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O PAC da superexploração


22/07/2010 - 21h36

Superexploração dos trabalhadores na maior obra do PAC

do Brasil de Fato

Funcionários da usina hidrelétrica construída no Rio Madeira denunciam as condições de trabalho que os levaram à revolta

20/07/2010

Eduardo Sales de Lima, enviado a Porto Velho

O reajuste salarial foi apenas um dos motivos, dentre tantos outros da revolta e, consequentemente, da paralisação realizada entre os dias 17 e 29 de junho pelos trabalhadores da construção da usina hidrelétrica de Santo Antônio, em Porto Velho (RO). Os funcionários quebraram o silêncio e denunciaram o estressante dia-a-dia nos canteiros de obra da barragem. Um cenário repleto de acidentes, abuso e intimidação por parte do Consórcio Santo Antônio Civil (CSAC) – comandado pela empreiteira Odebrecht –, responsável pela construção da hidrelétrica.

A usina de Santo Antônio está orçada em R$ 13,5 bilhões e, ao lado da hidrelétrica de Jirau (que custará R$ 10 bilhões), compõe o Complexo Hidrelétrico do Rio Madeira, a obra mais cara do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A construção de Santo Antônio começou em setembro de 2008 e está prevista para terminar em 2015. Pelo projeto, a usina vai produzir 3.150,4 megawatts, o suficiente para atender 11 milhões de residências ou 44 milhões de pessoas – ainda que o principal objetivo da obra seja atender indústrias eletro-intensivas.

A suntuosidade das cifras, contudo, contrasta com as péssimas condições de trabalho nos canteiros de obras. Lá, a pausa para o almoço é de apenas uma hora. Pouco para quem leva vinte minutos para se locomover de ônibus até o refeitório e ainda aguarda mais alguns minutos na fila. Nas obras de Santo Antônio, para os que moram nos alojamentos, é obrigatório o pagamento de R$ 26 ao mês para o aluguel da moradia.

A própria concentração dos trabalhadores que vivem no alojamento, quente e sem ar-condicionado, é algo que, de acordo com o advogado Anderson Machado, propicia a escalada da tensão entre os funcionários e aumenta a insatisfação em relação ao trabalho. Machado foi interventor do sindicato que, em tese, representa os funcionários de Santo Antônio, o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil do Estado de Rondônia (Sticcero).“Concentrar os trabalhadores ali os mantém o tempo inteiro sob pressão. É um trabalho desgastante, tenso, e na hora em que você está descansando, não sai do ambiente da obra”, comenta. Para ele, a atual situação dos trabalhadores reflete, sobretudo, o desejo do consórcio de economizar com transporte e aluguel.

O trabalho é árduo. João* trabalha faz pouco mais de um mês na área de concretagem e reside na periferia da capital Porto Velho. Segundo ele, é comum a não-adaptação dos trabalhadores dentro daquele “buraco quente”. “Os desmaios a gente nem conta. Dentro do buraco é a rocha; e ela esquenta e seca o ar todo. Mandam para o ambulatório e, depois de 15 minutos, a pessoa está na frente do serviço de novo”, descreve. João conta que, nas obras, “parece que a nuvem foge do sol”.

A usina fica sete quilômetros a sudoeste de Porto Velho. Trabalham no empreendimento aproximadamente 7.030 pessoas. Cerca de 84% da mão-de-obra é original de Rondônia. Equipes de detonação e escavação moldam o leito e as margens do rio para receber a barragem. Outros grupos escalam até 50 metros para entrelaçar estruturas de aço que irão abrigar as turbinas da hidrelétrica. Concluída a armação metálica, começa a concretagem, serviço de João. Quando estiver pronta, a hidrelétrica terá consumido 3,1 milhões de metros cúbicos de concreto que circundarão as 44 turbinas aptas a gerar os 3150 MW.

Os trabalhadores em Santo Antônio, recebem salários que variam de R$ 700 a R$ 1000. Os protestos de junho revelam que eles também estão conscientes desses valores reduzidos.

“Éden”

Em Santo Antônio, os acidentes são recorrentes e, em muitos casos, até as mortes são abafadas pelo consórcio, segundo contam funcionários. João se recorda que os acidentes presenciados por ele ocorreram principalmente por dois motivos: o despreparo de funcionários inexperientes e o ritmo de trabalho imposto pelos funcionários responsáveis por gerir a obra, chamados de “encarregados”. “Por causa da pressa, há muitos acidentes com quedas de barras de ferro de 30 metros, ocasionando ferimentos”, conta.

Ir ao ambulatório, entretanto, parece não ser uma prática saudável. “Não vá lá, senão os encarregados vão achar que é proposital, que você não quer trabalhar”, afirma Antônio*, há cinco meses no setor de Terra e Rocha.

“Costumamos chamá-los [os encarregados] de sobrinhos de [Marcelo] Odebrecht [diretor-presidente da empresa], quer dizer, o mais interessado no sucesso da empresa. São os senhores de senzalas. É uma coisa comum, dentro da barragem, eles chamarem os trabalhadores de ‘filho da puta’”, denuncia João. Por causa da pressão por parte dos encarregados e do estresse gerado, ele afirma que alguns trabalhadores terminam por brigar verbalmente ou fisicamente com os supervisores ou entre si e “levam sua quita” (são demitidos) mais cedo.

Os “sobrinhos de Odebrecht” cobram bastante os trabalhadores e, segundo Joaquim*, ex-alojado e demitido, segundo a empresa, pelos protestos do dia 17 de junho, esquecem, também, de defender o “time” que lideram. “Não adianta pressionar uma equipe de 15 sendo que para cinco trabalhadores o pagamento não sai. E ele, como encarregado, não toma posição e não tenta resolver esse tipo de problema junto ao setor de recursos humanos da empresa. [Para ele,] o peão que se lasque”, critica.

Os encarregados, de acordo com os funcionários ouvidos pela reportagem, além de pressionar, também intimidam os funcionários. De acordo com João, o trabalhador em Santo Antônio não pode se posicionar reivindicando direitos junto à empresa. “Quem faz isso é despedido ou perseguido lá dentro”, revela. “Dá para ver encarregados fazendo filmagens para ‘dar quita’”, conta Antônio.

Ele garante que os acidentes que puderem ser abafados pela empresa, o são. Segundo Antônio, quando um cabo de aço se soltou do guindaste, no fim de junho, um rapaz da área de concretagem tirou fotos. Porém, rapidamente, seguranças e encarregados o cercaram e forçaram para que ele as apagasse.

João, que preenche as armações metálicas de concreto, conta uma história parecida. Após uma estrutura ter caído por cima de três operários, ocasionando duas mortes e deixando um trabalhador gravemente ferido, ele revela que a informação só vazou quando foram iniciados os protestos a partir do dia 17 de junho, em que alguns ônibus foram queimados por trabalhadores e parte do alojamento foi depredada. “A propaganda lá fora era que aqui seria o jardim do Éden e quando chega aqui só se encontra a serpente e nada mais. Nem a árvore do fruto proibido se encontra aqui”, ironiza o trabalhador.

* Com medo de represálias, os trabalhadores entrevistados solicitaram que a reportagem utilizasse nomes fictícios.

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46 comentários

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Lucas Secanechia

03 de agosto de 2010 às 22h35

Se por aqui se faz as denúncias, gostaria eu mesmo de fazer uma. Já faz um tempo que se passou o ocorrido, e tirando o site acerto de contas, passou em branco nos demais blogs progressistas, eu me refiro ao preconceito escancarado e desavergonhado do apresentador José Luiz Datena em seu famigerado programa no canal bandeirantes contra ateus e demais não crentes. O sensacionalismo do programa combinado com a verborragia do apresentador renderam em um episódio revoltante, em que o ódio foi instigado contra um grupo minoritário da sociedade que não teve como se defender, acusados de bandidos (de todos os tipos,quanto pior mais descrente seria), imorais e apresentados literalmente como o mal. Fossem negros ou homossexuais os alvos da agressividade do apresentador as denúncias estariam sendo feitas (como não poderia deixar de ser) na nossa grande imprensa, o que não me admira devido ao nível dela, mas me surpreende que os blogs progressistas ainda não tenham mencionado devidamente o assunto, por favor Azenha.

Responder

Julio Silveira

27 de julho de 2010 às 17h50

Não esqueçamos que essa empresa foi expulsa do Equador.

Responder

Danilo

26 de julho de 2010 às 18h04

A reportagem, embora elogiável do ponto-de-vista da proteção ao trabalhador, é incompleta. Explica-se:

1) Menciona o sindicato que"supostamente" representa os trabalhadores, mas se "esquece" de divulgar se há ou não alguma ação sua no sentido de coibir os atos denunciados;

2) Não há menção a qualquer oitiva de membros do MPT;

3) Insinua que o governo federal estaria acobertando os atos, mas não esclarece que o consórcio preencheu todos os requsitos para vencer a licitação à época; logo, se há irregularidades na execução, a providência a ser tomada é a descrita no item "2".

Aí, sim, poderíamos dizer que as regras comezinhas do bom jornalismo foram obedecidas.

Responder

ratusnatus

26 de julho de 2010 às 17h56

Volto a este texto para reafirmar que não ví nenhum absurdo sendo relatado.

Acidentes em obras acontecem, quase sempre, porque os operários se recusam a usar os equipamentos de segurança. O salário é o que é pago em outras praças. Ao ser contratado o operário sabe muito bem para onde vai. O aluguel é barato. De fato não tem ar refrigerado mas eu também não tenho.

De resto é o lamento de ser um trabalhador sem qualificação, lamento por viver num mundo capitalista onde quem não tem qualificação ganha pouco para fazer trabalho pesado…. o trabalho é duro. Isso todo mundo já sabe. O que é que se esperava? Trabalho leve e ar refrigerado?

O texto só serve para espinafrar o capitalismo. Desculpe mas não se tira nada daí…

Responder

Vera Silva

26 de julho de 2010 às 16h37

Fiz a minha parte: mandei a reportagem para o Ministério do Trabalho e Emprego e pedi apuração dos fatos.

Responder

Alberto

26 de julho de 2010 às 08h00

O Brasil é signatário da Convenção 81 da OIT e não está cumprindo o que ela determina em relação ao contingente mínimo para fiscalização eficiente. A diminuição na receita obtida com as multas que deixou de arrecadar R$12 milhões, apenas nos cinco primeiros meses do ano. A redução do número de AFTs na ativa e o grande número de aposentados desde a publicação do edital do último concurso é imensa. Enquanto outros ministérios conseguem imprimir seu peso e força, o MTE vê seus quadros definharem, apesar de termos um Presidente trabalhista.

Responder

Alberto

26 de julho de 2010 às 08h00

Sou um defensor da luta pelos Direitos Humanos, sobretudo no que tange à relação entre Direitos Humanos e Direito do Trabalho, sempre votei no PT e pretendo continuar votando. Todavia, alguns fatos nos saltam aos olhos, dia 08.07.2010 foi publicada uma matéria no jornal Valor Econômico revelando a forma como a fiscalização do trabalho vem sendo preterida enquanto instrumento de política pública no Brasil. A secretária de Inspeção do Trabalho, Ruth Vilela, ouvida pela reportagem do Valor Econômico, admitiu que o número ideal de AFTs hoje seria de 4.500, mas há menos de 3 mil em atividade, muitos em atividades internas.

Ora, o Brasil está há oito anos com um governo trabalhista e se não for implementado uma fiscalização trabalhista (MTE) forte agora, jamais o faremos. Atualmente, o número de Auditores-Fiscais do Trabalho é absolutamente insuficiente e o número de aposentadorias de auditores só tende a piorar a situação. Devemos lembrar que o Brasil está entrando num período de crescimento acelerado e uma fiscalização deficitária trará imensos prejuízos humanos e, por conseqüência, aos cofres públicos.

Responder

Fernando

25 de julho de 2010 às 23h49

MPT investiga acidente com morte no canteiro de obras da Usina de Jirau
http://www.rondoniagora.com/noticias/mpt-investig

Responder

Maria A.M.Branco

25 de julho de 2010 às 18h42

Isso mesmo Gerson, encaminhe a matéria para o Ministério do Trabalho, o Ministro Lupp saberá o que fazer com esses escroques que escraviza o trabalhador brasileiro.

Responder

André Oliveira

25 de julho de 2010 às 15h01

Ministério do Trabalho e Ministério Público do trabalho neles..Se houver irregularidades que venham as multas e as correções. Só não venham usar esta história para parar as obras do PAC..

Em relação a esta questão de patrões e empregados, nem a URSS conseguiu se livrar de uma classe dominante submetendo uma classe de trabalhadores nas quais, por melhores que sejam as condições, sempre haverá gente insatisfeita ..

Responder

    Maria A.M.Branco

    25 de julho de 2010 às 18h44

    Pois é André, vamos encaminhar a matéria para o Ministério do Trabalho e o Ministério Público, vamos fazer a nossa parte, mostrar nossa indignação.

Urbano

25 de julho de 2010 às 00h20

O PAC torna-se um espelho do SUS, onde o Governo Central libera as verbas e alguns Estados e Municípios gerem da pior forma possível. Só que, no caso de se criar uma estrutura de controle altamente especial para o todo, em face de crimes cometidos pelas exceções, fatalmente esse custo adicional pode vir a ser até maior do que o de muitos benefícios. E aí? Creio que o problema seja mais de impunidade, quando se descobre falcatruas.

Responder

Maria A.M.Branco

24 de julho de 2010 às 17h30

Encaminhei a matéria para o Blogdoplanalto, para conhecimento do Presidente Lula, tenho certeza que ele tomará as providências que o caso requer, dará um basta nessa eleite escravocrata.

Responder

    Leo V

    24 de julho de 2010 às 20h37

    Quem tem que dar um basta são os trabalhadores organizados.

    Mentalidade de crente essa de rezar para um Santo resolver.

    Para mudar o mundo é necessária nossa ação.

    Tudo que alcançamos até hoje foi pela prática e organização das pessoas, não foi dado por ninguém.

monge scéptico

24 de julho de 2010 às 14h36

Essa é uma das falhas da administração LULA via MTPS; privilegiar assaltantes, digo empŕesas
exploradoras da mão de obra, que pululam por aí em busca de uma fatia do PAC.
Um das contradições dessa democracia BUFA, é que os orgão de fiscalização, são todos sem excesção
corruptos. E por ai . TV record: stalone disse que um dos motivos de ter vindo filmar no BRASIL, foi de que
aqui podem machucar as pessoas, receber agradecimentos e ganhar um macaco de lembrança,
E ahora macheza brasileira? Q ual a resposta abaixar as calças?HEHEHERIRII

Responder

Carlos

24 de julho de 2010 às 16h41

Gostaria de saber onde está o Ministério do Trabalho e seus órgãos afins… Se é uma obra do PAC então deveria haver maior fiscalização, pois há dinheiro federal e é de sua responsabilidade a conclusão. É o que não aceito no governo do PT, e olha que votarei na Sra. Dilma. O mesmo acontece nos bancos federais, basta necessitar de algum. Filas enormes, desprespeito ao cidadão (seu verdadeiro dono…)…E não adianta o funcionalismo fazer greve, paralizações, manifestos, etc. Os atuais donos do poder não se preocupam com os clientes e mentem aos funcionários. Não cumprem acordos trabalhistas. Na CEF e no BB as demissões e perseguições continuam. O governo faz de conta que não é com ele, que não tem ingerencia, …

Responder

    Alberto

    26 de julho de 2010 às 08h18

    Assim como vc, tbm voto no PT. Agora, sou obrigado a reconhecer que para um governo trabalhista o PT quase desmontou o MTE. A fiscalização do trabalho hoje está abaixo dos parâmetros mínimos determinados pela OIT. Imagina se fosse um governo liberal.

Marcelo J.

24 de julho de 2010 às 16h36

È isso aí. Esse é o padrão Abu Dhabi de construção adotado já há um bom tempo pelas construtoras deste País. Obras faustosas, trabalhadores mal remunerados, alojamentos precários e cobranças indevidas. Na elite, alguma coisa se cria, tudo é copiado, e em termos sociais nada se transforma, nada muda.

Responder

Mariscléia

24 de julho de 2010 às 02h17

Ué Azenha não quer mais mostrar essa reportagem? Quer esconder ela? ….

Responder

Gerson Carneiro

24 de julho de 2010 às 01h03

Aí é uma questão de fiscalização dos sindicatos e do Ministério do Trabalho, denunciar à Justiça do Trabalho.

No ano passado, em plena construção de mais um dos pedágios da malha rodoviária de São Paulo, Estado mais rico do país, a Procuradoria Regional do Trabalho da 15ª Região (PRT-15) , em Campinas-SP, encontrou 12 trabalhadores submetidos à escravidão contemporânea. O flagrante ocorreu no município de Monte Mor (SP) em meados de outubro. Os pedreiros e ajudantes trabalhavam na construção de uma praça de pedágio para a concessionária Rodovias do Tietê.

Responder

mariautt

24 de julho de 2010 às 00h12

E o PIG preocupado com o tal de Eduardo Jorge. Ô oposição imprestável… Uma oposição minimamente séria se preocuparia com o seu papel fiscalizador, ao invés de delírios golpistas.

Responder

ricardo silveira

23 de julho de 2010 às 23h40

Já faz um bom tempo que li relato semelhante sobre as desumanas condições de trabalho e de vida dos operários na construção da Usina de Itaipu (anos 70). Pensava que coisas desse tipo haviam ficado para trás, num tempo em que reivindicar direitos tinha um preço muito maior que a perda do emprego. Vê-se que ainda há muita coisa a ser conquistada neste país, como o respeito à vida dos trabalhadores, especialmente, dos chamados desqualificados. Bem que nas contratações de serviços pelo Estado, uma cláusula sobre o respeito aos direitos trabalhistas e humanos seria bem vinda como condição "sine qua non" para a contratação, coisa simples e elementar ao mundo civilizado, mas cuja transgressão resultasse em criminalização e perda financeira para as empresas contratadas. Será que o DEM e o PSDB deixariam uma coisa simples, assim, virar lei?

Responder

ratusnatus

23 de julho de 2010 às 22h44

Me desculpe mas pagam 26 de aluguel e ainda reclama que não tem ar refrigerado… como assim:

Isso é trabalho.

Essa reportagem é ridícula!

Responder

    Daniel Alves

    24 de julho de 2010 às 00h17

    Morei onze anos em Rondônia, lá o condicionador de ar deveria fazer parte da cesta básica, e olhe que não morei em alojamentos!
    Quanto aos R$26,00 de aluguel, se eles não forem cobrados, em uma recisão contratual, a moradia é computada como rendimentos.

    assalariado.

    24 de julho de 2010 às 00h22

    ratusnatus,pelo jeito voce é da direita,não sobrevive de salários e vive na condição de explorador do trabalho alheio,ou seja,voce deve ser um daqueles parasitas do capital(patrão),que fica olhando a vida do 5º andar do seu magnifico umbigo,enquanto isso os seus colaboradores vão engordando sua conta bancaria lá em miami.

    ivo

    24 de julho de 2010 às 00h38

    Só podia ser um rato.

Celeste

23 de julho de 2010 às 22h10

Peraí, tem gente pensando que o LULA tem conhecimento disso tudo e está a favor??? Que o LULA tem culpa de tudo isso??
Pelo amor de Deus!! …Vamos raciocinar gente…parar de viajar na maionese e por os pés no chão. A denúncia é grave e tem que ser apurada, divulgada e cobrado dos órgão responsáveis pela fiscalização que exerçam seu papel e tomem as medidas necessárias e cabíveis. Sabemos como funciona a cabeça da maioria dos empresários desse País: DINHEIRO, LUCRO, DINHEIRO, LUCRO….o empregado que se lixe…; então, vamos ajudar a divulgar tudo isso e tenho certeza que o LULA vai adorar saber e com centeza vai cobrar providêncas.

Responder

Leo V

23 de julho de 2010 às 22h08

Esse é o tal Pleno Emprego a que chegamos…

o capítalismo é uma maravilha! Isso é a economia bombando… imaginem quando está ruim.

Responder

Paulo Achilles

23 de julho de 2010 às 22h02

Lembro-me ainda menino em 1977/78 da revolta dos operários que construiam a hidrelétrica de Foz do Areia nos municípios de Bituruna e Pinhão – PR. Cansados de promessas de pagamentos em dia, aumento de salário, melhores condições de alojamento e comida, uma noite houve uma revolta geral. Por dois seguidos serviram carne podre nas marmitas. Como no filme encouraçado potemkin, o turno da noite não começou, o que seguiu foram alojamento incendiados, caminhões, tratores e outras máquinas sendo incendiadas ou jogadas no rio Iguaçu. A destruição só terminou de madrugada qdo chegaram soldados do 26 GAC – Grupo de Artilharia de Campanha do exército de Guarapuava que fica cerca de 90km. Munidos de caminhões de transporte de tropa da segunda guerra mundial houve uma demora considerável para a tropa chegar ao canteiro, que antes disso já havia imensos tratores colocados na estrada para evitar justamente a chegada da polícia. Mais de 20 operários foram mortos naquela noite e somente um mês depois com a construção de alojamentos novos, refeitórios e a retirada das máquinas do rio é que foi possível a continuidade dos trabalhos. A tragédia só não foi maior porque as bananas de dinamites ficavam sem as espoletas que eram levadas de Faxinal do Céu (cidade estilo européia) que abrigava os engenheiros e um destacamento polícia que guarnecia justamente a parte dos explosivos.

Quando soube da notícia de que estavam havendo estes protesto em Rondônia me veio imediatamente na lembrança o episódio de Foz do Areia. Sendo possível saber que depois de mais de 30 anos este amado Brasil continua igual. Tão igual a 1917 na greve geral que parou São Paulo em busca de melhores salários e condições de trabalho

No início de 1918 ainda na prisão, Leuenroth recebeu a notícia de que seus amigos libertários cogitavam a possibilidade de candidatá-lo para deputado como uma forma de protesto. De sua cela na cadeia pública de São Paulo, Leuenroth escreveu uma artigo agradecendo a consideração, afirmando que não poderia aceitar uma candidatura sua pois isso iria de encontro com seus ideais anarquistas aos quais permanecia fiel, e não compactuaria com o Estado nem para fazer protesto. http://pt.wikipedia.org/wiki/Edgard_Leuenroth

Responder

    Leo V

    24 de julho de 2010 às 20h41

    Paulo, numa busca rápida no Google não encontrei nada sobre essa luta na construção da hidrelétrica de Foz do Areia.

    Merece que vc escreva algo para publicar na internet. É uma memória importante.

Gerson Carneiro

23 de julho de 2010 às 21h14

Apesar de toda desgraça descrita no texto não me contive e sorri. Achei graça.
Por um motivo: a sacada do trabalhador João.

“A propaganda lá fora era que aqui seria o jardim do Éden e quando chega aqui só se encontra a serpente e nada mais. Nem a árvore do fruto proibido se encontra aqui”

Isso é povo, trabalhador. Engana-se quem pensa que o povo, o trabalhador, não é sabido.
Isso é um recado para o Serra que veio ao Nordeste falar bobagem achando que o povo é besta.

Em tempo: seo João queria achar "a arvoré do fruto proibido" no canteiro de obras?!

Responder

Yacov

23 de julho de 2010 às 21h11

Assim como não basta varrer a casa uma vez para que fique limpa para sempre, você precisa varrer sua casa constantemente se a quer limpa. Segundo MARX, antes de se atingir o socialismo, o capitalismo tem que queimar todas as suas etapas, e nós acabamos de criar uma sociedade de consumo e um capitalismo nacionais, ou seja, "vamos explorar, mas nem tanto", não encerra nenhuma hipocrisia. O caminho é este, lutar para que se respeite os direitos da população e do trabalhador, que paralelamente, vão batalhando para obter mais direitos. Então, se a Odebrecht está abusando, as denúncias tem que ser verificadas, e se comprovadas, a empresa tem que se devidamente punida.

"O BRASIL DE VERDADE não passa na gLOBo – O que passa na gLObo é um braZil para TOLOS"

Responder

Jordam

23 de julho de 2010 às 17h33

As vezes radicalizar o discurso diante de uma denuncia como esta, parece oportunismo daqueles que se dizem de esquerda mas ocupam o fisiologismo de varias instituições e colocam o PT como um partido que ajudou o capitalismo, esta matéria tem um significado na minha opinião, quem estiver cometendo o erro tem que pagar, Lula nunca se esquivou de problemas graves que apareceram diante dele, e não será diferente, o que não pode acontecer é que isto vire palanque, este é um problema que tem que ser resolvido imediatamente, e na instância competente.
Agora não da para aguentar um discurso de esquerda que ainda pensa que revolução é pegar em armas, isso é utopia e não vai construir nenhum processo democrático para nossa nação.

Responder

    Joelma

    23 de julho de 2010 às 18h30

    defender que isso seja levado ao debate (porque se isso não for levado a sério, a tendencia é esse tipo de situação se tornar mais corriqueira e escancarada do que já é, sem resistência montam em cima d enós e já estamos cansados de saber disso), enfim defender direitos civis dos mais básicos não tem nada a ver com o argumento falso de "utopia", nem em confundir isso com um estereótipo equivocado sobre a esquerda. é nessa horas que se mostra quem está do lado do cidadão e quem quer se perder na burocracia pra salvar a pele do poder…

    assalariado.

    23 de julho de 2010 às 20h11

    Joelma,voce com muita razão abordou uma palavra magica na politica(estéreotipo,é o mesmo que uma fotografia,não varia,coisa estática).A luta de classes tem uma dinamica,e se voce não se atentar,voce começa a defender uma idéia direitista(interesses dos patrões) pensando que é de esquerda.Vivemos sob o teto do Estado capitalista,burgues,logo,as instâncias são burguesas,o legislativo é burgues,imaginem só,o que dirão as leis…

Zé Cabudo

23 de julho de 2010 às 12h27

E ainda falam em flexibilizar a CLT.

Responder

Marcos de Almeida

23 de julho de 2010 às 10h35

Cade os fiscais do trabalho para averiguar as condições de trabalho desses operários que são explorados diarimente sem a mínima condição de trabalho.O salário inicial numa obra tão complexa deveria ser R$ 1.500,00.

Responder

Marat

23 de julho de 2010 às 07h25

Não se pode adotar um discurso e praticar o que os adversários praticariam!
Temos que nos modernizar e melhorar as condições de vida daqueles que trabalham duro por um país melhor!

Responder

Joelma

23 de julho de 2010 às 05h29

ignorar uma denúncia grave dessas só porque abala o que acreditamos (ou quem apoiamos) é mais grave do que ter conhecimento que isso é grave (longe de mim PSDB, mas fica meio óbvio que se fosse um governo tucano todo mundo berraria). Não dá pra não esconder esse debate…
incrível, na hora de avaliar os erros do governo Lula as pessoas se tornam comedidas! galera, abre o olho, não existe candidato mágico que vem com uma cartilha de boa governança que será seguida à risca. Quando a gente começa a ficar muito cego em relação a um ponto tá na hora de parar e reavaliar… lembre-se, tudo é puxado para um mesmo caminho, tudo é engolido pelo sistema, não devemos baixar a guarda… estamos muito longe do nosso caminho ainda… ficadica

Responder

Ed.

22 de julho de 2010 às 23h46

Quando chegar no PIG, vão inventar algo estapafúrdio como: "Lula explora seus ex-colegas no PAC"…

Responder

O Brasileiro

23 de julho de 2010 às 02h28

Imagina o que essa empresa fez no Equador…
Lamento que isso aconteça num país onde o Presidente já foi líder sindical.
Se não fosse uma empresa "amiga" do PiG, com certeza este já estaria sendo explorado eleitoreiramente o assunto!
Lembro que vi no Canadá um monumento a trabalhadores mortos numa obra. O que será que vão construir em Santo Antônio, uma estátua dos Oderbrecht ou um memorial aos trabalhadores que deram suas vidas lá?

Responder

Mª vivamandela

23 de julho de 2010 às 01h52

Não tenho conhecimento para manifestar opinião sobre essa denúncia, mas sei que precisa ser investigada para não se tornar mais uma arma, nas mãos da oposição contra o PT. Se proceder, descobrir quem são os verdadeiros responsáveis.

Responder

    assalariado.

    23 de julho de 2010 às 11h37

    Mª vivamandela,como assalariado aprendi a defender a minha classe,e não os pseudos defensores(no caso o petismo).Mesmo porque,este,se propos a desenvolver o capitalismo "brasileiro",e não acabar com a exploração dos capitalistas,tanto é verdade que mesmo dentro deste partido existe patrões,logo,estão longe de ser socialistas,estão mais para social democracia, –(vamos explorar,mas nem tanto,quanta hipocrisia…)–. Não se trata de descobrir culpados,esta relação de exploração (capital x trabalho),esta dentro do objetivo estratégico do capital,ou seja,pagar míseros salários em nome de seus duvidosos lucros.A burguesia tem consciencia de classe,os partidos "defensores" dos explorados é que não tem,a elite tem coerencia ideologica…

    Antenor L Moreira

    28 de julho de 2010 às 09h30

    É incrível como uma relação patrão/empregado vira uma discussão entre capitalismo e socialismo.
    Vivi a vida toda de trabalho assalariado e presenciei cenas chocantes que hoje provavelmente ainda existam, mas nem tão evidentes.
    Para mim o que está havendo nessa obra é uma coisa corriqueira que estamos acostumados a presenciar. Não que acho que seja correto, mas tem que se corrigir.
    Eu imagino que se a oposição tivesse bons propósitos, ajudaria os trabalhadores, mas essa sempre esteve do lado dos exploradores da mão de obra barata e se entrarem nessa questão não será para defender os trabalhadores, e sim para tirar proveito político da situação. A única coisa que pode contê-la é o fato de ter rabo preso com os donos das empreiteiras.

    rafael

    23 de julho de 2010 às 17h41

    Tem que ser investigada porque é sério, é grave, e esta morrendo gente. Nem tudo deve ser motivado por eleição.

    Leo V

    23 de julho de 2010 às 22h11

    "Denúncia"?

    Como assim, os trabalhadores se revoltam por semanas, coplocam fogo e é apenas uma 'denúncia'?

    Vc está do lado dos trabalhadores ou dos capitalistas?


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A mídia descontrolada

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