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Marta Ramalho: No apagar de 2020, secretário da Saúde, diretor técnico e SPDM amputam mais um pedaço do Emílio Ribas
O pedido de socorro na faixa do Sindicato dos Médicos (Simesp) espelha a situação dramática do Emílio Ribas relatada pela infectologista Marta Ramalho, uma emiliana de raiz. À direita, de cima para baixo, os médicos atuando para o enterro do hospital: Jean Gorinchteyn, secretário da Estadual de Saúde; Ronaldo Ramos Laranjeira, presidente da SPDM, que é uma OSS, e Luís Carlos Pereira Júnior, diretor técnico. Fotos: Simesp, reprodução de vídeos, governo do Estado de São Paulo
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Marta Ramalho: No apagar de 2020, secretário da Saúde, diretor técnico e SPDM amputam mais um pedaço do Emílio Ribas


26/12/2020 - 19h11

“O ENTERRO DO INSTITUTO DE INFECTOLOGIA EMÍLIO RIBAS

Por Marta Carvalho*, via Débora Bertussi

Na última terça-feira [22-12], saí do meu plantão emiliano muito triste e envergonhada.

Triste por ter acabado de saber que mais um andar (desta vez, o oitavo) se transformará em unidade SPDM (Associação Paulista do Desenvolvimento da Medicina).

Com o pretexto quiçá falso de que não há enfermagem suficiente.

Pretexto, aliás, não suficientemente demonstrado e combatido por quem teria a possibilidade de revertê-lo.

Ao final, do Emílio “Raiz”, sobrará, até aqui, o ambulatório, uma UTI, o PS, o terceiro andar e o sexto andar.

Esse estado de coisas não teria ocorrido sem a aquiescência imoral da diretoria do hospital, cujo diretor, em live recente com o corpo clínico, disse textualmente que se o plano fosse a privatização da instituição, ele estaria fora, que não concordava com isso.

Ora, não é isso o que vemos…

1. O modelo de gestão das enfermarias, chefiado por alguém que não tem vivência de unidades de internação, causou chagas e danos aos colegas e aos pacientes;

2. Os residentes vão se espremendo e sofrendo com a falta de locais para exercício e treinamento de suas funções (para além do “samba de uma nota só”, o parco corpo clínico e a estrutura verticalizada das enfermarias promovem uma formação muito aquém da desejada);

3. O hospital fechou a pediatria, esmagou os pediatras, solapou o ambulatório pediátrico;

4. A SPDM avança inclemente sobre as unidades, inclusive internando pacientes de sexo diferente no mesmo quarto, sem se preocupar com questões minimamente humanizadas;

5. O concurso que deveria ocorrer no menor prazo possível para repor quadros perdidos não tem menor perspectiva de acontecer.

Muito mais eu poderia falar para externar a minha tristeza de enxergar que, ao acender das épocas supostamente festivas, mais um pedaço do nosso Emílio Ribas é destinado à desnecessária e destrutiva terceirização.

Sim, no apagar do ano de 2020, se amputa mais um pedaço desta instituição. Sorrateiramente…

Mas eu preciso falar da vergonha.

Vergonha alheia, devo dizer.

Vergonha da diretoria que prepara, como xeque-mate, o fechamento da porta do PS para liquidar de vez a fatura.

Vergonha de ter um secretário de estado da saúde tão centrado nas palavras corretas que se esqueceu dos atos que pudessem dignificar o seu local de origem.

Afinal de contas, foram necessárias muitas décadas para que tivéssemos um secretário emiliano.

E, paradoxalmente, será esse secretário emiliano que lacrará a natureza pública e plural de assistência, ensino e pesquisa do nosso hospital.

Imensa vergonha desses chefes que nunca chegarão a ser líderes…”

SP, 26/12/2020

*Marta Ramalho é médica infectologista do Instituto de Infectologia Emílio Ribas desde 1992. Integra o núcleo paulista da Associação Brasileira de Médicas e Médicos pela Democracia (ABMMD)

PS de Conceição Lemes: O texto da doutora Marta Ramalho, uma emiliana raiz, dói na alma.

É um retrato nu e cru do desmonte — leia-se, terceirização e  privatização — em andamento no mais importante hospital de infectologia no Estado de São Paulo.

Certamente, afetará assistência, ensino e pesquisa.

Os médicos envolvidos deveriam ter vergonha da destruição que estão promovendo.

A doutora Marta não identificou nenhum pelo nome.

Mas, como nós, do Viomundo, achamos fundamental informar quem são e não apenas os cargos, seguem os nomes dos envolvidos atualmente no enterro do Emílio Ribas.

Jean Gorinchteyn, Secretário de Estado da Saúde do governo João Doria Junior.

Luís Carlos Pereira Júnior, diretor técnico do Emílio Ribas

Ronaldo Ramos Laranjeira, presidente da SPDM. É a maior OSS do Brasil. Além de São Paulo, atua em outros estados.





2 comentários

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Henrique Martins

27 de dezembro de 2020 às 13h20

O sujeito é homofóbico mais seus preferidos são sempre os machos. Às mulheres ele reserva a mais abjeta antipatia, a julgar pelas palavras indecorosas dirigidas à Maria do Rosário e Dilma Rousseff – no dia da votação do impeachment.
Eu digo que os homossexuais assumidos são fortes, o enrustidos são fracos, e os enrustidos e homofóbicos são criaturas covardes, hipócritas e odiosas.

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Henrique Martins

27 de dezembro de 2020 às 12h20

Vazamento proposital.

Depois que o PT se colocou frontalmente contra a venda de terras estrangeiras e que isso coincidiu com a posição dele está se aproveitando para dar uma amansada no PT – como se isso fosse possível – para ter melhores condições de enfiar seu candidato à presidência da Câmara pela nossa goela.

O senhor Jair é previsível coitado.

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