VIOMUNDO

Diário da Resistência


Blog da Saúde

Rocinha: Preconceito social, problema de saúde pública?


12/11/2011 - 14h48

por Conceição Lemes

Em  fevereiro,  publiquei aqui no Blog da Saúde a matéria Parceria PUC-RJ, Viramundo e Rocinha dá samba, ops!, saúde. A Viramundo é uma ONG presidida pelo médico e professor Flavio Wittlin, que atua na área de educação em saúde, desenvolvendo um trabalho muito interessante com a comunidade da favela da Rocinha, no Rio de Janeiro.

“O preconceito social é  fator de adoecimento para quem o sofre e expressão de patologia social para quem o exerce”, observa o médico Flavio Wittlin. “Assim, preocupados com a questão que muitas vezes apresenta-se camuflada e não ousa dizer o seu nome, os jovens moradores da comunidade tiveram a ideia e fizeram um vídeo sobre o tema. Por meio desse vídeo, eles buscam afirmar o seu sentimento de rejeição ao preconceito e à discriminação.”

“O tráfico no morro sempre foi a ponta visível, denunciada e estigmatizada do novelo, cuja ponta mais importante está no consumo da droga pelos círculos mais abastados da sociedade e na sua mercantilização belicosa”,  observa Wittlin. ” Só que esses jovens  não querem mais  ser responsabilizados pela violência social. Eles  esperam, sim, uma mudança de cenário no lugar onde moram, com paz, justiça e oportunidades.”

O vídeo abaixo faz parte dessa mudança de cenário.

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Por Laurindo Lalo Leal Filho



12 comentários

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FrancoAtirador

14 de novembro de 2011 às 18h13

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Para delatar casos de policiais envolvidos com o tráfico,

o traficante Nem poderá ter proteção judicial, diz Beltrame

Keila Cândido, na Revista Época

Após o primeiro dia de ocupação da favela da Rocinha, onde vivia o traficante mais procurado pela policia do Rio de Janeiro, Antônio Bonfim Lopes, o Nem, o Secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, disse em entrevista ao jornal Bom Dia Brasil, na manhã desta segunda-feira (14), que Nem pode ter proteção judicial.

O objetivo é fazer o traficante delatar casos de policiais envolvidos com o tráfico.

“Seria uma oportunidade importantíssima o oferecimento de alguma medida judicial para que ele pudesse contribuir com a Justiça e, obviamente, com a polícia. Qualquer tipo de palavra ou assunto no depoimento dele vai ser minuciosamente [analisado]. (…) Nós temos policiais que prestam certo tipo de ajuda a ele [Nem] fora da favela. E ele tem basicamente dentro, mas ele conta com algum serviço de segurança fora”.

Em sua prisão, na quinta-feira (10), nas vésperas da ocupação da Rocinha, o traficante disse que parte do dinheiro que ganhava com o tráfico ia para as mãos de policiais.

http://colunas.epoca.globo.com/ofiltro/2011/11/14

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Fabio_Passos

13 de novembro de 2011 às 23h13

Eu penso que o preconceito contra as populações das favelas é fruto podre da cobertura midiática no Brasil.
rede globo, quadrilha veja, estadão e fsp mostram cotidianamente a visão estereotipada de que a população pobre é a responsável pela violência, quando na verdade os pobres são as principais vítimas da violência institucionalizada pelo regime da minoria rica.

A responsabilidade pela violência no Brasil é da "elite" branca e rica.
São os ricos que construíram uma das sociedades mais desiguais do mundo.

Os ricos são o crime!

Responder

John

13 de novembro de 2011 às 16h45

Palavras do traficante NEM:
“UPP não adianta se for só ocupação policial. Tem de botar ginásios de esporte, escolas, dar oportunidade. Como pode Cuba ter mais medalhas que a gente em Olimpíada? Se um filho de pobre fizesse prova do Enem com a mesma chance de um filho de rico, ele não ia para o tráfico. Ia para a faculdade”.
. “Bom é poder ir à praia, ao cinema, passear com a família sem medo de ser perseguido ou morto. Queria dormir em paz. Levar meu filho ao zoológico. Tenho medo de faltar a meus filhos”, diz. “Quero pagar minha dívida com a sociedade”, afirma ainda. “Eu digo a todos os meus que estão no tráfico: a hora é agora. Quem quiser se recuperar vai para a igreja e se entrega para pagar o que deve e se salvar.”
http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,em-en

Que dirão os opositores (Zé Bolinha e seu bando) sobre essas falas?

Responder

FrancoAtirador

13 de novembro de 2011 às 16h10

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O TRAFICANTE DA ROCINHA E O BRASIL DE LULA

"…a UPP não adianta se for só ocupação policial.
Tem de botar ginásios de esporte, escolas, dar oportunidade.
Como pode Cuba ter mais medalhas que a gente em Olimpíada?
Se um filho de pobre fizesse prova do Enem com a mesma chance de um filho de rico, ele não ia para o tráfico. Ia para a faculdade…
(Lula) é quem mais combateu o crime, por causa do PAC.
Cinquenta dos meus homens saíram do tráfico para trabalhar nas obras.
Sabe quantos voltaram para o crime? Nenhum.
Porque viram que tinham trabalho e futuro na construção civil"

(Antonio Francisco Lopes, o 'Nem', chefe do tráfico na Rocinha, em entrevista a Ruth de Aquino-Época, antes de ser preso, na última 4ª-feira)

Carta Maior; Domingo, 13/11/2011

Responder

Caracol

13 de novembro de 2011 às 16h04

O problema da cidade é (ou está) na favela?
Ah, é?
Pois o problema da favela é a cidade que a cerca.
O problema não é a favela, mas sim o que a torna favela.
A favela é apenas o atestado de incompetência da cidade, o sinal de falência da sociedade que vegeta nela.
Vegeta sim, pois alguém pode chamar de vida humana o viver numa cidade "muderna"?
Vocês que vivem numa cidade grande, pessoas neuróticas e enfurecidas, prontas pra pular no pescoço do outro, vocês chamam isso de vida?
Ah é?
Pois saibam que a violência não é o que se faz na favela, mas sim o que a faz ser favela: ausência do Estado, esgoto a céu aberto, insegurança, falta de garantias de cidadania, emprego, escola, saúde pública, o diabo. Aquilo é que é violência.
A questão não é polícia nem UPP, a questão é por que aquele lugar virou favela, e se essa questão não for resolvida, a favela vai continuar existindo e incomodando. Aqui ou ali.
Vocês que vivem num prédio residencial da zona sul do Rio, perguntem-se se como sociedade vocês têm competência pra resolver problema de favela, perguntem-se se a qualidade de suas vidas é necessariamente superior à da favela. Perguntem-se isso no momento em que entrarem no elevador, dizerem "bom dia" pro vizinho de cima e receberem nada de resposta além de um olhar furibundo, ou na melhor das hipóteses, um olhar, digamos, desconfiado. ("Bom dia"? o que você quer dizer com isso?) Depois, ao cruzar com outro vizinho e notar seu braço cheio de marcas de pico. Ou quando chegarem na garagem terem que apartar, ou melhor, ficar assistindo briga de vizinhos por causa de vaga. Ou ter que ouvir aquele papo babaca de que o favelado tem a melhor vista e não paga IPTU…E por aí vai…
Uhn!

Responder

FrancoAtirador

13 de novembro de 2011 às 15h48

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ROCINHA E A ESPECULAÇÃO IMOBILIÁRIA

Com uma área de 95 hectares, mais de 100 mil habitantes e uma população relativamente jovem, divisões econômicas como em qualquer grande cidade e mais de cinco mil empresas instaladas, é este o retrato geral da maior favela brasileira traçado a partir dos dados recolhidos pelos Censos 2009. A Rocinha é uma cidade dentro da grande cidade que é o Rio de Janeiro.

Famílias abastadas vivem de aluguel de imóveis

As famílias abastadas da Rocinha são predominantemente as proprietárias de prédios na comunidade e sua fonte de renda vem dos aluguéis dos imóveis. Os donos de lojas de materiais de construção também estão incluídos na classe média alta da favela. No entanto, durante o censo de 2009, apenas 1,5% dos entrevistados disse ganhar mais de dez salários-mínimos. Uma parcela de 45% respondeu ganhar entre um e três salários mínimos e cerca de 30% disseram não ter renda.

– Embora haja famílias com renda alta, até superior a de moradores do Leblon, a Rocinha não é uma comunidade rica. Os contrastes ainda são muito grandes. O PAC trouxe melhorias, com a instalação de novas unidades habitacionais, creche, UPA, complexo esportivo e centro cultural e a transformação becos em ruas com acesso de veículos. Mas a comunidade ainda tem muitas carências, como na questão de saneamento e abastecimento de água. Há valões correndo sob as construções, que apresentam problemas graves de umidade nas paredes e no chão – diz o urbanista Marat Troina, integrante da equipe que elaborou o PAC Rocinha, além de ter sido o coordenador canteiro social do PAC.

O Censo da Rocinha (que ouviu 73.400 moradores) serviu para dar uma dimensão mais aproximada do número real da população, ainda de maioria nordestina.

– São dados populacionais que vêm sendo atualizados, por meio de relatórios, desde o Censo de 2009. O último deles aponta que a Rocinha tem 101 mil habitantes – explica Marat, que convive com os moradores da comunidade desde 2005.

E trata-se de uma população jovem, pois 11,6% têm entre 25 e 29 anos, 10,9% entre 20 e 24. Apenas 1,4% têm 65 e 69 anos e 0,7% entre 75 e 79 anos.

Outro dado curioso sobre a "cidade" Rocinha, levantado para as obras do PAC, diz respeito à propriedade: 61,6% dos moradores vivem em imóveis próprios e apenas 34,4% em alugados. E, ao contrário de outras favelas cariocas, onde famílias vivem em imóveis de apenas um cômodo, na Rocinha a qualidade de vida parece ser melhor: 33,1% das pessoas moram em imóveis com quatro cômodos, 24,2% de três cômodos, 16,8% de cinco, 6,3% de seis e 3,1% de sete ou oito cômodos.

Com exceção dos bolsões de pobreza, a maioria absoluta dos dos imóveis (89,8%) da Rocinha é de alvenaria. O restante foi erguido em madeira, material misto ou restos de materiais.

A abertura da Rua 4, durante as obras do PAC, trouxe prosperidade à região, principalmente ao comércio – a favela tem cerca de cinco mil empresas. No entanto, Marat, embora defenda mais investimentos em infraestrutura para a comunidade, alerta para um perigo: a valorização dos terrenos e dos imóveis da Rocinha fará crescer a especulação imobiliária e, consequentemente, a demanda por mais espaços disponíveis. Para o urbanista, os investimentos na Rocinha devem estar acompanhados de mais leis urbanísticas.

– Quanto mais se investe numa área, mais ela se valoriza. A tendência, então, é crescer a demanda por mais áreas disponíveis, o que pode ocasionar, no caso da Rocinha, uma expansão em direção à mata ou forçar a verticalização. Hoje, já existe restrição ao gabarito dos imóveis, mas é preciso que se estabeleça novas regras, por exemplo, para definir o afastamento de um imóvel para o outro e em relação à própria faixa de circulação dos moradores. Não adianta impedir a verticalização se os prédios vão avançar para os lados. Sem legislação, os moradores poderão perder em qualidade de vida apesar dos investimentos na comunidade – alerta ele.

http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/n

Responder

Rocinha: Preconceito social, problema de saúde pública?

13 de novembro de 2011 às 11h00

[…] por Conceição Lemes, no Viomundo. […]

Responder

Lu_Witovisk

13 de novembro de 2011 às 10h16

Parabens ao professor e aos jovens! Ao meu ver o maior problema do preconceito social ocorre quando a vítima se convence que é inferior, mas o povo está acordando, está descobrindo o seu valor além do que "querem". Esse vídeo e o texto sobre o preconceito em Trancoso são 2 ótimos exemplos.

Responder

Fernando

12 de novembro de 2011 às 20h08

Entrevista com o Nem:

Ídolo “Meu ídolo é o Lula. Adoro o Lula. Ele foi quem combateu o crime com mais sucesso. Por causa do PAC da Rocinha. Cinquenta dos meus homens saíram do tráfico para trabalhar nas obras. Sabe quantos voltaram para o crime? Nenhum. Porque viram que tinham trabalho e futuro na construção civil.”
http://revistaepoca.globo.com/tempo/noticia/2011/

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Ceiça Araújo

12 de novembro de 2011 às 17h13

Interessante trabalho desses jovens! Acredito que há muito preconceito em relação à favela, mas isso já começa a mudar. Há uma luzinha no final do túnel mostrando a mudança.
Numa das entrevistas, uma senhora diz que o tráfico está na favela. E eu digo que o maior usuário das drogas se encontra nos asfalto. É preciso mostrar isso! As drogas existem porque existe quem as consome. E por serem, normalmente, muito caras, a maioria dos seus usuários pertencem classes sociais abastadas. Vamos mostrar os dois lados da questão.

Responder

FrancoAtirador

12 de novembro de 2011 às 17h04

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NOTÍCIA PARA TURISTA EUROPEU LER
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Prisão de Nem é maior cartada em pacificação, diz 'Wall Street Journal'

Uma reportagem do diário Wall Street Journal publicada nesta sexta-feira avalia que a prisão do traficante Antonio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, é "o maior golpe até agora" do governo fluminense contra o tráfico, na tentativa de pacificar os morros antes da Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016.

A prisão de Nem é destaque em vários jornais da imprensa internacional nesta sexta-feira. As reportagens destacam a vontade política do governo do Estado do Rio para retomar áreas da cidade controladas pelo tráfico, antes que os olhos do mundo se voltem para o Brasil por conta dos eventos esportivos.

"A captura de Lopes vem no momento em que a polícia prepara uma invasão da favela que ele comandava, como parte de uma campanha para tornar a cidade mais segura", afirma reportagem publicada na versão americana do WSJ.
"No início, os céticos previram que os esforços do governo para restaurar o controle das favelas fracassaria. Mas as unidades de elite da polícia alcançaram um sucesso inesperado, em grande parte porque muitos moradores da favela na verdade sempre quiseram a presença da polícia."

Prisão de Nem demonstra 'vontade política' para pacificar morros, dizem jornais

Início da 'batalha'
Na Grã-Bretanha, o tema mereceu destaque no diário The Daily Telegraph, para quem "a batalha pela maior favela do Brasil começou".
A reportagem do diário britânico diz que "os moradores da Rocinha e dos bairros vizinhos ricos foram tomados pelo medo, entre temores de que a operação pudesse levar a batalhas a pleno céu aberto entre policiais e gangues criminais armadas com metralhadores, fuzis e granadas".

Na Espanha, o diário El País traz um perfil de Nem, contando a "meteórica carreira" que o levou para a posição número 1 do crime organizado na Rocinha.
"A imagem patética de Nem, algemado, com o gesto inexpressivo, embarcando no carro blindado que o levou para o presídio de segurança máxima Bangu, contrasta coma extraordinária lenda do jovem que chegou do nada ao ápice do crime organizado", escreve o correspondente do jornal espanhol.

Um breve perfil de Nem também é oferecido pelo diário português Público, sob o título de "O Poderoso Chefão".
Em duas reportagens que ocupam espaço de página dupla no jornal de formato tabloide, a repórter destaca que a Rocinha vive uma "tensão" porque está "prestes a ser invadida pela polícia".

Em entrevista com moradores da favela, o jornal relata a suposta imagem positiva de que Nem gozava em sua própria comunidade.
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SE MURDOCH & CIA DIZEM QUE ESTÁ BEM, ENTÃO ESTÁ BEM.
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Responder

    Lu_Witovisk

    13 de novembro de 2011 às 10h20

    Vamos ver se o PIG vai seguir a linha…


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