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Pelegrino: Temer quer Brasil satélite dos EUA
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Pelegrino: Temer quer Brasil satélite dos EUA


24/06/2018 - 11h08

Antonio Cruz/Agência Brasil

Esvaziar o processo regional de integração é prejudicial sob todos os pontos de vista

por Nelson Pelegrino, em O Globo

Sem olhar para os interesses geoestratégicos, econômicos e comerciais, o governo Michel Temer passou a esvaziar os processos de integração regional que vinham sendo empreendidos desde a redemocratização do país, como o Mercosul e a União das Nações Sul-americanas (Unasul).

Contra o Mercosul, conspirou para afastar a Venezuela do bloco, por motivos puramente políticos, criando uma espécie de veto ideológico a regimes de esquerda.

Ademais, Temer e Macri atuaram para implodir o Mercosul, ao defenderem a tese do “regionalismo aberto”, tentativa de destruir a união aduaneira para transformar o bloco em mera área de livre comércio, sem nenhum sentido geoestratégico.

Também assestou-se golpe contra a Unasul, com o afastamento de Argentina, Brasil, Paraguai, Colômbia, Chile e Peru, levando ao virtual fim de entidade construída após longo processo de diálogo regional e que tem por objetivos fortalecer a cidadania no subcontinente e promover sua defesa comum, sem a presença de potências extrarregionais.

Esses movimentos são claro retrocesso, pois lançam a região na incerteza das divergências que podem ser superadas por processos de integração.

E deixam claro que os governos neoliberais de Brasil e Argentina optam por levar ambos os países e seus aliados a atuarem como simples satélites dos interesses de União Europeia e EUA.

Eles desprezam a integração regional e querem entrar no clube dos ricos, a OCDE.

Ignoram que a integração regional fortalece as economias sul-americanas e permite melhor inserção dos estados-partes no cenário mundial.

Esvaziar o Mercosul e a Unasul é uma volta aos tempos em que a região não passava de um quintal geopolítico das grandes potências e uma vantajosa área para exploração econômica.

Para o Brasil, um jogo péssimo.

Os governos do PT com sua política externa “altiva e ativa”, mostraram que o Brasil só ganha ao romper com os padrões conservadores na área externa, pois o país ampliou sua participação no comércio mundial e virou ator de primeira linha, respeitado por todos.

A integração regional é muito positiva. De 2003 a 2013, nossas exportações para o Mercosul subiram 617%, com saldo de US$ 90 bilhões.

No mesmo período, com a Aladi (que inclui o Mercosul), o superávit foi de US$ 137,2 bilhões, superando os obtidos com EUA, UE e Brics, somados.

O esvaziamento do processo regional de integração é prejudicial sob todos os pontos de vista.

Temer tem destruído, de forma acelerada, todo o exitoso esforço diplomático que fez do Brasil um país maior.

O atual governo prega uma política externa livre de “preferências ideológicas”, mas suas ações têm claro caráter partidário.

Temer parecer ter predileção por ações que causam divisões na América do Sul, assumindo uma campanha agressiva da direita contra esquerda no subcontinente.

Assim, o saldo do atual governo, em termos diplomáticos, é desastroso. Nos tornamos um pária mundial.

*Nelson Pelegrino é deputado federal (PT-BA)

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assim falou Golbery

25 de junho de 2018 às 07h01

quando ate governo petista é enganado por americanos, pois se pensava que estava comprado a preço de banana o que se achava ser a maior refinaria do mundo quando estava pagando fábula por uma sucata, imagine o que não pode enganar um governo de imbecis

Responder

Nelson

24 de junho de 2018 às 18h03

“Ademais, Temer e Macri atuaram para implodir o Mercosul, ao defenderem a tese do “regionalismo aberto”, tentativa de destruir a união aduaneira para transformar o bloco em mera área de livre comércio,[…]”

“E deixam claro que os governos neoliberais de Brasil e Argentina optam por levar ambos os países e seus aliados a atuarem como simples satélites dos interesses de União Europeia e EUA.”

É o golpe, amigo. Há, ainda, muita gente, inclusive entre os que se dizem de esquerda, que não se convenceu ou não se deu conta de que o golpe foi arquitetado e está sendo gestado, uma vez mais, a partir do principal centro de poder mundial, os Estados Unidos.

Absurdo constatar isso, uma vez que os sinais são inequívocos, enquanto a esquerda segue teorizando acerca de supostas causas internas do golpe, segue imaginando que se a conduta dos governos do PT fosse assim ou assado, o golpe não teria sido desferido.

Na Argentina, bastou aos EUA empanturrarem de dinheiro a campanha do Macri para tirarem da jogada o kirchnerismo e seus arroubos de soberania. Uma soberania tímida e capenga, é verdade, mas que incomodava o centro de poder.

Aqui, o plano, de eleger um candidato, Aécio, que já teria implementado, desde 2015, as medidas que Temer vem tomando, foi derrotado por muito pouco. A mística de Lula superou tudo e levou Dilma a um segundo triunfo.

O certo é que o Sistema de Poder que domina os EUA, guardião do sistema capitalista a nível mundial, já não admite e não está disposto a tolerar, da parte dos países pobres, o mais mínimo resquício de soberania e de autonomia que configure a tentativa de construir um projeto nacional.

Para tal sistema, as megacorporações capitalistas têm total direito de se assenhorearem das riquezas pertencentes aos povos para expandirem seus ganhos. Projetos nacionais se opõem, inevitavelmente, a essas determinações e por isso têm que ser esmagados de forma a que nunca mais possam se reerguer.

Uma vez conquistado o Brasil e a Argentina, entre os próximos alvos estão o Iran, Venezuela, Cuba, Bolívia e Coreia do Norte. Rússia e China ficam para ser domadas mais adiante.

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