Memorial da Pandemia é inaugurado no Rio: Recordar para que jamais se repita

Tempo de leitura: 3 min
Cláudia Travassos, diretora-executiva do Cebes, e o Memorial da Pandemia, que homenageia as 700 mil vítimas da covid. Desse total de mortes, 400 mil poderiam ter sido evitadas. Fotos: Arquivo pessoal e Walterson Rosa/MS

Espaço no Rio de Janeiro resgata história das mais de 700 mil vítimas e marca luta por Memória, Justiça e Reparação

Por Clara Fagundes, no site do Cebes

O Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes) participou da inauguração do Memorial da Pandemia, neste 7 de Abril, Dia Mundial da Saúde.

Instalado no Centro Cultural do Ministério da Saúde (CCMS), no Rio de Janeiro, o espaço preserva a memória das vítimas da covid-19, e expressa um ideal: que jamais se repita.

“Não podemos esquecer que que a pandemia causou 700.000 mortes e que boa parte poderia ter sido evitada se o governo Bolsonaro tivesse acatado as determinações da Organização Mundial de Saúde”, afirma a médica sanitarista Ana Tereza Camargo, diretora-administrativa do Cebes.

Pesquisas indicam que 400 mil vidas poderiam ter sido poupadas.

“A criação de um espaço para representar o que nós vivemos no país com a pandemia da covid era uma indicação das associações de vítimas da covid desde o início da pandemia. Faltava um memorial que contasse o sofrimento das milhões de pessoas, e a morte de mais de 700 mil durante a maior tragédia sanitária do país”, afirma afirma a médica sanitarista Claudia Travassos, integrante da diretoria-executiva do Cebes e da Associação Vida e Justiça.

“Não há dúvida que teremos uma outra pandemia; não sabemos quando e com que patógeno, mas teremos uma outra pandemia. Lembrar, reviver, discutir, reexperimentar o que vivemos é realmente uma forma de nos preparar e elaborar como teremos e como viveremos uma próxima crise sanitária – que não apenas pandemias, mas também crises climáticas”, avalia Claudia Travassos.

Presente na inauguração, o presidente do Cebes, Carlos Fidelis, destacou a importância da escuta para a elaboração do luto coletivo e construção da consciência histórica.

“Não se trata apenas de recordar números ou registrar estatísticas, mas de reconhecer vidas interrompidas, histórias silenciadas e vínculos afetivos desfeitos em escala coletiva. A memória, nesse sentido, cumpre uma função pública essencial: restitui dignidade às vítimas e interpela a sociedade sobre as condições que tornaram possível tamanha tragédia”.

Apoie o VIOMUNDO

Luto, justiça e reparação

Localizado na Praça Quinze, em frente ao mar, o Memorial inclui diferentes instalações que buscam dar dimensão humana à tragédia sanitária.

Esculturas externas expressam o sofrimento das pessoas, mas também a solidariedade.

Da pandemia, nasceram iniciativas como a Frente pela Vida, que reúne entidades de Saúde.

Foi também inaugurada uma instalação que mostra os nomes das pessoas que faleceram durante a pandemia. Cada uma das 700 mil mortes tem seu nome, a idade, a localização. Elas também estão apresentadas pelas regiões do país, em pilares, com tamanhos diferenciados de acordo com o volume de óbitos.

O Memorial terá exposição permanente e temporárias. Claudia Travassos, que participou da reunião de acervo de luto integrante da exposição “Vida Reinventada”, lembra que para alguns, a conotação da pandemia é muito mais dura e dramática. Seis anos após o início da pandemia, o impacto afeta milhões de brasileiros. São mais de 100 mil órfãos. A vida nunca será como antes.

Guia Nacional de Manejo das Condições Pós-Covid

Centenas de milhares convivem com sequelas da covid longa. Durante o evento, foi lançado também Guia Nacional de Manejo das Condições Pós-Covid no âmbito do SUS.

Elaborado pelo Ministério da Saúde em parceria com a Fiocruz, o guia consolida orientações para identificação, diagnóstico e tratamento das sequelas persistentes da covid-19.

Memorial Digital da Covid

Foi lançando também, na cerimônia, o Memorial Digital da Covid.

Fruto de parceria entre o Ministério da Saúde, Organização Panamericana da Saúde (OPAS) e Unicamp, o portal é um repositório que preserva coleções digitais de histórias e memórias da pandemia de covid-19, além de reunir publicações e estudos técnico-científicos.

Cada documento preservado é testemunho da experiência brasileira e consolida uma política pública de memória.

Apoie o VIOMUNDO


Siga-nos no


Comentários

Clique aqui para ler e comentar

Nenhum comentário ainda, seja o primeiro!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


Leia também