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Diário da Resistência


Advogadas denunciam: Eventos e palestras pagos por empresas ameaçam independência do Judiciário brasileiro
Ricardo Stuckert e Lula Marques/Agência PT
Denúncias Falatório

Advogadas denunciam: Eventos e palestras pagos por empresas ameaçam independência do Judiciário brasileiro


20/04/2018 - 23h59

Fotos: Lula Marques/Agência PT

JusDh denuncia influência de empresas no Judiciário brasileiro para relator da ONU

A articulação destaca o patrocínio de eventos da magistratura por empresas e o pagamento de honorários para realização de palestras como ameaças à independência do Judiciário.

Da JusDh

As advogadas da Articulação Justiça e Direitos Humanos (JusDh), Luciana Pivato e Camila Gomes, participaram, nesta terça-feira (17), de reunião com o relator especial da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre a independência judicial dos magistrados e advogados, Diego García-Sayán.

Na ocasião, as advogadas entregaram ao relator uma denúncia sobre casos de influência indevida de empresas no judiciário e de violação ao princípio de independência do Judiciário brasileiro.

Realizada na Universidade de Brasília (UnB), a reunião ainda contou com a participação dos advogados do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, Cristiano Zanin Martins e Valeska Teixeira Zanin, dos professores de direito da UnB, Marcelo Neves, e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Juarez Tavares, do professor do Instituto de Ciência Política da UnB, Pablo Holmes, da advogada do Comitê Brasileiro de Defensoras e Defensores de Direitos Humanos, Paloma Gomes e do representante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Antônio Marcos e as advogadas da JusDh.

Violação do princípio de independência do Judiciário

No documento entregue ao relator, a JusDh destaca que o patrocínio de eventos da magistratura por empresas e a pagamento de honorários aos magistrados para realização de palestras em eventos privados se configuram como um campo permeável à captura corporativa do Judiciário pelas empresas.

A articulação destaca que, ainda que a Resolução 170/2013 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) limite o financiamento empresarial de eventos da magistratura e participação de magistrados em eventos promovidos por empresas, “as regras estabelecidas pelo Conselho Nacional de Justiça não têm sido eficazes para proibir essa prática no país”, diz um trecho da denúncia.

Desde a criação da JusDh, em 2011, a articulação tem denunciado a ineficácia da resolução que disciplina o controle do pagamento de honorários e patrocínio de eventos da magistratura (Veja matéria).

A denúncia ainda aponta que diante da solicitação pela JusDh ao CNJ sobre o monitoramento da Resolução, a articulação foi informada que o monitoramento está suspenso desde 2013 por decisão dos conselheiros.

Também não foram atendidas as reivindicações da articulação, junto ao CNJ, para revisão das normas que disciplinam o assunto.

“No final de 2016, logo após recebermos a notícia da realização do VI Encontro Nacional de Juízes Estaduais pela Associação dos Magistrados Brasileiros, evento que contou com patrocínio de bancos como a Caixa Econômica Federal — um dos bancos com maior número de processos em andamento — enviamos uma denúncia a ministra Carmem Lúcia, presidente do CNJ, e relatamos diversos casos de eventos patrocinados por empresas que explicitam que a norma do CNJ não é suficiente para garantir o princípio da independência do judiciário”, afirma a advogada da Terra de Direitos e JusDh, Luciana Pivato.

Outra forma de estabelecimento de influência do setor empresarial no Judiciário é, segundo a denúncia, o pagamento de honorários à magistrados para realização de palestras. As participações recentes do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, e do juiz Sergio Moro, palestra na escola de Direito da Universidade de Harvard, nos EUA, evidenciam como esta prática é recorrente e pouco transparente.

O pagamento aos ministros do Tribunal Superior do Trabalho pelo Banco Bradesco é exemplar desta ocorrência, como consta a matéria publicada pela Folha de São Paulo.

Outra denúncia realizada recentemente trata das palestras do ministro Barroso para Tribunal de Contas de Rondônia (leia mais).

Pedidos ao relator da ONU

A denúncia feita pela Articulação é de que a Relatoria da ONU solicite informações ao governo brasileiro sobre a independência judicial dos magistrados e ao CNJ sobre o monitoramento da Resolução que trata do patrocínio de eventos jurídicos.

A denúncia ainda solicita que a Relatoria faça recomendações ao país sobre as ameaças à independência judicial, realize uma vista ao país e que os casos de violação à independência judicial sejam incluídas no relatório anual da ONU para o tema.

“A Jusdh espera que a Relatoria possa pressionar para o Brasil crie mecanismos de controle que garantam uma justiça realmente independente e comprometida com os direitos humanos”, destaca a advogada Luciana Pivato.

O relator Diego García-Sayán se comprometeu a ler e analisar as denúncias realizadas pela JusDh.

Denúncia sobre ameaça aos defensores de direitos humanos

Na ocasião, a representante do Comitê Brasileiro de Defensoras e Defensores de Direitos Humanos (CBDDH), Paloma Gomes falou sobre a situação das pessoas que defendem direitos no Brasil.

A violência e criminalização contra defensoras e defensores cresce vertiginosamente no país desde 2015.

A partir da análise destes casos, o Comitê constata a participação direta de agentes do Estado em ações violentas, massacres e chacinas.

A advogada do Comitê, Paloma Gomes, destacou que o Comitê vem chamando a atenção para a seletividade do sistema de Justiça.

“Se de um lado, esse sistema é célere para a criminalização e contenção daqueles que reivindicam a realização de direitos, afrontando, inclusive, garantias constitucionais, do outro lado, é moroso para apuração e responsabilização daqueles que praticam violência contra os defensores/as”.

A advogada citou exemplos como os casos da recente prisão do Padre Amaro, da Chacina de Pau D’arco, e as ordens de despejos determinadas pela Vara Agrária de Marabá (PA) em 2017.

JusDh: Influência de empresas no Judiciário brasileiro by Conceição Lemes on Scribd

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24 comentários

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Eduardo

27 de abril de 2018 às 11h29

Adivinhem quem era presidente do CNJ quando o monitoramento dos patrocínios de empresas foram suspensos! Muita boa fé e até excesso de respeito da comissão aos hipocritas que se corrompem por patrocínios e honorarios.

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Fábio Lima

23 de abril de 2018 às 12h09

Engraçado, quando só Gilmar Mendes, Tóffoli e Lewandowiski participavam de tais em eventos ninguém reclamava né !

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assim falou golbery

23 de abril de 2018 às 11h58

A Gloriosa até que implementou os salários dos altos cargos da república ficando claro que para não haver risco de corrupção isso deveria chegar ao ponto de que toda oferta de ganho por fora disso seria infinitamente inferior ao que se ganha por hora, E o sistema estaria degenerado quando , quiçá para não passar fome, algum aceitasse ganhar menos de R$ 900.000,00 por uma hora de palestra.

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Jardel

22 de abril de 2018 às 02h30

Esses juízes popstars são uma vergonha. É um absurdo que se precise dizer a eles que isso é altamente inadequado.
Essas empresas estão cheias de processos tramitando lá nos tribunais deles! Como podem ser tão promíscuos assim?

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FrancoAtirador

21 de abril de 2018 às 22h16

Senadora irá à Corregedoria Nacional de Justiça [do CNJ]
denunciar proibição de visitas a Lula

Vanessa Grazziotin diz estar preocupada com isolamento
do ex-presidente na Superintendência da Polícia Federal no Paraná

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Neide

21 de abril de 2018 às 21h17

Esse judiciário deve ter uma farda de general embaixo da toga. É uma vergonha Sergio Moro viajar frequentemente para os EUA para dar palestras e fazer lá sabe-se o que.
E o Dallagnol será que cobra menos ou mais que o Moro ?
4 anos de lava jato e ninguém do psdb foi preso.

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FrancoAtirador

21 de abril de 2018 às 20h42

Tudo em Casa

Juíza do Paraná que Barrou Visitas a Lula
é Filha do Médico de José Janene, Político do PP,
Pivô da Corrupção na Petrobras na Lava Jato.

https://twitter.com/luisnassif/status/987696134230507520
https://jornalggn.com.br/noticia/juiza-que-barrou-visitas-a-lula-e-filha-do-medico-de-janene-o-pivo-da-lava-jato-por-alceu-castilho

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assim falou golbery

21 de abril de 2018 às 20h41

O fato é que não se investiriam bilhões e bilhões por diversos meios corruptos ou com total legalidade dada por leis vagabundas , se o estado não tivessem mecanismos de gerar muito mais para turma.

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10156255243494049&set=gm.592878021081466&type=3&theater

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FrancoAtirador

21 de abril de 2018 às 20h01

Detalhe

A Denise Frossard é Veterana
no Mercado de Palestras,
havendo Estrelado até no FBI,
quando ainda era do PSDB.

Ela Lidera um Grupo Fechado
de Juízes NeoNazi-Fascistas
chamado “Magistratura Free”.

https://www.cesarweis.com/sergio-moro-participou-de-encontro-secreto-com-juizes-em-curitiba-objetivo-foi-apoiar-juiz-da-lava-jato/
http://www2.camara.leg.br/deputados/pesquisa/layouts_deputados_biografia?pk=74252&tipo=1

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Luiz

21 de abril de 2018 às 19h47

É a mercantilização do judiciário, quem dá mais, leva

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FrancoAtirador

21 de abril de 2018 às 19h00

Curiosidade

As Palestras de Magistrados
para as Empresas do Grupo Globo
são Gratuitas ou Remuneradas?
.

Responder

lulipe

21 de abril de 2018 às 12h20

Essas palestras aconteceram ou foram de “faz de conta” como umas que conhecemos??

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    Valdeci Elias

    21 de abril de 2018 às 17h43

    Eles não denunciaram “falsos eventos pagos, que ameaçam a independência “.

    renato

    21 de abril de 2018 às 20h01

    RESPONDE VOCE….FAÇA UMA PALESTRA PARA RESPONDER PARA NOSOTROS…

Azevedo

21 de abril de 2018 às 00h15

Acho no mínimo engraçado, os políticos estarem sendo condenados por receberem dinheiro de empresas para suas campanhas, consultorias e palestras; e juízes recebendo dinheiro de empresas também para palestras não configura nada? Só queria entender!!!

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    Julio Silveira

    21 de abril de 2018 às 19h21

    Juizes só não, também os procuradores. Mas eles podem, por que são os unicos que tem no estado brasileiro o direito, dominado.

    maria do carmo

    23 de abril de 2018 às 12h51

    Prezado Azevedo concordo, Mp e Juizes sao venais, vide auxilio moradia, e logico que isso e vergonhoso, se acham deuses, deuses de pe de barro, alem de imoral nos e que pagamos as viagens, fora que deixam de exercer suas funcoes, necessitando mais juizes, e ficam devendo favores as empresas, e a justica vai as favas, agem como os politicos corruptos, e pensar que o judiciario era o poder mais admirado, o judiciario o poder mais bem remunerado perdeu o pudor com raras excessoes, poi a maioria faz a propria lei em detrimento da constituicao onde esta o Supremo que deve ser guardiao da constituicao, da para contar nos dedos de uma mao, o Brasil esta vendo e o mundo esta escandalizado, esta mais de que na hora de reformulacao nesse absurdo! Os juizes perderam o equilibrio cada um faz o que quer, nao podemos nos esquecer quem comecou foi Joaquim Barboza, eu ja dizia que Joaquim Barbosa era o maestro de todo o judiciario quando comecou a rasgar a constituicao!


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