Atendendo chamado da Federação de Enfermagem da Venezuela, o Cofen lançou formulário para mapear as necessidades dos profissionais atingidos e ativou o Enfermagem Solidária – Venezuela, que oferece acolhimento emocional em espanhol
Por Clara Fagundes, no site do Cofen
Em cooperação técnica com a Federação do Colégio de Profissionais de Enfermagem da Venezuela, o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) deu início a ações de apoio aos profissionais de Enfermagem venezuelanos afetados pelos terremotos, que deixaram pelo menos 4.561 mortos. As medidas incluem acolhimento em saúde mental, cooperação técnica internacional e um levantamento da situação dos trabalhadores atingidos.
A iniciativa atende chamado da federação venezuelana, que teve sua estrutura destruída, e da Federação Panamericana dos Profissionais de Enfermagem (Feppen). A presidente Ana María Velázquez relatou, em reunião com o Grupo de Trabalho SOS Venezuela, instituído pelo presidente do Cofen, Manoel Neri, situação crítica. “A Federação não tem internet”, citou.
“O Colégio de Enfermagem de Caracas está funcionando como centro de arrecadação, com um voluntariado de 300 enfermeiras. Essas profissionais estão atuando nos hospitais de campanha que foram instalados em Caracas e em La Guaira. Seguindo o protocolo, as equipes são revezadas a cada três dias. Esse pessoal está sendo deslocado para La Guaira, que é o principal epicentro da emergência”, relatou.
Metade dos profissionais de saúde em La Guaira foi diretamente impactada, segundo o representante interino da OPAS na Venezuela Armando de Negri. “Mais ou menos 50% foram afetados, e uma proporção ainda não determinada está desaparecida, morreu ou ficou ferida”, disse Negri, em coletiva nesta quinta-feira (9).
Formulário mapeia profissionais afetados e suas necessidades
Uma das principais demandas da federação é o mapeamento dos profissionais atingidos e suas necessidades. Levantamento preliminar identificou pelo menos 400 profissionais de Enfermagem diretamente afetados pelo desastre, entre trabalhadores que perderam suas residências, sofreram prejuízos materiais, tiveram suas atividades interrompidas ou enfrentam sobrecarga física, emocional e psicossocial em razão da resposta à emergência. A federação destacou a experiência brasileira na gestão de crises e propõe uma cooperação voltada ao fortalecimento da capacidade de resposta da Enfermagem venezuelana, sem prestação direta de assistência à população.
O Cofen desenvolveu o formulário SOS Venezuela, inspirado na metodologia utilizada durante as ações do SOS Chuvas, para identificar profissionais afetados, mapear necessidades e subsidiar o planejamento das ações de apoio. “Esse mapeamento vai nos ajudar a identificar necessidades mais urgentes e, na próxima etapa, realizar a distribuição de ajuda humanitária”, afirma o coordenador do Grupo de Trabalho (GT) do SOS Venezuela, Eduardo Fernando Souza.
“As ações do Cofen estão alinhadas às Diretrizes do International Search and Rescue Advisory Group (INSARAG). Enquanto as equipes USAR permanecem na fase de Busca e Resgate em Estruturas Colapsadas, o Cofen atua por meio da ativação de seu COE, realizando o monitoramento do cenário, a gestão das informações, a avaliação das necessidades e o planejamento da resposta institucional”, explica Eduardo.
Autoridades sanitárias preveem uma longa crise de saúde na Venezuela, com a necessidade de cirurgias e reabilitação. O gerenciamento de resíduos é um problema. “O gerenciamento de entulhos, quando se vê a escala da devastação, é muito preocupante”, diz Veronique Durroux, porta-voz da agência humanitária da ONU para a América Latina e o Caribe. “Está muito quente e há muita preocupação com possíveis doenças transmitidas por vetores”, relata.
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Enfermagem Solidária
O Cofen lançou, ainda, programa de acolhimento em saúde mental destinado aos profissionais atingidos, com apoio de enfermeiros voluntários especialistas em saúde mental e proficientes em espanhol. “Já temos 16 enfermeiros especialistas cadastrados para iniciar o atendimento, aguardando o chamado da federação”, afirma o coordenador da Câmara Técnica de Enfermagem em Saúde Mental do Cofen, Anderson Funai, que integra o GT.
Iniciado durante a pandemia, o Enfermagem Solidária oferece apoio emocional e escuta qualificada aos profissionais em situações adversas. O atendimento é sigiloso.
Em nota, o Cofen destacou que compartilha a dor do povo venezuelano e reconheceu “a coragem, a dedicação e o espírito humanitário dos profissionais de Enfermagem que, mesmo diante de perdas pessoais e da destruição provocada pelo desastre, permanecem firmes na missão de cuidar da população”. A Venezuela enviou cerca de 250.000 litros de oxigênio hospitalar para Manaus durante o colapso sanitário da pandemia de covid-19, entre janeiro e fevereiro de 2021.
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