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Em universidade de Santa Catarina, aluno denuncia racismo por causa de cabelo black power
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Em universidade de Santa Catarina, aluno denuncia racismo por causa de cabelo black power


30/09/2017 - 05h25

Da Redação

Uma professora e um aluno do curso de design da Universidade Federal de Santa Catarina estão envolvidos numa disputa por conta do uso do cabelo dele, black power, como exemplo durante uma aula em que a classe debatia analogias e metáforas.

Parentes do estudante João Francisco concordaram com sua identificação e um deles definiu o episódio como “um terrível ato de racismo dentro de sala de aula”.

O estudante tentou registrar queixa na delegacia, mas foi aconselhado pelo escrivão a não fazê-lo. Em seguida, segundo um primo do aluno, a professora compareceu à polícia — também para registrar queixa.

O Viomundo preserva o nome dela por não ter tido a oportunidade de ouví-la antes desta publicação.

João é negro e filho de professores da Universidade Federal do Pará. A professora é branca.

Durante a aula, ela diz que se trata de uma experiência positiva e, portanto, João não tem motivos para acreditar que é vítima de bullying.

Ela passa, então, a convidar colegas do estudante a buscar definições do cabelo que ele usa: algodão, arbusto, juba de um leão, mola e caracol, dizem eles.

Durante o exercício, que define como “brincadeira”, a professora tinha como alvo chegar à definição de “ninho”.

“O cabelo black power é ninho e que nesse ninho, além de proteger, esconde muita coisa”, afirma.

O uso deste estilo de cabelo remete aos anos 60, nos Estados Unidos, quando os negros norte-americanos lutavam por seus direitos civis.

O movimento black power falava entre outras coisas em autonomia, auto-confiança e afirmação da identidade negra, com o resgate da herança africana.

Incluia das ideias socialistas de Angela Davis e dos Panteras Negras ao retorno à origem islâmica pregada pela Nação do Islã, de Malcom X.

Nas Olimpíadas de 1968, no México, quando os medalhistas dos 200 metros Tommie Smith e John Carlos levantaram os punhos cerrados durante a execução do hino dos Estados Unidos, tornaram-se símbolo mundial do movimento — curiosamente, atletas norte-americanos que protestam agora contra a persistência do racismo no país, tem se ajoelhado durante a execução do hino.

No Brasil, onde os negros passaram a alisar os cabelos para mimetizar os brancos, usar o cabelo black power tem crescentemente se tornado parte da afirmação de identidade subjacente à luta contra o racismo, a violência policial e por direitos civis.

Um recente estudo da Oxfam sobre desigualdade no Brasil demonstrou que, ao ritmo atual, a igualdade salarial entre brancos e negros no Brasil só será alcançada em 2089.

Um colega de João Francisco gravou dois trechos da aula, reunidos abaixo (o corte é quando a professora fala em ninho):

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5 comentários

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a.ali

02 de outubro de 2017 às 11h54

qual o motivo de ela ter ido registra b.o ? e “conseguiu” registrar ? e qual o conteúdo do mesmo ? ah, cfe. kamel não existe racismo no brasil…

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Quilombo Sítio Curiqiinha dos Negros Área Rural Município de Brejão PE. Paulo Arrudadias Adiministrador

02 de outubro de 2017 às 07h14

Cultura Branca ou racismo não pode mais continuar imperando no Brasil país que por trezentos e oitenta e oito anos foi construído e enriqueceu à burguesia branca
Todos patrimônio histórico e cultural que o Brasil tem teve á mão de obra Africana
e os melhores mestres de obras e artesã hoje eu convido todos os Negros do Nordeste à se unir pelo um Brasília também nosso e digno de se viver e ser reconhecido e respeitado porque 65 por cento deste país tem sangue Africano eu mim declaro negro suo neto de um filho de uma escrava com Português Senhor de engenho…
Vizita o perfil quilombositio curiquinhadosnegros .
Perfil Paulo Arrudadias.

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Oblivion

01 de outubro de 2017 às 11h04

O mínimo que se deve esperar de um professor é repeito, não acham?
Até que me provem o contrário, para mim professor tem que agir com seriedade, responsabilidade e objetividade. As vezes, uma piadinha aqui e ali para quebrar um pouco o gelo cai bem, mas nunca expondo o estudante. Qual foi o objetivo nisso?????

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João Paulo

30 de setembro de 2017 às 16h05

Nesse país, eu consigo passar por “branco” quando estou com o cabelo bem baixo quase raspado, lembro que desde a infância eu era hostilizado na escola e as pessoas me olhavam torto quando meu cabelo já estava maiorzinho, então eu fui levado a odiar o meu cabelo também por um bom tempo, é chato ter que sair de casa de poucas em poucas semanas gastar 10-15 reais pra poder cortar meu cabelo afim de que a sociedade não o veja. Hoje em dia melhorou a questão da tolerância da sociedade brasileira em relação a herança afro, porém, tudo está muito recente ainda, e temos uma enorme estrada ainda pela frente para que nós possamos não ser mais vistos como estranhos, bizarros e “exóticos”.

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João Paulo Ferreira de Assis

30 de setembro de 2017 às 11h31

Além do constrangimento a que o aluno foi submetido, a professora ainda deixou de discorrer sobre o tema da sua disciplina. Creio que ela merece punição por constrangimento ilegal de aluno negro, e por ter perdido nesse ato, preciosos minutos da sua aula.

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