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Marcos Coimbra: Ao manter candidatura de Lula, PT vai expor justiça parcial e arbitrária aos eleitores
Foto Facebook Lula
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Marcos Coimbra: Ao manter candidatura de Lula, PT vai expor justiça parcial e arbitrária aos eleitores


23/05/2018 - 14h33

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A estratégia do PT

por Marcos Coimbra, CartaCapital

Manter a candidatura de Lula é o desejo do imenso contingente de eleitores simpatizantes ou militantes do partido

Seguindo a orientação do ex-presidente Lula, o PT adotou uma estratégia para a eleição presidencial que tudo indica ser correta.

As reações nervosas da direita e daqueles que ainda sonham se construir como candidatos sugerem que foi uma boa decisão.

Manter a candidatura de Lula é duplamente acertado.

De um lado, significa apostar na legalidade e ver aonde isso nos leva.

De outro, demonstra o respeito que Lula e o PT tem por seu ativo fundamental, a vasta parcela da população que representam.

O PT tem o direito de escolher Lula como candidato e solicitar o registro da candidatura.

É igualmente seu direito aguardar o pronunciamento da Justiça Eleitoral, praticando os atos de campanha estabelecidos na legislação.

É também seu direito receber da Justiça tratamento isonômico e sem jogadinhas de tapetão.

A caçada contra Lula e o PT, executada pelo Judiciário, o Ministério Público e a mídia conservadora, utiliza-se da legalidade formal como escudo e fonte de legitimidade.

Busca revestir seus atos de força com um verniz de legalismo, para fins de propaganda externa e para fornecer argumentos àqueles que os apoiam na sociedade.

Não que essa aparência seja indispensável, como ficou evidente no episódio das escutas clandestinas de conversas telefônicas da presidenta da República.

Embora flagrantemente ilegais, foram divulgadas por Sérgio Moro em momento de efervescência política, mandando às favas qualquer simulacro de legalidade (diga-se de passagem, sem que nunca seus “superiores” lhe tenham cobrado tal comportamento).

Mas tentar preservar a fachada sempre foi a regra.

Assim ocorreu na encenação do impeachment de Dilma Rousseff, na condenação de Lula por Moro, no patético espetáculo dos três juízes do Tribunal de Recursos e na prisão do ex-presidente.

Tudo querendo provar que “A Lei é para todos”, enquanto as evidências em contrário pululam.

Manter a candidatura de Lula não é ter falsas expectativas a respeito do apego às leis dos donos do poder. Ninguém, dentro ou fora do PT, se ilude: farão qualquer coisa para evitar a vitória de Lula.

Se tiverem de sujar as mãos, vão sujá-las.

Que pretextos inventarão para negar o registro da candidatura?

Farão a mágica de recusar um requerimento antes que seja feito?

Vão fabricar uma legislação específica para ele, negando-lhe direitos acessíveis a centenas de outros?

Será Lula o primeiro candidato proibido de fazer campanha, depois de devidamente registrado e antes da decisão definitiva a respeito da postulação?

E se acharem que não há alternativa, irão até o adiamento ou cancelamento da eleição?

Só há uma maneira de descobrir quão longe na ilegalidade nossas elites se dispõem a avançar: obrigando-as a ir lá.

Evitando que permaneçam em sua zona de conforto, brincando de boas meninas, respeitadoras das leis.

Forçando-as a revelar-se naquilo que são e expondo-as perante a sociedade e a comunidade internacional.

O mito da “justiça moral” na guerra contra Lula e o PT sustenta-se em terreno cada vez mais frágil.

Em outubro de 2017, 57% dos entrevistados em pesquisa CUT/Vox consideravam “justa” a condenação de Lula e 27% diziam que era “injusta”.

Em abril, a diferença entre os dois grupos havia desaparecido.

Em seis meses, a vantagem dos primeiros em relação aos segundos, que estava em 30 pontos percentuais tornara-se zero.

E nos próximos cinco, de agora até a eleição, a que tamanho chegará?

Que nível alcançará o apoio cadente ao lavajatismo, quando novas truculências jurídicas contra Lula e o PT forem perpetradas?

Lula e o PT estão certos na estratégia por uma segunda razão: manter a candidatura do ex-presidente é o desejo do imenso contingente de eleitores que militam, se identificam ou simpatizam com o partido.

As estimativas variam, mas ninguém duvida que falamos de *mais de 30 milhões de cidadãos, talvez mais de 40 milhões.

Elas querem votar em Lula, não concordam com as alegações que fazem contra ele, não consideram que haja prova das acusações, rejeitam a parcialidade da Justiça e avaliam que o processo, a condenação e a prisão foram políticas.

São pessoas que não entenderiam se seu partido optasse agora por substituí-lo como candidato ou fugisse da disputa eleitoral, indo esconder-se em uma candidatura a vice-presidente.

E porque significa o respeito a esses milhões de eleitores, um ativo único em nossa história, que a estratégia defendida por Lula e o PT mais se justifica.

Não deixa de ser engraçado: políticos que nunca venceram uma eleição nacional e a imprensa dos patrões dando-se a liberdade de criticar o caminho que Lula escolheu.

Devem achar que conhecem o povo melhor que ele.

Leia também:

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7 comentários

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Eduardo

26 de maio de 2018 às 02h19

As mais recentes merdas de Carmem Lúcia, presidenta do STF, continuam exalando efeitos. Ninguêm mais considera o STF, taxado como colégio de bundōes que de nada servem, a não ser a si e ao golpe antidemocrático que envergonha analfabetos!

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Eduardo

26 de maio de 2018 às 02h19

As mais recentes merdas de Carmem Lúcia, presidenta do STF, continuam exalando efeitos. Ninguêm mais considera o STF, taxado como colégio de bundōes que de nada servem, a não ser a si e ao golpe antidemocrático que envergonha analfabetos!

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Vida sem Mozart

25 de maio de 2018 às 07h44

E Ciro Gomes?
Ciro Gomes tem espírito cultural exatamente aquele do PT e o espírito do Petismo:
A vida no Brasil desde o PT (a ascensão do PT) é uma vida de extremo mau gosto. Aonde se vai e se entra é exatamente assim mesmo (cinema brasileiro, teatro brasileiro, escolas brasileiras, galeria de arte etc. etc.): é que o gosto do petismo é brega, é sim cafona, é Kitsch e barango — tudo ao mesmo tempo.
O PT nivela sempre por baixo, seus projetos, seus Ministros, a Língua Portuguesa, a sua própria pseudo-arte. Mesmo aquele projeto que deveria ser o da Educação! Lógico! Nivelam — de novo — por baixo. São grotões e toscos, com toda certeza.
A Vida com o PT (e lógico! Com o Petismo) é uma vida: “Without Mozart”.

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Lukas

24 de maio de 2018 às 07h06

Marcos Coimbra entende de parcialidade.

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Sérgio Rodrigues

23 de maio de 2018 às 19h59

Aplausos de pé!…Clac ,clac, clac….

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leonardo-pe

23 de maio de 2018 às 19h33

Vão dar com os Burros n´agua. o pessoal do”duplo expresso”(sobretudo Romulus Maia),insiste nisso, na candidatura Lula. do jeito como está, não vai dar certo.

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Julio Silveira

23 de maio de 2018 às 18h41

A principio não concordei com a iniciativa do Lula, e do seu partido, com sua entrega a “justiça” iniqua, do seu perseguidor, inquisidor, carrasco judicial. Mas, com esclarecimentos como esse, da finalidade na estratégia, começo até a gostar. De qualquer maneira, me é doloroso ter a percepção clara da sua inocência e das torcidas e distorcidas ações, forjadas em acusações, para encontrar mais esse brasileiro altruísta, coisa rara no meio da classicamente mesquinha nobreza nacional.
Faz-se necessário, realmente, não perder as oportunidade de expor a todo brasileiro interessado no bem estar coletivo e cultural, toda a malignidade de tais atores, explícitos na hipocrisia, na canalhice, de quem faz tantas barbaridades contra bons brasileiros para seu povo, sem que com eles tenham qualquer empatia, sequer vergonha de expô-las ou exporem-se, afirmando no maior cinismo ser para bem do Brasil.

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