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Olavista, pró-cloroquina, contra os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres assume no Ministério da Saúde
PR/Anderson Riedel
Blog da Saúde

Olavista, pró-cloroquina, contra os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres assume no Ministério da Saúde


19/06/2020 - 12h03

O Olavismo chega ao Ministério da Saúde

Do Outra Saúde, via Blog do Mário Lobato

Se não bastasse a ocupação militar do Ministério da Saúde e o loteamento da estratégica área de vigilância para o Centrão, agora a “doutrina” de Olavo de Carvalho também terá influência sobre a pasta.

Saiu ontem a nomeação de Hélio Angotti Neto como secretário de ciência, tecnologia e insumos estratégicos – área onde justamente se monitoram estudos clínicos sobre medicamentos e se avalia sua eficácia…

Como Ernesto Araújo, outro discípulo do ideólogo, Angotti é adepto da crença no “globalismo” e escreveu sobre isso em seu blog:

“Vivemos, na verdade, um cenário parcialmente previsto pelo Filósofo Olavo de Carvalho no início do século XXI, que recomendara ao então presidente do Brasil, Itamar Franco, a realização de um Congresso Mundial sobre o Nacionalismo. A sugestão então ignorada agora se faz urgente, como também é urgente a redefinição dos mercados e das fronteiras diante das atuais mutações políticas, científicas, econômicas e culturais”.

Mas sua principal característica é perseguir os direitos reprodutivos femininos.

Em uma recente entrevista à Gazeta do Povo, Angotti declarou:

“Há uma grosseira manipulação de expressões como saúde e direito, de forma que a tentativa de legalizar o assassinato da própria prole, de nossos filhos, torna-se um direito reprodutivo e saúde reprodutiva. É manipulação semântica de baixíssima qualidade, mas que convence pessoas despreparadas em termos filosóficos. Que se considere saudável, digno ou justo matar fetos indefesos é sinal claro de que há sim uma postura controversa em relação à vida humana e a sua dignidade.”

Angotti tem um livro contra o aborto publicado por uma editora que diz ter o objetivo de divulgar obras que “exaltam o poder e glória de Deus”.

No Twitter, o novo secretário se define como “cristão, pai de família, médico, gestor, escritor e pesquisador”.

Essa triste figura já estava no Ministério: atuava como braço direito de Mayra Pinheiro, que está à frente da Secretaria da Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde desde o início do governo e tem sido a responsável por defender a cloroquina nas coletivas de imprensa.

Mencionamos ela ontem, por conta de um áudio em que defende intervenção na Fundação Oswaldo Cruz a partir de invenções muito típicas do bolsonarismo, como a de que “têm um pênis na porta da Fiocruz”.

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5 comentários

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Daniel Alencar

22 de junho de 2020 às 11h55

“Vivemos, na verdade, um cenário parcialmente previsto pelo Filósofo Olavo de Carvalho no início do século XXI, que recomendara ao então presidente do Brasil, Itamar Franco”, estou confuso, o cara disse que no inicio do século XXI o então presidente era Itamar Franco?

Responder

Zé Maria

19 de junho de 2020 às 14h47

Ministério da Saúde estendeu a recomendação da cloroquina
para tratar gestantes e crianças com Covid-19.
Dois ministros da Saúde já deixaram o governo por,
entre outros motivos, se opor ao uso amplo da droga.
Enquanto isso, os Estados Unidos retiraram a autorização
de emergência de tratamento com cloroquina e hidroxicloroquina.

Dr. Mauro Schechter, infectologista cuja autoridade é reconhecida
em todo o mundo, demonstrou insatisfação com a persistência
do governo em não seguir a ciência.

“Medicina não se faz por tuítes, palpites, rumores ou discursos presidenciais.
O que nós vivemos foram três ou quatro meses de tuítes, palpites, rumores
e discursos presidenciais”, exclamou Dr. Mauro, e continuou:
“Os países que se deram melhores na pandemia até o momento foram
aqueles que tiveram uma liderança que respeitou a ciência”.

https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2020/06/19/medicos-relatam-que-estao-sendo-ameacados-por-nao-receitarem-cloroquina.htm

Responder

Zé Maria

19 de junho de 2020 às 14h23

“Weintraub encarna, com o chanceler Ernesto Araújo,
o epítome da tomada de assalto de estruturas de poder
de pessoas que acham fazer parte de uma revolução política”.
Repórter Igor Gielow, na Folha de S.Paulo
https://www1.folha.uol.com.br/poder/2020/06/weintraub-e-imolado-no-altar-da-politica-mas-e-tarde-para-bolsonaro.shtml
[Esse tal de Angotti vai na mesma linha, dos terraplanistas
que chamam Olavo de Carvalho de Professor e Filósofo]

Responder

Zé Maria

19 de junho de 2020 às 13h58

Preparem-se:
Esse Angotti vai ser o Weintraub
do Ministério da Saúde.
Pobre Brasil!

Responder

    Zé Maria

    20 de junho de 2020 às 10h45

    Este é o mundo em que vivemos, no braZil do Século 21, com Bolsonaro/Mourão:

    – Os não-proprietários são “meninos” que nunca atingirão a maioridade (Constant);
    – Os trabalhadores assalariados são “instrumento com voz” (Edmund Burke) ou
    – “instrumentos bípedes sem moralidade e sem faculdades intelectuais” (Sieyès). – Os operários que se revoltam são como “vândalos e godos” (Tocqueville).
    – As massas que irrompiam na Revolução Francesa eram os “hunos que estão entre nós” (Mallet du Pan).
    – Os operários rebelados da indústria da seda de Lyon são uma “nova invasão de bárbaros” e os escravos são “mercadoria”, tanto quanto cavalos, ouro ou marfim (Locke).
    – As “raças” colonizadas não podem desfrutar da liberdade porque são “bárbaras”
    e não estão na “plenitude de suas faculdades” (Stuart Mill).
    – Os árabes são como “animais nocivos”. A igualdade não pode abarcar
    os “povos semi-civilizados” (Tocqueville)

    Acresçam-se os negros já escravizados nas Américas, a “reserva” humana da África e os asiáticos, que já começavam a ser tratados a canhoneiras.

    Na convicção liberal-burguesa mais arraigada, esse contingente vasto
    e variado de pessoas não havia ascendido à condição de humanos ou,
    ao menos, de humanos integrais. E mesmo isso não bastava:

    […] a tradição liberal é, implícita ou declaradamente, atravessada por um
    refrão social-darwinista: já que a miséria não questiona propriamente
    a ordem social existente, os pobres são os que fracassaram, aqueles que,
    por preguiça ou incapacidade, foram derrotados ou aniquilados no âmbito
    da imparcial “sobrevivência do mais apto”, da qual fala, antes de Darwin,
    o liberal-burguês Herbert Spencer.
    Segundo ele, não se deve ir contra a lei cósmica que exige a eliminação
    dos incapazes e fracassados:
    – “Todo esforço da natureza consiste em livrar-se deles, limpando o mundo
    de sua presença e abrindo espaço para os melhores”.
    Todos os homens estão submetidos a uma espécie de juízo divino:
    “Se realmente tiverem condições de viver, vivem, e é justo que vivam.
    Se realmente não tiverem condições de viver, morrem, e é justo que morram”

    Não espanta que a linguagem soe aterradoramente familiar: ela conheceria a mais imensa prosperidade, dias de verdadeira glória, na primeira metade do século 20, quando, fervida até a ebulição num caldeirão de boa tecnologia e desatada fúria, viria a dar suporte a genocídios cientificamente programados e industrialmente executados.

    Sem esse senso comum anti-humanista (não há outro modo de designá-lo) largamente difundido pelo liberalismo burguês, teria sido, moralmente,
    algo mais árdua aquela vitoriosa empreitada levada a cabo pela parceria
    da cruz com a espada até meados do século 20:
    assaltar os territórios ancestrais de outros povos, roubar-lhes os recursos,
    massacrar os que não se submetessem e, até quase o final do século 19,
    também colocar a ferros os sobreviventes, comercializá-los,
    como se faz com carvão ou gado, e submetê-los a trabalho forçado
    e a castigos corporais enquanto não morressem.

    Essa crua ontologia da desumanização axiológica da maioria dos humanos
    tinha seu cerne cravado nesta convicção crucial:
    a recusa de conceber o homem como ser genérico-universal.
    Essa recusa permitia tomar como perfeitamente “natural”
    a situação inferior da mulher,
    “natural” a interdição dos direitos políticos aos pobres
    (em certas circunstâncias, até de alguns de seus direitos civis),
    “natural” a recusa de quase todos os direitos aos povos colonizados,
    assim como “natural” a recusa, agora sem exceções,
    de todos os direitos aos escravos.
    Mais tarde, recolhendo esse veneno secularmente destilado
    pelos liberais-burgueses, o nazismo lhe daria um seguimento
    perfeitamente lógico ao desdobrá-lo numa antropologia do descarte,
    solução “terminativa” que estendeu a desumanização às raças “inferiores”,
    aos comunistas e outros opositores políticos, aos homossexuais,
    aos doentes mentais et allii. [Hitler também se dizia “Liberal”].

    Páginas 35-36:
    (http://dominiopublico.mec.gov.br/download/teste/arqs/cp141874.pdf)

    É precisamente com esse ‘pensamento’ olavista que o (des)governo
    Bolsonaro/Guedes/Mourão ‘administra’ o braZil. E é assim na Economia,
    na Saúde, na Educação e em todos os Ministérios …


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