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Homem-bomba: “Dinheiro não faltava” para operador tucano
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Homem-bomba: “Dinheiro não faltava” para operador tucano


30/09/2013 - 20h19

“Não se abandona um líder ferido na estrada”

domingo, 29 de setembro de 2013

Homem-bomba do propinoduto tucano

Por Altamiro Borges, em seu blog

A revista IstoÉ desta semana traz novas e bombásticas revelações sobre Jorge Fagali Neto, o “homem-bomba” do propinoduto tucano. Ele já foi indiciado pela Polícia Federal como responsável por intermediar o pagamento de propinas da multinacional francesa Alstom às integrantes do PSDB de São Paulo.

A reportagem agora teve acesso ao depoimento e a uma série de e-mails entregues ao Ministério Público, em junho de 2011, pela secretária de Fagali, Edna da Silva Flores. A documentação escancara o esquema de corrupção. Vale conferir a reportagem, assinada pelos repórteres Alan Rodrigues, Pedro Marcondes de Moura e Sérgio Pardellas:

*****

Trem pagador

Uma disputa travada na Justiça do Trabalho revelou como opera um dos principais agentes do propinoduto montado por empresas da área de transporte sobre trilhos em São Paulo para drenar dinheiro público dos cofres da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e do Metrô paulista.

Trata-se do consultor Jorge Fagali Neto, indiciado pela Polícia Federal sob a acusação de receber e intermediar o pagamento de propinas da multinacional francesa Alstom a autoridades do PSDB paulista.

IstoÉ teve acesso ao depoimento e a uma série de e-mails comprometedores entregues ao Ministério Público, em junho de 2010, por sua ex-secretária Edna da Silva Flores.

A documentação deixa clara a proximidade de Fagali Neto com agentes públicos e o seu interesse em contratos do Metrô paulista e da CPTM. Nas mensagens, o consultor revela, por exemplo, preocupações com a obtenção de empréstimos e financiamentos junto ao Banco Mundial (Bird), BNDES e JBIC que viabilizem investimentos nas linhas 2 e 4 do Metrô paulista.

O material entregue por Edna ao Ministério Público demonstra pela primeira vez a ligação direta de Fagali Neto com os irmãos Teixeira, Arthur e Sérgio, apontados como lobistas do esquema Siemens e responsáveis por pagar propina a políticos por intermédio de offshores no Uruguai, conforme revelou reportagem de IstoÉ em julho.

Em um trecho de seu depoimento ao MP, Edna diz que os três mantinham “relacionamentos empresariais” e “atuavam antes da assinatura de contratos” com o governo de São Paulo.

Copiados por Fagali em uma série de e-mails envolvendo contratos com as estatais paulistas de transporte sobre trilhos, os irmãos Teixeira também têm seus nomes citados na agenda pessoal de Fagali Neto.

Em uma das páginas da agenda, está registrado um encontro com Sérgio Teixeira, hoje falecido, às 11 horas na Alameda Santos, no Jardim Paulista, região nobre de São Paulo. Em outra, constam o telefone, o e-mail e o nome da secretária de Arthur Teixeira.

A ex-funcionária narra também os cuidados do antigo chefe com eventuais investigações. No período de 2006 a 2009, em que trabalhou para Jorge Fagali Neto organizando o seu escritório, ele a mandava se ausentar do seu gabinete quando precisava se reunir com clientes.

Também a pedido de Fagali Neto, ela comprou quatro celulares para que os aparelhos fossem usados por ele apenas para tratar de negócios. O consultor acreditava que assim dificultaria interceptações policiais.

A espécie de “faz tudo” da empresa era proibida até de mencionar ao telefone os nomes de representantes de companhias às quais Fagali prestava consultoria. Ela ainda recebeu orientação para se referir a personagens do círculo de negócios do consultor por apelidos.

José Geraldo Villas Boas – também indiciado pela PF por ter participado do esquema de corrupção – era chamado de “Geólogo”. O temor do consultor em não deixar rastros era tão grande que ele fazia questão de pagar tudo em espécie. “Ele sempre mantinha algumas quantias em local desconhecido em sua casa”, disse.

A ex-secretária afirma no depoimento que ele costumava emitir, por meio da empresa BJG Consultoria e Planejamento Ltda., notas de R$ 260 mil e R$ 180 mil, mesmo tendo apenas ela como funcionária.

Pelo jeito, dinheiro não faltava para o operador do esquema do propinoduto tucano. Em 2009, o ex-secretário de Transportes Metropolitanos de São Paulo (1994) e ex-diretor dos Correios (1997) na gestão Fernando Henrique Cardoso teve uma conta atribuída a ele com mais de R$ 10 milhões bloqueada por procuradores suíços.

Procurado, o advogado de Fagali Neto, Belisário dos Santos Jr., diz que os e-mails foram obtidos pela ex-funcionária por meio de fraude junto ao provedor. Ele, no entanto, não quis se pronunciar sobre o teor das mensagens.

Apesar das tentativas de Fagali de manter a discrição, segundo sua ex-secretária, o elo do homem da propina no escândalo do Metrô com agentes públicos ligados ao PSDB é irrefutável.

Em 2006, Fagali trocou mensagens e recebeu planilhas por e-mail de Pedro Benvenuto, então coordenador de gestão e planejamento da Secretaria de Transportes Metropolitanos, órgão responsável pelas estatais.

Entre o material compartilhado, como revelou o jornal Folha de S.Paulo na última semana, estavam as discussões sobre o Programa Integrado de Transportes Urbanos do governo até 2012, que ainda não estava definido. Até a quarta-feira 25, Pedro Benvenuto ocupava o cargo de secretário-executivo do Conselho Gestor do Programa de PPPs (Parcerias Público-Privadas) do governo de São Paulo, quando pediu demissão na esteira das denúncias.

*****

A cada dia que passa, o escândalo do propinoduto tucano vai tomando dimensões ainda mais assustadoras. Apesar disto, a maior parte da mídia evita dar o destaque que o assunto merece, comprovando a sua seletividade na escandalização da política.

A revista Veja, a mais descarada, nem trata do tema. Suas capas semanais sensacionalistas até agora não abordaram a grave denúncia. Já as emissoras de tevê, em especial a TV Globo, voltaram a ofuscar o tema. O processo de investigação, porém, parece irreversível, o que forçará uma mudança de postura da velha mídia.

Na semana passada, a Justiça de São Paulo determinou o bloqueio de uma conta na Suíça atribuída a Jorge Fagali Neto por ter encontrado vários indícios de que ela recebeu recursos ilegais da Alstom.

A decisão foi tomada pela juíza Maria Gabriela Spaolonzi, da 13ª Vara de Fazenda Pública, com base nas denúncias encaminhadas pelos promotores Silvio Marques, Saad Mazloum e Mario Sarrubbo.

De acordo com as investigações, a conta atribuída a Fagali Neto foi aberta no Banque Safdié de Genebra e recebeu quase R$ 20 milhões.

Segundo o Ministério Público da Suíça, o dinheiro depositado na conta de Fagali Neto saiu da Alstom e passou por pelo menos três outras contas até chegar ao Banque Safdié.

O trânsito tortuoso do dinheiro foi a forma encontrada pelo “homem-bomba” do propinoduto tucano para tentar despistar a sua origem, garantem os promotores brasileiros. A concessão de liminar pela 13ª Vara de Fazenda Pública visa evitar que a Justiça da Suíça suspenda o bloqueio das contas. Ela serve também para preparar o terreno jurídico para um eventual repatriamento de recursos.

PS do Viomundo: As investigações sobre Fagali e a quebra do sigilo fiscal do grão tucano Andrea Matarazzo certamente terão repercussões na campanha eleitoral de 2014. A questão é saber se afetam apenas a ala paulista dos tucanos.

Leia também:

A quebra do sigilo fiscal do grão tucano Andrea Matarazzo





37 comentários

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luith santos -Goethe-Br.

21 de dezembro de 2013 às 11h06

…fineza informar que destino teve o comentário que ainda a pouco fiz…-Goethe-Br.

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Taiguara

02 de outubro de 2013 às 15h09

O SOLIDARIEDADE que vai planar nas asas dos demofrênicos tucanopatas, apesar das graves denúncias de fraude nas assinaturas, recebeu sinal verde do TSE. Já o REDE da Marina, que recebeu mais de 20 milhões de votos nas últimas eleições presidenciais, e que ameaçava CONCRETAMENTE deixar o Aócio á beira do caminho ( ou melhor, da ‘CARREIRA”), vai receber bandeira preta. O Aócio (DEPENDENTE CÍNICO DAS DROGAS DA DISSIMULAÇÃO E DO ENGODO) é assim: para o público externo diz que apóia a Marina. No escurinho “azeita” sua correligionária enrustida, a Carmem Lúcia. B A N D I D O ! ! Agora, a bordo de um populismo abjeto e rateiro, promove e incentiva um Atlético e Cruzeiro nas urnas do qual será o único beneficiário. E o povo, ingênuo e dócil, embarcará nessa estratégia oportunista desse VIGARISTA. Imaginem se um candidato do PT apelasse para a torcida do Flamengo ou do Corinthians? Esse elemento, o Aócio, é muito sujo. Enquanto isso o CAIXA DOIS DA FIEMG……….. E a campanha ilegal, extemporânea e em tempo integral continua sem nenhum questionamento. Ô Janot, você já assumiu?

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Alemao

02 de outubro de 2013 às 06h18

As marionetes não se conformam que não haja “neoliberais reacionários de direita” defendendo o PSDB. Simples, opinião se dá quando se está melhor informado sobre o caso, e ao contrário das vestais aqui, eu pelo menos não defendo ninguém condenado pela justiça. É um tal de querer nivelar por baixo aqui que dá vergonha alheia. Quero ver um artigo da Veja tentando defender o Demóstenes Torres DEPOIS que pegaram ele prevaricando. Se o Dirceu tiver a barra aliviada pela nova composição do STF, ainda continuará um condenado por 8×2 por corrupção ativa, pertencendo ao lixo! Mas quê? No PSDB tb tem corrupto, então ele deve ser inocentado…vão pastar!

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    Bonifa

    02 de outubro de 2013 às 13h22

    Se um mafioso estiver com a polícia atrás dele, está morto, nem precisa ser preso. Os outros mafiosos darão cabo dele. A dúvida, no caso a sua, não se há ou não crime. É se a justiça estará disposta a seguir rumo firme e ao fim se será ou não será feita. Se parar no meio do caminho, é sinal verde para que os mafiosos defendam os acusados de todas as maneiras que puderem.

Bacellar

01 de outubro de 2013 às 20h52

Impressiona a precaução evidenciada nas diretrizes passadas a secretaria pelo tal Fagalli, verdadeiro profissional da picaretagem…

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Carlos Lopes

01 de outubro de 2013 às 20h44

Não foi pedida a quebra do sigilo fiscal de Andrea Matarazzo, como diz no final da postagem.

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Gerson Carneiro

01 de outubro de 2013 às 20h43

E o Rodrigo Leme, tá em férias?

Depois que o Propinoduto Tucano apareceu o Rodrigo Leme sumiu do Viomundo.

Gostaria de conhecer a tese dele pra explicar o Propinoduto Tucano.

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Roberto Locatelli

01 de outubro de 2013 às 20h04

Serra ficará no PSDB e diz que sua prioridade é derrotar o PT.

https://pbs.twimg.com/media/BVhtQnFCcAArpLy.png

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Hell Back

01 de outubro de 2013 às 15h44

Agora vem a parte difícil, a da execução da justiça.

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Paulo Brasil

01 de outubro de 2013 às 15h38

Tucanos e pig formam uma máfia que aos poucos, espero, estar sendo desmantelada.

Só há um motivo que possa justificar o por que do pig blindar essa quadrilha da casa-grande. O pig faz parte dela.

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Cristiane Carvalho

01 de outubro de 2013 às 15h37

Pra mim, que uso a CPTM e o Metrô todos os dias, em condições humilhantes e desumanas, é mais que revoltante uma coisa dessas. Sinto muito por todos os que sofrem comigo neste transporte precário enquanto criminosos enchem o bolso com o dinheiro que deveria estar a serviço do nosso conforto.

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Lindivaldo

01 de outubro de 2013 às 11h47

O Brasil, mais uma vez, é um exemplo para o mundo!
Desta feita, no combate à fome!
A ONU estipulou, por meta, que cada País, até o ano de 2015, deva reduzir em 50% a quantidade de famintos em relação à população total.
O Brasil, já em 2013, reduziu em 54%, cumprindo antecipadamente a meta e já com uma das maiores reduções alcançadas até agora.
O período considerado é de 1992 a 2013, porém acredito que, com a divulgação dos detalhamentos da pesquisa, comprovar-se-á a importância que tiveram os programas “fome zero”, “bolsa família” e o “combate à pobreza” nesta conquista.
A ver.
Veja a reportagem no jornaleco:

http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,fao-diz-que-brasil-ja-atingiu-as-metas-do-milenio-em-termos-de-combate-a-fome,1080736,0.htm

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Mardones

01 de outubro de 2013 às 11h43

Os tucanos com dois escândalos de grande vulto e o PIG querendo a cabeça dos petistas no mentirão. k k k k k k

Por mais que existam erros por parte de petistas, é difícil chegar perto aos desvios dos tucanos.

Só mesmo a blindagem do PIG – financiado pela SECOM – para permitir que gente como Aético Neves abra a boca para dizer que o PT tem como marca a impunidade.

Quais seriam as marcas deixadas pelo tucano? k k k k

Trilho de trem não vale como resposta.

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    renato

    01 de outubro de 2013 às 15h04

    Fez-me rir de verdade Mardones.
    Estes caras não tem acordo…

José Ademar

01 de outubro de 2013 às 11h38

De certo modo foi uma maravilha(?)MC Aécio ter sido Governador de Minas Gerais,porque não hora em que esse sujeito começar a criticar o Governo Federal será fácil desmascará-lo e mostrar facilmente que tudo que ele diz ele não faz em Minas Gerais,por exemplo: meritocracia,cargos dados a aliados,apoios de partidos nanicos,falta de dinheiro para a saúde,educação,segurança,corrupção,infra estrutura,fora o mau sucedido governo que quebrou o Brasil Brasileiro 2 vezes entre 98 e 2002,etc,etc,etc.

Esse camarada é de uma fragilidade enorme e vai provar,sem dúvida,ser o pior candidato da Direita Conservadora e dos sabem com quem tá falando dos últimos 25 anos.

Esperamos que em 2014 o nosso Governo não seja tão acomodado na campanha igual foi em 2010 quando for atacado.

Realmente tá difícil eleger o mais medíocre entre Marina(a heroína que ficou em terceiro no Acre) e Aécio.

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Morais

01 de outubro de 2013 às 11h25

Fiquei surpreso ao ver hoje no bom dia Brasil da Globo que falou sobre esta quebra de sigilo e até mencionou o nome do PSDB, pois normalmente ela só cita partido se for o PT.
A cada tá caindo para os tucanos e o Aécio está desesperado com estes processos tucanos.

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Edson Silva

01 de outubro de 2013 às 10h29

Será que a Teoria do Domínio do Fato, neste caso, vai pegar Serra e Alckmin?

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emerson57

01 de outubro de 2013 às 09h16

a “treta” foi enviada através de e-mails entregues ao Ministério Público, em junho de 2011 (ou 2010 ?),
e o MP? nada? faz “de conta” que se não deu na globobo não “existe”?
pergunto:
algum dos leitores do blog já recebeu a matéria acima, cheia de cores vermelhas e azuis, enviada por um dileto amigo “coxinha”,
com a recomendação:
repassem sem dó. esse e mail deve rodar o brasil! se cada um “coxinha” repassar para mil amigos, em 45 segundos o “brazil” inteiro ficará sabendo!

Responder

Julio Silveira

01 de outubro de 2013 às 08h06

Com certeza a mídia corporativa vai fazer de tudo para desmerecer a investigação. Pelo que já deram a perceber vão dar mais espaço a versão dos advogados dos acusados do que a dos defensores da cidadania.
Essa turma se protege. E a proposito, são muitos interesses que pairam acima da construção desses métodos, neste caso para beneficiar a Alston, é a expertise que criam que podem beneficiar outros insuspeitos de outros grupos em outras atividades.
E assim vão a maioria dos brasileiros pagando impostos e com eles formando ricos na ilicitude que enganam como cidadãos de bem, inclusive com leis lhes que lhes são totalmente favoráveis tornando-as na relação com a marginalidade assumida, muitas vezes vitimas dessas circunstâncias conjunturais, totalmente discriminatórias.

Responder

Jose Mario HRP

01 de outubro de 2013 às 07h31

Filme tucano?
“Assalto ao Trem Bom pagador!”

Responder

Jose Mario HRP

01 de outubro de 2013 às 07h30 Responder

JOSE ANTONIO BATATA

01 de outubro de 2013 às 07h21

A Grande Imprensa está tentando blindar o PSDB. parabéns ISTOÉ pelo belo trabalho.

Responder

ANTONIO KLEBER MATHIAS NETTO

01 de outubro de 2013 às 00h27

Trenzinho Caipira

Heitor Villa Lobos

Lá vai o trem com o menino
Lá vai a vida a rodar
Lá vai ciranda e destino
Cidade e noite a girar
Lá vai o trem sem destino
Pro dia novo encontrar
Correndo vai pela terra
Vai pela serra
Vai pelo mar
Cantando pela serra do luar
Correndo entre as estrelas a voar
No ar no ar no ar no ar no ar
Lá vai o trem com o menino
Lá vai a vida a rodar
Lá vai ciranda e destino
Cidade e noite a girar
Lá vai o trem sem destino
Pro dia novo encontrar
Correndo vai pela terra
Vai pela serra
Vai pelo mar
Cantando pela serra do luar
Correndo entre as estrelas a voar
No ar no ar no ar

Responder

anderson

01 de outubro de 2013 às 00h26

O mensalão do PSDB-MG é lindo
Num país onde os três poderes devem conviver em harmonia, gostaríamos que o STF fosse dotado de forças especiais?
Por Paulo Moreira Leite

O mensalão do PSDB-MG é mesmo um caso especial. Criado em 1998 para ajudar a campanha de Eduardo Azeredo ao governo de Minas, até hoje o julgamento não ocorreu.

A primeira e única condenação acaba de sair. Atingiu um banqueiro do Rural, condenado a 9 anos. Mas a lei lhe confere o direito de pedir recurso, o que quer dizer que tem 50% de chances matemáticas de provar sua inocência em segunda instância. Ninguém ficou indignado com isso, nem achou que seria uma ameaça às instituições ou um estímulo a criminalidade.

Tudo em paz, ao contrário do que ocorreu com os petistas, que não têm direito a apresentar um recurso pleno, equivalente a um segundo julgamento. Mesmo assim, fez-se um escândalo contra os embargos infringentes.

Leio hoje um artigo que classifica a decisão sobre os embargos como um “segundo roubo.” Um historiador diz nos jornais, hoje, que os embargos infringentes ameaçam transformar o STF numa instituição igual ao Legislativo e ao Executivo.

A pergunta é saber se, num país onde os três poderes devem conviver em harmonia, gostaríamos que o STF fosse dotado de forças especiais, um anacrônico Poder Moderador, no estilo de Pedro I durante no império, ou das Forças Armadas em tantas ditaduras, que se consideravam auto destinadas a resolver impasses políticos às costas do eleitorado.

Respeito o direito de todos a opinião, mas acho que estamos a caminho de formar uma escola de cinismo à brasileira.

Isso acontece quando se impõem tratamentos diferentes para situações iguais. Os dois lados sabem que estão diante de uma mentira, na qual fingem acreditar. Um lado, porque lhe convém. O outro, porque não tem força para assegurar que a falsidade seja desmascarada.

Os réus do mensalão PSDB-MG tiveram direito ao desmembramento, que não foi oferecido aos petistas. Só isso seria suficiente para definir um abismo – mas não é só. Sua apuração é tão vagarosa que acaba de ser anunciado, oficialmente, que o caso deve ser julgado em 2015. Então fica combinado: um crime quatro anos mais velho será julgado três anos mais tarde.

Enquanto os réus do STF já poderão estar atrás das grades, como querem nossos indignados de plantão, os mineiros estarão ouvindo depoimento, fazendo sua defesa – e ganhando tempo para prescrições.

Ninguém conhece muitos detalhes do mensalão PSDB-MG por um bom punhado de razões. Uma boa apuração levaria a nomes e pessoas que ninguém tem interesse de colocar sob os holofotes. Quem? Homens de confiança do PSDB instalados no Banco do Brasil. Quem mais? Figurões do PSDB em atividade política, tanto os responsáveis por nomeações no Banco do Brasil como os beneficiários do dinheiro recebido.

Lucas Figueiredo diz, no livro O Operador, que a conta do mensalão PSDB-MG foi de R$ 40 milhões.

Pergunto: além de Eduardo Azeredo, derrotado em 1998, quem mais foi ouvido a respeito, como aconteceu com Lula?

A fábula do mensalão petista diz que o dinheiro para “comprar deputados” saiu da empresa Visanet e, de lá, foi desviado para Delúbio Soares e Marcos Valério. É assim que se procura provar a tese – falsa, na minha opinião – de que houve desvio de dinheiro público.

Como é inevitável numa fábula, havia um vilão necessário no centro desta operação, Henrique Pizzolato, petista histórico, diretor do Banco do Brasil. Ele foi condenado como responsável pelos pagamentos. Mas essa visão só pode ser sustentada quando se deixa o mensalão PSDB-MG de lado.

Pizzolato nunca foi o principal responsável pelos pagamentos as agências de Valério. Sequer tomou, solitariamente, qualquer decisão que poderia beneficiar a DNA. Nem estava autorizado a isso. Uma auditoria interna demonstrou que outro diretor, chamado Leo Batista, sem qualquer ligação com o PT, é que tinha a responsabilidade legal de fazer os pagamentos. Se era o caso de acusar alguém sozinho, teria de ser ele. Se era para acusar meia dúzia, deveria estar no meio. Nem era preciso invocar a teoria do domínio do fato. Seu nome está lá, nos papéis oficiais, com atribuições e assinaturas correspondentes. Mas não se fez uma coisa nem outra.

O problema é que Leo Batista e os colegas de diretoria eram, todos, remanescentes do governo anterior, de Fernando Henrique Cardoso, quando o PSDB nomeava cargos de confiança no Banco do Brasil. Esse fato foi descoberto por uma auditoria feita pelo banco, logo depois que o escândalo estourou.

Os diretores foram ouvidos e investigados. Mas, curiosamente, o inquérito que apura suas responsabilidades foi mantido em segredo. Sequer foi levado em tempo hábil ao conhecimento dos advogados de Pizzolato, embora pudesse ter sido útil para sua defesa. O próprio Pizzolato só tomou conhecimento da existência do inquérito secreto quando o julgamento estava em curso, em condições extremamente desfavoráveis.

Claro que você tem todo direito de perguntar o que esses diretores faziam por ali, naqueles anos todos. Abasteciam as agências de Marcos Valério com recursos do Visanet para ajudar a pagar as contas da campanha de 1998 do PSDB. Está lá, na CPMI dos Correios, para quem o esquema tucano levantou R$ 200 milhões.

Imagine, então, o que teria acontecido se todos os réus, acusados do mesmo crime, tivessem sido julgados no mesmo tribunal, com base numa mesma denúncia. O STF seria obrigado a condenar petistas e tucanos pela mesma melodia, decisão que teria coerência com os fatos e provas reconhecidas pelos ministros – mas teria o inconveniente de esvaziar qualquer esforço para criminalizar o PT e o governo Lula.

Em vez de fazer piadinhas e comentários altamente politizados sobre o “maior escândalo de corrupção da história”, nossos ministros teriam de dizer a mesma coisa sobre os tucanos.

Imagine se Marcos Valério resolvesse colaborar e tentar uma delação premiada para alcançar o PSDB? Quais histórias poderia contar após tantos anos de convívio? Quais casos poderia relatar?

Do ponto de vista da investigação policial, o mensalão mineiro seria pura delícia. É que coube ao candidato vitorioso na campanha mineira de 1998, Itamar Franco, receber boa parte dos pagamentos devidos a DNA. Itamar morreu sem falar publicamente sobre o assunto. Mas seu governo nada tinha a ver com o esquema. Eu já ouvi de um secretario de Itamar um relato consistente sobre tentativas de convencer Itamar, rompido com o PSDB, a honrar compromissos deixados pelos tucanos. Imagine se ele fosse ouvido. Seria um depoimento melhor que o de Roberto Jefferson, podem acreditar.

Mas vamos seguindo a história para chegar ao final. Com início diferente e tratamento diferente, o mensalão PSDB-MG irá terminar, certamente, com outro final. As penas duríssimas da ação penal 470 dificilmente irão se repetir. Varias razões contribuem para isso. Se hoje um número crescente de advogados de primeira linha já questiona as condenações, imagine o que irá ocorrer com o passar do tempo. O saldo político dos embargos infringentes não é favorável a novos linchamentos exemplares.

Quem conhece as relações entre os meios de comunicação de Minas Gerais e o governo de Estado, butim da campanha de 1998, sabe que não se pode esperar nada igual ao que se viu durante o julgamento da ação penal 470.

No julgamento dos petistas, os meios de comunicação assumiram a dianteira da denúncia e colocaram o STF atrás. Preste atenção: em certa medida, não foi o Supremo que assumiu o protagonismo neste episódio. Isso é o que dizem os jornais e a TV. Na verdade, foram eles, os meios de comunicação, que assumiram um papel central em todo o processo, levando o STF atrás de si.

Os jornalistas nunca tiveram dúvida sobre a culpa dos réus e, do ponto de vista legal, nem seriam obrigados a tê-las, já que não são juízes. Com base no veredicto de seus “repórteres investigativos” jornais e revistas cobraram punições exemplares. Quando ficou claro que não havia provas objetivas, deram sustentação a teoria do domínio do fato. Empurrou o tribunal no caminho de condenações pesadas sob ameaça de acusar todo mundo de fazer pizza. O STF veio atrás, como o presidente Ayres Britto deixou claro ao prefaciar o livro de um jornalista que simbolizou essa postura duríssima dos meios de comunicação.

É curioso notar que apenas no julgamento dos embargos infringentes a Corte demonstrou uma postura diversa daquela assumida pelos meios de comunicação. Em mais de 60 sessões, foi a primeira decisão divergente. Tanto a pancadaria a que foi submetido Celso de Mello, como o esforço de outros ministros para dizer que não se fez nada demais são duas faces de uma mesma moeda. É um aperitivo para o que deve ocorrer caso os embargos possam beneficiar os réus.

Imagine se teremos a mesma indignação no mensalão PSDB-MG.

Meus leitores sabem que estou convencido de que as principais denúncias do mensalão não foram provadas nem demonstradas. Advogados de cultura jurídica muito maior, como Celso Antônio Bandeira de Mello, Ives Gandra Martins, para citar pólos ideologicamente opostos do Direito brasileiro, pensam da mesma forma.

Tenho a mesma visão sobre o mensalão PSDB-MG. Temos verbas de campanhas, que se constituem crime de caixa 2, mas condenações menores.

Eu acredito que o interesse político em criminalizar Lula e o PT permitiram uma condenação sem provas. Mas será possível fazer a mesma coisa quando esse interesse político não existir?

É claro que não. E é por isso que o mensalão PSDB-MG deve ficar para longe, bem longe.

Responder

    renato

    01 de outubro de 2013 às 15h09

    Além de ser lindo é de fácil compreensão!
    O Povão pega assim num estalar de dedos!!
    Já o Mentirão é tão complexo que nem os Juízes
    do STF, entrarão em acordo.
    PROpina…dá cadeia facil, fácil, não precisa nem
    de supremo, já que o Serra não tem foro privilegiado.
    E é só ele que nós quer…EH EH !
    O CHUCHU, a gente aguarda…!

jaime silva

30 de setembro de 2013 às 22h51

É caro Azenha, se depender do PIG não vai haver repercussão alguma. Onze tucanos (incluindo o playboy e poderoso Andrea) estão envolvidos num pedido de quebra de sigilo fiscal e bancário, mas o nome de nenhum deles apareceu até agora no Estadão, UOL, G1, Veja.com, Jornal da Band, SPTV etc etc etc. Infelizmente, temos uma mídia cada vez mais canalha e parcial. Que vergonha!

Responder

Jorge Portugal

30 de setembro de 2013 às 22h49

O trem da Alstom

Quais, quais, quais, quais, quais, quais,
faz dim dim zum zum
faz dim dim zum zum
faz dim dim zum zum
Não posso ficar
Nem mais um minuto sem dim dim
Sinto muito alstom
Mas não pode ser
Moro no Morumbi
Se eu perder esse trem
Que vai agora prá Suiça
Só ano que vem
E além disso Mama
Tem outra coisa
Meu bolso não dorme
Enquanto o dim dim não chegar
Sou filho único
Tenho um estado pra garfar
Quais quias quais
Quaisca faz dim dim zum zum
faz dim dim zum zum
faz dim dim zum zum

Responder

    renato

    01 de outubro de 2013 às 15h12

    Muito Bom!!!
    Este é o Trem da Alegria do PT.
    Este nóis qué pega, para i cantando esta modinha.
    PT feliz é um PT que tudo diz.

Gil

30 de setembro de 2013 às 22h34

Lembrei de alguns filmes sobre trem, e qual seria o TREM DO PSDB
Seria o trem do PSDB um “Expresso para o Inferno”: dois criminosos fogem da cadeia no Alasca e embarcam num trem de carga, mas o condutor morreu.
Ou seria “Incontrolável”: baseado em fatos reais, conta o incidente envolvendo um trem descontrolado, na iminência a causar um acidente de enormes proporções (2014???)
Temos o nacional “O Assalto ao Trem Pagador”, tudo a ver
E o “Sequestro do Metro 123”

Responder

Gregório de matttos

30 de setembro de 2013 às 22h32

Adoraria estar no principado de liechtenstein, apreciando as paisagens e seus turistas nervosos

Responder

Luís Carlos

30 de setembro de 2013 às 22h14

E aí Faustão? A chapa tucana tá quente?

Responder

Marat

30 de setembro de 2013 às 21h33

Lógico que haverá repercussão, porém apenas nos partidos adversários. Na coligação Unidos Pela Mentira PSDB-PFL-PPS-PIG, o silencio reinará, assim como todas as tentativas de CPI em SP foram silenciadas.
Lembro-lhes que ainda há um número razoável de pessoas sem estudo, que só conversam com os taxistas de SP, com os dons de bancas de jornais de bairros reacionários, que só leem o que os patrões mandam (em especial a porca veja multiuso – da direita). Essa massa de manobra ainda é um pouco grande, e ela precisa ser mais bem informada. Por isso é que é importante criar-se um jornal nos moldes do Destak, porém de esquerda, para que eles possam ler informação de qualidade e confrontar com o PIG!

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Arthur

30 de setembro de 2013 às 21h25

O trensalão tucano já atingindo a velocidade de trem-bala … de sujeira !

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Marcilio Serrano

30 de setembro de 2013 às 21h03

Engraçado não tem comentários do Rodrigo Leme???

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    Hell Back

    01 de outubro de 2013 às 15h52

    Vai ver o computador do Rodrigo Leme foi atacado pelo vírus do propinoduto do PSDB. rs

jõao

30 de setembro de 2013 às 20h35

Trem das Onze
Demônios da Garoa

Quais, quais, quais, quais, quais, quais,
Quaiscalingudum
Quaiscalingudum
Quaiscalingudum

Não posso ficar
Nem mais um minuto com você
Sinto muito amor
Mas não pode ser
Moro em Jaçanã
Se eu perder esse trem
Que sai agora às onze horas
Só amanhã de manhã

E além disso mulher
Tem outra coisa
Minha mãe não dorme
Enquanto eu não chegar

Sou filho único
Tenho minha casa pra olhar

Bam zam zam zam zam zam
Quaiscalingudum
Quaiscalingudum
Quaiscalingudum

Quaisgudum, tchau!

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Homem forte de Serra e Kassab tem o sigilo fiscal quebrado - Viomundo - O que você não vê na mídia

30 de setembro de 2013 às 20h25

[…] IstoÉ: “Dinheiro não faltava” para operador de esquema tucano […]

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