VIOMUNDO

Diário da Resistência


Nicolelis: “Fim de máscaras em locais fechados de SP é apenas manobra política”
Professor Nicolelis (@MiguelNicolelis): "O Brasil vai precisar de uma Comissão da Verdade para responsabilizar os gestores irresponsáveis por seus atos irresponsáveis, desumanos e criminosos". Fotos: Reprodução de rede social e divulgação
Saúde

Nicolelis: “Fim de máscaras em locais fechados de SP é apenas manobra política”


18/03/2022 - 16h28

Por Conceição Lemes

Nessa quinta-feira, 17-03, pouco antes das 17h, o governador de São Paulo João Doria (PSDB) anunciou em programa de televisão e no seu perfil em redes sociais o fim da obrigatoriedade do uso de máscara em locais fechados no estado.

Foi por meio de decreto, assinado e publicado ontem mesmo e que já está valendo. A máscara continuará obrigatória no transporte público e nos serviços de saúde.

Às 17h03, o portal do Governo publicou: Doria anuncia a flexibilização das máscaras em todos os ambientes.

Nessa nota à imprensa, o governador afirma que a medida foi respaldada pelo Comitê Científico do Coronavírus de São Paulo:

“Recebi hoje à tarde uma nota técnica do Comitê Científico que demonstra uma melhora consistente na situação epidemiológica no Estado. Por isso decidi, com respaldo desses cientistas e médicos, abolir imediatamente a obrigatoriedade do uso de máscara em todos os ambientes, com exceção de unidades de saúde, hospitais e transporte público”.

E reitera:

“A decisão foi baseada em análises técnicas do Comitê Científico do Coronavírus de São Paulo. Os especialistas levaram em consideração o índice de vacinação com duas doses no estado”.

A médica ReRivera está perplexa com a decisão absurda.

“A máscara é o sinal público mais óbvio da pandemia, principalmente na sociedade ocidental onde ela representa a presença e a história da covid entre nós”, expõe.

“Removê-la é apagar a memória da pandemia, a presença do vírus e arrastar a população para a norma, o ‘normal'”, observa ReRivera.

Afinal, a máscara é uma metáfora semiótica da pandemia, costuma dizer o neurocientista e professor Miguel Nicolelis.

Ontem, logo após Doria anunciar a medida, Nicolelis  (@MiguelNicolelis) denunciou em rede social:

“É apenas uma manobra política, uma tentativa de remover o símbolo mais visível da existência de uma pandemia e, com isso, tentar auferir dividendos para uma campanha natimorta”

“O governo de SP tenta terminar a pandemia por decreto. Infelizmente, isso não funciona.”

Para quem sofre de “amnésia seletiva”, Nicolelis relembra o que tem dito desde o início da pandemia, em março de 2020: “Quando a política bate de frente com a biologia ela perde sempre de goleada”.

Segue o fio.

Inconformado com mais esse “escárnio” em São Paulo, que “teve um dos piores manejos da pandemia em todo o Brasil”, o professor Nicolelis, no início da madrugada desta sexta-feira, foi mais fundo:

“O Brasil vai precisar de uma Comissão da Verdade para responsabilizar os gestores irresponsáveis por seus atos irresponsáveis, desumanos e criminosos”.

E fez a pergunta que esta repórter está se fazendo também desde o anúncio de Doria:

“Como eles acham que vão conseguir voltar atrás se tivermos uma nova onda?”

Daí, duas perguntas óbvias a essa altura:

— Quem são os médicos especialistas do Comitê Científico para Coronavírus de São Paulo?

— Será que nesse comitê não tem epidemiologistas?

Vamos por partes.

O comitê científico sofreu mudanças ao longo da pandemia. 

Criado logo início de 2020, chamava-se Centro de Contingência da Covid-19 e tinha 21 integrantes.  

Embora Doria — para se contrapor ao negacionismo do presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ) — alardeasse que seguia as recomendações científicas, isso nem sempre acontecia na prática.

Em agosto de 2021, Doria dissolveu o Centro de Contigência da Covid-19.

Foi após manter as medidas de flexibilização no estado, mesmo sem consenso entre os especialistas do grupo. 

 Em matéria na Folha de S. Paulo, de 17 de agosto de 2021, a repórter Isabela Palhares registrou:

A mudança não pegou os especialistas de surpresa, já que, desde o fim do ano passado, muitas das decisões do governador não seguiam as recomendações e avaliações feitas pelo grupo sobre o quadro epidemiológico no estado.

A discordância, inclusive, ocorreu com a decisão de Doria de pôr fim a todas as restrições de horário e ocupação ao comércio e serviços em São Paulo a partir desta terça (17).

O governador não mencionou as divergências como motivo para redução do grupo, mas afirmou que o momento da pandemia no estado não exige mais orientação de tantos especialistas. “Não há mais necessidade de manter uma estrutura com tamanho tão expressivo”, disse nesta terça.

(…)

O anúncio de que o Centro de Contingência passará a ser um comitê foi feito na manhã desta terça pelo governador. “Amanhã [quarta] vamos anunciar os 7 nomes do comitê científico. Eram 21”.

Em 19 de agosto de agosto de 2021, Doria criou então o Comitê Científico para Coronavírus de São Paulo:

Resolução SS nº 131, de 19-8-2021 Institui Comitê Cientifico, junto ao Gabinete do Secretário, para apoio ao enfrentamento da pandemia de COVID-19 e suas consequências, e dá providências correlatas O Secretário de Estado da Saúde.

O Viomundo solicitou ao setor de imprensa do Palácio dos Bandeirantes a composição atual do comitê.

A nossa demanda foi redirecionada à Secretaria de Estado da Saúde, que encaminhou a lista, na seguinte ordem:

Paulo Menezes

João Gabbardo

David Uip

Eloísa Bonfa

Esper Kallas

José Medina

Geraldo Reple

Carlos Carvalho

Luiz Carlos Pereira Júnior

Jean Gorinchteyn

O primeiro da fila é Paulo Menezes, o coordenador atual.

O último, o secretário de estado da Saúde, Jean Gorinchteyn.

Em se tratando de estratégias para enfrentamento da covid-19, a participação de epidemiologistas é fundamental. Decisiva, mesmo!.

O comitê conta com apenas um epidemiologista, Paulo Menezes. Epidemiologista que sempre trabalhou com doenças mentais.

— Mas, e o João Gabbardo? — alguns leitores vão intervir.

Ele diz ser epidemiologista, mas não é. Fez curso de saúde pública, isso não implica ser epidemiologista

— Mas por que os especialistas do Comitê Científico não impediram o fim da obrigatoriedade das máscaras?

Apenas eles podem responder.

Em tese, tinham a obrigação ética e científica de impedir o fim da obrigatoriedade das máscaras. Afinal, respaldam cientificamente as medidas para enfrentamento da covid-19 no estado de São Paulo.

Só que, além de não terem impedido, tudo indica optaram por dizer amém ao menino mimado, autoritário, que não admite ouvir “não”.

— Mas por que o secretário da Saúde não impediu?

Bem, a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo quase não apita na questão.

Cá entre nós, uma humilhação.

Mas, entre a humilhação e o cargo, o doutor Jean Gorinchteyn parece preferir a humilhação, já que não passa de uma rainha da Inglaterra em relação às diretrizes contra o novo coronavírus.

Doria só pensa no seu projeto político. Ele está acima de todas as evidências científicas e da vida dos paulistas.

“Talvez seja o timing perfeito para lembrarmos que, desde o início da pandemia, São Paulo comportou-se como super-spreader,  disseminando o vírus por tráfego aéreo e rodoviário”, interviu no twitter Beattrice. 

“Todas as intervenções ou mesmo a ausência delas em SP repercutem no Brasil”, acrescentou. 

A propósito:

1.Nicolelis foi o primeiro cientista brasileiro a registrar que a cidade de São Paulo tinha se convertido na maior disseminadora da covid-19 do País. Foi em abril de 2020.

2. Em 21 de junho de 2021, um grupo de cientistas brasileiros publicou na edição on-line da revista britânica ‘Scientific Reports’, da Nature, trabalho mostrando os caminhos pelos quais a covid-19 se espalhou pelo Brasi

Nicolelis liderava o grupo do participaram também Rafael L. G. Raimundo, Pedro S. Peixoto e Cecilia S. Andreazzi.





6 comentários

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Riaj Otim

19 de março de 2022 às 17h31

só mesmo um idiota da objetividade não sabe que aumentar a renda per capita é o que decide eleição; o povo quer saber que estamos ficando mais rico. Não importa como

Responder

    marcio gaúcho

    21 de março de 2022 às 14h50

    Rico em quê, JAIR MITO???
    Pelo jeito você não olha o que está acontecendo financeiramente com os seus parentes, amigos e vizinhos. Olhe mais em volta de si, que verá o que é a realidade da população brasileira, empobrecendo a cada dia. E você ainda venera o dito “messias”!

    Moacir

    21 de março de 2022 às 20h22

    Ricos mais ricos aumenta a renda per capita mesmo com o aumento da pobreza entre os mais pobres.

Zé Maria

19 de março de 2022 às 04h34

Notícias dos Veículos da Imprensa Venal:

“O uso de máscara deixará de ser exigido
em escolas, shoppings, supermercados,
bares e restaurantes.
Entidades do setor disseram que vão seguir
o decreto estadual publicado na quinta (17)
pelo governador de São Paulo, João Doria.”

“O uso de máscaras seguirá obrigatório
apenas em locais destinados à prestação
de serviços de saúde (como hospitais e
consultórios) e no transporte público.
A máscara torna-se opcional para os outros
ambientes como escolas e comércio.”

Essa Irresponsabilidade Criminosa do Doria
– e outros Governantes iguais a ele (ao menos
20 Prefeitos da Região Metropolitana de São
Paulo, incluindo a Capital, seguiram o decreto
estadual – se repete recorrentemente no ano
inteiro:

Toda Véspera de Feriado em que há aumento
de Consumo de Mercadorias [bebidas, doces,
salgados, presentes, em geral], alguns Prefeitos
e Governadores decretam o Fim da Pandemia,
Estimulados pela Mídia, para Festa da Burguesia.

O Uso de Máscaras, dentre os Equipamentos de
Proteção Individual (EPIs) que reduzem o Risco de
Contágio de Doenças Infecciosas Respiratórias, já
havia sido incorporado à Cultura Popular no Brasil,
graças a reiteradas Campanhas de Saúde Pública
Promovidas por Abnegados Epidemiologistas,
Infectologistas, Virologistas e demais Profissionais
da Área Médica (Especialistas ou não), dedicados
ao Combate da Epidemia de COVID-19, Infecção
de um Novo Coronavírus (SARS-COV-2) que assolou
– e assola – o Planeta, principalmente e infelizmente
o Brasil, o Terceiro no Mundo em Número de Infectados
[atrás de Índia (2º) e EUA (1º)] e o Segundo em Número
de Mortos [só atrás dos EUA], até este momento, – com
29,576,397 Casos Registrados e 656,867 Óbitos – por
conseqüência dessa Infecção Respiratória Contagiosa.

Até ontem, sexta-feira (18), o Brasil figurava em Terceiro
Lugar no Número de Novos Óbitos causados por COVID-19
em todo o Planeta, atrás da Rússia (2º) e dos EUA (1º).

E agora, por um Ato Governamental estritamente Político,
pois Sem Nenhum Embasamento Científico Sanitário que
o justifique, o Governador de São Paulo e Outros Catorze
Governadores que o acompanharam, além de Dezenas,
senão Centenas, de Prefeitos de Todo o País resolveram
liberar o Uso de Máscaras expondo Milhões de [email protected]
ao Contágio com Risco de Morte.

“A Burguesia NeoLiberal Féde!”, lembrando o saudoso Cazuza.

https://www.worldometers.info/coronavirus/

Responder

Zé Maria

19 de março de 2022 às 04h33

Depois da Páscoa, a Máscara volta em São Paulo.

Responder

Zé Maria

19 de março de 2022 às 04h27

Notícias dos Veículos da Imprensa Venal:

“O uso de máscara deixará de ser exigido
em escolas, shoppings, supermercados,
bares e restaurantes.
Entidades do setor disseram que vão seguir
o decreto estadual publicado na quinta (17)
pelo governador de São Paulo, João Doria.”

“O uso de máscaras seguirá obrigatório
apenas em locais destinados à prestação
de serviços de saúde (como hospitais e
consultórios) e no transporte público.
A máscara torna-se opcional para os outros
ambientes como escolas e comércio.”

Essa Irresponsabilidade Criminosa do Doria
– e outros Governantes iguais a ele (ao menos
20 Prefeitos da Região Metropolitana de São
Paulo, incluindo a Capital, seguiram o decreto
estadual – se repete recorrentemente no ano
inteiro:

Toda Véspera de Feriado em que há aumento
de Consumo de Mercadorias [bebidas, doces,
salgados, presentes, em geral], alguns Prefeitos
e Governadores decretam o Fim da Pandemia,
Estimulados pela Mídia, para Festa da Burguesia.

O Uso de Máscaras, dentre os Equipamentos de
Proteção Individual (EPIs) que reduzem o Risco de
Contágio de Doenças Infecciosas Respiratórias, já
havia sido incorporado à Cultura Popular no Brasil,
graças a reiteradas Campanhas de Saúde Pública
Promovidas por Abnegados Epidemiologistas,
Infectologistas, Virologistas e demais Profissionais
da Área Médica (Especialistas ou não), dedicados
ao Combate da Epidemia de COVID-19, Infecção
de um Novo Coronavírus (SARS-COV-2) que assolou
– e assola – o Planeta, principalmente e infelizmente
o Brasil, o Terceiro no Mundo em Número de Infectados
[atrás de Índia (2º) e EUA (1º)] e o Segundo em Número
de Mortos [só atrás dos EUA], até este momento, – com
29,576,397 Casos Registrados e 656,867 Óbitos – por
conseqüência dessa Infecção Respiratória Contagiosa.

Até ontem, sexta-feira (18), o Brasil figurava em Terceiro
Lugar no Número de Novos Óbitos causados por COVID-19
em todo o Planeta, atrás da Rússia (2º) e dos EUA (1º).

E agora, por um Ato Governamental estritamente Político,
pois Sem Nenhum Embasamento Científico Sanitário que
o justifique, o Governador de São Paulo e Outros Catorze
Governadores que o acompanharam, além de Dezenas,
senão Centenas, de Prefeitos de Todo o País resolveram
liberar o Uso de Máscaras expondo Milhões de [email protected]
ao Contágio com Risco de Morte.

“A Burguesia NeoLiberal Féde!”, lembrando o saudoso Cazuza.

https://www.worldometers.info/coronavirus/

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