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Liderança da milícia de Gardênia Azul teria mandado matar Marielle, diz viúva do miliciano Adriano da Nóbrega
Girão, Julia e Lessa. Reprodução
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Liderança da milícia de Gardênia Azul teria mandado matar Marielle, diz viúva do miliciano Adriano da Nóbrega


16/07/2021 - 15h00

Da Redação

Um homem cujo nome ainda não foi revelado, ligado à milícia que atua no bairro de Gardênia Azul, teria sido o mandante do assassinato de Marielle Franco, de acordo com reportagem da revista Veja baseada na delação da viúva do miliciano Adriano Magalhães da Nóbrega, morto na Bahia no início de 2020.

Julia Mello Lotufo fez delação premiada, ainda não formalizada.

Adriano empregou a mãe Raimunda e a ex-mulher Danielle no esquema de rachadinhas do mandato de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Ambas eram funcionárias-fantasmas.

Danielle recebeu R$ 776. 343,00 reais em salários e devolveu apenas 21,38%, uma vez que havia um acordo entre Adriano e Fabricio Queiroz, o operador do esquema, para que parte do salário fosse considerado “pensão alimentícia”.

Raimunda, por sua vez, recebeu R$ 252 .699,00 reais em salários e devolveu 94,67%.

Enquanto Adriano estava foragido na Bahia, Raimunda chegou a esconder-se numa cidade do Espírito Santo, onde recebeu a visita de Márcia, a esposa de Queiroz.

Os encontros pessoais teriam sido feitos para tramar uma possível fuga de Queiroz.

De um deles participou Luiz Gustavo Botto Maia, advogado pessoal de Flávio Bolsonaro na Alerj.

Ao fazer delação, o objetivo de Julia foi limpar o caminho para possivelmente desfrutar de bens deixados pelo ex-marido.

O repórter Daniel Pereira narrou que “de acordo com o relato de Julia, integrantes da milícia que atua na comunidade Gardênia Azul procuraram o ex-capitão [Adriano] para discutir a possibilidade de ele preparar um plano para assassinar Marielle. Ao fazer a sondagem, alegaram que a atuação da vereadora estaria colocando em risco os negócios da milícia não só em Gardênia Azul, mas em Rio das Pedras. Segundo a viúva contou às promotoras, Adriano teria considerado a ideia absurda e arriscada demais, especialmente por envolver uma parlamentar. Tempos depois, ele foi surpreendido com a notícia do crime”.

Adriano teria cobrado dos parceiros de crime e ouvido o nome de quem foi o mandante, que contou a Julia.

Hoje os ex-PMs Ronnie Lessa e Elcio Vieira de Queiroz estão presos como assassinos de Marielle.

Eles partiram para cometer o crime do mesmo condomínio onde vive o presidente Jair Bolsonaro, o Vivendas da Barra, onde Lessa morava.

O principal suspeito de ser o mandante é o ex-vereador Cristiano Girão Matias.

Eleito pelo PMN, depois do mandato Girão passou oito anos preso por vários crimes e foi colocado em liberdade condicional em agosto de 2017.

Líder miliciano da Gardênia Azul, Girão é suspeito de contratar Lessa para outro crime, o duplo assassinato do ex-policial André Henrique da Silva, o André Zóio, e de sua companheira, Juliana Sales de Oliveira, em 2014.

“Em setembro do ano passado, a Polícia Civil e o MP realizaram busca e apreensão em endereços de Girão e de pessoas ligadas ao PM reformado Ronnie Lessa, preso por participar do assassinato de Marielle. Os dois são suspeitos de envolvimento na morte de um casal em 2014, num crime com ‘características muito peculiares e que se assemelham muito com o que vitimou a vereadora Marielle Franco e seu motorista’ segundo o delegado Antônio Ricardo Nunes, na época chefe do Departamento Geral de Homicídios e Proteção à Pessoa”, informa a reportagem da revista Veja.





4 comentários

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José do Brasil

17 de julho de 2021 às 13h37

Mais uma tentativa de abafar o caso. A mesma tática usada desde o início: sacrificar um boi de piranha, um chefe de milícia para pagar o pato. Trocaram o delegado e fizeram as promotoras se afastarem do caso (talvez temendo pela própria vida). Os generais que tem as respostas, abafam o caso: https://bananasnews.noblogs.org/post/2021/07/13/bananas-assassinas/

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Zé Maria

16 de julho de 2021 às 22h58

.
“Viúva do Capitão Adriano, miliciano
chefe do Escritório do Crime, propõe
delatar quem matou Marielle e
autoridades que recebiam suborno.

Deve ser o motivo de tanta gente
estar passando mal…”

https://twitter.com/DeputadoFederal/status/1416014679512686594

Responder

    Zé Maria

    16 de julho de 2021 às 18h08

    https://s2.glbimg.com/R5iy9DVz2j6nkTUTOR8S3AwlIdw=/0x0:640×360/1000×0/smart/filters:strip_icc()/s.glbimg.com/jo/g1/f/original/2019/03/13/fuzis.jpg

    A Delegacia Especializada em Armas, Munições e Explosivos (Desarme) indiciou por tráfico internacional de armas o PM reformado Ronnie Lessa — preso e acusado pelos homicídios de Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes.

    Segundo o delegado Marcus Amim, titular da Desarme, Ronnie traficava armas dos Estados Unidos desde 2014 com a ajuda da filha, Mohana Figueiredo, que morava nos EUA e também foi indiciada.
    “Até pouco tempo antes de ser preso [em março de 2019], ele estava praticando essa atividade”, explicou Amim.
    Uma conversa de 13 de agosto de 2018, pelo Whastapp, chamou a atenção dos analistas. No trecho, Mohana envia ao pai a foto de uma peça de fuzil.

    Na troca de mensagens, a Desarme encontrou ainda uma orientação de Lessa à filha. “Escreve ‘metal parts’ [peças de metal]”. A polícia acredita que essa descrição do que estava sendo mandado para o Brasil era uma forma de burlar a fiscalização.

    “As compras realizadas por meio eletrônico e as mensagens trocadas demonstram que o material era trazido para montagem de armas de fogo no Brasil.
    Ronnie Lessa adquiria essas peças de armas fora do país e orientava sua filha para que retirasse embalagens e outras identificações, com o intuito de se esquivar de qualquer órgão fiscalizador brasileiro”, detalhou Amim.

    Há outros envios feitos por Mohana, que vivia na Geórgia e trabalhava como treinadora de futebol.

    “Vou postar hoje.
    O que escrevo na descrição e valor?”,
    pergunta a filha.
    “Rubber parts [peças de borracha]”,
    responde Lessa, uma semana mais tarde.

    Em 23 de outubro de 2018, Lessa dá orientações mais específicas no intuito de burlar qualquer possível fiscalização:
    “Não coloca o fone, não.
    Bota tudo sem nota e embalagem escreve plastic block [placas plásticas]”, diz, completando:
    “Coloca como valor o preço da taxa de correio”.

    Na casa de Lessa, foram encontrados 117 fuzis incompletos.
    O arsenal, segundo a delegacia, era todo falsificado e seria vendido a criminosos.

    Lessa, de acordo com as investigações, estudava formas de fabricação de carregadores e digramas de cano para fuzil calibre 5,56., justamente as peças que faltavam nesses fuzis.

    O relatório da Desarme destaca ainda as pesquisas realizadas por Ronnie Lessa na internet com a finalidade de adaptar acessórios para melhorar armas — entre elas, a metralhadora MP5.

    O policial militar havia pesquisado um filtro de combustível da marca Napa para ser adaptado ao armamento. De acordo com a DH, uma MP5 foi usada para matar Marielle.

    [Reportagem: Leslie Leitão e Henrique Coelho | G1]

    https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2020/07/13/ronnie-lessa-preso-pela-morte-de-marielle-franco-e-indiciado-por-trafico-internacional-de-armas.ghtml

    https://s2.glbimg.com/z_fpKZw6sTC9lcaUFjoMSlytQVs=/0x0:1600×2580/1000×0/smart/filters:strip_icc()/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2020/A/m/0mntJbQnqs35guJi7A4g/04bens-ronnie-lessa.png


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