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Diário da Resistência


Carlos Lopes: Remessas de lucros em 8 anos foram de R$ 404 bilhões
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Carlos Lopes: Remessas de lucros em 8 anos foram de R$ 404 bilhões


24/01/2013 - 22h44

Em 2012, 296 empresas nacionais passaram para controle estrangeiro

23/01/2013

Em 2011, foram desnacionalizadas 206 empresas

por Carlos Lopes/Hora do Povo, no site da CUT, sugerido pela Sec Geral do MST

Os dados divulgados pela empresa de consultoria KPMG no último dia 14 mostram que as desnacionalizações de empresas brasileiras atingiram um novo recorde em 2012. O notável é que elas já haviam atingido um recorde em 2011 – e também em 2010.

Em suma, a cada ano se aceleram as compras de empresas brasileiras por fundos ou empresas estrangeiras, a maioria com sede nos EUA (para que o leitor tenha uma ideia relativa: segundo o Censo de Capitais Estrangeiros do BC, as empresas dos EUA têm dentro do Brasil 3,4 vezes o que têm as empresas francesas, alemãs ou japonesas), com recordes batendo recordes anteriores.

Em 2012 foram 296 empresas nacionais que passaram para controle estrangeiro. Em 2011, haviam sido 208 empresas nacionais. Em 2010, 175 empresas.

Assim, o número de empresas desnacionalizadas aumentou, em relação ao ano anterior, sucessivamente: +92,3% (2010), +18,9% (2011), e, no ano passado, +42,3%.

Desde 2004, quando a KPMG passou a divulgar, em sua pesquisa, os dados das operações “cross border 1” (cb 1 = “empresa de capital majoritário estrangeiro adquirindo, de brasileiros, capital de empresa estabelecida no Brasil”), os resultados foram os seguintes:

2004 – 69 empresas desnacionalizadas;

2005 – 89 empresas desnacionalizadas;

2006 – 115 empresas desnacionalizadas;

2007 – 143 empresas desnacionalizadas;

2008 – 110 empresas desnacionalizadas;

2009 – 91 empresas desnacionalizadas;

2010 – 175 empresas desnacionalizadas;

2011 – 208 empresas desnacionalizadas;

2012 – 296 empresas desnacionalizadas.

Ao todo, desde 2004, foram 1.296 empresas nacionais que passaram para controle estrangeiro, com as conhecidas e inevitáveis consequências da desnacionalização:

1) Aumento brutal das remessas de lucros para fora do país: as remessas totais, cuja maior parte é constituída pelos ganhos, no Brasil, das filiais de multinacionais que são enviados às suas matrizes, passaram de US$ 25,198 bilhões (2004) para US$ 85,271 bilhões (2011), um aumento de 238,40% (o total de 2012 ainda não foi divulgado pelo Banco Central).

Se consideradas apenas as remessas para o exterior declaradas oficialmente como “lucros e dividendos”, o valor em dólares mais do que quintuplicou (foi multiplicado por 5,5) no mesmo período.

Ao todo, de 2004 a 2011, pari passu com a desnacionalização de 1.296 empresas brasileiras, esse aumento vertiginoso nas remessas para o exterior significou o envio para fora do Brasil do equivalente a 152,84% do saldo comercial que o país obteve no mesmo período. Exatamente, as remessas totais para o exterior montaram a US$ 404,878 bilhões, enquanto o saldo comercial atingiu US$ 264,911 bilhões.

2) Simultaneamente a essa hemorragia de remessas para o exterior, houve um aumento tão brutal, ou mais, das importações. De 2004 a 2011, as importações aumentaram, em valor, 260%: de US$ 62,835 bilhões (2004) para US$ 226,233 bilhões (2011).

As filiais de multinacionais são, sobretudo, empresas importadoras de bens intermediários – ou seja, de componentes para a montagem de produtos finais. Mas essa é a melhor das hipóteses: a outra, que está se tornando rotina, é quando elas passam a importar o próprio produto final, transformando a empresa desnacionalizada em mero balcão de vendas. O fato é que quanto maior a desnacionalização, maior o aumento das importações.

A consequência é a desindustrialização do país, com a indústria nacional atacada em seu maior setor – o de bens intermediários – pelas importações, o que se estende rapidamente às importações de bens de produção.

3)  Não menos importante, até mais, é a estagnação da economia que essa desnacionalização e desindustrialização, inevitavelmente, implica.

Em primeiro lugar, estagnação tecnológica. Não é paradoxal, mas apenas doentio ou prova de dubiedade de caráter (ou apenas exibição de estupidez) que os mesmos sujeitos que vivem falando que na economia brasileira faltam “inovações”, “competitividade”, “produtividade”, etc., sejam os mesmos a defender a entrega ao capital estrangeiro das empresas nacionais que são responsáveis pelas inovações e avanços tecnológicos.

Estamos, aqui, nos referindo às empresas privadas nacionais, embora o mesmo seja verdadeiro – e até mais – para as estatais. É verdade que, no momento, existe a originalidade de termos, na presidência da nossa maior e mais avançada estatal, uma senhora que parece achar que sua função é falar mal da empresa que preside. Mas isso, como diria o grande Dorival Caymmi numa metáfora petroquímica, é matéria plástica. Dura pouco.

Mas voltemos às empresas privadas nacionais, com um exemplo.

Em 2012, houve uma queima de empresas nacionais produtoras de programas de computador para os mais variados ramos da indústria. Certamente, não foi porque essas empresas nacionais eram atrasadas ou ineficientes que as multinacionais ou fundos especulativos se interessaram por elas – e por atacado.

A desnacionalização resultou em que o desenvolvimento tecnológico do país conquistado por essas empresas foi apropriado e monopolizado por empresas estrangeiras. Não porque estas fossem mais eficientes, mas porque tinham maior poder financeiro – e a política do governo foi, essencialmente, a de deixar as empresas nacionais ao léu, ou seja, à mercê do capital estrangeiro.

Em segundo lugar, e correlacionado com o anterior, a desnacionalização leva, inevitavelmente, à estagnação do crescimento econômico: as empresas multinacionais não se instalam em outro país para desenvolver a economia nacional – aliás, elas fazem parte de outra economia nacional. Portanto, as remessas de lucros, e também as suas importações, significam puxar o investimento para baixo no país onde estão as filiais de empresas estrangeiras.

Naturalmente, isso pode ser contrabalançado quando as filiais de multinacionais não são o principal setor da economia – na China, por exemplo, a taxa de investimento de 46% do PIB é atingida, sobretudo, devido ao impulso do investimento público.

Porém, quando não há outra força – a força da coletividade, através do Estado – se opondo, de forma geral, podemos dizer que quanto mais desnacionalizada é uma economia, mais forte é a tendência de queda do investimento e do crescimento. Nem precisamos lembrar a catástrofe da economia tailandesa ou as medidas rigorosas que a Malásia tomou para evitar catástrofe semelhante.

Basta olhar para o nosso próprio país.

De janeiro de 2004 a novembro de 2012, entraram no Brasil US$ 332,686 bilhões em “investimento direto estrangeiro” (IDE), ou seja, dinheiro para comprar empresas ou aumentar a participação estrangeira no capital de empresas, além de empréstimos da matriz à sua própria filial (cujo pagamento é uma das formas de remeter lucros sem declará-los oficialmente).

Essa entrada de US$ 332,686 bilhões em IDE provocou, segundo o Banco Central, um aumento no estoque de IDE (ou seja, na propriedade estrangeira sobre empresas) de US$ 132,818 bilhões (dezembro de 2003) para US$ 675,601 bilhões (setembro de 2012). Ou seja, a desnacionalização de empresas fez com que a propriedade estrangeira sobre empresas dentro do Brasil, em dólares, aumentasse cinco vezes (em termos percentuais, +408%).

Qual foi o resultado disso sobre o investimento na economia brasileira – em especial sobre a taxa de investimento, ou seja, o investimento (formação bruta de capital fixo – FBCF) em termos de PIB?

O resultado é que somente houve algum aumento do investimento quando houve aumento do investimento público. A desnacionalização, isto é, o “investimento direto estrangeiro” (IDE), pelo contrário, teve o efeito de segurar e  deprimir a taxa de investimento da economia.

O que, aliás, é perfeitamente lógico: filiais de multinacionais não têm como função gastar seus lucros em investimentos. Sua função é exatamente a oposta – a de investir o mínimo possível para enviar o máximo possível de seus ganhos para a matriz.

Leia também:

Mark Weisbrot: Lucros financeiros explicam bajulação da mídia estrangeira ao Brasil





35 comentários

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Compra de empresas por estrangeiros vai aumentar remessas de lucros « Viomundo – O que você não vê na mídia

07 de fevereiro de 2013 às 12h53

[…] Carlos Lopes: Remessas de lucros em oito anos foram de R$ 404 bilhões […]

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Santayana: Teles privatizadas promovem colonialismo dissimulado « Viomundo – O que você não vê na mídia

30 de janeiro de 2013 às 02h15

[…] Carlos Lopes: Em oito anos, remessas de lucros somaram R$ 404 bilhões […]

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Janah

27 de janeiro de 2013 às 19h30

Ai, meu Deus! Por favor,alguém diga que o que li é apenas uma história de terror, é ficção, porque fiquei morrendo de medo.

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Eurico

27 de janeiro de 2013 às 10h19

Através da compra de empresas alguns setores estão sendo oligopolizados e o CADE diz amém a tudo. Se a atual base jurídica permite isto, então deveria ser mudada, caso contrário continuará havendo a desnacionalização. Por outro lado, nos Estados Unidos, as empresas não são tão livres assim e só podem ser vendidas ou mesmo exportarem sua produção dentro do estrito de controle do Pentágono. Nesta semana os Chineses estão reclamando que os USA não permitem que eles importem satélites. Onde está a liberdade do capital? Só é livre para os trouxas. É como na questão nuclear. Os Estados Unidos continuam a aprimorar suas bombas atômicas, mas querem impedir outros de pesquisarem o uso da tecnologia nuclear. É a política da assimetria internacional: façam o que eu mando e não o que eu faço.

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Almerindo

27 de janeiro de 2013 às 00h43

A GVT era excelente. Agora só está piorando, depois que foi comprada pela Vivendi… Por quê será?

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Thomas Nok

26 de janeiro de 2013 às 13h06

Pior que privatizar empresas é entregar a indústria nacional aos estrangeiros.
Pepsico, Unilever, Coca-Cola, P&G, etc…
Estas empresas compram, fecham postos de trabalho, reduzem salários, sugam o sangue dos funcionários e ainda recebem benesses do governo, como não pagar o INSS, redução de impostos e de energia elétrica.
Este governinho retardado não vê que nada baixou de preço (inclusive carros e linha branca) e o que aumenta é o lucro enviado para as suas matrizes.
O governo dá dinheiro (com redução de impostos ou empréstimos junto ao BNDES) para quem não precisa. Para empresas que estão dando prejuízo nos países de origem e se agarraram ao Brasil como salvação.
Pagamos o carro mais caro do mundo e achamos graça.
Nesta semana eu cumpri uma promessa, levei minha carta de desfiliação ao PT. Não dá para creditar nestes traidores.
Quero ver o que o PT fará quando for para votar o fim do Fator Previdenciário. Sim, pois ao que parece não há falta de dinheiro na Previdência, pois se há, foi uma tremenda irresponsabilidade o que eles fizeram.
Com referência a redução na energia elétrica, lembro que meses atrás já se comentava isso, mas era porque estava-se cobrando a mais. Então, para não haver uma enxurrada de ações na justiça, o governo fez um acordo.

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Lafaiete de Souza Spínola

26 de janeiro de 2013 às 12h35

A CHINA abriu as portas ao investimento estrangeiro, criando suas áreas de livre comércio restritas ao mar meridional. Não saiu vendendo tudo que lá existia.

Hoje, possuem sua própria indústria pesada e eletrônica ao lado das multinacionais.

Estão pensando, seriamente, no futuro; como deve ser feito por um país de dimensão continental; dando a devida atenção à EDUCAÇÃO.

O Brasil, também, possui dimensão continental, porém, não tem controle sobre os investimentos estrangeiros que estão sendo feitos.

A prova de que não temos projeto para o futuro está no pífio investimento que se faz na EDUCAÇÃO. Quando proponho 15% do PIB, muitos gritam que não temos recursos, que isso é uma utopia, em lugar de propor remanejamento dos recursos, de procurar recursos não inflacionários etc.

Vejamos só a farra dos turistas brasileiros em Nova York! O que passa é que não estamos pensando no país. A cada dia aumenta a desigualdade social! A educação, como proponho, iria amenizar, também, esse fosso que aumenta, a cada ano, entre os muito ricos e os muito pobres e miseráveis.

A desnacionalização do Brasil deve ser contida!

Faz algumas semanas, mantive contato com uma empresa, em São Paulo, localizada em Diadema, a SMS – Sistemas de Energia e fiquei sabendo que foi vendida. Quase todos vocês devem ter em casa um estabilizador ou um no-break dessa marca alimentando o computador pessoal, ou usam na empresa onde trabalha.

Era uma empresa genuinamente nacional; talvez uma das mais bem sucedidas e conceituadas no mercado, devendo, por isso, manter o nome que dá credibilidade.

Foi chocante, quando fiquei sabendo que ela foi vendida, faz pouco, ao capital, estrangeiro. Elas chegam,aqui, fazem uma proposta irrecusável e compram o que acharem conveniente. Que país é este? As coisas vão acontecendo e só, casualmente, ficamos sabendo. Tudo ocorre entre quatro paredes, sob o total controle de meia dúzia de bem informados e interessados.

Já não considero o problema de mais uma ou menos uma desnacionalização. É um crime de lesa pátria!

Dizem que o capitalismo moderno não tem fronteiras, não tem nação. Não é bem assim. O controle dessas empresa tem centro determinado. Os projetos são oriundos das matrizes. Como outras empresa que conheci, transformam-se, em médio prazo, em meras montadoras locais e distribuidoras. Não defendo aquela burra reserva de mercado de informática que tivemos no passado. Agora, sucatear tudo, todo conhecimento adquirido, por menos avançado que seja é uma estupidez sem limite!

Vamos, eternamente, ser fornecedores de matérias primas? O Brasil é um país de dimensões continentais, com cerca de 200 milhões de habitantes!

Até aquilo que desenvolvemos com o trabalho dos nossos engenheiros, com boa qualidade, em vez de receber apoio, incentivo, é vendido com tanta facilidade? Não são somente os produtos, os nossos engenheiros, a médio prazo, serão meros intermediários, pois, todo avanço tecnológico, no futuro, virá de fora. Pensem! Quem tiver tecnologia vai ditar as regras do jogo. Se é assim, agora, mais ainda será no futuro!

A China, com todos seus erros, está pensando sério.

Para onde está indo nosso minério de ferro? Em vez de só esse minério, o nióbio e outras matérias primas, deveríamos estar exportando o aço e produtos dele derivados, só como exemplo.

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    Jotage

    26 de janeiro de 2013 às 14h50

    Lafaite, este é só o resultado da farra das privatizações. O “empresário” brasileiro, monta um negócio e vende logo após a uma multinacional e vai viver bem em Miami.
    Por isto havia a necessidade de desmontar as empresas estatais, pois estas não podem se mudar para Miami.
    Países como a China, mantém uma participação enorme no capital das empresas, de formas que elas não podem ser vendidas aos estrangeiros.
    Mas, aqui empresa estatal é pecado, mesmo nas comunicações, onde estamos beirando o lixo com as telefonicas, tims e quetais.

    Lafaiete de Souza Spínola

    26 de janeiro de 2013 às 16h38

    Jotage,

    O Brasil precisa tornar-se um país sério. Ainda estamos vivendo o pós Coronelismo.

    Um país que não investe na EDUCAÇÃO; que deixa suas crianças no meio do trânsito vendendo balas, que as abandona por aí para serem recrutadas pelo tráfico; não é sério. A classe média que vai comprar quinquilharias em Nova Yorque, faz cara feia e exige pena de morte.

    Uma empresa com um patrimônio, digamos, de 500 milhões de dólares, com pouca proteção das leis, recebe uma oferta no dobro desse valor, o que faz? Se não vende, a multinacional compra uma concorrente e ela vai sofrer uma concorrência predatória. Não temos projeto de país!

    Roberto Locatelli

    27 de janeiro de 2013 às 13h13

    Assino embaixo, Jotage.

    Privataria tornou nossa telefonia uma das mais caras do mundo. E também uma das piores do mundo. Qualidade zero.

    A meu ver, O BNDES deveria colocar um aporte na Telebras de uns R$ 10 bilhões, para que a Telebras possa fazer, nas comunicações, o mesmo papel que a Caixa e o BB estão fazendo no setor bancário.

    Privataria = roubo.

Bernardino

26 de janeiro de 2013 às 12h20

POR issso que o sr LULA ´é bajulado pela imprensa internacional com preminhos aqui outro acolá tudo nao passa de premiaçao da bandidagem anglo europeia pra condecorar SUBSERVIENTES. Enquanto isso fica o PT e as esquerdas congeneres fazendo remendo com donativos sociais tipo bolsa famillia e abrindo mao de impostos pra essas empresa venderem mais e remeterem os Lucros ao Exterior,mas a conta chegara e o tiro sairá pela culatra da pseudo esquerda cretina e canalha que sempre tivemos
Vejam a CHINA como fez ali o CAPITAL se fez em CASA,exportando o que produziam com maioria das empresas estatais e as estrangeiras controladas isso sim é que é Patriotismo nao o nosso Chiqueiro PORTUGUES,corrupto,covarde e traidor da propria Pátria!!!!!

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    fernando

    26 de janeiro de 2013 às 21h54

    Se inveja tanto a China mude-se pra lá.
    O comércio de empresas é feito em bolsas e é livre,para vender ou comprar, tanto que a Vale já adquiriu inúmeras mundo afora. O que deve ser feito , e não sei se é legal , é taxar mais as remessas de lucro,mas tambem teriamos as remessas para o Brasil taxadas.
    A coisa não é tão simples como querem que seja.

Urbano

25 de janeiro de 2013 às 19h23

Calhordice sem tamanho…

Responder

José Eduardo

25 de janeiro de 2013 às 19h00

Isso é grave! Mas é preciso lembrar que muito mais grave é o fato de que um montante de aproximadamente metade do PIB do Brasil está depositado no exterior pertencente a brasileiros ricos e super-ricos. E isso é sem dúvida um crime ainda maior!

Responder

    Roberto Locatelli

    27 de janeiro de 2013 às 13h25

    O caixa 2 da evasão, muito maior que o caixa 1…

Carlos M.

25 de janeiro de 2013 às 13h31

Sabe aquelas vezes em que a gente se pergunta como o governo não toma medidas claramente necessárias quanto reduzir os juros, enfrentar o latifúndio e taxar a mineração? A resposta tá aí: garantir as coisas como estão nessas áreas é fundamental para manter a balança de pagamentos.

Sem a entrada de dólares especulativos e os saldos comerciais providenciados pelas atividades primárias e extrativas, o país, no atual estágio produtivo, quebraria.

Não se trata, portanto, (apenas) de “falta de coragem” do partido no poder em encarar os interesses financistas e agrários, mas do fato de que esses setores sustentam a política-econômica.

Como lembra o Saul Leblon na Carta Maior, esse é mais um efeito da desnacionalização, aliás, já previsto por Celso Furtado quando dizia que se o país perde o controle sobre sua economia, fica díficl subordinar os interesses do dinheiro aos da sociedade.

Vale ler o post de Leblon na íntegra: http://www.cartamaior.com.br/templates/blogMostrar.cfm?blog_id=6&alterarHomeAtual=1

Responder

Carlos Lima

25 de janeiro de 2013 às 13h22

Caro AZENHA, o governo e o congresso parece ter a dom de destruir as MICRO e PEQUENAS EMPRESAS, estão transformando os micros empresários em escravos arrecadadores e há um silêncio total de todo tipo de mídia. A mudança na cobrança do ICMS em produtos importados para 4% simplesmente jogou na lona os micro empresários, Veja o caso de Minas Gerais, a ST(substituição tributária) passou de 15,61% para mais de 24% e a diferença do ICMS que pagavamos 6% passou para 14% se somarmos as duas majorações houve um aumento de imposto brutal na ordem de mais de 17% num país de inflação de pouco mais de 5%. Poque isso foi pervesso com os micro empresários, porque as grandes industrias brasileiras previlegiam os grandes compradores, o que na verdade o congresso e o governo fez, foi punir os pequenos e lhes tirar a competitividade, veja outro fator pervesso que atenuou, a atual LEI de LICITAÇÕES é totalmente incostitucional do ponto de vista que não há igualdade de disputa. Se uma empresa de qualquer outro estado vier disputar a concorrencia em MG, ganhará todas, pois para consumidor final não há cobrança de ST, então seus produtos serão simplesmente mais baratos. O governo DILMA não horrou a promessa para as MICRO e PEQUENAS EMPRESAS, parece ter o dom de destruir o micro empresários que estão ficando doentes diante de tanta taxa e anuidades de conselhos e federações que não tem nada a nos oferecer. Se as micro e pequenas empresas são as que mais geram empregos, porque esta sanha em destruilas? Até agora as pequenas e micro empresas são o boi de piranha para tamanha insensibilidade do governo. O governo alem de transformar os micros empresários em escravos arrecadadores, também está os deixando doentes, pois pasaram a horrar os compromissos doando seu sangue e suor e saúde, viramos na verdade funcionários públicos sem estabilidade e sem salário, são só para arrecadar e tapar rombo de PREVIDÊNCIA, FGTS, SIMPLES,ANUIDADE DE CONSELHOS, ANUIDADE DE SINDICATOS, ANUIDADE DE FEDERAÇÕES, IPTU, IPVA, TAXA DE INCÊNDIO, TAXA DE ALVARÁ SANITÁRIO, ALVARÁ DE LOCALIZAÇÃO, TAXA DE LICENCIAMENTO,TAXAS DE AGÊNCIAS REGULADORAS, TAXA DISSO, IMPOSTO DAQUILO, TAXA DE BOLETO DE COBRANÇA, JUROS EXTRATOSFÉRICOS e as humilhações de sempre do sistema financeiro e dos grandes fabricantes que isolam os micros os expondo aos intermediarios. A vida do micro e pequeno empresário virou um inferno nessa balburdia fiscal e não há um governo sério que resolva isso, mudam as regras com o jogo em andamento e prejudicando quem deveria ser protegido. Vergonha, vergonha, vergonha.. quero comer lama o dia que eu votar nesses crápulas novamente, nunca mais votarei em niguém.

Responder

carlos cruz

25 de janeiro de 2013 às 11h42

E o BNDES emprestando bilhoes as multis, que imediatamente remetem como lucros ao exterior, sem empregar nada no desenvolvimente social/economico/tecnologico do pais.Eo o BNDES continua a empregar as multis…e elas continuam a eviar…e o BNDES continua….

Responder

    Julio Silveira

    25 de janeiro de 2013 às 12h35

    Sou como voce, outro dos chatos que tem tocado nesse ponto. Sei que muitos fazem que não são com eles, outros fazem biquinho de contrariedade.

assalariado.

25 de janeiro de 2013 às 11h25

Carlos Lopes/ Jornal Hora do Povo, estava ansioso por esta matéria, sobre Remessas de Lucros das multinacionais e, entender melhor a sangria imposta pelo capital imperialista monopolista, sobre suas colonias. Brasil incluso.

Um pouco de história, na linha do tempo, sobre a ditadura do capital imposta, via “Estado Democratico de Direito”, sobre os assalariados e a sociedade. Trechos extraidos do livro (CLASSE contra CLASSE) da equipe 13 de maio NEP (Nucleo de Educação Popular).

1) AS COLONIAS DO CAPITAL MONOPOLISTA;

O capitalismo monopolista desenvolveu a industria em grande escala, aumentando muito as forças produtivas. A capacidade de produzir mercadorias cresceu muito mais do que a possibilidade de continuar vendendo estas mercadorias, com lucros. Os excedentes se acumulavam e a taxa de lucros caia. O único jeito era vender estas mercadorias fora do país. Mas o mercado da Europa, já se tornara pequena. Era preciso encontrar outros mercados onde pudessem vender o excesso de mercadorias.

2) A SOLUÇÃO FOI A CONQUISTA DE COLONIAS;

Os países colonizadores dominaram suas colonias politica e militarmente e, impunham suas regras economicas de forma que cada colonia só podia comprar produtos do país que a dominava, tinham também que fornecer suas matéria primas e produtos agricolas para este mesmo país, e só para ele. Assim, alguns países passaram a explorar e dominar outros, transformando -se em potencias imperialistas que é, portanto, a própria exploração capitalista, levada além das fronteiras do próprio país.

3) O IMPERIALISMO LEVA A GUERRAS;

A primeira guerra mundial, por exemplo, é uma guerra entre potências imperialistas para redivir as áreas de influência no mundo. As potencias que perderam a guerra, perderam também suas colonias, como foi o caso da Alemanha. A segunda Guerra mundial, é também, uma guerra para redividir o mundo. Com ela, a potencia que se afirma, ainda mais, são os EUA.

4) AS TRANSNACIONAIS E MULTINACIONAIS;

A função desse novo periodo de internacionalização do capital, a (concentração e a centralização), também chega a nivel internacional. Cada vez mais a acumulação do capital nos países centrais, vem da MAIS VALIA, leia -se lucros, produzida no exterior (remessas de lucros?), e sugada pelas transnacionais. As transnacionais são grandes empresas destes países cantrais que se transportam para outros países capitalistas periféricos, onde montam (compram?) suas filiais.

Abraços Fraternos.

Responder

Julio Silveira

25 de janeiro de 2013 às 09h55

Azenha, parabéns por fazer seu trabalho com competência. Permitir que façamos análise da forma como se constrói o Brasil, concedendo aos leitores mais analiticos e também criticos essa dualidade que pode permitir que a cidadania cresça em conteudo sem as tradicionais vizeiras.
É verdade que muitos ainda preferem ser dirigidos e devidamente arreados com a famosa canga bovina, mas você oferece aos seus leitores, que fazem essa opção, pelo menos, se reconhecerem nesse papel.
Como vejo, meu país segue carente e aberto a aventureiros como no passado, o que me lembra o sabio conselho de D. João a seu filho Pedro(segundo contam os historiadores). Continuamos apesar de tantos dissabores fornecendo flancos abertos para a continuidade de nossas fragilidades. Alguem que tirar lições em seu tempo perceberá que apesar das exultações ocasionadas pelos beneficios transitórios e pontuais, ainda carecemos de uma regulação que solidifique nossos estruturas em beneficio da maioria da cidadania brasileira. Que garante efetivas vitórias. Mas mesmo nesse nosso governo, que apoiei desde o inicio e que neste momento tenho passado a ser deverás critico, percebo que em suas medidas pontuais esconde o propósito mesquinho de ser politicamente correto, de passar incolume agrandando a gregos e troianos, quando sabemos que se pode adiar o inevitavel mas não evitá-lo. E quando isso ocorre o custo, do represamento das demandas, sai muito maior. Mas as demandas a que me refiro não são as sociais, me refiro as estruturais essa que acarreta a outra, na minha visão. No revés consequente e previsivel a revolta chama muitos cidadãos e nesses momentos geralmente dentro da ordem estabelecida o cidadão sem a força, nem das armas, que geralmente está do outro lado, se torna forçosamente o perdedor. Isso tudo so faz tornar frequente a novela histórica de nosso país que são as idas e vindas das chamadas redemocratizações, tão familiar e tão benéfica a manutenção de um status quo imutável.

Responder

FrancoAtirador

25 de janeiro de 2013 às 09h47

.
.
Quando os salários na Europa e nos EUA estiverem suficientemente depreciados,

pelo excesso de oferta de trabalho, as corporações retornarão às origens.

Aí é que a cobra vai fumar… E não vai ser o cachimbo da paz…
.
.

Responder

Mardones Ferreira

25 de janeiro de 2013 às 09h30

Lembram do Raul Seixas:

“A solução pro nosso povo eu vou dar.

Negócio bom assim ninguém nunca viu.

Tá tudo pronto é só você vir buscar

A solução é alugar o Brasil”´

Inovaram no último verso e estão vendendo. Sem a mínima preocupação aparente do governo. Afinal, hoje o Eike – assim como o ministro do supremo – sai em busca de apoio de deus e o diabo para tentar se associar a Petrobrás. Amanhã venderá toda sua participação aos fundos gringos.

Responder

J Souza

25 de janeiro de 2013 às 01h55

E vai continuar aumentando, enquanto o lucro-Brasil continuar extraordinário…
O capitalista busca exatamente isto: altas taxas de retorno para seus investimentos.

E isto está acontecendo com aumentos reais na massa salarial, que por sua vez ampliam a capacidade de consumo, o que atrai ainda mais empresas.

Na minha opinião tudo isto é decorrente da importante, ainda que modesta, distribuição de renda que ocorreu no Brasil nos últimos anos.

Se isto tivesse sido acompanhado de reforma agrária e de melhoria na qualidade da Educação, o país estaria ainda melhor. Mas, nem o piso salarial dos professores, que já é pouco, se paga em muitos lugares do país…

Responder

Fabio Passos

25 de janeiro de 2013 às 01h21

São as perdas internacionais que estão drenando a capacidade do Brasil para superar o subdesenvolvimento.

Que saudades do Brizola!

Responder

Francisco

25 de janeiro de 2013 às 00h11

Às vésperas de sua queda, João Goulart assinou uma instrução da SUMOC que disciplinava o envio de remessas de lucros para as sedes das multinacionais.

Foi a causa objetiva da sua queda.

Desde então, a esquerda latinao-americana vem correndo desse momento decisivo: como não temos burguesia nacionalista (pois o que temos são oligarquias rentistas e não raro, escravocratas, ou seja, uns canalhas letrados e preguiçosos), o que resta é disciplinar o capital gringo.

O capital gringo esta fazendo o seu, defendendo o seu.

E nós… construindo infraestrutura – para eles.

Responder

    João Wiseman

    25 de janeiro de 2013 às 01h16

    Caro Francisco

    Super pertinente e importante seu comentário.

    Estamos entregando ativos e oportunidades futuras em troca de papel impresso com tinta verde.

    O desestímulo para a venda de empresas brasileira é a percepção de segurança e vantagem econômica de se manter sócio de uma empresa brasileira e o desejo de viver no Brasil.

    Complementarmente a imposição de limites a transferência de recursos às matrizes.

    Julio Silveira

    25 de janeiro de 2013 às 09h21

    Respeito e admiro gente inteligente.

    Horridus Bendegó

    25 de janeiro de 2013 às 09h47

    Parabéns por seu comentário, Francisco.

    Concordo plenamente.

    O desenvolvimento do Brasil como Nação foi tragado por esses interesses privados de brasileiros que nunca se assumiram como brasileiros, um gentílico que para eles têm um sentido pejorativo de mestiçagem!

    Roberto Locatelli

    25 de janeiro de 2013 às 11h27

    Cara, que encrenca…

    Na minha percepção, só tem uma saída: socialismo. Por enquanto, os governos de centro-esquerda da América do Sul estão conquistando tímidas melhorias sociais. Mas o caminho escolhido pelo Continente inevitavelmente dará de cara com os interesses do capitalismo. Aí será a hora da escolha: avançar mais, enfrentando o capitalismo, ou retroceder. Para a Europa, essa escolha parece mais próxima no tempo.

denis dias ferreira

24 de janeiro de 2013 às 23h56

Esae é um artigo que eu aguardei a vida inteira.

Responder

Roberto Locatelli

24 de janeiro de 2013 às 23h53

Minha conclusão: por enquanto, os governos da América do Sul estão conseguindo melhorar a vida de seus povos dentro dos limites do capitalismo. Mas é inevitável que, um dia, nosso continente tenha que se decidir por um sistema econômico mais equânimo, ou então haverá retrocesso em todas as conquistas feitas.

Responder

Noir Dias Moreira

24 de janeiro de 2013 às 23h33

O governo do FHC, então, não acabou, certo?

Responder

    Walter

    25 de janeiro de 2013 às 01h17

    Certissimo.
    FHC é o mal encarnado.O erro do PT foi não ter posto essa turma em cana,de forma taxativa.
    Quem cala, consente.


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