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A campanha contra o herbicida que compôs o Agente Laranja


18/09/2013 - 22h42

O agente laranja foi usado pelos Estados Unidos para desfolhar as florestas tropicais do Vietnã que escondiam os guerrilheiros vietcongs (aqui, em inglês, o legado)

sugerido por Gonçalo de Carvalho, no Facebook

Por que isto é importante

A Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan) e o Instituto Gaúcho de Estudos Ambientais (Ingá), com o apoio do Movimento Gaúcho em Defesa do Meio Ambiente (Mogdema), entre outros movimentos, preocupados que o Brasil se torne o primeiro país a liberar comercialmente um evento para culturas transgênicas ligadas ao uso de um herbicida componente do Agente Laranja, utilizado na Guerra do Vietnã, clama aos membros da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), em especial os relatores, alguns deles pesquisadores de universidades e outras instituições públicas, inclusive do Rio Grande do Sul, a se posicionarem contra a liberação do herbicida 2,4D.

No próximo dia 19 de setembro de 2013, haverá reunião da CTNBio, onde constam três processos de liberação comercial para sementes transgênicas de soja e milho, da empresa Dow AgroSciences, com adaptação ao herbicida 2,4-D, de alta toxicidade, junto com outros herbicidas, entre eles o glifosato e glifosinato de amônio, também tóxicos.

A intenção dos transgênicos é resistir a estes agrotóxicos potentes, que matam as chamadas “ervas daninha”.

Mas, segundo dados do próprio Ministério da Agricultura, no Brasil, em menos de 10 anos (2002-2011), ocorreu aumento de 70% na comercialização destes produtos, enquanto a expansão da área agrícola foi menor (60%). Desde 2009, o Brasil é o país que mais usa agrotóxicos, apesar do advento dos transgênicos na agricultura, a partir da lei de Biossegurança (2005).

O herbicida 2,4-D (ácido diclorofenoxiacético) foi desenvolvido a partir do ano de 1940, durante a segunda guerra mundial, sendo na década de 1960 um dos componentes do agente laranja (junto com o 2,4,5-T, na guerra do Vietnã).

É um produto que foi usado como arma química, causando a morte e malformações em milhares de pessoas.

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) classificou o 2,4-D como Extremamente Tóxico para a saúde (Classe I) e Perigoso para o Meio Ambiente (Classe III).

Os maiores riscos para a saúde residem no potencial de perturbador endócrino, sendo potencialmente cancerígeno. Os perturbadores endócrinos podem causar danos sérios e irreversíveis à saúde humana durante o desenvolvimento fetal e infantil.

Além da característica de teratogênico, com fortes evidências de também ser genotóxico.

Existem alternativas ao uso de herbicidas. A mais inteligente é a busca da necessária reconciliação com os processos agroecológicos, com biodiversidade, mudando o sistema de monoculturas de exportação quimiodependentes, o qual esta sendo responsável pela destruição dos biomas brasileiros.

A Sociedade brasileira exige um debate aberto sobre as consequências destes eventos transgênicos que estão promovendo o uso de agrotóxicos, agora ainda mais tóxicos, comprometendo a saúde da população e o meio ambiente.

www.agapan.org.br; www.inga.org.br; mogdema.blogspot.com

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13 comentários

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Rodolfo Machado

28 de dezembro de 2013 às 10h37

Sobre ratos, transgênicos e queimas de arquivo

Do site da revista da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência):

http://cienciahoje.uol.com.br/colunas/terra-em-transe/sobre-ratos-transgenicos-e-queimas-de-arquivo

Em sua coluna de dezembro, Jean Remy Guimarães comenta a decisão de uma revista científica de retirar estudo já publicado que apontou riscos da exposição a milho geneticamente modificado e pesticida para a saúde em testes com ratos.

Por: Jean Remy Guimarães

Estudo mostrando que ratos expostos a um tipo de milho transgênico e seu herbicida associado desenvolviam problemas de saúde foi retirado um ano após a publicação por “não ser conclusivo”. (foto: Agência de Notícias do Acre/ Flickr – CC BY 2.0)

Em coluna de setembro de 2012, comentei o artigo do professor Gilles-Eric Séralini, publicado na Food and Chemical Toxicology. Esse estudo, realizado ao longo de dois anos, mostrava que ratos expostos ao milho transgênico NK603 e ao Roundup, seu herbicida associado, desenvolviam diversos tumores, além de problemas renais e hepáticos.

Pois, acredite se quiser, o estudo foi retirado pela própria revista, pouco mais de um ano após sua publicação.

Segundo as normas dessa revista (e da esmagadora maioria delas), os únicos critérios que podem levar à decisão de retirar um trabalho publicado na mesma são: falha ética, plágio, publicação anterior em outro veículo ou ainda conclusões não confiáveis, seja por fraude ou erro de boa-fé (erro de cálculo, erro experimental).

No entanto, o editor-chefe da revista, Wallace Hayes, em carta de 19/11/2013 ao primeiro autor, informa a intenção de retirar o estudo da revista, esclarecendo que o fato não se deve a fraude ou sinais de deformação intencional dos dados.

O motivo alegado seriam as “legítimas preocupações relativas ao reduzido número de animais em cada grupo (dez ratos), assim como à escolha da linhagem de ratos utilizada nos testes”. O estudo teria sido ainda retirado devido a seu caráter “não conclusivo”.

A acusação de não conclusividade é parte do cinto de utilidades de todos os lobbies
corporativos incomodados por estudos que ousem duvidar da inocuidade de seus produtos

Note que nenhum dos motivos apresentados se enquadra nos critérios de exclusão explicitados nas normas da revista, o que motivou ríspidos protestos do professor Séralini e equipe, além de promessas de medidas legais. Lembre também que os testes toxicológicos realizados pelas próprias indústrias para licenciar seus produtos, transgênicos ou não, duram apenas três meses (contra os 24 do estudo do professor Séralini), e seus grupos experimentais contêm tipicamente… dez ratos.

A acusação de não conclusividade é parte do cinto de utilidades de todos os lobbies corporativos incomodados por estudos científicos que ousem duvidar da inocuidade de seus produtos. Se dependêssemos de estudos que provem com 100% de certeza que a exposição a chumbo, benzeno, amianto ou produtos de combustão é prejudicial à saúde, estaríamos todos respirando um ar pior que o de Londres no pico da revolução industrial e fumando em elevadores, ônibus, cinemas, escritórios e consultórios. Mas as corporações são assim: quando lhes convém, aceitam 95% de certeza, quando não, nem 100% são o bastante.

As más línguas juram que a decisão da revista se deve à recente inclusão, em seu comitê editorial, do biólogo Richard Goodman, professor da Universidade de Nebraska (EUA) e ex-funcionário da Monsanto. Pode até ser, mas nem precisava disso, pois breves buscas sobre o currículo dos demais membros do comitê revelam que vários deles têm ou tiveram estreitos laços com empresas de tabaco ou agroquímicas (sementes e pesticidas).

Inimigo infiltrado

Diante disso, a maior surpresa talvez não seja a retirada do artigo do professor Séralini dessa revista, mas sim a sua publicação inicial. Afinal, esses setores de atividade não se caracterizam por um histórico de relações harmoniosas com a ciência em geral e a toxicologia em particular.

Mas sabe como é: se você não pode vencer o inimigo, junte-se a ele. Ou infiltre-se. E é precisamente o que as corporações vêm se esmerando em fazer: nuclear todas as instâncias decisórias relevantes para seus interesses, sejam elas nacionais ou multilaterais, incluindo as próprias instituições científicas, como as revistas. Blogues, colunas ou matérias publicadas em qualquer meio de difusão que mencionem as palavras-chave sensíveis ao setor são também imediatamente detectadas, deflagrando uma blitzkrieg impiedosa visando à desmoralização e, portanto, eliminação da ameaça.

Rótulo de transgênico
O congresso brasileiro se prepara para votar pela suspensão da obrigatoriedade da rotulagem de produtos contendo transgênicos. (foto: Vinicius Santana/ Wikimedia Commons)

Se você acha que isso é teoria da conspiração, experimente estudar efeitos sanitários ou ambientais de qualquer coisa que seja produzida por uma entidade com CNPJ e concluir, mesmo que com apenas 95% de certeza, que eles não são inócuos. Você poderá, como o professor Séralini, ser acusado na web de pertencer a um movimento sectário cristão, e entrevistarão suas ex-colegas de jardim de infância, que revelarão que, sim, você grudava suas melecas embaixo da mesa e não trocava de cueca todo dia.

Esta coluna é testemunha privilegiada desse estado de coisas. Embora pouco otimistas e frequentemente ácidos, os textos aqui publicados raramente suscitam comentários de leitores, a menos que tenham como foco temas sensíveis para setores corporativos, como efeitos de pesticidas, transgênicos, emissões de carbono. Colunas sobre esses temas geram invariavelmente reações iradas, repetitivas, mas sempre instrutivas. Mas quem sabe resolvem ficar quietos desta vez, só para me contradizer?

Cientificamente, a suspensão da rotulagem só faria sentido se tivéssemos 95% de certeza que os transgênicos são inócuos à saúde

E enquanto não vêm a público os dados de novos estudos de longa duração sobre os efeitos de transgênicos, recomendados pela Agência Europeia de Segurança Sanitária da Alimentação, do Ambiente e do Trabalho (ANSES), o congresso dos ‘Estados Unidos do Brasil’ se prepara para votar uma resolução suspendendo a obrigatoriedade de rotulagem de produtos contendo transgênicos.

Cientificamente, a suspensão da rotulagem só faria sentido se tivéssemos 95% de certeza que os transgênicos são inócuos à saúde.

Temos mesmo, ou seria só queima de arquivo?

P.S.: Feliz ano novo, de preferência com uma ceia orgânica. Você nunca vai conseguir, se não tentar.

Jean Remy Davée Guimarães
Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho
Universidade Federal do Rio de Janeiro

Responder

Mário SF Alves

19 de setembro de 2013 às 21h32

É a quase morte da agricultura e o dar à luz ao monstro chamado agroindústria. Sorte nossa é existir ainda a agricultura familiar, um resquício de agricultura.
_________________________
Agronegócio pode até ser estratégico. E é. Mas… até para a prepotência corporativa há [ou tem de haver] limites.
________________________________
Corporações sequestradoras de estados. Psicopatas [mesmo!] em sua grande maioria.

Responder

Urbano

19 de setembro de 2013 às 13h40

A qualquer instante estarei de alguma forma pronto para pegar em armas e defender minha Nação. Agora, desafiarei até o cão, mas nunca farei isso para agredir um país e seu povo, no simples intuito de usurpá-los, de submetê-los às idiossincrasias de bandidos.

Responder

Eunice

19 de setembro de 2013 às 13h24

´

Chamem o Xicograziano para perguntar….. ele lutou muito pela liberação de tudo isso….

Responder

    Mário SF Alves

    19 de setembro de 2013 às 21h42

    O Chico? A antítese do *José Graziano da Silva?

    _________________________________
    *José Graziano da Silva (Urbana, 17 de novembro de 1949) é um agrônomo, professor e escritor brasileiro. Como acadêmico, escreveu diversas obras sobre a questão agrária no Brasil.1 Entre 2003 e 2004, atuou no gabinete de Luiz Inácio Lula da Silva como ministro extraordinário de Segurança Alimentar e Combate à Fome, sendo o responsável pela implementação do Programa Fome Zero, iniciativa que contribuiu para que 28 milhões de pessoas deixassem a linha da pobreza durante o governo Lula.2 Em 26 de junho de 2011, foi eleito diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), sendo o primeiro latino-americano a conseguir tal cargo.3 Seu mandato se iniciou em janeiro de 2012 e tem previsão para terminar em julho de 2015.

    Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Graziano
    ______________________________________
    Chico Graziano, ex-ministro do FHC, o que declarou isso “O MST se tornou quase um movimento terrorista.”?

    Fonte: http://www.quemdisse.com.br/frase.asp?f=o-mst-se-tornou-quase-um-movimento-terrorista&a=chico-graziano&frase=53691

Eunice

19 de setembro de 2013 às 13h23

São as pessoas, e não só o desgoverno…..

Qual a última vez que você viu algum trouxa capinando?? inclusive as calçadas?

Até prefeituras usam isso de montão…

Responder

Eunice

19 de setembro de 2013 às 13h22

Herbicidas são usados até por pequenos agricultores no Brasil. Herbicida ou mata mato. Nem todas as culturas admitem o uso de máquinas de carpir.
Nem todos tem essas máquinas. Barato e altamente incentivado pelos agrônomos, inclusos os do Banco do Brasil e assemelhados é o veneno mata-mato-mata pessoa.Financiam a juros baratos, dão receita, fazem propaganda, etc etc

E tudo vai para as águas. Nenhum filtro ou química é capaz de tirar esses venenos das águas.

Responder

Eunice

19 de setembro de 2013 às 13h18

Não acredito em Marina Silva nem em Dilma nesse assunto.

Chico Mendes morreu.

Fábio Feldman ????!!! Cadê????

E nem acredito em Deus salvador! Só na Deusa Natureza, mas esta demora a dar o troco e leva junto uns desavisados…

Responder

Jorge Santos

19 de setembro de 2013 às 11h36

Nascido Nos E.U.A. (Bruce Springsteen)

Nasci em uma cidade pequena
Comecei a apanhar da vida desde pequeno
Você vira um cachorro que apanhou muito
Até que gasta metade da sua vida apenas limpando a sua barra

Nascido nos E.U.A
Eu nasci nos E.U.A
Eu nasci nos E.U.A
Nascido nos E.U.A.

Me meti numa pequena confusão em minha cidade natal
Então eles colocaram um fuzil na minha mão
Me enviaram para uma terra estrangeira
Para ir e matar o homem amarelo

Nascido nos E.U.A…

Volto para casa, para a refinaria
O homem que contrata diz: “Filho, se dependesse de mim”
Mostrei para ele minha carteira de veterano de guerra
Ele disse “Filho, você não tá entendendo”

Tinha um irmão em Khe Sahn, combatendo o Viet Cong
Eles continuam lá, ele morreu
Ele tinha uma mulher que ele amava em Saigon
Eu tenho uma foto dele nos braços dela agora

Debaixo da sombra da prisão
Ou perto das chamas de gás da refinaria
Estou há 10 anos sem rumo
Nada para fazer, nenhum lugar para ir

Nascido nos E.U.A

Sou um cara muito maneiro nos E.U.A.

Responder

Mardones

19 de setembro de 2013 às 09h16

Concordo.

Responder

Julio Silveira

19 de setembro de 2013 às 08h38

Interessante é que nos States, nem no mundo de seus parceiros, ninguém falava em guerra química, quando jogavam toneladas de agente laranja no Vietnam.
Mas principalmente como é estranha a mídia mundial, que abafa terrores causados por seus parceiros ou ídolos simbólicos, e costumam evidenciar terrores muita vezes menos virulentos quando praticados por seus adversários. E nos engolimos tudo isso docemente, no efeito lavagem cerebral. Mas o mais incrível é que pouco se preocupam com possíveis vitimas, se o parceiro proporcionar todas as justificativas para lucrarem mesmo a custa do envenenamento das cidadanias do mundo. Ética e uma coisa que os senhores do mundo, e seus Goebells, relativizam com grande facilidade. E hipocrisia não é palavra de sua preferencia, para substitui-la, indevidamente, usam a expressão pragmatismo.

Responder

Abner

19 de setembro de 2013 às 00h42

Esta notícia é inacreditável! Vale lembrar a empresa que criou o agente laranja: A Monsanto! É um absurdo a qualquer país consciente permitir que esta empresa atue em seu território! Esta arma química que matou milhares de pessoas no Vietnã deixou consequências até hoje, 40 anos depois! E agora querem aplicá-la em nossa alimentação?! Com qual objetivo? Por que???

http://www.redebrasilatual.com.br/ambiente/2013/09/transgenicos-semente-que-nao-foi-aprovada-nos-eua-chega-ao-brasil-999.html

http://www.bbc.co.uk/portuguese/videos_e_fotos/2013/09/130910_vietna_laranja_dg.shtml

Responder

    Robson

    19 de setembro de 2013 às 18h13

    Não foi a Monsanto que criou o Agente Laranja e sim a DOW Química, que depois que acabou a guerra do Vietnã, desovou seus estoques na América latina com o nome de Tordon 2,4D. Um desfoliante altamente potente, a Monsanto tem outro chamado Roundup, que também é muito potente, uma verdadeira desgraça todos os dois. O negócio é trocar o óleo vegetal de cozinha por banha de porco e o a margarina por manteiga. Muito mais saudável, tenha certeza, minha tia avó morreu com 101 anos, comendo isso, ainda comia tripa de porco frita. Essa química já nos tornou dependentes desses produtos, hj tirando os hortfrutos, quem comanda os grandes mercados são três empresas, elas ditam o que vc vai comer, e o pior, médicos e nutricionistas vão embarcando nessa falácia.


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