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Carone: Zema não paga salários e 13º, mas autoriza Cemig a gastar R$ 1,7 bilhão na compra de empresas
Foto: Ricardo Barbosa / Assembleia Legislativa de Minas Gerais
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Carone: Zema não paga salários e 13º, mas autoriza Cemig a gastar R$ 1,7 bilhão na compra de empresas


25/02/2019 - 19h17

Zema em um mês de governo mostra a que veio. Não paga prefeituras, salários e 13º, para autorizar compra de 1.7 bilhão pela CEMIG

por Marco Aurélio Carone, no Novojornal

Está claro o objetivo do governador mineiro Romeu Zema (Novo): utilizar a crise financeira para justificar a reforma administrativa, deixando intocável os esquemas montados nas estatais mineiras pelos governos Aécio Neves e Antônio Anastasia e mantidos na gestão Fernando Pimentel.

Parlamentares e assessores que estiveram com Zema nos últimos 15 dias já admitem que ele tem utilizado a alegada crise financeira para justificar as reformas que pretende do Estado e servir de cortina de fumaça para manter os esquemas de favorecimento a rentistas nas empresas estatais de Minas Gerais.

Situação que, além de deixar assessores sem ter como justificar o ocorrido, vem causando uma enorme insegurança nas lideranças que o representam pois não sabem por quanto tempo vai durar esta “verdade”.

Por não pagar os atrasados e regularizar os repasses constitucionais às prefeituras municipais, manter os salários parcelados e 13ª atrasados, o governador de Minas vem propagando que a solução dos problemas está na reforma administrativa, assim como em um programa de privatizações.

Na manhã de 4 de janeiro, Zema, em entrevista à Globo, informou que venderia a participação do estado na Taesa – Transmissora Aliança de Energia Elétrica, subsidiária da CEMIG, destacando que essa operação não dependeria de aprovação da Assembleia Legislativa.

Disse ainda:

“Estou otimista. Os prefeitos estão numa situação de penúria aqui em Minas e já pediram aos deputados a aprovação do que for necessário. Eu percebo que não teremos dificuldades em aprovar essas reformas”.

As declarações prestadas pelo governador chocaram-se com o que acontecera no dia anterior, quando a Taesa empresa controlada pela CEMIG, divulgou “Fato Relevante”, informando três aquisições:

100% da São João Transmissora de Energia S/A por R$ 350.919.000,00

100% da São Pedro Transmissora de Energia S/A por R$ 314.520.000,00

51% da Triangulo Mineiro Transmissora de Energia S/A por R$ 150.903.000,00

51% da Vale do São Bartolomeu de Energia S/A por R$ 126.195.000,00.

A operação totalizou R$ 942.537.000,00, com os resíduos contábeis passará de R$ 1 bilhão.

OS AGRAVANTES

1- Os ativos adquiridos pertenciam a Âmbar, empresa de energia do grupo J&F Investimentos que detém 99% das cotas do FIP Milão, constituído como fundo de investimento em participações.

Com a compra a Taesa controlará integralmente as duas primeiras empresas e nas duas últimas terá como sócia minoritária de seus capitais sociais, Furnas e Celg GT. J&F em delação premiada relação promiscua com o Governo de Minas no período tucano.

2- Em novembro de 2016, os conselheiros mantidos da Cemig por Zema  e que aprovaram a compra das empresas foram colocados sob suspeita pela própria Taesa.

Ela alertou seus investidores de que a presença em seus conselhos de investigados na “Operação Acrônimo” e no “Mensalão Tucano” poderiam afetar os resultados e o “Fator corrupção” indicador de risco na companhia.

Consultada por Novojornal, a CEMIG informou, através de sua assessoria de imprensa, que “a operação tinha sido aprovada na gestão passada”.

Porém, tal informação não coincide com os fatos.

Para começar, a Taesa informa no seu prospecto de compra que o valor e aquisição dependiam ainda da aprovação da Assembleia Geral da empresa.

A informação da assessoria de imprensa da Cemig também não coincide com o “Fato Relevante” da Taesa, publicado em 03/01/2019:

Assim como não coincide com o que consta da Ata da Assembleia Geral da Taesa, realizada em 03/01/2019.

Como se não bastasse a compra acima de R$ 1 bilhão autorizada em 3 de janeiro de 2019, em 25 de janeiro Zema aprovou outra aquisição: a de  três empresas do conjunto denominado “Transmineiras’ no valor de R$ 700 milhões. 

ANTECEDENTE

Em 2013, a Taesa já comprara a participação da ORTENG, pertencente a Robson Andrade, na Empresa Amazonense de Transmissão de Energia S.A. (“EATE”).

Sabidamente representante de Aécio Neves na ORTENG, Robson Andrade foi preso na semana passada pela Polícia Federal e afastado da presidência da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Na propaganda de sua campanha eleitoral, Zema foi apresentado como a pessoa certa para combater a corrupção.

Tal característica fica cada dia mais fraca, principalmente por adotar em dois meses de governo — sem qualquer auditoria! — o “modelo” de negócios que vinha sendo conduzido desde o governo tucano.

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2 comentários

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Antonio Carlos

01 de março de 2019 às 10h58

“Por não pagar os atrasados e regularizar os repasses constitucionais às prefeituras municipais, manter os salários parcelados e 13ª atrasados, o governador de Minas vem propagando que a solução dos problemas está na reforma administrativa, assim como em um programa de privatizações.”

Como é que é? Incrível um site que se diz sério publicar uma matéria dessas e nem indireta ou obliquamente dizer que QUEM NÃO PAGOU O 13 SALÁRIO E ATRASOU REPASSES foi o Sr. Fernando Pimentel ! Fala sério, isso aqui é uma piada.

Responder

Sérgio Belisário

27 de fevereiro de 2019 às 12h12

Este comentário é de alguém desinformado, pois, o estado não pode passar a mão em recursos da Taesa para quitar responsabilidades do Estado.

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