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Diário da Resistência


Gustavo Gindre: Só a Globo sobrevive a médio prazo
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Gustavo Gindre: Só a Globo sobrevive a médio prazo


20/08/2013 - 22h50

Charge de Vitor Teixeira sobre o próximo 7 de setembro, enviada via Facebook, originalmente não acompanhou o texto

Analisando o ranking dos maiores grupos de comunicação do Brasil

 por Gustavo Gindre, em seu blog

1) A OI, “super tele” que o governo Lula ajudou a criar quando alterou a regulamentação e permitiu que a Telemar comprasse a Brasil Telecom, tem um endividamento oneroso cerca de 50% maior do que a soma dos endividamentos de todas as suas principais concorrentes (Telefonica, Embratel, TIM, Claro, NET, GVT e Algar). É difícil imaginar como essa empresa conseguirá lidar com uma dívida tão grande, com as enormes demandas de investimentos do mercado de telecomunicações e com a sanha por dividendos demonstrada por seus controladores (e que levou à demissão de seu ex-presidente, Francisco Valim).

2) A receita líquida da Globo (mesmo sem incluir os jornais e as rádios do grupo) é mais de seis vezes superior à receita líquida da Abril S.A., o segundo maior grupo de mídia do Brasil. Se forem acrescentadas a receita líquida do SBT, do grupo OESP e da RBS, mesmo assim a soma não alcança um terço da receita líquida da Globo.

3) O mesmo fenômeno se repete no lucro líquido da Globo. Se somarmos Abril, SBT, OESP e RBS, o lucro líquido da Globo é cerca de 11 vezes maior.

4) Só os jornais da família Marinho (Infoglobo) já são hoje o terceiro maior grupo de mídia do país, atrás apenas da própria Globo e da Abril.

5) O endividamento oneroso da Globo é menor do que seu lucro líquido obtido apenas em 2012.

6) Já o endividamento oneroso da Abril S.A. é mais de dez vezes superior ao patrimônio líquido da empresa. Isso ajuda a explicar o tamanho da crise da Abril e porque os Civita começam a apostar mais em educação do que em mídia.

7) Embora seja o homem mais rico do mundo, Carlos Slim ainda sofre para conseguir lucros expressivos de suas empresas brasileiras (Embratel, Claro e NET). Principalmente a Claro segue sendo seu calcanhar de aquiles e mais uma vez a empresa fechou o ano com lucro líquido negativo.

8) Os grandes conglomerados mundiais de comunicação (Warner, Disney, Viacom, etc) não constam dessa relação porque suas empresas no Brasil (distribuidoras de cinema e programadoras de TV paga, por exemplo) são meros escritórios que repassam o lucro obtido no país para suas matrizes no estrangeiro.

8) Para quem tinha alguma dúvida, os balanços de 2012 são definitivos. A Globo é o único grupo de comunicação de capital brasileiro capaz de sobreviver no médio prazo. Todos os demais são minúsculos frente aos concorrentes estrangeiros e serão tragados ou terão que se contentar em ocupar nichos bem específicos. A ausência de políticas públicas gerou uma situação gravíssima para o futuro de nossa democracia.

Leia também:

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17 comentários

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Eduardo

21 de agosto de 2013 às 14h22

Parabéns ao Sistema Globo! Roubar galinhas todos sabem! Um império deste tamanho, dominando governos e mentes anos após anos, só mesmo com ajuda condicional de ditaduras longas e maléficas!

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Pedro Macambira

21 de agosto de 2013 às 13h27

“lucro líquido negativo”? É uma forma tucada de dizer prejuízo?

Responder

FrancoAtirador

21 de agosto de 2013 às 12h05

.
.
Ah, o BNDES e o ‘REFIS DA CRISE’.

O que não fazem para salvar os monopólios

e os empresários fraudadores da Economia.
.
.

Responder

roberto amorim

21 de agosto de 2013 às 09h45

É difícil compreender qual a ligação destes oligopólios da imprensa com a democracia. O que a Veja tem a ver com a democracia que necessite de “políticas públicas” para sua sobrevivência? Como afirma o próprio comentarista,se até a OI com favorecimento da legislação não vai conseguir sobreviver, qual a política pública que lhe seria favorável? É muito interessante isso: quando um empreendimento privado dá lucro, ele é todo do empresário que, inclusive, grita contra qualquer tipo de imposto. Se dá prejuízo, aí é preciso políticas públicas para salvar o seu empreendimento, isto é, o prejuízo – este sim – é necessário que seja dividido com a sociedade. Política pública, meu amigo, é regulamentar para acabar com esses oligopólios.

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    Vinícius

    21 de agosto de 2013 às 10h07

    Acho que ele quis dizer que piora a situação da democracia na medida que a concentração se intensifica, mas concordo com o que você colocou.
    O que eu gostaria de saber é como empresas como Claro e NET dão prejuízo, afinal atuam num setor de concorrência relativamente baixa.

Joselito

21 de agosto de 2013 às 09h13

É, mas se a receita e a polícia federal agir, cobrando os R$1,2bilhões, e utilizando da recente jurisprudência do domínio de fato, além de quebrar, enjaula alguns dos poderosos.

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demetrius

21 de agosto de 2013 às 08h51

E a gente aqui, sonhando que os R$615 milhões em impostos poderiam dar uma baqueada na globo. Não faz nem cócegas.

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R Godinho

21 de agosto de 2013 às 08h28

As proporções são mais ou menos as mesmas do mercado de quando a Globo surgiu e a Tupi / Diários Associados eram o grande monstro.
Faltou falar sobre o enorme passivo oculto da Globopar, controladora de todo o grupo. Se o fisco apertar só um pouqinho, só com recolhimentos de FGTS, Previdência e IR elididos via pejotização o grupo iria à lona. Imaginem pagando milhões a apresentadores e artistas diversos usando o expediente de contratá-los como se fossem pessoas jurídicas, quanto, a cada ano, deixou de ser recolhido? Só da dupla FGTS+INSS dá um mínimo de 36% sobre os salários dessas pessoas, e sua prescrição é vintenária…

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RicardãoCarioca

21 de agosto de 2013 às 07h31

“A ausência de políticas públicas gerou uma situação gravíssima para o futuro de nossa democracia”.

O que o articulista quer? Bolsa PiG???

Todo incompetente nesse país deveria, DEVERIA, receber ajuda do governo?

Ah! Qualé…

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    Matheus

    21 de agosto de 2013 às 11h41

    Diga-se de passagem, já existe Bolsa-PIG: chama-se propaganda oficial. E surgiu muitas décadas antes do Bolsa-Família…

    Gostaria muito de ver um governo realmente forte e corajoso cortar a verba da propaganda oficial e colocar a Receita Federal no encalço dos sonegadores da mídia. Nem a Rede Globo sobreviveria.

    Quem sabe o fim do Bolsa-PIG não serviria para abrir o mercado a uma mídia mais plural? O outro lado poderia ser o fim da perseguição às mídias comunitárias e o fim da asfixia da televisão pública.

Matheus

21 de agosto de 2013 às 00h46

Então são a Oi e a Abril que “garantem a democracia” no Brasil?
Só rindo. Esses caras são muito engraçados.

Responder

José Fernandes

20 de agosto de 2013 às 23h23

foram vitimas da própria ganancia e ao invés de investirem honestamente optaram por assinar contratos com governos corruptos do PSDB,no caso da abril.mamaram nas teta do PSDB.agora e tarde…no caso da globo, a hora dela chegará. o universo inteiro esta conspirando pra isso.

Responder

    Mauro Assis

    21 de agosto de 2013 às 09h39

    Amigão, onde vc esteve nos últimos 10 anos? Hibernando?

Gustavo Gindre

20 de agosto de 2013 às 23h21

Não foi isso que eu disse.
O que eu disse é que falta de políticas públicas permitiu que estivéssemos em um momento onde trafegamos de um oligopólio constituído por grupos nacionais para um oligopólio formado basicamente por grupos transnacionais. Se o exercício da democracia na mídia já era difícil com grupos cujo controle era nacional, tende a ficar ainda mais difícil com grupos transnacionais, de controle acionário difuso e pouco submetidos à legislação brasileira (ainda mais com a migração para a Internet e sua lógica transfronteira).
Em momento algum eu falei que nossa democracia depende dos antigos senhores da mídia nacional, como os Civita, os Frias e os Mesquita. Muito pelo contrário, aliás, estes senhores têm um histórico de desserviço à nossa democracia.
O texto, na verdade, busca ser um convite ao raciocínio complexo, diante de uma realidade cada vez mais complexa.

Responder

    José Livramento

    21 de agosto de 2013 às 00h11

    A Oi ta vendida já… primeiro foram parte dos ativos pro Santander, agora o resto mesmo saíra em algumas semanas.

    Jotage

    21 de agosto de 2013 às 11h00

    A solução me parece ser simples.
    É só estas companhias não pagarem imposto como a globo e está tudo resolvido. Está salva a democracia deles.
    Alguns calotes nos usuários está descartado, pois já estão dando e não resolveu.

    roberto amorim

    21 de agosto de 2013 às 15h31

    Nem o raciocínio é complexo, e a premissa é simples. De brasileiros, esses oligopólios nacionais só têm o endereço jurídico. Cresceram defendendo os interesses dos grupos financeiros internacionais e, agora mesmo, defendem a alta dos juros em defesa dos grandes rentistas. Foram ardorosos defensores da ditadura que infelicitou por tantos anos o Brasil. Agora, surge esse raciocínio elaborado de que meia dúzia de oligopólios são um “plus” para a nossa democracia. Pelo contrário, sem esses grupos a pauta dos problemas brasileiros será mais vasta, sem a interdição dos debates como fazem atualmente oligopólios. Que falta pode fazer à democracia o grito seletivo de uma moralidade “demostiana”? Que liberdade de imprensa é esta que só temos o direito de assistir o monólogo medíocre de um Merval Pereira? Que mídia instrutiva é esta que nos oferece novelas como ponto alto da educação televisa? Tomara que parte de suas previsões estejam certas: já vão tarde. E não esqueçam de levar junto a Globo, nem que seja um pouco depois. Era só o que faltava…


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