Heleno Corrêa: O martírio da ciência em nome da guerra biológica contra os pobres

Tempo de leitura: 2 min
O cientista Anthony Fauci, em 2023. Foto: Wikipedia

Por Heleno Corrêa Filho*

Fui estimulado a descrever o martírio do cientista Anthony Stephen Fauci, ex-diretor geral do NIH. O National Institutes of Health (Institutos Nacionais de Saúde) dos EUA.

Fauci é objeto de perseguição judicial (lawfare) agora que o presidente Donald Trump deseja implantar o negacionismo de Estado.

Fauci representa o Estado instituído quando a burocracia do Império era ao mesmo tempo científica e tecnológica.

Fauci é um inimigo-adversário a ser destruído pelos lavajatistas-neonazistas dos EUA na nova guerra judicial do país deles.

Fauci, de fato, denunciou e se contrapôs às pesquisas de “gain of function” (ganho de função) para fins de guerra biológica.

(Ganho de função é adicionar funções adoecedoras de alta gravidade e virulência a vírus que normalmente não são capazes de provocar epidemias com alta mortalidade).

As pesquisas de guerra deram origem a várias suspeitas de vazamentos e antigas ações fracassadas dos EUA, como jogar mosquitos com febre amarela e dengue em cima de Cuba.

O fato é que as pesquisas de ganho de função estavam a todo vapor nos laboratórios militares dos EUA fora do controle do NIH.

Vem daí a estória (ainda não é história) das alegações chinesas de que os militares estadunidenses que compareceram aos jogos militares de Wuhan, em outubro de 2019, tenham contagiado, intencionalmente ou não, os participantes das olimpíadas militares com quem tiveram contato dois meses antes da pandemia.

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Vários políticos, cientistas e intelectuais estadunidenses não subordinados ao Fauci falaram disso.

Ficou tudo como teoria da conspiração. Apagaram as referências aos laboratórios de guerra biológica de Fort Detrick, em Maryland, de onde saíram os militares que competiram em Wuhan.

Esses militares teriam tido contato intencional ou não com os vírus pesquisados para ‘ganho de função’, dentre eles o SARS-COV-2.

Os militares dos EUA jamais confessariam que deram origem à pandemia.

Os chineses jamais conseguiriam provar. E o vírus é endêmico na China entre morcegos. É um crime perfeito no qual os apoiadores do Trump têm maior chance de ter participado do que os médicos do NIH.

Se Émile Zolá estivesse vivo, Fauci hoje seria o caso Dreyfus: “J-accuse!”

*Heleno Corrêa Filho é epidemiologista, livre docente aposentado da Unicamp e pesquisador colaborador da Escola Superior de Ciências da Saúde da Universidade do Distrito Federal (ESCS-UnDF). Integra o Conselho Consultivo do Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes)

Este artigo não representa obrigatoriamente a opinião do Viomundo

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