos em plenário executado de forma submissa por um deputado da exclusiva e absoluta confiança do deputado Cunha.

A Câmara dos Deputados e o Congresso Nacional não são quintais do arbítrio e da truculência do deputado Cunha.

A Câmara, o Congresso e o Brasil merecem respeito, deputado Cunha!

Minha solidariedade aos nobres Deputados Federais e à Câmara dos Deputados, tão desrespeitada nesse momento de barbárie pessoal e violência institucional exercida justamente pelo parlamentar que deveria defender a instituição e a democracia.

Deputado Cunha, uma advertência final ao Senhor: os seus brutais métodos políticos, aqui no Senado Federal, não passarão!

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3 comentários

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Julio Silveira

27 de maio de 2015 às 10h54

Mas, como diria a humorista, o congresso goooostia. Afinal, o elegeram como seu exemplo fiel e representante mor.

Responder

Bonobo, Severino de Oliveira

26 de maio de 2015 às 17h57

Na assustadora escalada empreendida por essa excrescência chamada Eduardo Cunha no intento de levar a legislação brasileira aos idos de 1930 atuam de forma coordenada algumas heranças malditas do Príncipe da Privataria que muitos podem não perceber. O próprio Eduardo Cunha e o séquito de fanfarrões boquirrotos que o seguem são produto da Lei Plutocrática promulgada em 1997 pelo famigerado príncipe. Esse meliante que já deveria estar afastado da vida publica não fosse a inutilidade do judiciário em julgar processo de 1989 na Telerj e outro que corre desde 1999 por irregularidades por ele praticadas na presidência da Companhia Estadual de Habitação do Rio de Janeiro.
http://www.pragmatismopolitico.com.br/2015/02/conheca-eduardo-cunha-o-novo-presidente-da-camara-dos-deputados.html
Ai entra em cena outra herança maldita na figura do Gilmar Dantas que mandou arquivar o processo em 2014 para que ele levasse adiante o plano sórdido que agora se desenrola no Congresso. Nesse plano estão associados os dois, Cunha e Gilmar, um correndo em ritmo acelerado para fazer uma mudança na regra politica para que continue tudo como está, ou piore, e o outro segurando a extinção da regra eleitoral herdada, por meio de um pedido de vistas de um processo já apreciado e aprovado no plenário do STF por 6 votos a um. O Gilmar Dantas cassou, na prática, a validade dos votos dos demais ministros para dar tempo ao seu colega de gangue fazer a patranha no Congresso para que os partidos de ambos tenham chance eleitoral nos próximos pleitos. Tudo isso, graças as relevantes contribuições das heranças malditas do famigerado príncipe.

Responder

    Bonobo, Severino de Oliveira

    26 de maio de 2015 às 18h01

    Os argumentos do Relator Gilmar Dantas para o arquivamento do processo contra o seu assecla são, como diria Roberto Gurgel, tênues….

    “Segundo o relator do caso, ministro Gilmar Mendes, as testemunhas ouvidas não apontaram qualquer fato que pudesse indicar que Cunha tivesse conhecimento da falsidade dos documentos.”
    http://www.conjur.com.br/2014-ago-26/supremo-absolve-deputado-eduardo-cunha-uso-documento-falso


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