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Membro da equipe de transição de Bolsonaro já foi condenado por estelionato, preso em flagrante e três vezes alvo da Lei Maria da Penha
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Membro da equipe de transição de Bolsonaro já foi condenado por estelionato, preso em flagrante e três vezes alvo da Lei Maria da Penha


05/11/2018 - 21h19

Integrante da equipe de transição já foi condenado por estelionato, preso e alvo três vezes da Lei Maria da Penha

Um integrante da equipe de transição recém-anunciada pelo presidente eleito Jair Bolsonaro já foi acusado três vezes e preso com base na Lei Maria da Penha, após denúncia de agressão à ex-esposa e a uma irmã.

Apresentado por Bolsonaro como seu “homem forte na Paraíba e “amigo de primeira hora”, o deputado eleito Julian Lemos (PSL-PB) foi um dos coordenadores no Nordeste da campanha presidencial do PSL.

Ele também foi condenado a um ano de prisão em primeira instância, em 2011, por estelionato. Mas o caso prescreveu antes de ser analisado pela segunda instância (leia mais abaixo).

Dos três inquéritos de que o deputado eleito era alvo com base na Lei Maria da Penha, dois foram arquivados após a ex-esposa dele, Ravena Coura, apresentar retratação e dizer às autoridades que se exaltou “nas palavras e falado além do ocorrido”.

Preso em flagrante

Na primeira vez, Julian chegou a ser preso em flagrante depois de ter sido denunciado por Ravena, que contou ter sido agredida fisicamente e ameaçada por arma de fogo.

Em 2016, ela voltou a procurar a polícia para registrar queixa contra o ex-marido, alegando que ele era “uma pessoa muito violenta” e que havia ameaçado: “Vou acabar com você, você não passa de hoje”.

Ravena, no entanto, entregou documento à Justiça seis meses depois, afirmando que os dois episódios foram uma “desavença banal”, que o ex-marido era “um homem íntegro, honesto, trabalhador e cumpridor de todas as obrigações” e que ela o havia perdoado.

O deputado eleito disse ao Congresso em Foco que não agrediu nem a ex-esposa nem a irmã.

“É um assunto ultrapassado, requentado e acabado. Já está explicado. Já fui absolvido, as pessoas se retrataram”, disse.

De acordo com Julian, o processo movido pela irmã não foi arquivado porque ela mora no exterior e ainda não compareceu para desistir oficialmente da ação.

“É uma irmã que mora no meu coração. Vocês da mídia têm de procurar outro assunto porque esse aí já foi”, completou.

Caneladas

No ato de filiação do deputado eleito, em março, Bolsonaro fez menção indireta às acusações contra Julian.

De acordo com o presidente eleito, vários de seus aliados “deram suas caneladas, como o Julian Lemos aqui, e são pessoas que somam o nosso exército”.

O terceiro inquérito, que continua ativo, foi aberto em 2016 a pedido de Kamila Lemos, irmã de Julian.

Ela contou em depoimento à polícia que foi ofendida e agredida fisicamente pelo irmão, com murros e empurrões, ao tentar “apaziguar” uma briga entre ele e a ex-esposa.

Laudo do Instituto Médico Legal confirmou que ela apresentava escoriações no pescoço, no ombro e no braço.

O deputado eleito afirmou, na ocasião, que a irmã arremessou um cinzeiro contra ele. Julian, porém, não passou por exame para comprovar a agressão.

Um ano depois a defesa de Julian apresentou uma carta com retratação da irmã, alegando que os dois já haviam se entendido.

Uma audiência preliminar estava marcada para o dia 21 de setembro, mas não foi realizada, conforme registro do Tribunal de Justiça da Paraíba.

Prescrição

Presidente do PSL na Paraíba, Julian se envolveu no uso de uma certidão falsa fornecida pela empresa GAT Segurança e Vigilância, da qual era sócio, na assinatura de um contrato para prestação de serviços à Secretaria de Educação e Cultura da Paraíba, em 2004.

Em 2011 ele foi condenado a um ano de prisão em regime aberto.

O deputado eleito nega participação nas irregularidades e alega que era apenas gerente da empresa, e não sócio. O caso prescreveu antes da análise em segunda instância.

Julian tem 42 anos, é empresário e recebeu quase 72 mil votos (3,61% dos votos válidos).

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Por Laurindo Lalo Leal Filho



8 comentários

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Jardel

07 de novembro de 2018 às 00h19

Como diriam os coxinhas: O Bolsonazi se comprometeu a acabar com a corrução, não com o estelionato! Oras!!

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Julio Silveira

06 de novembro de 2018 às 10h43

Nem adianta escancarar, por que crimes só os PT. Quando se tratar da turma do Bolsonaro serão apenas arroubos juvenis. Rsrsrs.

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Eduardo

06 de novembro de 2018 às 10h32

A quadrilha era pequena, agora precisa ser ampliada com familiares, amigos, deputados, senadores governadores, prefeitos, vereadores,assessores, jornalistas, empresários de mídia, corruptores e corruptos funcionarios públicos bandidos e ladrōes, banqueiros, empreiteiris, juízes e promotores, ministros, etc. É preciso ter paciência! A quadrilha não estará estrutura da em menos de 6 meses. Ê preciso dar tempo ao presidente. Uma quadrilha e um regime fascista não se instala em pouco tempo, nem com ajuda de militares, afinal tem militares e pessoas de bem que resistem!

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Weez

06 de novembro de 2018 às 09h43

Bolsonaro é Deus para seus seguidores.

Ele é o deus da guerra que vai guiar seus fiéis para conquistar a terra prometida (o Brasil potência) dos inimigos representantes do mal que estão contaminando a terra prometida que havia sido dada pelos militares após o fim da Ditadura para os homens de bem (cristãos, brancos e de classe média alta de preferência). Ele é o deus da guerra que vai destruir o mal que está contaminando a sociedade e vai proteger seus seguidores. Quando aquilo que representa todo o mal da sociedade for destruído, finalmente os eleitos vão poder desfrutar da terra prometida (preferencialmente cristãos, brancos e de classe média alta). Qualquer um que se oponha a essa batalha é um bandido sem caráter e merece morrer por tentar negar a soberania do deus da guerra. Bolsonaro, o pai disciplinador, é tão deus, que ele não precisa seguir regras e está acima do bem e do mal. “Fiz caixa dois mesmo! Recebi propina mesmo! A gente precisa matar milhares mesmo! Digo algo e depois digo que nunca disse mesmo!”. Isso é demonstração de soberania real, do senhor que vai por ordem no mundo nem que seja à bala e sobre os corpos de milhares de mortos. É um rei absoluto, um imperador, deus, o senhor, que pune com mão forte. Não precisa seguir as regras porque elas têm de se dobrar a ele. Ele vai levar o Brasil de volta à uma época de ouro mitológica, quando, segundo seus iludidos seguidores, teria pretensamente havido ordem, respeito, disciplina, segurança, prosperidade. Ele vai cuidar de cada um como um pai amoroso, vai resolver todos os problemas de todos, porque ele é pai e deus. Vai punir os maus com severidade, porque ele é pai e deus. Vai fazer com que os frustrados, os injustiçados, os humilhados, os violentados possam fazer parte de uma grande narrativa épica do bem contra o mal. Aqueles que se sentem irrelevantes no mundo finalmente podem sentir que fazem parte de algo maior, fazem parte de uma fraternidade que vai combater os desordeiros e aqueles que contaminam o Brasil. Afinal, nada estreita mais os laços de fraternidade entre duas pessoas do que o ódio a uma terceira pessoa ou o medo. São todos uma grande família unida no ódio contra os “depravados do PT e seus comunistas”. Uma família unida pelo medo da desordem e da destruição das tradicionais hierarquias e valores da nossa injusta sociedade. Todos sob a proteção do homem Deus. Tão messiânico que sobreviveu até mesmo a uma facada. Seu nome Jair MESSIAS já comprova esse fato. Sua liderança estava escrita nas estrelas, profetizada como a de Jesus Cristo.

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    André Santiago

    06 de novembro de 2018 às 10h50

    Blasfêmia! Desconhecimento da verdadeira Palavra.

a.ali

05 de novembro de 2018 às 23h01

sentindo-se em casa. o perfil exigido , exato!

Responder

MIRANDA

05 de novembro de 2018 às 21h43

Ja era de se esperar. Com certeza, quem votou nele ja sabia disso, ou será que os eleitores do coiso pensaram que ele se cercaria de boa gente?

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Bel

05 de novembro de 2018 às 21h31

O Bolsonaro não deve saber disso, senão não teria escolhido. Não é possível que ele saiba e deixa por isso mesmo. Ou, se sabe, o que mais sabe que a toda hora aparece notícia de investigado sobre fake news integra time de transição e fica por isso mesmo? O Brasil parece um deserto de investigados.

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