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Bancos que lucraram R$ 20 bi só num trimestre já demitiram quase 60 mil desde 2012
Roberto Parizotti/Via Fotos Públicas
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Bancos que lucraram R$ 20 bi só num trimestre já demitiram quase 60 mil desde 2012


25/07/2018 - 21h34

Roberto Parizotti/Via Fotos Públicas

Bancos não garantem empregos

No dia 1º de agosto, ultima rodada de negociação, vai discutir as cláusulas econômicas

por Cecília Negrão

Na quarta rodada de negociação entre a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) e o Comando Nacional dos Bancários, nesta quarta-feira (25), os bancos não garantiram empregos, nem a diminuição de contratações precárias (intermitentes, terceirizados, autônomos, etc).

Os bancos fecham postos de trabalho para reduzir custos e contratar por salários menores. No primeiro semestre de 2018, por exemplo o salário médio daqueles que entravam nos bancos correspondia a apenas 64% do salário médio daqueles que eram desligados das empresas do setor.

“Entre janeiro de 2012 a junho de 2018 os bancos fecharam 57.045 postos de trabalho. Neste período, o lucro dos bancos apresentou forte crescimento. Portanto, a redução do emprego não esta vinculada a problemas de resultado ou queda de atividade, mas sim a uma reestruturação no setor, com uma nova onda de tecnologias poupadoras de mão de obra, além da terceirização via correspondentes bancários. A tecnologia não pode ficar a serviço apenas dos banqueiros. É preciso transações seguras, com a redução do valor das taxas para população e melhores condições de trabalho para a categoria”, disse Ivone Silva, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região e uma das coordenadoras do Comando Nacional dos Bancários.

“Se dizem que não vão contratar intermitentes, temporários, terceirizados, por que não assinam?”, questiona Juvandia Moreira, presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT). “Queremos garantias. Negociação prevê assinatura, é assim que se firma compromissos.”

A dirigente lembra que o que está acontecendo no Brasil já deu errado em outros países.

“Esse tipo de legislação que retira direitos, enfraquece o mercado interno, o sistema previdenciário. Todos perdem para o 1% mais rico ganhar ainda mais”, ressalta Juvandia, uma das coordenadoras do Comando Nacional dos Bancários.

Na semana que vem, dia 01 de agosto, será a última rodada de negociação, e vai tratar das clausulas econômicas.

Categoria reivindica aumento real mais 5%.

Desemprego – De acordo com dados dos balanços das instituições financeiras, os cinco maiores bancos que atuam no país (Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú e Santander) eliminaram 16,9 mil postos de trabalho somente em 2017.

Houve uma redução no emprego bancário de 57.045 postos de trabalho entre janeiro de 2012 e junho de 2018, o que representa uma redução de 11,5% na categoria neste período.

Lucro dos bancos – O lucro líquido dos cinco maiores bancos atuantes no Brasil (Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú-Unibanco e Santander), nos três primeiros meses do ano, atingiu a marca de R$ 20,3 bilhões, com crescimento de 18,7%.

Dados da Categoria — Os bancários são uma das poucas categorias no país que possui Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) com validade nacional.

Os direitos conquistados têm legitimidade em todo o país. São cerca de 485 mil bancários no Brasil, sendo 140 mil na base do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, o maior do país. A categoria conseguiu aumento real acumulado entre 2004 e 2017 de 20,26% e 41,6% no piso.





2 comentários

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Dori Edson Lopes

27 de julho de 2018 às 11h36

Fico pensando.
O que será que fazem com tanto dinheiro?

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maria nadiê rodrigues

26 de julho de 2018 às 08h08

Como usuária do ITAÚ há tantas décadas, conhecendo bem cada gerente, cada funcionário da minha agência, percebo como vivem esses funcionários: sempre atentos à sua vida funcional, muito instável, o que resulta em graves consequências para a saúde deles.
Ouço as histórias, que vão de obesidade a depressão, crise de pânico, razão de muitas licenças, e posterior demissão. Na verdade, isso está em diversos setores, como no do Flávio Rocha, dono da Guararapes e Riachuelo, pelo que se denuncia, mas nada acontece que possa mudar o modo de conviver com seus empregados, tão pouco se faz nada para dar às costureiras afastadas, ou aposentadas, porém sem mais condições de usar as mãos, tal o problema que se agravou com a exploração que a elas se fez.
No caso dos bancos, altamente beneficiados em todos os governos, até mesmo os do PT, independente de inflação ou recessão, penamos nós também quando entramos numa agência. A ausência dos funcionários, ou a visão de uma quantidade insuficiente deles para atendimento ao público, indica bem o que está na matéria.
Vale ressaltar que os banqueiros não apenas são beneficiários dos políticos, como estão integrando a política. Nesses tempos de campanha, invariavelmente esses montantes esdrúxulos, que quase nenhuma categoria percebe, serão parte deles destinados a servir a uns e outros candidatos, porque a praxe sempre foi essa: a de uma boa campanha carecer de muito dinheiro.

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