VIOMUNDO

Diário da Resistência

Sobre


Denúncias

Advogados denunciam a Abril ao Ministério Público


10/06/2012 - 19h59

do Coletivo Advogados para a Democracia

O Coletivo Advogados para a Democracia protocolou na última quarta-feira (06/06) uma representação ao Ministério Público contra a Editora Abril.

Há algumas semanas recebemos a informação de que a empresa circulava por escolas estaduais de São Paulo distribuindo pacotes de figurinhas e bonecos em miniaturas pertencentes a um álbum produzido por ela em uma prática covarde e criminosa de induzir crianças e adolescentes ao consumismo infantil.

Como se isso não bastasse, funcionários devidamente vestidos com camisas com o logotipo da empresa adentraram às escolas sem que a direção dessas escolas consentissem.

Os produtos distribuídos gratuitamente não possuem nenhuma relação com o ambiente escolar, tratando-se apenas de publicidade voltada a seres humanos em fase de formação.

Entendemos que a Editora, com esta prática socialmente condenável, age ilegalmente, pois fere a vulnerabilidade do consumidor, os valores sociais básicos e a própria sociedade como um todo reforçando valores meramente mercadológicos no processo de socialização de crianças e adolescentes, senão vejamos:

– As crianças e os adolescentes não têm maturidade suficiente para discernir que aqueles produtos recebidos não são parte do universo escolar. A Editora se utiliza da vulnerabilidade dos alunos;

– Ao invés das tradicionais propagandas da televisão (fiscalizadas pelo Ministério Público e outras entidades), a Editora se utiliza de subterfúgios para atingir um consumidor vulnerável e protegido pela Constituição Federal, o Estatuto da Criança e do Adolescente, o Código de Defesa do Consumidor, o Código Brasileiro de Auto-regulamentação Publicitária e tantas outras normas que dispõem a respeito;

– É impossível não reconhecer que o local para tal publicidade é inapropriado e está absolutamente desvinculado do contexto do ambiente escolar além de atrapalhar o andamento normal das atividades escolares desviando a atenção dos alunos para os produtos;

– Além disso, ficou explícita a relação de competitividade criada entre os educandos. Aqueles que receberam mais figurinhas e miniaturas se colocavam como superiores a outros que receberam uma quantidade menor. Ato contínuo, nos dias subsequentes, a mesma relação surgiu com os alunos que puderam comprar o álbum e mais figurinhas e miniaturas nas bancas de jornal com aqueles que, por não ter a mesma possibilidade financeira, não puderam fazer o mesmo. Trata-se de uma lógica perversa de socialização entre crianças e adolescentes em processo de formação;

– É necessário perceber a dor, humilhação, sofrimento e constrangimento daqueles cujos pais não têm condições financeiras de comprar o álbum e as demais figurinhas para completá-lo. Eles passam a ser alvo de gozações diárias surgindo a nefasta prática do bullying;

– Para além do universo escolar, é fundamental lembrar do possível conflito que pode existir no âmbito familiar quando um aluno chega em casa com tais produtos pedindo aos pais que comprem o álbum sendo que eles não possuem poder econômico para tanto.

É preciso reiterar que o Estatuto da Criança e do Adolescente adotou, em consonância com a Constituição Federal, o sistema da proteção integral, sempre ressaltando a condição de ser humano em formação e por isso merecedor de cuidados especiais e a Editora Abril com essa prática simplesmente ignora de forma vil todas as legislações que garantem os direitos fundamentais de cidadãos em desenvolvimento.

Ressalte-se que estes menores, alvos do agressivo marketing publicitário da citada empresa, gozam de tripla proteção: como crianças e adolescentes, como consumidores e como usuários dos serviços públicos.

Diante de tais fatos fomos a campo atuando na defesa da criança e do adolescente contra a lógica voraz do mercado que não tem qualquer preocupação social, apenas empresarial.

Leia também:

Celso Schröder: “A Fenaj não vai proteger jornalistas criminosos”

Venício Lima: Jornalistas na CPI, por que não?

NaMariaNews: Por que a FDE só compra Veja, Época e IstoÉ?

NaMaria: Desde 2004, PSDB paulista gastou R$ 250 milhões com a mídia (quase tudo sem licitação)

 





49 comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do VIOMUNDO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie. Leia o nosso termo de uso.

Vlad

11 de junho de 2012 às 19h24

Pior…o que não faltou foi tentativa de governos (todos do psdb — grande novidade! — pelo que eu lembro) pra enfiar publicidade comercial em uniforme escolar.

Nas Alagoas, Heloísa Helena, a banida, foi quem berrou mais alto contra o Teotônio Vilela, o publicitário. Foi no ano passado (acho que não era importante a notícia a ponto de merecer destaque de quem quer que fosse)…mas não espalha, pq ela é persona non grata nos espassos pogrecista.

Responder

    abolicionista

    11 de junho de 2012 às 23h20

    Por que será que falam mal dela? Tem algum palpite?

    Vlad

    12 de junho de 2012 às 10h40

    Dizem que é porque ela, como de regra o PSOL, não “evoluiu” como nós da esquerda cheirosa.
    Mas talvez seja mentira.

    abolicionista

    12 de junho de 2012 às 12h37

    Tenho vários amigos que simpatizam com o PSOL, nenhum deles gosta dela no partido. Talvez porque ela utilize como carro-chefe um argumento moralista…

Luiz G. de Castro

11 de junho de 2012 às 18h23

O tráfico de DROGAS chega às escolas de São Paulo. Robertinho Beira Lama não perdoa ninguém para faturar uma grana.
Com a possibilidade de perder seus parceiros nos governos da prefeitura e do estado, antecipou-se e está tendando vender sem a intermediação dos parceiros, que sempre compraram as drogas produzidas pela Abril e viciavam os incautos.

Responder

Jotace

11 de junho de 2012 às 16h54

Caro Azenha,

Foi importante o blog ter noticiado a ação que o Coletivo de Advogados promove contra a Veja no vergonhoso e criminosos caso da introdução das figurinhas e bonecos nas escolas. Contudo, o buraco deve ser infinitamente mais fundo se for feita uma pesquisa do que acontece com o mercado editorial brasileiro. Nos gigantescos negócios que este proporciona (livros didáticos, assessoria pedagógica às escolas e cursos de formação de professores) não somente a Abril está envolvida, mas ainda outras empresas, inclusive espanholas (Grupo Editorial Santillana, do Grupo Prisa, por exemplo). A mais absoluta impunidade, a ausência de conhecimentos específicos da realidade brasileira, e a ganância que reina no assunto, respondem pela baixa qualidade do material imposto aos estudantes e até aos seus professores, com gravíssimos prejuízos para a nacionalidade. Jotace

Responder

Silva

11 de junho de 2012 às 16h54

São Paulo é terra dos demotucanos. Lá há um desgoverno!

Responder

Apavorado por Vírus e Bactérias

11 de junho de 2012 às 14h15

Isso aí é fichinha perto das barbaridades que esses senhores cometem no País.

Responder

Rodrigo

11 de junho de 2012 às 13h40

Quanta paranoia. Daqui a pouco nem comerciais de brinquedos poderão passar em TV aberta.

Responder

    baader

    11 de junho de 2012 às 16h07

    pois na escandinávia os comerciais de brinquedos são veiculados à noite, para que os pais escolham. fazem assim p/ impedir a criação de uma sociedade de adultos consumistas. talvez isso seja avançado demais para que v.sa.possa entender, acostumado com globos, bundas – lixo, enfim – na tv

    Rodrigo

    11 de junho de 2012 às 20h34

    Prefiro mil vezes ver meus filhos vendo comerciais de brinquedos e bundas na tv do que vivendo em uma sociedade policiada onde um desenho é censurado por mostrar um gato tomando cachaça ou um pica-pau alegando ser o diabo.

    abolicionista

    11 de junho de 2012 às 23h22

    Rodrigo, seu comentário é um exemplo dos males que o excesso de televisão pode causar ao cérebro humano.rs

    lucas

    11 de junho de 2012 às 16h58

    Paranóia o cacete. Escola não é lugar de propaganda e marketing. Muito menos de vendas. Pelo jeito serve para seus filhos. Não para os meus.

    lucas

    11 de junho de 2012 às 17h14

    Deve ser escola para noia.

Ricardo Oliveira

11 de junho de 2012 às 12h11

É sempre bom lembrar que na participação acionária da Editora Abril encontra-se, com percentual significativo, a empresa Naspper, da Africa do Sul. Essa empresa sempre foi a favor do regime do appartheid sulafricano. Com DNA de extrema direita,racista, neofascista, e uma defesa voraz do capitalismo selvagem e suicida, certamente deve influenciar as ações da Abril.

Responder

Bonifa

11 de junho de 2012 às 12h08

A maior culpa é do governo de São Paulo, que faz negócios com a Abril visando a deterioração progressiva do cérebro dos jovens e das crianças paulistas. Quem faz um negócio, faz mil negócios.

Responder

Gerson Carneiro

11 de junho de 2012 às 12h05

Tem aí a permissividade do Estado.

Se fosse qualquer editora fora do quarteto Abril-Globo-Folha-Estadão o comedor de hóstia da Opus Dei já teria colocado a SS no encalço.

Responder

acmsouza

11 de junho de 2012 às 11h44

E o que falarmos de certa imprensa, infamadora, abusiva, distorcida, maquiavélica, totalitária, enganosa, partidária, conluiada com facções criminosas, arbitrária, falseadora, enganosa, embusteira, ¬- e mais o quê?(sic)

Responder

Luciano Prado

11 de junho de 2012 às 11h18

Ministério Público do Estado de São Paulo?

E por acaso existe MP estadual em São Paulo?

Tá de brincadeira…

Responder

    Giuliano

    11 de junho de 2012 às 19h50

    MP=PSDB

abolicionista

11 de junho de 2012 às 10h35

Essa editora deveria ser fechada. Só produz lixo. Seria uma atitude, ao mesmo tempo, cultural e ecológica.rs

Responder

    Rodolfo Testa

    11 de junho de 2012 às 11h29

    Melhor seria entregar ao MST para que administre e produza jornalismo de qualidade e de interesse publico

SILOÉ-RJ

11 de junho de 2012 às 10h29

Até que enfim alguma voz se levanta para esse absurdo. Já que o MP de SP tá no bolso.

Responder

Julio Silveira

11 de junho de 2012 às 10h12

Esse flagra é sintomatico. Existe muita demagogia e hipocrisia por trás desses perseguidores da “ética” nos outros. Objetivos nada culturais, meramente coercitivos, com teor de chantagem. Pouco a pouco se desnuda a nocividade, que visa apenas e nada mais que lucros, acima de tudo.

Responder

eraklito

11 de junho de 2012 às 09h13

Eu teria vergonha de ser um funcionário desse editora.

Lamentável senhores editores da Abril, vocês são uns hipócritas.

Responder

Rogério Floripa

11 de junho de 2012 às 08h04

Deixo um documentário que mostra muito bem o quanto é nocivo esta prática.

Documentário – Crianças do Consumo – A Comercialização da Infância http://bit.ly/Mu5E3G

Responder

Gerson Carneiro

11 de junho de 2012 às 08h03

Isso é tráfico.

A abril distribuindo drogas para a garotada nas escolas.

Responder

Jose

11 de junho de 2012 às 07h29

Como a Veja está encalhada, eles tem que arrumar outras fontes de recursos. Vale tudo para a Editora 1o de Abril.

Responder

Marcio H Silva

11 de junho de 2012 às 00h37

A pior driga distribuida nas escolas paulistas são as revistas da editora abril. É grave o crime cometido contra os alunos…..

Responder

Osvaldo

10 de junho de 2012 às 23h27

O Estado é obviamente co-autor no crime. Ninguém entra em todas as escolas estaduais organizadamente dessa forma, sem que um suprior assim o determine. É mais dos atos criminosos decorrentes da ligação visceral do PSDB/SP com a Ed. Abril.

Responder

Fabio Passos

10 de junho de 2012 às 23h14

Já não basta o preconceito e o racismo que a veja injeta na veia de adultos mal instruídos… agora rupert civita leva um monte de drogas para crianças!

dinheiro é só o que interessa para o pilantra do rupert civita.

governo federal reduz a publicidade na veja… e o civita chantagista ataca o governo federal

daniel dantas paga publicidade para civita … e a veja defende o banqueiro bandido.

governo de são paulo compra o lixo que a veja publica… e a veja elogia serra e esconde a corrupção da privataria tucana

carlinhos cachoeira entrega grampos ilegais para veja atacar inimigos… e a veja publica “reportagens” que beneficiam o crime organizado.

Já estava na hora de enfrentar esta quadrilha midiática.

Responder

renato

10 de junho de 2012 às 22h29

Estes advogados já defenderam os professores alguma vez?
Entraram nas escolas sem permissão da diretoria, e se tivessem armados?
Processar a Abril? Tem que processar as pessoas que fizeram isto?
Alguém já foi levar alguma coisa para as crianças?Se eu fosse criança, gostaria de ganhar um álbum algumas figurinhas e bonequinhos do Dragon.
Mas não ia querer ver o Serra me ensinando nada.
Advogados foram ver as causas do Pinheirinho.Estão querendo aparecer, no vácuo do ódio que alguns tem pelo PIG.

Responder

    roberto

    11 de junho de 2012 às 10h07

    Será que eles também vão investigar a contratação (sem licitação)de assinaturas de publicações dessa editora por parte do desGoverno Estadual para distribuição na rede de ensino público?

    Maria Libia

    11 de junho de 2012 às 11h30

    O seu comentário é bastante elucidativo. Provavelmente vc,quando criança, não recebeu seu presentinho e ficou,esta mágoa até na fase adulta. Seria necessário que esta frustação não seja passada para seus filhos,para que eles possam crescer sem a necessidade de querer qualquer porcaria.

    renato

    11 de junho de 2012 às 22h19

    Depende do que você entende por porcaria. Moras aonde?

    Ellen

    12 de junho de 2012 às 00h55

    Sim, alguns desses advogados são também professores da rede estadual de ensino.
    Estes advogados foram semanas seguidas para SJC e acompanharam (acompanham) de perto o masacre que houve lá.

    Vc acha mesmo que a Editora Abril foi lá distribuir figurinhas para ajudar as crianças?

Roberval

10 de junho de 2012 às 22h11

É necessário jogar luz no poder das trevas para desmascarar as suas sórdidas ações. Neste sentido, é preciso investigar as ligações ilegais de repasse de recursos públicos paulistas para a editora Abril. O Ministério Público Paulista já está trabalhando nisso?

Responder

    Ellen

    12 de junho de 2012 às 00h44

    O MP informou que irá analisar e se achar pertinente a irá instaurar Inquérito Civil, ou irá arquivar. Em 30 dias teremos um retorno

    Conceição Lemes

    12 de junho de 2012 às 01h15

    Ellen, por favor, nos mantenha informados. abs

Marat

10 de junho de 2012 às 21h51

Depois são os comunistas que comem criancinhas, são os comunistas que padronizam as pessoas, são os comunistas que alienam… vai saber… será que o Civita é um comunista disfarçado?

Responder

Geysa Guimarães

10 de junho de 2012 às 21h46

A poderosa Abril só pode estar a perigo, não há outra explicação.
Não bastasse a droga nas portas das escolas, um outro tipo de droga está
sendo marketeado lá dentro.
Faz favor!

Responder

pedro paulo

10 de junho de 2012 às 21h27

Parece que o PSDB não está conseguindo pagar a conta do PIG para esconder as suas sujeiras, afinal o Cachoeira está preso. Alckmin até pediu na justicá para deixar de comprar remédios caros para a população tentando engordar o cofrinho, mas está dificil. R$ 260 mi em assinaturas da Abril não são suficientes, nem os 8% do rodoanel.

Responder

Fabio Passos

10 de junho de 2012 às 21h19

Caramba. O PIG está atacando até as criancinhas.
este rupert civita não tem um pingo de vergonha na cara…

Responder

    pperez

    10 de junho de 2012 às 21h37

    Cara.. que cara! Monstros não tem cara!

    Fabio Passos

    11 de junho de 2012 às 19h14

    … este rupert civita não tem um pingo de vergonha no focinho. rsrs

Emília

10 de junho de 2012 às 20h50

Podia-se esperar o que de um mafioso como o dono da Abril?

Responder

Mauro Alves da Silva

10 de junho de 2012 às 20h46

As mães e os pais são proibidos de entrar nas escolas públicas… mas a imprensa deita e rola e vende suas bugigangas…

Responder

    Molina

    11 de junho de 2012 às 16h24

    O tucano enrustido tá reclamando do quê por aqui? Não ganhou álbum de figurinha de brinde?

    Gerson Carneiro

    11 de junho de 2012 às 18h57

    Molina,

    Eu também fiz essa mesma pergunta para meus botões.


Deixe uma resposta

Apoie o VIOMUNDO - Crowdfunding