VIOMUNDO

Diário da Resistência


Marco Aurélio Carone: Com 2 anos de atraso, Assembleia corre atrás do prejuízo pela venda a R$ 1 de empresa da Light por Zema
CPI da Cemig, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais: em audiência realizada em 26 de outubro, os deputados ouviram o depoimento de Luis Paroli dos Santos, ex-presidente da Light (ao centro). Em cima, Cássio Soares (PSD), Zé Guilherme (PP), Sávio Souza Cruz (MDB) e Professor Cleiton (PSB). À esquerda, a deputada Beatriz Cerqueira (PT). À direita, Hely Tarqüínio (PV). Fotos: Luiz Santana/ALMG
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Marco Aurélio Carone: Com 2 anos de atraso, Assembleia corre atrás do prejuízo pela venda a R$ 1 de empresa da Light por Zema


08/11/2021 - 18h05

Com atraso ALMG corre atrás do prejuízo ao erário

Por Marco Aurélio Carone, especial para o Viomundo

Em 18 de novembro de 2019, o Viomundo denunciou: Zema vende por R$ 1 empresa da Light que Aécio comprou por R$ 360 milhões

Na época, a Light ainda pertencia à Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig).

A empresa em questão era a Renova Energia, que atua com fontes energéticas renováveis.

Em 13 de outubro de 2019, portanto há dois anos, a Light aprovou a venda da sua participação de 17% na Renova Energia pelo valor simbólico de R$1,00 – UM REAL.

A Light, então subsidiária da Cemig, tinha em seu conselho representantes do governo de Minas.

A questão era tão escandalosa que, devido à venda por R$ 1,  Cledorvino Belini, então presidente da Cemig, deixou o  o cargo no conselho da Light.

Em 2011, esses 17% da Renova custaram à Light/Cemig R$ 360 milhões.

Pois só agora, quase dois anos depois, a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) começa a investigar a transação da Renova.

É no âmbito da CPI da Cemig, que começou em 21 de julho com prazo de 120 dias.

Mas, foi prorrogada por mais 90 dias, devendo terminar em 21 de fevereiro de 2022.

O ex-presidente da Light, Luis Paroli Santos, foi ouvido pela CPI em 26 de outubro na condição de testemunha.

Em seu depoimento, Paroli afirmou que, na opinião dele, a venda por R$ 1 à Renova não seria a melhor opção para a Light.

DEPUTADOS QUE INTEGRAM A CPI DA CEMIG CRITICAM

A venda da participação da Light na Renova por R$ 1 é indefensável.

Tanto que recebeu críticas de todos os parlamentares que integram a CPI da Cemig.

O vice-presidente da comissão, Professor Cleiton (PSB), disse que é preciso entender o que aconteceu.

“Nos intriga a venda da Renova por um real. Não entra na minha cabeça. A Renova tinha salvação?”, questionou.

“Temos que chegar aqui à conclusão de quem fez essa opção pela venda. O ex-presidente Belini disse que ele não concordou com isso”, acrescentou Cleiton.

O relator da CPI, Sávio Souza Cruz (MDB), disse que a responsabilidade pela negociação, em última instância, é dos conselheiros da Light.

“Mas tem que ser imputada a quem tinha competência de indicar os conselheiros comprometidos com os interesses da empresa e preferiu indicar pessoas, entre aspas, do mercado”, observou.

A venda da participação da Light na Renova é tão absurda que acabou virando motivo de ironia.

O deputado Sávio Souza Cruz fez a seguinte proposta para recomprar a parte vendida à Renova:

“Quero falar aos compradores: eu pago 100% de lucro. Pago dois reais à vista. Pode me procurar, estou disponível aqui na Assembleia. Um grande negócio, estou publicamente propondo aos compradores da Renova. Pago 100% de lucro, a inflação não chegou a isso. Não tem melhor condição. Se quiser, pago em espécie, tenho na carteira uma nota de dois reais. Senhores compradores, vocês compraram pelo preço justo de um real e têm a chance de ter 100% de lucro”.

O presidente da CPI, Cássio Soares (PSD), também ironizou: “Se for leilão, eu estou disposto a pagar cinco reais. 500% de lucro”.

“Eu pago 13 reais”, propôs a deputada Beatriz Cerqueira (PT).

A expectativa é que novos depoimentos ajudem, efetivamente, a esclarecer o que aconteceu.





9 comentários

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Nelson

10 de novembro de 2021 às 12h36

Meu caro Benedito.

Desde que assumiu a presidência, em janeiro de 1995, até o momento em que privatizou a telefonia, Fernando Henrique Cardoso investiu nada menos de R$ 21 bilhões – tirados do meu, do teu, do da grande maioria do povo brasileiro – para modernizar o setor.

Ao lançar o leilão de privatização, FHC estabeleceu o preço mínimo de R$ 13,5 bilhões. Notaste o tamanho da disparidade? Doação pura. O martelo foi batido aos R$ 22 bilhões. Isto bastou para que a grande mídia desandasse em matérias e comentários a exaltar o suposto ágio de R$ R$ 8,5 bilhões tentando nos convencer do quão boas para o Estado brasileiro eram as privatizações.

Essa mídia optou por “esquecer” do investimento de R$ 21 bilhões anterior à entrega da telefonia. Então, a telefonia teria sido entregue por R$ 1 bilhão. Mas, e todo o imenso patrimônio que já existia antes de FHC? Só podemos concluir que foi entregue de graça.

Por que qualifiquei de suposto o ágio pago no leilão? Porque, informação também sonegada pelos órgãos da mídia hegemônica e seus comentaristas, em 1996 FHC lançou uma medida provisória que concedia isenção de imposto de renda, por muitos anos – 10, se a memória não me falha -, a todo ágio pago na aquisição de empresas estatais.

Então, chegamos facilmente a outras duas conclusões.

A primeira: os “compradores” da telefonia teriam pago apenas R$ 13,5 bilhões por ela. Coloquei o verbo no condicional porque os absurdos são tantos que fico até duvidando de que eles tenham tirado algum dos seus cofres.

A segunda: os brasileiros tiramos dos nossos bolsos R$ 8,5 bilhões e demos de presente aos “compradores” da telefonia. Mas, os presentes não param por aí. Demos de presente também todo o imenso patrimônio que já existia, prédios, instalações, equipamentos, maquinários, etc.

Mas, com toda essa roubalheira, há uma montoeira de brasileiros, no mínimo uns 90%, que jura de pés juntos que foi a privatização que modernizou a telefonia e nos trouxe celulares de última geração.

E daqueles órgãos que mencionei no comentário anterior, tivemos alguma reação em defesa do patrimônio público? Necas, outra vez.

Informações como as que expus nos meus dois comentários e muitas outras mais, que mostram a monumental pilhagem do nosso patrimônio e riquezas perpetradas pelo governo de FHC, em benefício apenas do grande capital, em benefício apenas 1%, quando muito, do povo brasileiro, tu vais encontrar num livro que, por óbvio, foi completamente ignorado pela mídia hegemônica e seus comentaristas.

Falo do livro “O Brasil privatizado”, do saudoso jornalista Aloysio Biondi. Acessando o link https://fpabramo.org.br/publicacoes/wp-content/uploads/sites/5/2017/05/brasil_privatizado_0.pdf, tu poderás lê-lo em PDF.

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Zé Maria

09 de novembro de 2021 às 20h07

Faz parte das Jogadas do Aécio e do Zema no Cassino B3
para prejudicar a Empresa Estatal e beneficiar a Privada.

https://www.suno.com.br/noticias/units-renova-energia-54-conselho-cemig-gt/

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Henrique martins

08 de novembro de 2021 às 23h17

https://www.diariodocentrodomundo.com.br/moro-senado-sp-lideranca/

Moro é um DESEMPREGADO.

A real preocupação dele é substituir o emprego público que perdeu. Portanto, nessa conjuntura alguém tem dúvidas de que ele no final das contas disputará uma vaga para o Senado?

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    Nelson

    11 de novembro de 2021 às 12h52

    Meu caro Martins.

    Me permita discordar. O Moro não está nem aí para o emprego público. Se assim fosse, ele não teria saído do Ministério da Justiça.

    Sérgio Moro é homem rico, que trabalha para o Sistema de Poder que domina os Estados Unidos, o denominado “Estado Profundo”. Ele é, na verdade, um refém de dossiês; sua participação no Escândalo do Banestado já o ocndenava. Moro comandou a Lava Jato e todo o esquema de lawfare imposto a partir da sua ascensão e da ascensão do Ministério Público ao estrelato como os bastiões da moralidade pública.

    Ele prestou serviço importante ao “Estado Profundo” e vai continuar prestando. Assim, eu não duvido de que seja ele o escolhido a liderar a “Terceira Via”, suposta alternativa que consiste em defenestrar o Bolsonaro para que o projeto de desmantelamento e destruição das estruturas do nosso país possa prosseguir sem contratempos.

    Há quem acredite, gente de esquerda inclusive, que Moro perdeu seu cartaz. Eu não apostaria nisso. Se o Sistema se definir por ele como a liderança da “Terceira Via”, a propaganda´- e, claro as chamadas fake news – para resgatar o que ele tenha perdido de popularidade vai comer solta até o dia da eleição.

Henrique Martins

08 de novembro de 2021 às 22h11

https://www.diariodocentrodomundo.com.br/bolsonaro-pl-vereadores-prefeitos/

Eles é que são espertos. Onde Bolsonaro passar vai ficar uma lama grossa.
Não vai ficar pedra sobre pedra quando a verdade incontestável sobre o clã aparecer. Quem quiser se enlamear que fique no PL.

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Henrique Martins

08 de novembro de 2021 às 21h47

https://www.brasil247.com/blog/camara-e-planalto-pressionam-e-stf-busca-caminho-do-meio

“Mas deve manter ao menos parcialmente a decisão de Rosa Weber. Se não para manter bloqueados os pagamentos feitos até agora – que interessam diretamente aos que votaram a PEC – , ao menos para obrigar a Câmara e o governo a lhes dar transparência total. Ou seja, a compra de votos pode continuar, mas saberemos quem comprou, quem vendeu, e por quanto. Não é grande coisa, mas sabemos que, nesses casos, o segredo é a alma do negócio. E a luz do sol, trazendo a possibilidade de fiscalização e exposição de nomes, às vezes funciona como desinfetante”.

BINGO!!!!

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Benedito Alísio Pereira

08 de novembro de 2021 às 19h22

Pelo visto o que aconteceu foi uma coisa muito simples: roubaram um ativo do Estado, do povo. Será um escândalo se isso passar em brancas nuvens.

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    Nelson

    10 de novembro de 2021 às 09h36

    Meu caro Benedito.

    Eu não queria de desiludir, mas já assou “em brancas nuvens”. Assim como passaram outras privatizações – doações, na verdade – feitas anteriormente. Fernando Henrique Cardoso, que fez o governo mais corrupto e deletério já imposto a nossa nação, entregou a Vale do Rio Doce por um valor mil vezes menor do que ela valia.

    O saudoso diplomata Adriano Benayon alertava de que as riquezas controladas pela Vale montavam a R$ 3 trilhões e FHC entregou a grande empresa estatal, fundada ainda na Era Vargas, por, pasme, aproximadamente R$ 3 bilhões.

    Desse total, apenas cerca de R$ 1 bilhão teria entrado em dinheiro. Uma outra terça parte entrou em moedas podres e a restante foi financiada – pasme outra vez – pelo BNDES aos “compradores” da Vale.

    E você viu os órgãos da mídia hegemônica e seus comentaristas denunciarem tamanho roubo do patrimônio do povo brasileiro? Necas. Fizeram bem ao contrário. Propagandearam, insistente e exaustivamente as “benesses” que as privatizações trariam ao povo. Pela propaganda, as privatizações nos levariam ao um quase-paraíso.

    Do Tribunal de Contas da União, órgão que tem, como sua principal função, defender o patrimônio público, do Ministério Público, do STF, tu viste alguma reação a essa pilhagem monumental? Necas, também.


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