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JN: Roberto Dias, o homem do dossiê, pagou 1.800% a mais em contrato
Roberto Ferreira Dias, ex-diretor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde. Foto: Anderson Riedel/PR
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JN: Roberto Dias, o homem do dossiê, pagou 1.800% a mais em contrato


10/07/2021 - 08h26

Da Redação

A CPI da Pandemia vai investigar a VTCLOG, empresa que recebeu 1.800% a mais do que recomendado por técnicos do Ministério da Saúde em contrato, por decisão do ex-sargento da Aeronáutica Roberto Dias.

A diretora da empresa, Andrea Lima, foi convocada a depor.

Dias, ex-diretor de Logística do Ministério, foi demitido do cargo.

Porém, quando surgiu a notícia de que ele teria preparado um dossiê contra militares graúdos do governo Bolsonaro, senadores governistas passaram a defendê-lo.

Em seu depoimento, no qual terminou preso, Dias deixou claro que enfrentava o coronel Elcio Franco nos bastidores do Ministério.

Franco, que também foi afastado, era o braço direito do ministro general Eduardo Pazuello.

Depois de nota de militares encabeçada pelo ministro da Defesa, Braga Netto, repudiando o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), o comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro do ar Carlos de Almeida Baptista Junior, deu entrevista mencionando especificamente o coronel Elcio e o general Pazuello.

Foi um claro recado de que os militares não aceitariam a punição de ambos.

Demitido do cargo de ministro, Pazuello foi colocado em outro posto do governo pelo presidente Bolsonaro.

Segundo a revista Crusoé, o senador Aziz, presidente da CPI, determinou a prisão de Roberto Dias depois de saber que ele teria “se acertado” com o governo e desistido de fornecer uma cópia do dossiê à CPI.

A disputa de bastidores entre dois grupos no Ministério da Saúde aparentemente coloca em confronto o Centrão e militares. Nos dois casos, teria havido tentativa de colocar intermediários para a compra de vacinas contra a covid.

Roberto Dias teria pedido U$ 1 por dose de propina; já na compra da Covaxin, na qual o presidente Bolsonaro se empenhou, U$ 45 milhões seriam pagos em adiantamento a empresa que não constava do contrato, em paraíso fiscal.

Como a empresa não teria obrigação contratual de entregar todas as doses — por conta de emenda do líder do governo na Câmara, Roberto Barros, a MP de Bolsonaro — o adiantamento no paraíso fiscal poderia “voar” à vontade, através de contas protegidas por sigilo, em direção a terceiros.

O pano de fundo para a suposta briga por propina no interior do Ministério é a morte de brasileiros: o país atingiu ontem 531.688 óbitos por conta da covid, de acordo com o Conselho Nacional de Secretários de Saúde.





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