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Diário da Resistência


Correspondentes estrangeiros agora sabem que impeachment não é causa nobre
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Correspondentes estrangeiros agora sabem que impeachment não é causa nobre


06/04/2016 - 19h25

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Se impeachment, então quem?

Glen Greenwald e David Miranda, na Folha, 06/04/2016

O fato mais bizarro sobre a crise política no Brasil é também o mais importante: quase todas as figuras políticas de relevância que defendem o impeachment da presidenta Dilma Rousseff – e aqueles que poderiam assumir o país no caso de um eventual afastamento da mandatária – enfrentam acusações de corrupção bem mais sérias do que as que são dirigidas a ela.

De Michel Temer a Eduardo Cunha, passando pelos tucanos Aécio Neves e Geraldo Alckmin, os adversários mais influentes de Dilma estão envolvidos em chocantes escândalos de corrupção que destruiriam a carreira de qualquer um numa democracia minimamente saudável.

Na verdade, a grande ironia desta crise é que enquanto os maiores partidos políticos do país, inclusive o PT, têm envolvimento em casos de corrupção, a presidenta Dilma é um dos poucos atores políticos com argumentos fortes para estar na Presidência da República e que não está diretamente envolvido em casos de enriquecimento pessoal.

Esses fatos vitais têm alterado radicalmente como a mídia internacional vê a crise política no Brasil.

Durante meses, jornalistas norte-americanos e europeus retrataram de forma positiva as manifestações nas ruas, a investigação da Operação Lava Jato e as decisões do juiz federal Sergio Moro.

Em razão desses fatos, agravados pelo tratamento abertamente político de Moro com relação ao ex-presidente Lula e pela cobertura midiática embaraçosamente sensacionalista feita pelo “Jornal Nacional” e por outros programas da Rede Globo, agora muitos estão reconhecendo que a realidade é bem menos inspiradora ou nobre.

A sociedade brasileira tem muitas razões legítimas para se zangar com o governo. Mas para uma parte da elite midiática e econômica do país, a corrupção é apenas uma desculpa, um pretexto para atingir um fim antidemocrático.

O objetivo real é remover do poder um partido político – o PT – que não conseguiu derrotar após quatro eleições democráticas seguidas. Ninguém que realmente se importasse com o fim da corrupção iria torcer por um processo que delegaria o poder a líderes de partidos como o PMDB, o PSDB e o PP.

Pior, está se tornando claro que a esperança dos líderes dos partidos da oposição é de que o impeachment de Dilma seria tão catártico para o público, que permitiria o fim silencioso da Operação Lava Jato ou, ao menos, fosse capaz de fazer com que tudo terminasse em pizza para os políticos corruptos.

Em outras palavras, o impeachment de Dilma Rousseff está designado para proteger a corrupção, não para puni-la ou até acabar com ela –o retrato mais característico de uma plutocracia do que de uma democracia madura.

Impeachment é uma ferramenta legítima em todas as democracias, mas é uma medida extrema, que deve ser usada somente em circunstâncias convincentes de que há crimes cometidos pelo presidente da República e quando há provas concretas das ilegalidades. O caso do impedimento de Dilma não responde a nenhum desses dois critérios.

Em uma democracia avançada, o Estado de Direito, não o poder político, deve prevalecer. Se, apesar disso tudo, o país estiver realmente determinado a apear Dilma do poder, a pior opção seria deixar essa linha de sucessão corrupta ascender ao poder.

Os princípios da democracia exigem que Dilma Rousseff termine o mandato. Se não houver opção, e ela for impedida, a melhor alternativa é que sejam realizadas novas eleições e, assim, que a população decida quem assumirá seu lugar, pois, como está na Constituição, todo poder emana do povo.

GLENN GREENWALD, 49, cofundador do site especializado em reportagens sobre política nacional e externa The Intercept, é vencedor do Prêmio Pulitzer de Jornalismo em 2014 e do Prêmio Esso de 2013

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Por Laurindo Lalo Leal Filho



13 comentários

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Luiz Fernando

11 de abril de 2016 às 20h14

É surreal a Grande Mídia no Brasil

Responder

Jorge Luiz

07 de abril de 2016 às 19h44

Ta na hora de passar a régua nessa história. Quem sabe faz…. não espera acontecer.

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Urbano

07 de abril de 2016 às 13h02

Há bandidos atuando no estelionato contra o Brasil já por meio século, sempre na lida para destruir a democracia e o Brasil. As ditas autoridades brasileiras empurraram essa situação desde sempre e está aí afinal a explosão da [email protected] em forma de gás.

Responder

MAAR

07 de abril de 2016 às 11h15

O artigo é louvável, mas se assemelha a uma belíssima inequação: vai indo, vai indo, e então se equipara a zero. Denuncia a falácia do processo de impixe mas, ao final, admite a inconstitucional derrubada do governo e a antidemocrática antecipação das eleições.

Todavia, vale elogiar a postura de denunciar a falácia do discurso dos golpistas que pretendem impingir a farsa do processo de impixe, bem como elogiar a clara menção à absoluta inexistência de crime de responsabilidade da Presidente Dilma.

Vale elogiar também a precisa referência aos interesses escusos dos apoiadores do impixe, que visam garantir a impunidade de seus crimes de corrupção através da ruptura da ordem legal que iria prevalecer com a concretização do golpe de estado em marcha.

Porém, cabe ressaltar que a defesa de democracia deve repudiar toda e qualquer solução política que não seja compatível com a Constituição Federal. E, neste sentido, inexiste a possibilidade de ser aceita pela sociedade uma interrupção do mandato da Presidente Dilma Roussef sem que haja crime de responsabilidade comprovado para embasar a aplicação do procedimento de impeachment.

Portanto, não há que se falar na hipótese de não existirem alternativas para impedir a efetivação do golpe parlamentar-judicioso, pois ainda há muita estrada política a ser percorrida. A disputa pela hegemonia na Câmara Federal e no Senado, para definir o resultado do processo de impixe, irá refletir os debates e manifestações que deverão ser conduzidos pelas instituições democráticas representativas da sociedade civil, tanto na mídia e nos espaços públicos, quanto nas respectivas bases eleitorais dos parlamentares.

Por fim, urge recordar que ‘o resultado dos enfrentamentos depende muito mais do moral dos grupos opostos do que do montante de recursos à disposição dos oponentes’, e isto significa que é indispensável sustentar a inabalável esperança na prevalência do Estado Democrático de Direito, com base na rigorosa demonstração das possibilidades concretas de vitória exemplar da mobilização em defesa da democracia.

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alex

07 de abril de 2016 às 10h59

Só resta saber quem é que vai pagar a conta deste experimento midiático judicial a que o Brasil foi exposto, hipocrisias a parte, a CRISE foi engendrada pelo Juiz Moro no intuito de gerar os argumentos para derrubar a Dilma e ponto final.
Fez uma operação Conta Gota par e passo com o Jornal Nacional repercutindo na revista Veja religiosamente toda sexta feira o vazamento da semana, gerou a instabilidade jurídica necessária para detonar a economia brasileira, levou milhares de empresários a banca rota, jogou milhões de brasileiros na rua, por tabela elevou os índices de violência urbana, provocou um prejuízo TRILIONÁRIO aos cofres públicos só para viabilizar a entrega da Petrobras ao pessoal da FORTUNE (Chevron e Exxon) traindo flagrantemente o empresariado paulista que o até ontem o premiava e agraciava com palestras, mal imaginavam que a intentona do Moro sempre focou a substituição do FIESPE pelas empresas americanas que dão apoio ao juiz.

Responder

alex

07 de abril de 2016 às 10h42

Agora só resta definir quem é que vai pagar a conta deste experimento midiático judicial a que o Brasil foi exposto, hipocrisias a parte, a CRISE foi engendrada pelo Juiz Moro no intuito de gerar os argumentos para derrubar a Dilma e ponto final …………, Fez uma operação Conta Gota par e passo com o Jornal Nacional repercutindo na revista Veja religiosamente toda sexta feira o vazamento da semana, gerou a instabilidade jurídica necessária para detonar a economia brasileira, levou milhares de empresários a banca rota, jogou milhões de brasileiros na rua, por tabela elevou os índices de violência urbana, provocou um prejuízo TRILIONÁRIO aos cofres públicos só para viabilizar a entrega da Petrobras ao pessoal da FORTUNE (Chevron e Exxon) traindo flagrantemente o empresariado paulista que o até ontem o premiava e agraciava com palestras, mal imaginavam que a intentona do Moro sempre focou a substituição do FIESPE pelas empresas americanas que dão apoio ao juiz, fracassando pela terceira vez.

Responder

Severino B.

07 de abril de 2016 às 09h55

Hoje, “NO JORNAL NACIONAL”. Acredite se quiser!

O vídeo que vai ser exibido está aqui. Seria bom que o internauta acessasse antecipadamente o vídeo pois o pessoal da Globo é especialista em manipulação, montagem, sadismo, mentiras e sacanagens de uma maneira geral:

https://youtu.be/f6G9dnSYXmo

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Lukas

07 de abril de 2016 às 08h47

Bom jornal a Folha. Sempre dando voz aos dois lados da questão.

Responder

FrancoAtirador

06 de abril de 2016 às 21h41

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“Impeachment de Dilma Não Tem fundamento”
diz Secretário-Geral da OEA
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O Secretário Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro,
declarou nesta terça-feira (05/4), em Entrevista Coletiva a Imprensa Internacional,
que “Nenhuma Mancha de Corrupção recai sobre a Presidenta Dilma Rousseff”
e que, portanto, “Não há Nenhum Fundamento que justifique sua Destituição”.
“Temos que nos apegar à Norma Legal e à Constituição”:
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http://www.vermelho.org.br/noticia/278869-7
http://www.otempo.com.br/capa/pol%C3%ADtica/secret%C3%A1rio-geral-da-oea-diz-que-n%C3%A3o-h%C3%A1-fundamento-para-impeachment-1.1274195l
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Da EFE, de Washington,
via Jornal Espanhol El País
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Almagro: “No hay fundamento” para la destitución de Dilma Rousseff
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El canciller defendió “el mandato constitucional”
que le dio la ciudadanía a Rousseff en las elecciones de 2014.
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El secretario general de la Organización de Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, defendió este martes que “no hay ningún fundamento” para la destitución de la presidenta brasileña, Dilma Rousseff.
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“Debemos ir por el camino del respeto a los mandatos constitucionales y la honestidad de una persona, porque si hoy usted no tiene ninguna acusación, ninguna mancha que poner en términos de corrupción sobre la presidenta Dilma Rousseff, entonces no hay ningún fundamento, no hay ningún fundamento para avanzar en un proceso de destitución, definitivamente no”, afirmó Almagro en declaraciones a periodistas.
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El titular de la OEA se pronunció en este sentido tras ser preguntado por el trámite en Brasil para un juicio político a Rousseff, a la salida de la presentación del informe anual de libertad de expresión de la Comisión Interamericana de Derechos Humanos (CIDH).
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“Si hubiera una acusación bien fundada, como ha habido en otros casos en Brasil, entonces perfecto, se va por ese camino, pero hoy eso no existe, y es muy deshonesto plantearlo en estos términos”, señaló.
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Almagro defendió “el mandato constitucional” que le dio la ciudadanía a Rousseff (en las elecciones de 2014), que todos los ciudadanos son iguales ante la ley y que “los jueces están obligados por las leyes que aplican y ninguno está por encima de la ley”.
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“Si la presidenta tuviera la mínima acusación que pendiera sobre su honestidad, probablemente nosotros seríamos los primeros en marcar que debe dar un paso al costado, pero eso no existe”, sostuvo.
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“Nos tenemos que apegar a la norma y a la Constitución, porque es muy veleidosa la probidad de los hombres”, agregó.
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Rousseff volvió a calificar hoy de “golpe” los intentos de la oposición de desalojarla del poder por la vía del juicio político, ya que, en su opinión, no existen razones jurídicas que justifiquen ese extremo.
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La mandataria sostuvo que tanto el proceso de juicio político como la insistencia de la oposición en una posible renuncia “son cosas que perjudican al país” e impiden la recuperación de la economía, que desde el año pasado ha entrado en una profunda recesión.
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(http://www.elpais.com.uy/mundo/almagro-fundamento-destitucion-dilma-rousseff.html)
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Responder

FrancoAtirador

06 de abril de 2016 às 21h19

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GOLPE A JATO: SÓ TEM VILÃO NESSA HISTÓRIA
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(http://imgur.com/5cIRBFF)
acasadevidro.files.wordpress.com/2016/04/cartoooon.jpg
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(https://acasadevidro.files.wordpress.com)
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Responder

FrancoAtirador

06 de abril de 2016 às 21h18

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RFI
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Jornal Francês ‘Le Figaro’ Questiona Métodos
do Juiz Sérgio Moro na Operação Lava Jato
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“Juiz Instrumentaliza a Imprensa Brasileira”
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As investigações da Lava Jato acontecem “em meio a uma grande confusão,
na qual parte da imprensa brasileira é instrumentalizada por Moro”.
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“O juiz do Paraná vaza informações para chamar a atenção da mídia
e manter o escândalo no noticiário”,
escreve a Jornalista Lamia Oualalou, Correspondente do Le Figaro.
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“Foi o que fez o portal UOL, publicando as planilhas
com pagamentos da Odebrecht a políticos de 24 partidos,
tanto da oposição como da base governista”.
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“Além do caso da Petrobras, esses documentos mostram o superfaturamento
de obras dos Jogos Olímpicos do Rio e da Copa do Mundo”, relata a jornalista.
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Ela ressalta que não se sabe se os pagamentos são legais e declarados
ou foram feitos por caixa dois.
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A reportagem estima que esse episódio relança o debate sobre os métodos de investigação.
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Os documentos da Odebrecht divulgados pela Polícia Federal (PF)
demostram que a PF também tomou gosto pelos vazamentos.
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Mas o juiz Sérgio Moro colocou os documentos rapidamente sob sigilo.
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“É estranho que o primeiro documento que expõe políticos da oposição
tenha merecido uma reação tão rápida de Moro,
o mesmo juiz que tomou a liberdade de divulgar as escutas telefônicas
entre a presidente Dilma e o ex-presidente Lula na semana passada”,
destaca a jornalista.
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Na sequência, ela explica que o vazamento do diálogo de Dilma e Lula
levou à suspensão da nomeação do ex-presidente na Casa Civil,
e ainda foi parar no Supremo Tribunal Federal,
onde os juízes estão divididos sobre os métodos do juiz Sérgio Moro.
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O texto conclui que a presidente Dilma continua ameaçada de destituição,
mas os benefícios da Lava Jato, que expôs o maior escândalo de corrupção
já descoberto na história do Brasil, também estão ameaçados
pela atuação truculenta do juiz Sérgio Moro.
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(http://br.rfi.fr/brasil/20160325-le-figaro-questiona-metodos-do-juiz-sergio-moro-na-lava-jato)
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Responder

    FrancoAtirador

    06 de abril de 2016 às 21h27

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    (http://www.latimes.com/world/mexico-americas/la-fg-brazil-impeach-20160328-story.html)
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    Los Angeles Times: “Comissão do Impeachment é Corrupta, Dilma Não”
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    Jornal Norte-Americano publicou Reportagem com dados da Transparência Brasil
    sobre os Deputados Integrantes da Comissão do Impeachment na Câmara
    mostrando que Mais da Metade (37) do Grupo (65) é Acusado de Corrupção,
    .
    O Los Angeles Times também mencionou o Envolvimento o Presidente da Casa*,
    Eduardo Cunha, e do Vice-Presidente da República, Michel Temer, ambos do PMDB.
    .
    (https://www.viomundo.com.br/politica/la-times-dilma-nao-e-acusada-de-corrupcao-os-que-a-julgam-sim.html)
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    (http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/03/160329_latimes_impeachment_rm)
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    FrancoAtirador

    06 de abril de 2016 às 21h28

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    O Secretário Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro,
    declarou nesta terça-feira (05/4), em Entrevista Coletiva a Imprensa Internacional,
    que “Nenhuma Mancha de Corrupção recai sobre a Presidenta Dilma Rousseff”
    e que, portanto, “Não há Nenhum Fundamento que justifique sua Destituição”.
    “Temos que nos apegar à Norma Legal e à Constituição”:
    .
    “Debemos ir por el camino del respeto a los mandatos constitucionales
    y la honestidad de una persona, porque si hoy usted no tiene ninguna acusación,
    ninguna mancha que poner en términos de corrupción sobre la presidenta Dilma Rousseff,
    entonces no hay ningún fundamento, no hay ningún fundamento para avanzar
    en un proceso de destitución, definitivamente no”.
    .
    “Si hubiera una acusación bien fundada,
    como ha habido en otros casos en Brasil,
    entonces perfecto, se va por ese camino,
    pero hoy eso no existe, y es muy deshonesto
    plantearlo en estos términos”
    .
    “Nos tenemos que apegar a la Norma y a la Constitución,
    porque es muy Veleidosa la Probidad de los Hombres”
    .
    Íntegra no El País, em Espanhol:
    .
    (http://www.elpais.com.uy/mundo/almagro-fundamento-destitucion-dilma-rousseff.html)
    .
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