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Professores denunciam que reforma do ensino médio é para beneficiar escolas particulares, Globo e Fiesp
Foto Antonio Cruz/Agência Brasil
Denúncias Falatório

Professores denunciam que reforma do ensino médio é para beneficiar escolas particulares, Globo e Fiesp


02/08/2018 - 21h16

Reprodução de vídeo

CARTA ESCOLAR AO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E AO CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO

Assunto: Base Nacional Comum Curricular do Ensino Médio – BNCC

Nós, trabalhadores e trabalhadoras em Educação da Escola Estadual Visconde de São Laurindo, reunidos, com o propósito de estarmos em consonância com os demais professores de todo território Nacional, julgamos impróprio fazer a marcação por inteiro, do documento perguntas/respostas (Análise da proposta da BNCC).

SOMOS CONTRÁRIOS à Lei 13.415/2017, que dispõe sobre a Reforma do Ensino Médio, razão pela qual exigimos e REVOGAÇÃO, e requeremos aos membros do Conselho Nacional de Educação a TORNAR SEM EFEITO a BNCC do Ensino Médio, pelos seguintes motivos:

• A Reforma do Ensino Médio, da qual a BNCC faz parte, tornou obrigatórias nas escolas de Ensino Médio apenas os componentes curriculares Português e Matemática.

• Todos os outros componentes curriculares (História, Geografia, Sociologia, Filosofia, Artes, Educação Física, Língua Estrangeira, Física, Química e Biologia) não serão mais obrigatórios.

• O currículo flexível poderá ser cumprido totalmente fora das escolas, por meio de inúmeras certificações de qualidade duvidosa e desatreladas dos princípios de formação escolar, tais como: cursos de aprendizagem oferecidos por centros ou programas ocupacionais (ex: Pronatec e Sistema Sesi); experiência de trabalho supervisionado ou outra experiência adquirida fora do ambiente escolar (ex: trabalho voluntário); estudos realizados em instituições de ensino nacionais ou estrangeiras; cursos realizados por meio de educação a distância etc.

• A Reforma e a BNCC servem para dificultar cada vez mais o ingresso da população de baixa renda na universidade. Aos pobres, só português e matemática. Aos abastados, todas as outras, disciplinas (certamente vendidas em pacotes extras) que ajudam a ingressar em uma boa universidade pública.

• Caso essa proposta de BNCC seja aprovada, as escolas terão reduzidos seus quadros de educadores/as, já que basicamente não precisarão de professores/as em sala de aula.

• Porém, até para os componentes curriculares (Português e Matemática), a reforma pretende oferecer conteúdos curriculares à distância, diminuindo a necessidade de professores em sala de aula.

• Além de demissão em massa, as relações de trabalho nas escolas serão precarizadas pela Reforma trabalhista (Lei 13.467/17) e pela possibilidade de contratação de pessoas com notório saber na Educação Técnica Profissional.

• O objetivo de mercantilizar o Ensino Médio, transferindo a parte flexível do currículo e até mesmo componentes da BNCC para a iniciativa privada através de Educação à Distância, é exigência dos maiores apoiadores da BNCC, entre eles: Sistema S (SESI, SENAI, SESC, SENAC etc.), Federação Nacional das Escolas Particulares e o Sistema Globo de Comunicações, por meio de seus Telecursos.

• A mercantilização e a privatização do EM fomentadas pela reforma caminham em sintonia com a Emenda Constitucional nº95, que congela por vinte anos os investimentos públicos em Políticas Sociais inclusive na Educação

• A BNCC e a Reforma do EM fazem parte do projeto de Estado Mínimo de um governo sem legitimidade eleitoral.

Bananal, 02 de Agosto de 2018

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3 comentários

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Nelson

07 de agosto de 2018 às 10h18

Em 2016, os golpistas congelaram por 20 anos os gastos públicos, em prejuízo de uns 90%, no mínimo dos brasileiros, que não têm renda suficiente para pagar à iniciativa privada por serviços públicos aos quais teriam direito, uma vez que já pagam impostos para tanto.

Em 2017, eles aprovam a concessão de R$ 1 trilhão em isenção de impostos a petroleiras estrangeiras até 2040.

Ficou claro, então, que tiraram do nosso bem-estar, da nossa qualidade de vida, para engordar os já gordos lucros de megaempresas estrangeiras. Lesa-pátria e lesa-humanidade em último grau.

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Nelson

07 de agosto de 2018 às 10h18

“A mercantilização e a privatização do EM fomentadas pela reforma caminham em sintonia com a Emenda Constitucional nº 95, que congela por vinte anos os investimentos públicos em Políticas Sociais inclusive na Educação.”

Me parece que o projeto fundamentalista dos neoliberais está bem claro. Esmagar, sucatear, destruir o setor público/estatal para que, no seu lugar, empresas privadas possam se estabelecer e engordar seus lucros.

Se ficar uma grossa parcela da população sem qualquer assistência, por não dispor dos recursos para pagar pelos serviços, lixe-se. E ainda dizem que os árabes é que são fundamentalistas.

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a.ali

03 de agosto de 2018 às 23h52

eis a “necessidade” do congelamento, por (ao que sabe) 20 anos na educação…

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