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Carone: Governador de Minas atende ex-vice de Anastasia e nomeia secretário que tem processos no cível e criminal
Zema está brincando com fogo. Adriano Magalhães Chaves (centro) responde a processos da época em que foi secretário do Meio Ambiente do governo Anastasia, por indicação do então vice Alberto Pinto Coelho (à direita)
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Carone: Governador de Minas atende ex-vice de Anastasia e nomeia secretário que tem processos no cível e criminal


28/02/2019 - 13h24

Zema atende Pinto Coelho e nomeia secretário que está sendo processado

por Marco Aurélio Carone, no Novojornal

No final da tarde de ontem quarta-feira (27), caiu como uma bomba na Assembleia Legislativa de Minas Gerais a confirmação de que o governador Romeu Zema (Novo) nomeara Adriano Magalhães Chaves para o cargo de secretário adjunto de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.

Embora não se tenha noticiado, dentro do governo todos afirmam que sua função será cuidar do programa de privatizações a ser executado no governo Zema, abrangendo CEMIG, COPASA e CODEMIG.

O grande questionamento é que o nomeado responde diversos processos, entre os quais uma ação penal por atos praticados quando ocupou o cargo de secretário do Meio Ambiente na gestão de Antônio Anastasia (PSDB), de 2011 a 2014, por indicação de Alberto Pinto Coelho.

Adriano foi exonerado após denúncias do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) por  favorecimento à então mineradora MMX, hoje Anglo American.

Em seguida, ele foi indicado conselheiro de Administração da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), onde permaneceu até final de abril de 2014.

Dos processos em tramitação contra Adriano no TJMG , um já está em julgamento em segunda instância (veja aqui e aqui).

Curiosamente, no dia seguinte ao rompimento da barragem de Brumadinho, um dos desembargadores pediu vista nele.

Em nota sobre a nomeação de Adriano, o governo disse:

 “a escolha do nome para a função foi realizada por meio de processo seletivo, que exigia do candidato competência técnica e experiência suficiente para contribuir com o momento de grave crise econômica que Minas Gerais enfrenta e que foi comprovada pelo adjunto nas áreas de gestão e economia”.

Em outubro de 2013, o Novojornal noticiou a conduta irregular que vinha sendo adotada pelo então secretário Adriano Magalhães Chaves, que culminou no ano seguinte com os processos e sua exoneração:

“Movimentos sociais, ambientalistas e pesquisadores independentes denunciam a violação de direitos humanos assim como impactos sociais, culturais e ambientais irreversíveis. O projeto da mineradora insere-se numa extensa área ameaçando os modos de vida de inúmeros grupos tradicionais.

Além disso, afetará remanescentes de alto valor ecológico pertences ao Bioma Mata Atlântica, considerado um hot spot de biodiversidade abundante, do qual restam apenas 6% da sua extensão original.

O empreendimento é composto por uma mina para extração de minério de ferro em uma extensão contínua de 12,25km, (correspondente à metade da distância entre as cidades de Belo Horizonte e Betim), afetando uma área de cerca de, 3.888 hectares nos municípios de Conceição do Mato Dentro, Alvorada de Minas, Dom Joaquim e Serro.

A principal linha de investigação concentra-se na análise dos motivos e da legalidade da utilização da Codemig e toda estrutura do Governo de Minas Gerais para viabilizar um projeto privado rejeitado por todas as comunidades por onde passa e sem ganho tributário significante para o Estado, uma vez que a exportação de minério é isenta de qualquer tributo.

Até mesmo a área de licenciamento ambiental do governo mineiro comandada pelo secretário Adriano Magalhães Chaves, indicado por Pinto Coelho, vem atuando sem cautela e com total desenvoltura no licenciamento do empreendimento.

Fato que motivou o ajuizamento de uma ação civil pública com pedido liminar pelo Ministério Público Federal, para que o governo mineiro se abstivesse de conceder o licenciamento para o projeto e que o mesmo fosse feito pelo Ibama.

A medida liminar foi conseguida e as obras foram embargadas pela Justiça Federal. Essa não era a primeira vez que a Anglo American enfrentava problemas com o projeto Minas-Rio.

Em abril de 2012, o Ministério Público de Minas Gerais conseguira suspender a licença ambiental para linha de transmissão que forneceria energia elétrica à usina de beneficiamento do empreendimento”.

Integrantes  do Novo, principalmente nas redes sociais, não têm poupado as decisões do governador Romeu Zema.

Para eles, Zema está desmoralizando o partido.

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2 comentários

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Julio Cesar

28 de fevereiro de 2019 às 15h48

Se o golpe já foi dado, se já foi dado ao teatro do absurdo o reconhecimento de realidade, então para que continuar com a ençenação e a fantasia? Os trouxas já estão de quatro no pasto.

Responder

Luiz

28 de fevereiro de 2019 às 14h27

Com todo o respeito, alguém esperava alguma coisa diferente desse Zema? Um sujeito que tem seu estilo espelhado em Bolsonaro, só poderia dar nisso, ou seja, uma completa farsa e um laranja do PSDB. Os otários votaram no PSDB disfarçado de NOVO.

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