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Críticos da Monsanto têm sido alvo de ataques cibernéticos


12/08/2013 - 12h54

Na luta global pela engenharia genética, a empresa dos EUA se utiliza de métodos questionáveis, de estranhos aliado se do poder de Washington. Críticos da empresa  se sentem espionados.

por Marianne Falck, Hans Leyendecker, Silvia Liebrich, no Süddeutsche Zeitung de 13 de julho de 2013 , via Renata Motta

O grupo americano Monsanto é um gigante no agronegócio – e é o número um na área da controvertida tecnologia genética verde. Para seus opositores, muitos dos quais residentes na Europa, Monsanto é um inimigo assustador. E continuam acontecendo coisas intrigantes que fazem o inimigo parecer ainda mais aterrorizante.

No mês passado, a organização europeia protetora do meio ambiente “Amigos da Terra” e a Federação para meio Ambiente e Proteção à Natureza Deutschland (BUND) quiseram apresentar um estudo sobre os efeitos do herbicida glifosato no corpo humano. Os herbicidas que contêm glifosato são carro‐chefes da Monsanto. A empresa fatura mais de dois bilhões de dólares somente com o agente Roundup. Os “herbicidas Roundup”, assim sustenta a Monsanto, “têm uma longa história de uso seguro em mais de 100 países”.

Entretanto, existem também pesquisas alegando que o agente possivelmente cause prejuízos a plantas e animais, e o estudo mais recente demonstra que nesse meio tempo muitos moradores de grandes cidades vivem com o veneno no próprio corpo, sem terem conhecimento disso. Como tantas outra coisas relacionadas a esse assunto, é discutível o que exatamente o pesticida é capaz de provocar no organismo humano.

Dois dias antes da publicação do estudo em 18 países, um vírus paralisou o computador do principal organizador Adrian Bepp. Houve ameaça de cancelamento das entrevistas coletivas em Viena, Bruxelas e Berlin. “Surgiu pânico”, lembra Heike Moldenhauer da BUND. Os ativistas do meio ambiente viam‐se correndo contra o tempo.

Moldenhauer e seus colegas tinham feito diversas especulações sobre os motivos e a identidade do misterioso agressor. A especialista em tecnologia genética da BUND acredita que o principal objetivo do desconhecido fornecedor do vírus tenha sido “gerar confusão”. Não há nada pior para uma pesquisa do que cancelar uma coletiva da imprensa. “E nós ficamos nos perguntando se estávamos vendo fantasmas”, diz Moldenhauer.

Não há nenhum indício de que Monsanto tenha sido o fantasma, ou que tenha algo a ver com o vírus. O grupo não faria algo assim. Preza “agir com responsabilidade”: “hoje em dia é muito fácil fazer uma afirmação e de difundi‐la”, diz a Monsanto. Pois dessa forma “periodicamente são feitas afirmações duvidosas e populistas que denigrem nosso trabalho e nossos produtos, carecendo de qualquer abordagem científica.”

Os críticos do grupo têm outra visão, o que por sua vez, tem a ver com a espessa trama tecida ao redor do mundo pela Monsanto, cujos entroncamentos estão localizados nos serviços secretos americanos, nas suas forças armadas, em empresas de segurança privadas e, é claro, também junto ao governo americano.

Um número expressivo de críticos da Monsanto relatam ataques regulares de hackers com gabarito profissional.

Também os serviços secretos e militares gostam de contratar hackers e programadores. Estes são especialistas em desenvolver cavalos de troia e vírus para penetrar em redes de computadores alheios. O denunciante Edward Snowden chamou atenção ao contexto entre as ações dos serviços de notícias e as movimentações da economia. No entanto, esta maléfica ligação perdeu força diante das demais atrocidades.

Alguns dos poderosos defensores da Monsanto entendem bastante do assunto da guerra cibernética. “Imagine a internet como uma arma que está sobre a mesa. Ou você a pega, ou teu concorrente irá fazê‐lo, mas alguém será morto”, foi o que disse Jay Byrne nos idos de 2001, na época, chefe de relações públicas na Monsanto.

É comum empresas lutarem com métodos escusos em função daquilo que consideram como seu direito, como sendo o certo. Porém, os termos amigo ou inimigo, ele ou eu ‐ estes já denotam linguagem de guerra. E numa guerra é preciso ter aliados – por exemplo, aqueles ambientados no serviço secreto.

Os contatos da Monsanto com o notório ex-agente secreto Joseph Cofer Black , que colaborou na formulação da lei da selva, na luta contra terroristas e demais inimigos dos EUA. Ele é especialista para trabalho sujo, da linha dura. Trabalhou para a CIA durante quase 30 anos, sendo inclusive o chefe antiterrorista. Mais tarde seria o vice‐presidente da empresa de segurança particular Blackwater, que mandou milhares de mercenários para o Iraque e o Afeganistão.

Pesquisas mostram como são estreitas as ligações entre a gerência da empresa e a central do governo em Washington e com as representações diplomáticas dos EUA no mundo inteiro. Monsanto tem auxiliares eficazes em diversos lugares. Antigos colaboradores da Monsanto ocupam altos postos em departamentos governamentais,  ministérios, federações da indústria e universidades dos  EUA. Por vezes são relações quase simbióticas. De acordo com informações da organização anti-lobista Open Secrets Org, no ano passado, 16 lobistas da Monsanto ocuparam alguns cargos de alto nível na administração norte‐americana e até mesmo em serviços de controle.

Para a empresa, trata‐se de novos mercados e da alimentação de uma população mundial que cresce em ritmo alucinante. A engenharia genética e as patentes relacionadas com plantações desempenham um papel importante nesse contexto. Nos Estados Unidos, a proporção de milho e soja geneticamente modificados é de 90 por cento, e também no restante do mundo este percentual cresce de modo constante.

Apenas no mercado europeu, nada acontece. Diversos países da UE têm muitas restrições com relação ao futuro da Monsanto, o que visivelmente desagrada à administração governamental dos EUA. No ano de 2009, Ilse Aigner, Ministra da Alimentação, Agricultura e Proteção ao Consumidor, filiada ao Partido da União Social‐Cristã, havia banido o tipo de milho MON810 também dos campos alemães. Ao viajar logo depois para os Estados Unidos, foi interpelada pelo colega americano Tom Vilsack com respeito à Monsanto. O político democrático havia sido governador no estado federal Iowa, de característica rural, e cedo se tornou adepto da engenharia genética verde. Em 2001 foi eleito pela bioindústria como “governador do ano”.

Infelizmente, não há registro da conversa entre Vilsack e Aigner. Dizem que foi controvertida. Um representante do governo federal descreve o tom do diálogo da seguinte forma: houve “esforços maciços de forçar uma mudança de rumo dos alemães com respeito à política genética”. A fonte da informação não quis se pronunciar sobre o tipo dos “esforços maciços”, nem sobre a tentativa de “forçar” alguma coisa. Isto não se faz entre amigos ou parceiros.

Graças a Snowden e ao WikiLeaks o mundo pode imaginar o que acontece entre amigos e parceiros, quando o poder e o dinheiro estão em jogo. Dois anos atrás, a fonte reveladora publicou despachos diplomáticos, nos quais Monsanto e a engenharia genética faziam parte dos assuntos tratados.

Em 2007, o ex-embaixador americano em Paris, Craig Stapleton, por exemplo, sugeriu ao governo dos EUA que elaborasse uma lista negra dos países da União Europeia que quisessem proibir o plantio de sementes geneticamente modificadas por empresas americanas.

O teor da mensagem secreta: “A equipe parisiense sugere propor uma lista de medidas de retaliação que irá dar dor de cabeça à Europa”. Afinal de contas, tratava‐se de “responsabilidade coletiva”.

A luta pela autorização do famoso milho geneticamente manipulado MON810 na Europa foi conduzida pela Monsanto com muito trabalho lobista – e ao final de tudo, a empresa perdeu. Mesmo nos mercados prestigiados da França e da Alemanha, teve que ser banida dos campos. Uma aliança de políticos, agricultores e pessoas relacionadas à igreja recusam a engenharia genética nas plantações, e os consumidores não a querem em seus pratos. No entanto, a batalha ainda não terminou. Nas negociações iniciadas nesta semana entre os EUA e a UE sobre um tratado de mercado livre, os Estados Unidos esperam, entre outras coisas, uma abertura dos mercados para a tecnologia genética.

Nos Estados Unidos é um dever do estado fazer lobby pelas próprias empresas. As mais significativas das 16 agências de notícias americanas há muito entendem seu trabalho como um apoio para os interesses econômicos americanos no cenário mundial. Alegando combater o terrorismo, não somente espionam governos, repartições públicas e cidadãos, como também empenham‐se do seu modo muito peculiar a favor de interesses econômicos americanos.

Alguns exemplos.

Mais de duas décadas atrás, quando o Japão ainda era uma potência econômica, surgiu nos Estados Unidos a pesquisa “Japão 2000”, elaborada por um colaborador do Rochester Institute of Technology (RIT) Através de uma “política comercial temerosa”, assim dizia o estudo, o Japão estaria planejando uma espécie de conquista do mundo, e os perdedores seriam os EUA. A segurança nacional dos Estados Unidos estaria ameaçada. A CIA havia se incumbido da declaração de guerra.

Na competição global, a economia americana tinha que ser protegida dos “dirty tricks”, dos truques sujos dos europeus, declarou o ex-diretor da CIA James Woolsey. Por esta razão, os “amigos do continente europeu” estariam sendo espionados: os Estados Unidos são limpos…

Snowden esteve certa vez pela CIA na Suíça e relatou a maneira como a empresa teria tentado ganhar um banqueiro suíço para a espionagem de dados bancários. A União Europeia permite aos serviços americanos obter uma visão profunda dos negócios financeiros de seus cidadãos. Segundo dizem, o objetivo é secar as fontes financeiras do terror. Os meios e os fins, entretanto, são altamente discutíveis.

Na Suíça, que anteriormente foi palco de muitas histórias de agentes,  aconteceu um dos episódios que tornaram a Monsanto particularmente misteriosa: em janeiro de 2008, o ex-agente da CIA Cofer Black viajou para Zurique para encontrar‐se com Kevin Wilson, na época, o responsável pela segurança para questões globais. A pergunta, a respeito do que os dois homens estariam falando, ficou no ar. Certamente os assuntos eram os de sempre: opositores, negócios, inimigos mortais…

O jornalista investigativo Jeremy Scahill, autor da obra sobre a empresa mercenária Blackwater, escreveu em 2010 sobre esse estranho encontro em Zurique, no jornal semanal americano The Nation. Mais uma vez foram‐lhe encaminhados documentos relacionados a esse assunto, deixando claro que a Monsanto estava querendo se defender: contra ativistas que queriam destruir campos; contra críticos que se movimentavam contra a empresa de modificação genética. Cofer Black, para todos os efeitos, era a pessoa certa: “Vamos tirar as luvas de pelica“, havia declarado após os ataques de 11 de setembro, conclamando seus agentes da CIA a se livrarem de Osama bin Laden no Afeganistão: “Apanhem‐no: quero a cabeça dele dentro de uma caixa”.  Mas ele também entende muito do outro negócio do serviço secreto; aquele que opera com fontes de acesso público.

Ao encontrar‐se com Wilson, agente de segurança da Monsanto, Cofer Black ainda era vice na Blackwater, cujos clientes eram, entre outros, o Pentágono, o Departamento de Estado, a CIA, e logicamente, empresas particulares. Mas em janeiro de 2008 havia muitos tumultos, pois 17 civis foram assassinados no Iraque por mercenários da empresa de segurança, e alguns homens da Blackwater chamaram atenção de funcionários do governo iraquiano devido a atos de suborno. Acontece que Cofer Black na época era também o chefe da empresa de segurança Total Intelligence Solutions (TIS), uma subsidiára da Blackwater, e que, apesar de sua reputação menos devastadora, contava também com excelentes e especialistas de formação diversificada.

De acordo com as próprias informações, a Monsanto na época fez negócio com a TIS e não com a Blackwater. Está fora de discussão que a Monsanto fora abastecida pela TIS, com relatórios sobre as atividades dos críticos – as quais, no caso, poderiam representar um risco para a empresa, seus colaboradores ou seus negócios operacionais. Fazia parte tanto coletar informações sobre ataques terroristas na Ásia quanto escanear páginas da internet e blogs. Monsanto frisava que a TIS obviamente só tinha usado material de acesso público para a segurança.

Portanto, isto fazia parte do acervo de Black. Então – nada de ações escusas.

Em outra época houve boatos que a Monsanto quisera assumir a TIS, objetivando a segurança geral. E nos dias de hoje surgem novos rumores deque o grupo estaria avaliando a possibilidade de assumir a empresa Academi, a qual teria emergido da antiga Blackwater após algumas tentativas de maquiagem. Será que os rumores procedem?

“Via de regra, não discutimos os detalhes do nosso relacionamento com os prestadores de serviço – a não ser que essas informações já estejam disponíveis ao público”, foi a única informação da Monsanto.

Toda empresa possui a sua própria história e a da  Monsanto faz parte um assunto que não apenas demonizou-a  para os hippies envelhecidos: no passado, a Monsanto esteve na linha de frente dos produtores do pesticida “agente laranja”, utilizado até janeiro de 1971 na guerra do Vietnã pelos militares americanos.

Os constantes bombardeios químicos desfolhavam as florestas para tornar o inimigo visível. Os campos eram envenenados para que o vietcong não tivesse mais nada para comer. Nas áreas pulverizadas multiplicou‐se por dez o número de nascimentos de crianças com anomalias; nasciam sem nariz, sem olhos, com cabeças d’água ou fendas no rosto – e as forças armadas americanas declaravam que o produto da Monsanto seria tão inofensivo quanto a aspirina.

Ou será que na guerra tudo é permitido? Principalmente na moderna guerra cibernética?

De fato, chama atenção que alguém esteja dificultando a vida dos críticos da Monsanto ou que alguma mão invisível esteja interrompendo carreiras. Mas quem é esse alguém ? Objetivos de ataque são cientistas como a australiana Judy Carman, que, entre outros, tornou‐se conhecida com pesquisas de produtos transgênicos. Suas publicações são questionadas por professores, os mesmos que diminuem os estudos de outros críticos da Monsanto.

Mas o assunto não se resume a escaramuças nos círculos científicos. Pois diversas páginas da internet onde Carman publica suas pesquisas, tornam‐se alvo de ataques por hackers e, segundo impressão de Carman, são sistematicamente observadas.

Avaliações do protocolo da internet demonstram que não é apenas a Monsanto que acessa regularmente essas páginas, mas também diversos órgãos do governo americano, entre os quais o serviço militar. Fazem parte desses, o Navy Network Information Center, a Federal Aviation Administration e o United States Army Intelligence Center, um estabelecimento do exército americano para o treinamento de soldados com tarefas informativas. O interesse da Monsanto nessas pesquisas pode ser observado também no caso de Carman. “Mas não entendo, por que o governo americano e o exército mandam me observar“, diz ela.

Robinson fala de ataques constantes por hackers à página desde 2007. “Toda vez que fazemos a página ficar mais segura, a oposição recarrega e seguem novos ataque, ainda piores”, explica. Também no presente caso não se acredita em coincidência.

Em 2012, quando o cientista francês Eric Séralini publicou uma pesquisa explosiva sobre os riscos à saúde proporcionados pelo milho transgênico e o glifosato a página foi hackeada e paralisada pela GM Watch; isto se repetiu quando foi publicado o posicionamento do órgão europeu de inspeção alimentar, a EFSA. Em ambos os casos, o momento foi habilmente escolhido: os editores estavam querendo publicar suas posições exatamente nesse mesmo momento.

O que está por detrás dos ataques, não é possível verificar.

A própria Monsanto, como já foi dito, faz questão de frisar que a empresa opera “com responsabilidade”.

No entanto, é fato que, para a empresa, muitas coisas estão em jogo. Trata‐se de projetos legislativos, em especial das negociações em curso que dizem respeito ao Tratado de Livre Comércio. A área da indústria agrária e alimentícia é particularmente delicada. Os americanos têm como meta a abertura dos mercados europeus para os produtos até então proibidos. Ao lado das plantas transgênicas fazem parte também os discutíveis insumos e a carne bovina tratada com hormônios. As negociações certamente ainda vão se arrastar durante alguns anos.

O assunto é polêmico. Faz‐se necessário o uso de força. Por isso, o presidente americano Barack Obama chamou Islam Siddiqui como chefe das negociações para a agricultura. Como especialista, trabalhou durante muitos anos para o Ministério da Agricultura americano. Mas o que poucos sabem na Europa: de 2001 a 2008 ele representou CropLife America como lobista registrado, uma associação industrial que representa os interesses de produtores de pesticidas e produtos transgênicos – e é claro, entre eles, a Monsanto. “A rigor, pela consciência, a UE não poderia aceitar um tal interlocutor”, opina Manfred Häusling que representa o Partido Verde no parlamento da UE.

A rigor, não. No médio‐alto alemão, esta palavra (eigentlich) de acordo com pesquisas feitas, significa “servil”, o que não seria uma má descrição da situação atual, onde os políticos europeus, em especial os alemães, apresentam uma surpreendente atitude de aceitação em serem espionados com regularidade pelos órgãos americanos.

Monsanto

Monsanto é o a maior empresa agrária do mundo. Também a que lidera a engenharia genética. Em 2012, o grupo ampliou seu faturamento em 14% em comparação ao ano anterior, chegando a 13,5 bilhões de dólares. O lucro subiu 25%, ou seja, para dois bilhões de dólares.

No mundo todo, a empresa emprega 21.500 colaboradores oficiais e tem filiais em mais de 50 países. Sua fundação data de 1901, pelo americano John Queeny em St. Louis, no estado de Missouri. O nome foi uma homenagem à família de sua esposa. Primeiramente, Queeny produziu o adoçante sacarina. Em pouco tempo, o fabricante de bebidas Coca‐Cola passa a fazer parte de seus compradores. Logo depois da primeira Guerra Mundial, Monsanto entra no ramo dos produtos químicos, e a ascensão é rápida.

Em 1927, ingressou na bolsa de valores, o que forçou a ampliação do setor químico, incluindo adubos e fibras sintéticas. A empresa investe até mesmo na indústria petrolífera. Depois da guerra do Vietnã, a Monsanto passou a focar mais intensamente o setor agrário, o desenvolvimento de herbicidas e em seguida a produção de sementes. Nos anos oitenta, a biotecnologia foi declarada alvo estratégico. O próximo passo foi a modificação consequente para uma empresa agrícola – e os outros segmentos foram rejeitados .

Tradução: Regina Richau Frazão Barbosa, Rio de Janeiro (www.reginarichau.com)
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14 comentários

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Claudio Henrique Barbosa

09 de novembro de 2017 às 03h49

O problema é que, quando você perceber, já é muito tarde. Quem sofre as agressões dos agrotóxicos glifosato , são os órgãos internos do corpo humano, onde não estamos vendo as reações acontecer, nossa istamina em pouco tempo é neutralizada e o glifosato silenciosamente vai destruindo as células dando início a um câncer.

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A campanha contra o herbicida 2,4-D, que compôs o Agente Laranja - Viomundo - O que você não vê na mídia

18 de setembro de 2013 às 22h44

[…] Críticos da Monsanto têm sido alvo de ataques cibernéticos […]

Responder

Rodolfo Machado

01 de setembro de 2013 às 15h15

Monsanto expões seu calcanhar de Aquiles

http://www.agroecologia.org.br/index.php/noticias/noticias-para-o-boletim/525-monsanto-expoe-seu-calcanhar-de-aquiles

Por Taís González, do blog Outras Palavras

Nada como um teste prático, sob pressão social, para verificar o que há por trás dos discursos de “respeito ao consumidor” e “responsabilidade social” das grandes corporações. Nos últimos anos, a Monsanto – maior empresa agrícola do mundo e principal desenvolvedora de sementes transgênicas – multiplicou seus investimentos em publicidade. Passou a atuar de modo intenso nas próprias redes sociais. Desdobrou-se para “demonstrar” que seus produtos são benéficos, para a saúde humana e o ambiente.

Agora, estas alegações estão sendo testadas em seu próprio país de origem – os Estados Unidos. Em 5 de novembro, um plebiscito no estado de Washington poderá assegurar aos consumidores o direito de serem informados (por aviso na embalagem) sobre a presença de transgênicos em alimentos, bebidas e sementes. Foi convocado por iniciativa popular. A empresa age contra ele, mas enfrenta forte dificuldade. Uma pesquisa recente, do New York Times, revelou que 93% da população defende a rotulagem. Os novos esforços de marketing da Monsanto estão descritos num texto do site Alternet. Em julho passado, o site Holmes Report, voltado ao mundo das relações públicas, informou que a corporação buscava assessoria especializada para gerenciar sua crise de imagem. Depois de ter recebido o título de “Pior empresa do ano” (em 2011), ter enfrentado uma onda global de protestos virtuais, iniciada em maio (que mobilizou mais de 2 milhões de pessoas), a mega-indústria liderou o lançamento do site GMOAnswers.com (“respostas sobre transgênicos”).

Financiado por mais de cinquenta transnacionais de alimentos, agronegócio e empresas de biotecnologia, ele promete responder todas as perguntas relacionadas aos organismos geneticamente modificados. Este esforço foi ampliado com declarações públicas de dirigentes da Monsanto. Em entrevista à DW, Ursula Lüttmer, da sucursal alemã, afirmou que os investimentos da corporação visam a uma agricultura sustentável, que ajude a produzir mais alimentos, proteja os recursos naturais e promova um melhor padrão de vida.

Estes argumentos têm sido amplamente desmentidos, também na internet. As culturas geneticamente modificadas enfrentam resistência desde que foram introduzidas, na década de 1990. As críticas, antes restritas a vozes solitárias, tiram proveito da rede para ganhar consciências e ruas. Sites como o March Against Monsanto [Marcha contra a Monsanto] ampliaram sua popularidade. Para 12 de outubro, estão convocando um protesto ao vivo, diante da sede mundial da empresa, em Saint Louis (EUA).

Mas o que a Monsanto parece mais temer – em contradição flagrante com sua promessa de transparência – são as iniciativas para rotular a embalagem de produtos que contenham transgênicos. De acordo com a própria corporação, isso equivale a colocar uma “caveira e ossos cruzados” nos pacotes de comida. Talvez, por isso, a transnacional pressionou vigorosamente trinta estados estadunidenses, este ano, para evitar, ou ao menos atrasar, as leis de rotulagem obrigatória; e ameaça processar outros (Vermont, Connecticut, Maine e Washington), se garantirem o direito a seus cidadãos à informação sobre a origem do que ingerem.

Em Washington, a batalha tornou-se mais importante, porque envolve ampla mobilização social. Mais de 340 mil pessoas aderiram, no início deste ano, à campanha pela Iniciativa 522 (I-522), para garantir, em plebiscito, a identificação de organismos geneticamente modificados (OGMs). Convocada a consulta, a iniciativa passou a ganhar cada vez mais adeptos. Um site especialmente criado para divulgá-la oferece leituras sobre o tema, notícias, material de campanha, opiniões conceituadas (como a de chefs de restaurantes) e alista voluntários.

Lobby permanente

O temor da Monsanto diante da mobilização social desnuda outro aspecto importante de sua forma de agir: a prática permanente de lobby. Em março deste ano, o Congresso estadunidense aprovou (e o presidente Barack Obama sancionou) lei que restringe as ações na Justiça para deter o avanço dos OGMs. Empresas de biotecnologia não mais precisam da aprovação de um juiz para testar produtos ou comercializá-los (a norma ficou conhecida ironicamente como “lei de proteção à Monsanto”). Não é mais segredo que ex-figurões da companhia integrem altos escalões das cadeiras governamentais nos EUA. Um exemplo é Michael Taylor, que durante as duas últimas décadas alternou sucessivamente seu trabalho como advogado da Monsanto e chefe da regulamentação alimentar dos EUA, Food and Drug Administration (FDA).

Embora os órgãos reguladores dos Estados Unidos tenham demonstrado pouca preocupação pelos OGM, a pressão social segue aumentando. De acordo com o Projeto Não-OGM, vários estados consideram uma legislação que exija a rotulagem de alimentos feitos a partir de milho geneticamente modificado, soja ou outras culturas. No site do projeto, você encontra uma lista de produtos que não contém organismos geneticamente modificados e informações consistentes relacionadas ao tema. Além disso, “em resposta à flagrante violação de direitos dos estados para legislar”, o Organic Consumers Association (OCA) lançou uma petição para observar todos os membros do Congresso que apoiarem as investidas da Monsanto e seus aliados.

No Brasil, a rotulagem de alimentos transgênicos foi decretada em 2003. Empresas da área da alimentação, entre outras, são obrigadas a identificar com o símbolo preto T sobre um triângulo amarelo os produtos que contenham mais de 1% de matéria-prima transgênicas. Na prática, a norma é frequentemente descumprida e há constantes tentativas para revertê-la.

Uma das consequências dos cultivos de OGMs no país é o uso abusivo de venenos agrícolas. Em boa parte dos casos, a transgenia significa alterar o código genético das plantas para que se tornem capazes de suportar mais agrotóxicos. Embora seja o terceiro maior produtor agrícola do mundo, o Brasil está em primeiro lugar no consumo destes produtos, desde 2008. E ainda é o principal destino dos defensivos agrícolas barrados no exterior. Estima-se que, por ano, a quantidade de agrotóxicos jogados nas lavouras é cerca de 5,2 litros por habitante.

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Rodolfo Machado

24 de agosto de 2013 às 09h28

Organizadores de marcha contra a Monsanto acusam Facebook de censura

http://www.publico.pt/tecnologia/noticia/organizadores-de-marcha-contra-a-monsanto-acusam-facebook-de-censura-1603738

Convocatória para protesto à porta da sede da multinacional, em St. Louis, foi apagada. Justificação: viola as regras da rede social.

O grupo de activistas que promoveu as manifestações de 25 de Maio contra a Monsanto e a produção de organismos geneticamente modificados (OGM) – que, segundo o próprio grupo, de nome March Against Monsanto, levou dois milhões de pessoas às ruas de 436 cidades, em 52 países – viu a convocatória para um novo protesto ser apagada da sua página no Facebook.

A manifestação global agendada para 12 de Outubro pretende ser ainda mais participada do que a anterior. O EcoWatch, um site de informação ecologista, fala em mais de 600 acções de protesto previstas para todo o mundo, avançando com uma ambiciosa estimativa de participação – 3,6 milhões de pessoas. Uma delas, no entanto, é motivo de atenção particular.

É em St. Louis, no estado norte-americano do Missouri, que a “marcha” terá o seu mais importante protesto – ou, pelo menos, o mais simbólico. É ali que fica a sede da Monsanto, a multinacional que os ecologistas acusam de ser a principal responsável pela proliferação dos OGM e pela condução de uma política comercial e produtiva nefasta para a vida na Terra.

Na segunda-feira, à sensibilidade do protesto em St. Louis o Facebook juntou-lhe controvérsia. A empresa liderada por Mark Zuckerberg decidiu apagar o “evento” que servia de convocatória para os utilizadores daquela rede social, alegando que o conteúdo violava as suas regras.

“Removemos este conteúdo que você publicou ou de que era o administrador porque viola a Declaração de Direitos e Responsabilidades do Facebook”, lê-se na mensagem que os administradores da página do March Against Monsanto naquela rede social recebiam ao tentar aceder ao “evento”. A imagem dessa mensagem foi depois publicada na mesma página e no site do movimento para denunciar o que é tido como um acto de censura.

No ponto 5 da sua Declaração de Direitos e Responsabilidades – o conjunto de regras pelo qual os utilizadores da rede se comprometem a reger –, o Facebook reserva o direito de “remover qualquer conteúdo ou informação”, se considerar “que estes constituem uma violação desta declaração” ou da sua política de utilização de dados.

A convocatória em causa era uma das 80 que a March Against Monsanto tem publicadas na sua página para 12 de Outubro. Mas foi a única apagada. O movimento criou, entretanto, um novo “evento”, onde dá conta de que o primeiro foi apagado, repete o convite à mobilização e estende-se longamente em questões de contexto como a do impacto global dos OGM.

“Marcha connosco para continuarmos a sensibilizar a opinião pública a respeito da agricultura corporativa predatória e das práticas negociais da Monsanto. A Monsanto não está a resolver o problema da fome no mundo. Pelo contrário, está a desviar a atenção das suas verdadeiras causas – pobreza, falta de acesso à comida e, cada vez mais, falta de acesso à terra para a cultivar”, alerta a convocatória da March Against Monsanto.

Novo filme sobre a Monsanto
Além da organização deste protesto, o grupo de activistas está empenhado no financiamento do filme Santo 7.13.15., do realizador Robert Everest, que pretende através de uma ficção científica distópica denunciar o que considera ser os malefícios da acção da Monsanto. No seu argumento, Everest leva a propriedade industrial dos OGM ao limite e aplica-a a seres humanos geneticamente modificados, cuja reprodutibilidade estaria dependente da autorização da empresa que criou a sua sequência genética (o que acontece com as sementes comercializadas pela Monsanto).

A produção de Santo 7.13.15. está dependente da campanha de financiamento colectivo que está a decorrer no site indiegogo até 6 de Setembro. Os cerca de 122 mil dólares conseguidos até ao momento estão, contudo, ainda longe dos 300 mil dólares (quase 225 mil euros, ao câmbio actual) necessários para avançar com o projecto. No vídeo de apresentação da campanha, o realizador sugere que a Monsanto está relacionada com o cancro da mãe.

A concretizar-se, este não será o primeiro filme a ser feito sobre a multinacional que, fundada em 1901, é hoje a líder mundial na produção de sementes geneticamente modificadas. Marie-Monique Robin realizou em 2008 o documentário Le monde selon Monsanto (“O mundo segundo Monsanto”, numa tradução livre), no qual denunciava a política agressiva de expansão da empresa.

Recorde-se que a Monsanto foi recentemente notícia (em Julho) por ter desistido de cultivar novos transgénicos na União Europeia. A multinacional conduzida pelo empresário escocês Hugh Grant anunciou então ter retirado pedidos de autorização de cultivo de organismos geneticamente modificados no espaço comunitário. A Comissão Europeia confirmou.

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Leandro_O

13 de agosto de 2013 às 16h13

Era uma vez, havia um território que pregava o acúmulo de riquezas, sobre todas as outras virtudes.

Nesse território havia uma corporação muito grande, com enorme poder político, fazendo inclusive com que governos e agentes públicos trabalhassem em prol de seus interesses.

Nesse território havia havia também um organismo de inteligência que trabalhava com muito empenho, atuando não somente internamente, mas também em territórios estrangeiros, porque é da natureza desse território intervir para acumular mais riquezas.

Essa grande corporação, guiada por seus desejos instintivos, desejava muito expandir seu domínio e sabia da existência de um outro grande território, que se auto-proclamava “celeiro do mundo”. Porém, era sabido que esse “celeiro do mundo” não aceitaria sua presença.

Apoiada por informações secretas de seu compatriota organismo de inteligência, com o qual podia contar, ficou sabendo da permeabilidade das fronteiras do “celeiro do mundo” e assim montou uma estratégia para quebrar possíveis barreiras e invadir tal território: como a corporação era boa de lábia e sabia que seus produtos podiam provocar fascínio, proprietários de terras em regiões de fronteira foram levados por um misto de ignorância e ambição e foram seduzidos pelas alegadas “belezas” e “maravilhas” dos produtos que a corporação fazia.

Cometendo delitos como contrabando, aos poucos, os habitantes sorrateiramente foram introduzindo por conta própria tal produto, sendo pulverizado naquele novo e grande território.

Quando os habitantes se deram por conta, já não era mais possível reverter o quadro, porque a natureza dos produtos da corporação se misturava facilmente à natureza dos produtos que os habitantes até então costumavam cultivar.

Foi então que governantes de tal território declararam haver “fato consumado” e trataram de aprovar publicamente a introdução dos produtos que até então eram considerados proibidos dentro do “celeiro do mundo”.

O que poucos sabiam até então, é que a corporação cobra seus próprios tributos por cada unidade mínima de tal produto cultivado, seja daquele que contenha todos os elementos característicos ou seja os que somente tenha algumas partes.

Feliz 10 anos!

Leitura complementar:

Wikileaks: Monsanto now deeply infiltrated into US government
http://therapybook.wordpress.com/2012/01/13/wikileaks-monsanto-now-deeply-infiltrated-into-us-government/

Wikileaks reveals Monsanto’s close relationship with the US government
http://www.secretsofthefed.com/wikileaks-reveals-monsantos-close-relationship-with-the-us-government/

Brasil: não à Medida Provisória dos transgênicos
http://www.biodiversidadla.org/layout/set/print/Principal/Secciones/Documentos/Transgenicos/Brasil_nao_a_Medida_Provisoria_dos_transgenicos

Transgênicos: longo drama no governo Lula
http://www.correiocidadania.com.br/antigo/ed420/pol1.htm

Responder

Rodolfo Machado

13 de agosto de 2013 às 13h40

Liberação do uso e cultivo de transgênicos no Brasil completa dez anos

Do site “Articulação Nacional de Agroecologia”

http://www.agroecologia.org.br/index.php/noticias/noticias-para-o-boletim/519-liberacao-do-uso-e-cultivo-de-transgenicos-no-brasil-completa-dez-anos

Em entrevista especial concedida à equipe de comunicação da 12ª Jornada de Agroecologia, Leonardo Melgarejo, engenheiro agrônomo e representante do Ministério do Desenvolvimento Agrário-MDA na CTNBio, avaliou as mudanças decorrentes do uso de transgênicos na produção agrícola do Brasil, desmitificando as promessas em relação ao aumento da produção e diminuição do uso de agrotóxicos. Melgarejo também falou sobre os principais embates dentro da CTNBio, ressaltando o interesse comercial das empresas produtoras de semente nas pesquisas realizadas.

Por Camilla Hoshino

Confira a entrevista

Comunicação Jornada de Agroecologia- Em 2013, se completa dez anos da liberação do uso e cultivo dos transgênicos no Brasil. Você poderia fazer um balanço deste cenário?

Leonardo Melgarejo- É difícil interpretar o impacto desses dez anos, mas o que se pode perceber é que os transgênicos são acompanhados de outras transformações na agricultura. De um lado, nós temos uma substituição da base produtiva, uma vez que não existe mais a multiplicidade de sementes que tínhamos para cada espécie. As poucas sementes são predominantemente transgênicas e os agricultores têm dificuldade de conseguir sementes não transgênicas.

Podemos dizer que as sementes transgênicas, transformadas, têm algumas características. Uma delas é permitir que as sementes tomem um banho de veneno sem morrer. No entanto, é um veneno que a semente absorve e circula dentro da planta. A planta carrega este veneno, desde o grão de pólen até a ponta da raiz, estando presente nos grãos que são colhidos. Isto implica em um risco para o consumidor, pois, se o milho, a soja ou qualquer planta for colhida antes do período de metabolização daquele veneno, ele vai para quem consome: para o frango, para o porco e para o ser humano.

Então, temos basicamente uma transformação na base da agricultura para plantas que, ou são venenosas para os insetos em si, ou seja, plantas que possuem proteínas inseticidas- as plantas Bt-, ou plantas que não morrem tomando um banho de veneno e carregam ele para o consumidor. Isso transformou o Brasil no principal consumidor mundial de agrotóxicos. O volume é de quase seis litros por pessoa, anualmente. É um absurdo, é veneno na comida.

Promessas não cumpridas

A produtividade não aumentou em função dos transgênicos, como se prometia. Os ganhos de produtividade da agricultura decorrem dos ganhos de produtividade que já existiam anteriormente aos transgênicos, pois há uma coevolução das plantas com a natureza. O que acontece é que não se percebe isso claramente, porque não temos sementes não transgênicas em volume suficiente para fazer essa comparação. Quando uma planta não transgênica é transformada em transgênica para poder tomar um banho de veneno sem morrer, ela não incorporada nenhuma vantagem que a faça mais produtiva. No máximo, ela permite que uma planta não perca parte da produtividade que ela poderia ter no ataque de insetos.

Dizer que a transgenia reduz ou elimina a necessidade do inseticida também é uma mentira, pois essas transformações transgênicas não matam todas as pragas da lavoura. Elas estimulam que as pragas que não eram importantes se tornem importantes, uma vez que as pragas que eram importantes desaparecem. Elas criam pragas resistentes que não morrem com esse veneno, com essas proteínas que estão dentro da planta. Elas criam plantas que não morrem com esses herbicidas, então, exigem a aplicação de novos e diferentes produtos químicos.

Efeito nocivo dos novos agrotóxicos

Os novos e diferentes produtos que têm surgido estão piores e mais perigosos que os anteriores. Nós estamos trocando a aplicação de centenas de milhares de glifosato por outras centenas de milhares de aplicação de litros de 2,4.D. A diferença é que o glifosato, mesmo com os problemas que causa, é classificado como um produto de baixa toxicidade. O 2,4D é de alta toxicidade. Então, vamos passar a aplicar um produto que é classificado pelas empresas de saúde como extremamente toxico, graças à transgenia. Sem a transgenia nos não teríamos isso.

Em dez anos, tivemos uma grande expansão no uso de venenos na agricultura. Os ganhos de produtividade não são compatíveis com a substituição das sementes que nós tínhamos pelas sementes transgênicas. Ou seja, nós perdemos com isso. As vantagens existem e são que os agricultores têm maior facilidade no trato das lavouras. E as desvantagens são os riscos para a saúde da população, a saúde dos agricultores, a saúde dos consumidores em geral.

Dentro deste contexto, qual tem sido o trabalho da CTNBio?

A função da CTNBio é avaliar o pedido que as empresas apresentam para autorização do uso de plantio comercial para transgênicos no Brasil. A CTNBio é uma comissão técnica, ela não teria como função dizer se pode ser usado ou não, essa função deveria ser do governo e, por lei, é do Conselho Nacional de Biossegurança. A CTNBio avalia os pedidos que as empresas encaminham, os estudos que as empresa produzem. Portanto, a CTNBio avalia fundamentalmente os estudos feitos pelas empresas, que dizem que os produtos são bons, que não fazem mal e que são interessantes para o brasil, concluindo, com base na opinião da maioria dos membros, se aqueles estudos são suficientes ou não.

Até o momento, na maior parte dos casos em que eu participei, o Ministério da saúde, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério do Desenvolvimento Agrário têm dito que esses estudos não são suficientes, que precisa-se de mais pesquisa. Mas outros membros da CTNBio, representantes do Ministério da Agricultura, do Ministério da Indústria e Comércio, do Ministério das Relações Exteriores, entre outros, têm dito eu os estudos produzidos pelas empresas são suficientes. E como os estudos atestam que os transgênicos não causam problemas, a CTNBio, por maioria, tem aprovado todos os pedidos que vem entrando para a liberação dos transgênicos no Brasil.

Estudos insuficientes

É preocupante, pois houve casos em que as empresas pediram autorização em vários momentos diferentes. Por exemplo, houve estudos que foram avaliados pelos membros da CTNBio e, em dezembro, decidiu-se que o produto poderia ser comercializado no Brasil. A empresa relatou que o produto passou a ser comercializado em janeiro. Como isso é possível? Se o plantio é autorizado hoje, a empresa deveria levar pelo menos uma safra produzindo sementes para vender. É impossível vender de imediato, no próximo mês, só se houve produção durante os estudos. Ou seja, aqueles que seriam realizados para produzir informações e não sementes, o que é ilegal. Ou também se houve importação de sementes. Não tenho o conhecimento disso, mas imagino que as empresas confiam que os produtos serão aprovados e se preparam para comercializá-lo. Elas têm confiança na decisão, porque acreditam que a maior parte dos membros da CTNBo não têm duvidas em relação a necessidade dessa tecnologia para o Brasil. Mesmo se representantes do Ministério da Saúde, do Ministério do Meio Ambiente, sistematicamente, peçam mais estudos- que não são encaminhados, porque a maioria desconsidera esse pedido.

Quais têm sido os principais embates dentro da CTNBio?

Os principais embates dentro da CTNBio têm sido sobre as próprias regras da CTNBio. Um dos focos do embate é que a CTNBio pede que todos os estudos de deliberação comercial no Brasil tenham testes de pesquisa de campo nos diversos biomas do país. Gostaríamos que isso fosse feito, mas a exigência de estudos prévios, com canteiros experimentais em todos os biomas nacionais, não é atendia. Outro foco de embate é que a CTNBio exige que se faça estudos de longo prazo, durante duas gerações, com seres comendo esses produtos transgênicos, mas esses estudos também não são realizados. Um outro debate é que membros da CTNBio que pedem mais estudos insistem que os estudos nutricionais realizados para os transgênicos sejam realizados com as plantas na forma que são elas criadas no mundo real. Então, se a planta foi transformada para que ela tomasse um banho de veneno sem morrer, não faz sentido testes nutricionais sem esse produto químico. Porque não existe, no mundo real, plantação de milho transgênico sem a aplicação do veneno para qual esse transgênico foi gerado. Mas, boa parte dos testes apresentadas para a CTNBio de nutrição e de manifestação da sua inocuidade para a saúde são realizados na ausência do agrotóxico. Nós consideramos isso inadequado.

O argumento dos demais é que eles estão avaliando o impacto da proteína transgênica no ser que a consome, mas nós exigimos que essa proteína seja acompanhada daquilo que compõe o pacote tecnológico, pois ela não existe sozinha. Este é um ponto forte de controvérsia. Nós avaliamos os estudos de segurança alimentar na ausência do pacote tecnológico como um todo. Um outro problema é que as normas da CTNBio exigem estudos com animais em gestação, pois um ser em formação é mais frágil e um impacto sobre um bebe no útero só vai ser percebido com naturalidade quando ele for um ser autônomo. Temos que ter estudos desde a gestação até fase adulta, estudos durante duas gerações ou em fase de gestação para nenhum do transgênicos liberados no Brasil, embora a norma exija.

Decisão por maioria

Mas nesse debate, como as decisões são tomadas por votos de maioria, a minoria perde. Então, as empresas têm a possibilidade de antecipar esse resultado de tal forma que, até o momento, ainda não houve caso de não aprovação. Existiram apenas casos, como o do arroz transgênico, em que a empresa decidiu tirar o produto de votação antes que ela acontecesse. Como no caso do arroz transgênico, em que a Federação dos Produtores de Arroz, interpretando corretamente que o mercado europeu não iria importar aquele produto, fez pressão sobre a empresa, sobre o governo para que ele não entrasse em pauta.

È de pensar que se eu voto, sistematicamente, a favor de todos os estudos e aprovo todos os estudos apresentados, eu, possivelmente, na posição final de liberação comercial, vou me posicionar favoravelmente. Então, quando a maior parte dos membros assume essa posição nas preliminares, é de se esperar que eles sustentem essa posição na votação principal. O que acontece é que essa é a posição de fato. Nós podemos imaginar que, agora em agosto, o Brasil vá ter milho e soja tolerante ao 2,4D comercial, porque imaginamos que maior parte dos membros vá se posicionar favoravelmente a esse pedido se ele entrar em votação.

Pesquisas recentes da Universidade de Caen, na França, relacionaram a utilização de agrotóxicos com o desenvolvimento de câncer em ratos. Qual foi a repercussão desses estudos na CTNBio?

As pesquisas foram feitas com o milho NK603 da Monsanto, que é tolerante ao herbicida glifosato. Foi publicado, em 2012, um estudo feito por Gilles-Eric Séralini, professor de biologia molecular da Universidade de Caen. O estudo identificou que ratos alimentados com milho transgênico NK603, na presença ou na ausência do herbicida glifosato, apresentavam tumores cancerígenos com muito maior frequência do que os ratos alimentados com milho comum, não geneticamente modificado.

Discordâncias

A discussão na CTNBio foi acirrada, porque a maior parte dos membros consideraram os estudos ruins, inadequados. Esses membros apresentaram os mesmos argumentos que a Monsanto utilizou quando criticou os estudos do pesquisador francês. Eles disseram que o pesquisador francês não deveria ter usado aquele tipo de rato, pois é um rato muito sujeito ao câncer. Também disseram que o pesquisador fez testes de muito longo prazo e, como o rato já é sujeito ao câncer, iria aparecer de qualquer jeito.

Entretanto, o pesquisador usou o mesmo tipo de rato que a Monsanto usou nos testes que mostraram que o produto não causava câncer. Sérralini diz que os testes da Monsanto pararam em 90 dias e que nos dele os sinais de câncer começaram a surgir depois do noventa dias. Vale ressaltar que existem outras substancias que, com o consumo de curto prazo, não induzem o câncer, mas em longo prazo sim. O argumento do pesquisador é que os ratos tiveram câncer, mas o câncer começou mais cedo e numa forma muito mais expressiva nos que se alimentaram com milho transgênico.

O câncer verificado também se apresentou na forma de um disruptor endócrino, que está associado a formação hormonal do indivíduo: as fêmeas apresentaram câncer nas glândulas mamarias, os machos tiveram câncer no rim e no fígado. E quando você analisa essa situação misturando machos e fêmeas, você mistura e as fêmeas que não têm problema no rim. O total do percentual de quem tem problema no rim é menor, o que mascara o resultado do ponto de vista estatístico.

Então, aparentemente, podemos dizer que esses produtos estão associados a pequenas transformações que se potencializam ao longo do tempo e se expressam nas fases de grandes transformações hormonais, na puberdade, na menopausa, na andropausa. E podem também ter esse impacto importante na formação. São estudos realizados por pesquisadores independentes, que são contrariados pela maior parte dos pesquisadores que são disponibilizados nos processos, que são os estudos produzidos pelas empresas ou de maneira associada aos interesses comerciais.

(*) Fonte: 12ª Jornada de Agroecologia. Créditos: Joka Madruga/ Terra Livre Press

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Bernardino

13 de agosto de 2013 às 12h55

É meu caro EDSON TADEU tudo com ajudao do PT e de nossas ESQUERDAS vagabundas e Oportunistas ja que a DIREITONA sempre foi aliadas deles e lamberam suas BOTAS desde o IMPERIO.aGORA da esquerda esperar TRAIÇAO e leniencia?Tudo em nome da GOVERNABILIDADE,um eufemismo DE COVARDIA

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Mário SF Alves

12 de agosto de 2013 às 21h46

Ainda que os agrotóxicos e os transgênicos fossem biologicamente inertes. Na realidade, não são. E o que é mais grave: sua obtenção lembra queijo suíço, é ciência meia-boca, recheada de atalhos. E seu uso passa longe de ser suficientemente testado. Passa a anos-luz do princípio da precaução. Mas, ainda que fossem inertes. Ainda que fossem ambientalmente inofensivos, ainda assim, tal problema não se resolveria. O problema maior decorrente do empoderamento dessas empresas/corporações é diretamente proporcional à perda de poder e escravização dos povos. É daí que decorrem preocupações com a segurança alimentar. É daí que surgem críticas à bio-pirataria e nasce a resistência contra a privatização da vida, via patenteamento de modificação genética de organismos vivos.

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J Souza

12 de agosto de 2013 às 19h11

Alguém acha que o Pentágono iria ter todo esse trabalho apenas pelo lucro de U$ 2 bilhões da Monsanto!? Claro que não! U$ 2 bilhões é menos do que o lucro de qualquer “banquinho” brasileiro!
A Monsanto é apenas uma arma de guerra, pronta para ser usada na hora que for conveniente ao Pentágono!
Ao substituir os produtos naturais pelos transgênicos totalmente dependentes dos agrotóxicos da Monsanto, o Pentágono tem nas mãos uma arma que pode desabastecer em questão de poucos meses qualquer país do mundo que tenha esses transgênicos.
Uma mão lava a outra!
Os eletrônicos podem ser rapidamente bloqueados. Por isso seu uso, em substituição a tudo que seja mecânico, é totalmente adequado aos interesses geopolíticos dos EUA.
Agora… Só falta eles acharem um meio de controlar a ÁGUA!

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    Mário SF Alves

    12 de agosto de 2013 às 21h49

    Is it! Na veia, prezado J Souza.

Rodrigo

12 de agosto de 2013 às 16h15

Para não dizer que não falei das Flores Transgênicas Contaminadas

Relatório aponta riscos associados ao consumo de plantas transgênicas
Documento apresenta uma síntese das descobertas publicadas na literatura científica sobre os riscos do processo de transgenia e do consumo de plantas geneticamente modificadas

12/08/2013 (Chupinhado do BRasil de Fato)

da AS-PTA

Em julho de 2013, foi publicado um novo relatório a respeito dos riscos associados ao consumo de plantas transgênicas. O documento intitulado “Levantamento e análise de estudos e dados técnicos referentes ao consumo de plantas transgênicas: o caso do NK603”, de autoria do pesquisador Gilles Ferment, foi publicado pelo Núcleo de Estudos Agrários e Desenvolvimento Rural (NEAD) do Ministério do Desenvolvimento Agrário e realizado com o apoio da Órgão das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO).

Ferment apresenta uma síntese das descobertas publicadas na literatura científica, tanto sobre os riscos gerais ligados ao próprio processo de transgenia, como sobre os riscos relacionados ao consumo de plantas que sintetizam uma toxina Bt (tóxica a lagartas) e/ou toleram altas doses de herbicidas – juntos, esses dois tipos de plantas representam quase a totalidade dos transgênicos plantados no mundo.

Na segunda parte do relatório, o autor aprofunda a questão dos riscos associados ao consumo do milho NK603, tolerante aos herbicidas a base de Roundup. Esse milho foi objeto de avaliação toxicológica independente realizada por pesquisadores franceses, que apontou riscos sanitários graves relacionados ao consumo do produto no longo prazo.

O autor ressalta que, embora a literatura científica sobre riscos dos transgênicos à saúde sempre tenha sido relativamente escassa, o volume de publicações científicas sobre o tema aumentou consideravelmente nos últimos anos e, atualmente, existem mais de cem estudos de toxicidade focados no consumo de ração à base de diferentes plantas transgênicas.

Um dado importante obtido da avaliação desses estudos é que, embora exista um equilíbrio entre os estudos que apontam para riscos para a saúde e aqueles que concluem pela ausência de riscos, a maioria dos estudos que consideram as plantas transgênicas avaliadas tão seguras quanto as plantas convencionais foram realizados pelas empresas de biotecnologia que comercializam esses produtos.

Com relação aos riscos relacionados ao próprio processo da transgenia, Ferment observa que são amplamente documentadas na literatura científica as alterações indesejadas nas sequências genômicas que são transferidas através da modificação genética. Essas alterações são devidas ao fato de o processo de transgenia atualmente empregado constituir uma ferramenta de biologia molecular bastante aleatória e imprecisa. Além disto, a experiência mostra que a integridade do transgene após processo de inserção na célula hospedeira é raramente preservada.

Ferment destaca que, mesmo se melhorias técnicas forem realizadas no direcionamento da inserção de transgenes no DNA de células vegetais, a falta de conhecimento científico relativo ao funcionamento global do genoma impede os pesquisadores de determinar um local de inserção isento de desdobramentos biológicos não desejados. Descobertas recentes a respeito das funções do chamado “DNA lixo” (que representa cerca de 98% do genoma humano, por exemplo) apontam que não existe local no genoma do organismo a ser transformado onde a transgenia não irá alterar a expressão gênica de um ou vários processos biológicos.

Na parte do relatório dedicada aos riscos específicos associados ao consumo de plantas geneticamente modificadas para produzir uma toxina inseticida Bt, têm destaque as evidências científicas demonstrando que, ao contrário do que alegam a indústria e os cientistas defensores da tecnologia, essas proteínas são biologicamente ativas em humanos que consomem as plantas Bt. O autor cita estudos realizados em laboratório que demonstraram que as proteínas Bt podem desencadear uma reação imune ou favorecer respostas imunológicas a outras substâncias, bem como estudos cujos resultados apontam que a suposta total degradação das proteínas Bt durante o processo de digestão em mamíferos não ocorre na realidade.

O autor acrescenta que a maioria dos estudos toxicológicos realizados com cobaias animais disponíveis na literatura científica aponta para a existência de perturbações metabólicas e/ou fisiológicas relacionadas ao consumo de plantas inseticidas.

Entre os riscos específicos associados ao consumo de plantas geneticamente modificadas para tolerar altas doses de herbicidas detalhados pelo autor está, em primeiro lugar, o significativo aumento do volume de herbicidas verificado nessas lavouras e o consequente aumento do consumo de resíduos de herbicidas pelos humanos. Ferment destaca em seguida a questão da subestimação da classificação toxicológica dos herbicidas a base de glifosato, uma vez que já existem atualmente na literatura científica dezenas de estudos que apontam danos toxicológicos em animais ou em células humanas associados ao contato com o glifosato e suas formulações comerciais como o Roundup.

Por fim, a esse respeito, o autor lista uma grande quantidade de exemplos de estudos científicos que apontam a existência de perturbações metabólicas e endócrinas resultantes do consumo de plantas transgênicas tolerantes a herbicidas (HT). No caso da soja RR, por exemplo, pesquisas de longo prazo observaram uma diminuição das enzimas digestivas (pâncreas), alterações da estrutura celular e da expressão gênica em vários tecidos/órgãos (rins e fígado principalmente) e o aumento da atividade metabólica do fígado. Um dos estudos citados observou alteração na estrutura e função dos testículos em ratos que consumiram a soja.

Outros trabalhos referidos levantam graves questões em relação a perturbações endócrinas provavelmente resultantes do consumo de plantas transgênicas HT. Têm destaque, nesse caso, os resultados obtidos pela pesquisa francesa a respeito do milho NK603, tolerante à aplicação do herbicida Roundup (a base de glifosato). O aprofundamento da análise desse estudo é justamente o foco da segunda parte do relatório de Ferment.

O autor ressalta que a pesquisa francesa de toxicologia, realizada pela equipe do professor Gilles-Eric Séralini, foi a única até hoje a analisar os efeitos do consumo de um milho transgênico HT durante período correspondente à vida inteira de um animal modelo (neste caso, o rato). O estudo comprovou cientificamente a existência de perturbações endócrinas e anormalidades hepato-renais nos ratos alimentados com o milho NK603, com e sem o herbicida Roundup, provavelmente indutores de cânceres hormônio-dependentes nesses mesmos animais. As perturbações metabólicas e fisiológicas envolvendo mecanismos hormonais eram sexo-dependentes: nas fêmeas, onde os efeitos de perturbação endócrina foram mais pronunciados, a hipófise foi o segundo órgão mais afetado, após as glândulas mamárias, que desenvolveram a maioria dos tumores observados. Tais perturbações sexo-dependentes não são inusitadas e já haviam sido relatadas em artigos anteriores publicados pela equipe do professor Séralini.

Também foram observados efeitos citotóxicos: os processos de necrose e de congestão do fígado foram 2,5 – 5,5 vezes maiores nos machos de determinados grupos testes. Além disso, as análises bioquímicas revelaram graves perturbações nas funções renais, em ambos os sexos, totalizando 76% dos parâmetros alterados monitorados no estudo.

Ferment discute ainda a polêmica que se seguiu à publicação do estudo, aprofundando questões como escolha da raça de ratos utilizada, o número de animais usados nos experimentos e a metodologia estatística empregada.

Por fim, o autor aborda o processo que levou à liberação comercial do milho NK603 no Brasil em 2008, a despeito de terem sido apresentados vários pareceres contrários à liberação e críticas de membros da própria Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). A maioria das críticas apontava a ausência de provas científicas a respeito da inocuidade do produto para o meio ambiente e a saúde pública. O milho foi aprovado apesar dos votos contrários dos representantes do Ministério do Desenvolvimento Agrário, do Ministério da Saúde e dos representantes da sociedade civil para o meio ambiente e a saúde.

Ferment destaca que, após a publicação do artigo de Séralini, várias entidades da sociedade civil solicitaram aos poderes públicos a reavaliação do milho NK603 no Brasil, mas que, por 14 votos contra 4, a CTNBio rejeitou tanto a reavaliação quanto a suspensão do cultivo comercial dessa variedade. O autor observa que processos idênticos aconteceram em vários países do mundo.

A grande novidade decorrente da divulgação do estudo de Séralini foi a recente publicação de um edital pela União Europeia, no valor de 3 milhões de euros, com o objetivo conduzir uma pesquisa sobre efeitos carcinogênicos desse milho transgênico.

Em suma, a história tem mostrado que o ditado “quem procura, acha” não poderia ser mais pertinente à questão dos riscos relacionados ao consumo de alimentos transgênicos. Não há dúvidas de que, se realizadas com rigor e independência, as novas pesquisas financiadas pela UE irão engrossar o caldo das evidências científicas a respeito das consequências dos transgênicos para a saúde pública. Esperemos que, ainda que aos poucos, essas evidências possam reverter o quadro atual de desregulamentação e utilização em larga escala de transgênicos em nossa agricultura e alimentação.

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Rodrigo

12 de agosto de 2013 às 16h00

Uma ajudinha pro povo que acordou agora…

Paraguai: A desinformação midiática e o golpe da Monsanto
23/06/2012
Como as multinacionais e os conglomerados de comunicação atuaram coordenados na derrubada do presidente Fernando Lugo
Escrito por: Leonardo Wexell Severo

“A situação de expectativa gerada pela decisão dos legisladores de submeter o presidente Fernando Lugo a juízo político foi, finalmente, resolvida de um modo ordenado, pacífico e respeitoso da legalidade, da institucionalidade e dos critérios essenciais de equidade que devem presidir processos tão delicados como o que acaba de ser levado a bom termo. A destituição do presidente abre fundadas esperanças num futuro melhor”
Editorial do jornal ABC Color deste sábado, 23 de junho

“Um presidente sem respaldo, que se mostra negligente e incapaz, não pode seguir governando. Sem lugar a dúvidas, o erro mais grave de Fernando Lugo foi o respaldo outorgado a dirigentes de supostos camponeses que receberam carta branca do governo para invadir terras, ameaçar e desafiar o Estado de Direito. Lugo decepcionou a grande maioria da cidadania paraguaia com suas decisões errôneas, seu sarcasmo, sua desastrosa vida pessoal, sua ambiguidade e sua crescente amizade com inimigos declarados da democracia, como Hugo Chávez e os irmãos Castro”
Editorial do jornal Vanguardia deste sábado, 23 de junho

Wikileaks: pedra no sapato do imperialismo e de seus lacaios
Wikileaks: pedra no sapato do imperialismo e de seus lacaios
“Lugo tem princípios populistas (não necessariamente incendiários). A reputação de honestidade lhe ajudou a ganhar, porém necessitará um poudo da ajuda do céu para exercer a Presidência”.
Informação da Embaixada dos EUA, datada de junho de 2008,
vazada pelo WikiLeaks, antes da posse de Lugo

Comemoração do ABC Color
Comemoração do ABC Color
Uma grotesca farsa caiu como raio em céu claro sobre o presidente constitucional do Paraguai, Fernando Lugo. Em questão de horas o mandatário teve o seu “impeachment” proposto, analisado e votado pelo Congresso, mediante um processo metodicamente orquestrado pelas multinacionais Monsanto e Cargill, a oligarquia latifundiária, as elites empresariais e sua mídia.
As comemorações estampadas nas capas dos principais jornais paraguaios dão a dimensão do ódio de classe, com as desclassificadas mentiras destiladas contra quem se dispôs – ainda que com vacilos e limitações – a virar a página de abusos e subserviência aos ditames de Washington e suas empresas.
O cerco midiático contra Lugo vinha se fechando, num país em que 85% das terras encontram-se nas mãos de 2% da população e onde os mesmos donos dos três principais jornais, umbilicalmente vinculados às transnacionais e ao sistema financeiro, também controlam as emissoras de rádio e televisão. Assim, de forma suja e monocórdica, foram convocadas manifestações, com bloqueio de estradas, para o próximo dia 25 de junho. Grandes “tratoraços” em protesto contra a decisão do governo em favor da saúde da população e da soberania alimentar – de não liberar a semente de algodão transgênico Bollgard BT, da Monsanto, cuja sequência genética está mesclada ao gene do Bacillus Thurigensis, bactéria tóxica que mata algumas pragas de algodão. A decisão, que afetava milionários interesses da multinacional estadunidense, havia sido comunicada pelo Serviço Nacional de Qualidade e Saúde Vegetal e de Sementes (Senave), uma vez que a liberação não tinha o parecer do Ministério da Saúde e da Secretaria do Meio Ambiente.
“A Monsanto, através da UGP, estreitamente ligada ao Grupo Zuccolillo, que publica o diário ABC Color, se lançou contra a Senave e seu presidente Miguel Lovera por não ter inscrito a sua semente transgênica para uso comercial no país”, denuncia o jornalista e pesquisador paraguaio Idilio Méndez Grimaldi.
Para tirar o Senave do caminho foi alegado o surrado argumento da “corrupção” no órgão, o mesmo estratagema da máfia de Carlinhos Cachoeira para tomar de assalto o DNIT e alavancar negociatas, via utilização de seus vínculos com a revista Veja para denunciar desvios no órgão – conseguindo inclusive a queda do ministro dos Transportes. Desta forma, “denúncias” por parte de uma pseudo-sindicalista do Senave, Silvia Martínez, ganharam manchetes na mídia canalha. O jornal ABC Color do dia 7 de junho último acusou o chefe do Senave, Miguel Lovera, de “corrupção e nepotismo na instituição que dirige”. Mas o fato é que a pretensa sindicalista advogava em causa própria, do marido e de seus patrocinadores. Conforme revelou Grimaldi, “Silvia Martínez é esposa de Roberto Cáceres, representante técnico de várias empresas agrícolas – todas sócias da UGP (Unión de Grêmios de la Producción) – entre elas Agrosán, recentemente adquirida pela Syngenta, outra transnacional, por 120 milhões de dólares”.
La Nación aplaude o sorriso do golpista
La Nación aplaude o sorriso do golpista
Algo similar à UDR (União Democrática Ruralista) de Ronaldo Caiado, e aos ruralistas da senadora Kátia Abreu, a UGP é comandada por Héctor Cristaldo, sustentado por figuras como Ramón Sánchez – vinculado ao setor agroquímico – entre outros agentes das transnacionais do agronegócio. “Cristaldo integra o staff de várias empresas do Grupo Zuccolillo, cujo principal acionista é Aldo Zuccolillo, diretor proprietário do jornal ABC Color desde sua fundação sob o regime de Stroessner, em 1967. Zuccolillo é dirigente da Sociedade Interamericana de Prensa (SIP)”, esclarece Idílio Grimaldi. O jornalista lembra que o Grupo Zuccolillo é o principal sócio no Paraguai da Cargill, uma das maiores transnacionais do agronegócio do mundo. “Tal sociedade” construiu um dos portos graneleiros mais importantes do Paraguai, o Porto União, a 500 metros da absorção de água da Companhia de Saneamento do Estado, sobre o rio Paraguai, sem qualquer restrição”, esclarece.
Com a proteção do apodrecido Congresso que condenou Lugo, as transnacionais do agronegócio no Paraguai praticamente não pagam impostos, com uma carga tributária de 13% do PIB, tão insignificante que acaba inviabilizando os serviços públicos. Vale lembrar que a saúde e a educação eram totalmente privadas antes da ascensão de Lugo à Presidência, num país em que os latifundiários não pagam impostos. O imposto imobiliário representa apenas 0,04% da carga tributária, uns 5 milhões de dólares – segundo estudo do Banco Mundial – ainda quando a renda do agronegócio alcance cerca de 6 bilhões de dólares anuais, em torno de 30% do PIB.
Na sexta-feira, 8 de junho, a UGP publicou no ABC Color seus “12 argumentos para destituir Lovera” (http://www.abc.com.py/edicion-impresa/economia/presentan-12-argumentos-para–destituir-a–lovera-411495.html. Tais “argumentos” foram apresentados ao então vice-presidente da República, Federico Franco, correligionário do ministro da Agricultura e pró-Monsanto, recém nomeado “presidente”.
Na sexta-feira, 15, descreve Grimaldi, “em função de uma exposição anual organizada pelo Ministério de Agricultura e Pecuária, o ministro Enzo Cardozo deixou escapar um comentário à imprensa: um suposto grupo de investidores da Índia, do sector agroquímico, cancelou um projeto de investimentos no Paraguai pela alegada corrupção no Senave. Nunca esclareceu de que grupo se tratava. Nas mesmas horas daquele dia ocorriam os trágicos acontecimentos de Curuguaty, onde morreram onze camponeses e seis policiais”. O sangue derramado foi o pretexto utilizado pela direita para o impeachment.
La Jornada do Paraguai:
La Jornada do Paraguai: “Dia histórico”
COMO NA VENEZUELA, USO DE FRANCO-ATIRADORES
O que se sabe é que a exemplo da tentativa de golpe de Estado na Venezuela, onde a CIA utilizou franco-atiradores para assassinar os manifestantes contrários ao governo para jogar a culpa do massacre sob os ombros de Hugo Chávez, também em Curuguaty agiram franco-atiradores. E dos bem profissionais. E movidos pelos mesmos propósitos.
Na região de Curuguaty está localizada a estância de Morombí, propriedade do latifundiário e grileiro Blas Riquelme, dono de mais de 70 mil hectares. O “terrateniente” é uma das viúvas da ditadura do general Alfredo Stroessner (1954-1989), um dos principais beneficiados pela tristemente célebre Operação Condor, desenvolvida pela CIA no Cone Sul para torturar, assassinar e desaparecer com todo aquele que ousasse contrariar os interesses estadunidenses na região. Ele também foi presidente do Partido Colorado por longos anos e senador da República, sendo igualmente dono de uma rede de supermercados e estabelecimentos pecuários.
Como Riquelme havia se apropriado mediante subterfúgios legais de aproximadamente dois mil hectares pertencentes ao Estado paraguaio, camponeses sem terra ocuparam o local e solicitaram do governo Lugo a sua desapropriação para fins de reforma agrária. Um juiz e uma promotora ordenaram a retirada das famílias por meio do Grupo Especial de Operaciones (GEO) da Polícia Nacional, esquadrão de elite que, em sua maioria, foi treinado por militares dos EUA na Colômbia, durante o governo fascista de Álvaro Uribe.
Na avaliação de Grimaldi, que também é membro da Sociedade de Economia Política do Paraguai (SEPPY), somente uma sabotagem interna dentro dos quadros da própria inteligência da Polícia, com a cumplicidade da Promotoria, explicaria a emboscada na qual morreram seis policiais. Uma ação estrategicamente planejada com um objetivo bem definido. “Não se compreende como policiais altamente treinados, no marco do Plano Colômbia, pudessem cair tão facilmente numa suposta armadilha feita por camponeses, como quer fazer crer a imprensa dominada pela oligarquia. A tropa reagiu, matando 11 camponeses e deixando cerca de 50 feridos”. Entre os policiais mortos, ressalta, estava o chefe da GEO, Erven Lovera, irmão do tenente-coronel Alcides Lovera, chefe da segurança do presidente. Um recado claro e preciso para Lugo.
La Cronica e seu presidente: só alegria
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A SERVIÇO DA MONSANTO
Conforme o jornalista, no marco da apresentação preparada pelo Ministério da Agricultura – a serviço dos EUA -, a transnacional Monsanto anunciou outra variedade de algodão, duplamente transgênico: BT e RR ou Resistente ao Roundup, herbicida fabricado e patenteado pela multinacional, que quer a liberação da semente no país.
Para afastar incômodos obstáculos, antes disso o diário ABC Color vinha denunciando “presumíveis” fatos de corrupção dos ministros do Meio Ambiente e da Saúde, Oscar Rivas e Esperança Martínez, que também haviam negado posição favorável à Monsanto. A multinacional faturou no ano passado, somente com os royalties pelo uso de sementes transgênicas de soja no Paraguai, 30 milhões de dólares, livre de impostos, (porque não declara esta parte de sua renda). “Independente disso, a multinacional também fatura pela venda das sementes transgênicas. Toda a soja cultivada é transgênica numa extensão próxima aos três milhões de hectares, numa produção em torno de sete milhões de toneladas em 2010”, revela Grimaldi.
Por outro lado, acrescenta o jornalista, a Câmara de Deputados já aprovou projeto de Lei de Biosseguridade, que contempla criar uma direção de Biosegurança com amplos poderes para a aprovação do cultivo comercial de todas as sementes transgênicas, sejam elas de soja, milho, arroz, algodão… Este projeto de lei elimina a atual Comissão de Biosseguridade, ente colegiado de funcionários técnicos do Estado paraguaio, visto como entrave aos desígnios da Monsanto.
“Enquanto transcorriam todos esses acontecimentos, a UGP vinha preparando um ato de protesto nacional contra o governo de Fernando Lugo para o dia 25 de junho, com máquinas agrícolas fechando parte das estradas em diferentes pontos do país. Uma das reivindicações do denominado ‘tratoraço’: a destituição de Miguel Lovera do Senave, assim como a liberação de todas as sementes transgênicas para cultivo comercial”.
Dado o golpe, como estamparam os grandes conglomerados de mídia no Paraguai neste sábado, “a manifestação da UGP foi suspensa”. Afinal, “há um novo governo, mais sensível ao mercado”.

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um comentarista

12 de agosto de 2013 às 14h55

Meio que off-topic ma non troppo, o PC aqui de casa tá tão bichado, e já faz tanto tempo, que eu desisti de fazer qualquer coisa. E só pra aumentar um pouco mais a “paranóia”, certo tipo de invasão só com ajuda de gente de dentro das prestadoras.

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edson tadeu

12 de agosto de 2013 às 13h31

a monsanto foi proibida de colocar seus transgenicos na Europa, mais nao países sul americanos eles fazem o que quer, enchem tudo de veneno enfia no guela do brasileiro seus produtos trangenicos e fica por isso mesmo

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