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Diário da Resistência


Mário Scheffer: Queiroga anuncia falso fim da pandemia para dar trunfo eleitoral a Bolsonaro
Queiroga carrega nas costas 362.970 mortes por covid, que ocorreram após sua posse em 23 de março de 2021. O número representa 54% do total de 662.043 de óbitos até o dia 14 de abril de 2022. Fotos: Instagram de Bolsonaro e reprodução de vídeo
Blog da Saúde

Mário Scheffer: Queiroga anuncia falso fim da pandemia para dar trunfo eleitoral a Bolsonaro


18/04/2022 - 11h32

QUEIROGA ANUNCIA FINAL FALSO DA PANDEMIA PARA TENTAR DAR TRUNFO ELEITORAL A BOLSONARO

Mário Scheffer – Blog Politica&Saude – Estadão

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, usou cadeia nacional de rádio e televisão para anunciar a derrubada da Emergência de Saúde Pública de Importância Nacional, primeiro passo para decretar,na marra, o “fim” da pandemia de covid-19.

Queiroga balbuciou solidariedade protocolar aos familiares das vítimas e atenuou o saldo hediondo da pandemia.

Não reconheceu o destaque do País nas altas taxas de mortalidade e letalidade, mas declarou que “com a força do nosso Sistema Único de Saúde, o SUS, salvamos muitas vidas”.

Só faltou exibir o “placar dos recuperados”, criação bolsonarista para se opor ao consórcio de imprensa que divulga diariamente o número correto de casos e de mortes.

O ministro sabujo ressaltou a autonomia dos médicos em prescrever e a liberdade da população em vacinar, uma homenagem a duas bandeiras de Bolsonaro, a favor do tratamento com cloroquina e contrária à obrigatoriedade da imunização.

Por algum tempo, em 2021, durante a CPI do Senado, opositores imaginaram que o criminoso manejo da covid havia colocado o governo de joelhos.

Agora, o “false ending” encenado por Queiroga pode surgir como um dos ativos do presidente na corrida ao novo mandato.

O anúncio de Queiroga foi tão vago (“será editado um ato normativo disciplinando essa decisão”) quanto de segunda-mão, já que Estados e municípios decidiram antes pela abolição do uso de máscaras e de certificados de vacinação no comércio, nas escolas, no lazer.

Apegados às flexibilidades enquanto dura a emergência, governadores em campanha pedem tempo para se adequar ao término dos repasses de recursos federais, das compras e contratações simplificadas.

O fim de uma pandemia não se encaixa bem na condição de capricho ou cálculo de governantes.

É um longo processo que se estende, tem finais diferentes que não acontecem ao mesmo tempo.

Há um fim epidemiológico, quando o vírus e a doença perdem terreno; um fim administrativo, quando medidas governamentais de exceção não são mais demandadas; e um fim social, na hora em que a população adquire confiança e se sente segura.

A Organização Mundial da Saúde (OMS), que declarou a covid-19 uma pandemia, em 11 de março de 2020, é a única autoridade capaz de decidir quando a emergência de saúde pública de interesse internacional não será mais necessária.

A mesma OMS acabou de apresentar três cenários para a evolução da pandemia este ano, e nenhum deles pode ser descartado.

O mais provável é que variantes do vírus continuem circulando em ondas, em intervalos de tempo, mas a gravidade da doença diminuirá graças à vacinação e ao desenvolvimento de imunidade.

Picos de adoecimentos e mortes podem ocorrer, caso não sejam adotados reforços de proteção para grupos populacionais mais vulneráveis.

Na melhor das hipóteses, diante de variantes sem gravidade, novas vacinas e doses de reforço não seriam mais acionadas.

Já no desfecho temido, uma variante altamente virulenta e transmissível, contra a qual os imunizantes atuais não fariam efeito, pode desencadear nova crise de saúde mundial.

Onde a transmissão da Omicron explodiu, e depois caiu, os governos adotaram respostas variadas, desde a rígida política de “covid zero”, que tenta suprimir o vírus, na China; passando por protocolos especiais para pacientes crônicos e idosos, na Coreia do Sul; até a remoção de todas as restrições, a exemplo do Reino Unido.

Muitos países aprenderam com seus erros, passaram a calibrar estratégias, mas também aproveitaram o respiro, se prepararam para agir rapidamente na hipótese da re-emergência.

Queiroga disse que a medida por ele antecipada “não significa o fim da covid-19”, mas apostou na banalização: “continuaremos a conviver com o vírus”.

Nada foi revelado sobre quais níveis de transmissão são aceitáveis hoje para o Brasil e como será, daqui em diante, caso a situação saia do controle novamente, a coordenação nacional de novas vacinas e testes gratuitos em massa, oferta de antivirais e medidas adicionais de vigilância e mitigação.

Controlar o vírus sem esgotar o sistema de saúde, proteger os profissionais de saúde e todos que correm maior risco, combater eficazmente a desinformação, nada disso esteve no radar do ministro.

Queiroga carrega nas costas 362.970 mortes por covid, que ocorreram após sua posse em 23 de março de 2021. O número representa 54% do total de 662.043 de óbitos até o dia 14 de abril de 2022.

No pronunciamento, fez crer que “a melhora do cenário epidemiológico, a ampla cobertura vacinal da população e a capacidade de assistência” justificam o fim da emergência sanitária. Contudo, seus critérios são mais oportunistas do que técnicos ou científicos.

Não disse uma palavra sobre como o País está organizado para proteger a saúde de seus habitantes de novos riscos.

Meia palavra sobre a compra de vacinas não apaga a agonia que o Brasil viveu, com o início tardio e a lentidão da vacinação.

Atrás de alguma recompensa, Queiroga desistiu da candidatura a deputado federal antes de entregar a farolagem do fim da pandemia.

Cara de pau, se apresentou à Nação em pleno domingo de Páscoa, como operador de um milagre.

Queiroga promete ressuscitar votos, transformar o desastre da gestão federal no combate à covid em um trunfo eleitoral de Bolsonaro.





4 comentários

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Zé Maria

18 de abril de 2022 às 21h10

https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/paf/regulamento-sanitario-internacional

Este é o “INTERNATIONAL HEALTH REGULATIONS” (“REGULAMENTO SANITÁRIO INTERNACIONAL”)
ao qual o Brasil, como País-Membro da OMS/ONU, se comprometeu
a pôr em Prática, por meio dos Órgãos Governamentais de Saúde:

INTERNATIONAL HEALTH REGULATIONS (IHR) – WHO:
(https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/paf/regulamento-sanitario-internacional/arquivos/7179json-file-1)
https://www.who.int/publications/i/item/9789241580496
.
REGULAMENTO SANITÁRIO INTERNACIONAL (RSI) – OMS
Versão em português aprovada pelo Congresso Nacional
por meio do Decreto Legislativo 395/2009 (DOU de 10/07/09):
(https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/paf/regulamento-sanitario-internacional/arquivos/7181json-file-1)
https://www.bio.fiocruz.br/index.php/br/noticias/1911-comite-de-emergencia-do-regulamento-sanitario-internacional

Responder

Zé Maria

18 de abril de 2022 às 18h23

“Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional”

OPAS/OMS

“A Responsabilidade de se determinar se um evento constitui uma Emergência
de Saúde Pública de Importância Internacional [ESPII] cabe ao Diretor-Geral da
OMS [Organização Mundial de Saúde das Nações Unidas] e requer a convocação
de um comitê de especialistas – chamado de Comitê de Emergências do RSI
[Regulamento Sanitário Internacional].

Esse Comitê dá um parecer ao Diretor-Geral sobre as medidas recomendadas
a serem promulgadas em caráter emergencial.

Essas Recomendações Temporárias incluem medidas de saúde a serem implementadas pelo Estado Parte [País] onde ocorre a ESPII – ou por outros
Estados Partes conforme a situação – para prevenir ou reduzir a Propagação
Mundial de Doenças e evitar interferências desnecessárias no comércio e
tráfego internacional.

Em 11 de março de 2020, a COVID-19 foi caracterizada pela OMS
como uma ‘PANDEMIA’.

O termo ‘Pandemia’ se refere à Distribuição Geográfica de uma Doença
e não à sua Gravidade.

A designação reconhece que, no momento, existem Surtos de COVID-19
em Vários Países e Regiões do Mundo.”

“Atualizações Epidemiológicas e Alertas Mais Recentes:”

13/04/2022
“Surgimento de Sublinhagens e Eventos de Recombinação:
Evolução Genética do SARS-CoV-2 – 13 de abril de 2022”
19/03/2022
“Alerta Epidemiológico: Doença causada pelo coronavírus (COVID-19)
– 19 de março de 2022”
12/03/2022
“Considerações de saúde para países que recebem refugiados
e repatriados devido à emergência na Ucrânia, no contexto da
pandemia do COVID-19 – 12 de março de 2022”
21/01/2022
“Alerta Epidemiológico: Organização dos serviços de saúde no contexto
de alta circulação de vírus respiratórios, incluindo o SARS-CoV-2
– 21 de janeiro de 2022”

Íntegra em:

https://www.paho.org/pt/covid19/historico-da-pandemia-covid-19

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Valdir Rocha de Freitas

18 de abril de 2022 às 16h12

Lamentável, mentem até num dia sagrado.
Quantas mortes poderiam ser evitadas se este governo tivesse comprado as vacinas, logo no início?
Mentirosos, cínicos, fascistas, incompetentes….
Quem deve um amigo, um parente morto pela Covid-19 é que sabe o peso da dor.
Estes canalhas desalmados não se compadecem pela dor alheia…

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Zé Maria

18 de abril de 2022 às 15h23

A partir de agora é que vocês verão
sub-notificações no braZil, mesmo.
Censura ou “Fórmula do Ricupero”.
https://youtu.be/M9DLxSclz6w

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