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José do Vale: Você quer viver 100 ou 120 anos? Paulo Guedes é contra
Fotos: Marcelo Camargo e Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasília
Blog da Saúde

José do Vale: Você quer viver 100 ou 120 anos? Paulo Guedes é contra


30/04/2021 - 20h07

QUEM QUER VIVER MAIS CEM OU CENTO E VINTE ANOS?

Por José do Vale Pinheiro Feitosa, especial para o Blog da Saúde

Quando ninguém manifestar o desejo de, pelo menos, viver mais um ano, todo o fundamento da civilização técnico-científica se desmanchará no ar.

O capitalismo, com seus ícones privados, será cremado no quintal do Terceiro Mundo ou numa vala comum do norte maravilhoso.

Para a medicina real, aquela que vai além do puro mercantilismo (ainda existe, seus profissionais são mais força de trabalho do que capitalistas) a essência da sua razão é o tempo. E mais ainda o tempo como um balanço entre Eros e Tanatos.

Se viver mais anos, conquistar mais esperança de vida é um problema político para o Estado Nacional, não há mais esperança alguma.

Tudo se resumirá a uma semelhança com uma cena de George Orwell, em 1984.

Hipótese em que uma classe de milionários (não de burocratas do Estado) reverterá os ponteiros do relógio da vida para reduzir o tempo dos trabalhadores improdutivos aos seus negócios.

Reduzir o tempo dos que não são ricos e nem pertencem aos 1% que controlam 90% da riqueza mundial.

Apregoar uma excelência “privada” é muito mais que um conceito simbólico, é a acepção exata do termo privar: impedir ou tirar de alguém o que ela tem ou poderá ter.

Isso fez Bill Gates ao defender o controle privado das plantas industriais de vacina Covid-19 para usofruto dos países ricos.

E na terça-feira, 27 de abril, o ministro da Economia, Paulo Guedes.

Numa reunião dos senhores empresários dos planos privados de saúde, aqueles que costumam participar de jantares estratégicos do poder central, o ministro manifestou-se a interdição do tempo de vida.

Tosco como suas palavras, rasteiro na sua função, subalterno ao grande capital, Paulo Guedes defendeu o fim do SUS e a entrega de migalhas para que as pessoas “comprem serviços de saúde”.

Há um movimento orquestrado e a coordenação atual, mais ousada, é do atual ministro da Saúde, Marcelo Queiroga.

Vendo a oportunidade da “boiada passar”, Queiroga esteve na cabeceira de dois atos de assédio ao SUS.

Um deles, com o empresário hospitalar e laboratorial Jorge Moll com discurso de reforma do SUS.

O outro, à frente do Conselho de Saúde Suplementar, dando voz aos ministros Paulo Guedes e Ramos Azevedo (aquele que confessou ter-se vacinado às escondidas, beneficiando-se do SUS).

Esta gente anda buscando o Velocino de Ouro no oceano tenebroso da desgraça nacional.

Os planos privados de saúde se estruturam nas costas dos trabalhadores, que deixam de ganhar vantagens financeiras para que as suas empresas, com a vantagem do risco coletivo, comprem os chamados planos coletivos empresariais (representam  68% do total de beneficiários).

Os planos privados de saúde são perfeitamente mutuais. Baseiam-se em riscos e têm carteiras específicas de cada modalidade de plano.

As operadoras ganham a vida com diversas carteiras “mutuais”.

Todo o capital aportado no plano é do beneficiário. A operadora explora esse fundo ora como gestora, ora como prestadora.

Regulado? É verdade, por isso mesmo autorizado “legalmente”.

A exploração, no “sistema Paulo Guedes”, é legalmente autorizada pelo Estado.

As operadoras ganham muito, assim como os prestadores de serviço hospitalar (como os doutores Queiroga e Moll).

Rigorosamente, o plano privado de saúde é uma mama de duas tetas.

Uma, é das operadoras. A outra, dos prestadores. E os profissionais de saúde, arcando com os custos dos seus consultórios e pequenas clínicas, são mais uma vez os “escravos da Casa Grande”.

A grande discussão é a esperança de vida. Como não morrer na epidemia de Covid-19, vacinando-se o mais rápido possível.

Superar a fome. Empregar. Ser Brasileiro. Livre. E soberano.

O resto é a degeneração da própria elite em sua fase mais aguda e perversa de saque.

*José do Vale Pinheiro Feitosa é médico sanitarista.





4 comentários

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Tito Livio

02 de maio de 2021 às 14h58

Não compra vacina nenhuma e só enrola e alisa.

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Hermes da Silva

02 de maio de 2021 às 00h41

Pobre Brasil.
406 mil morreram e estamos no adenovirus ainda. Tentando difamar os outros.
Se não li errado o chefe da Anvisa é contra-almirante.

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Allan Tavares

02 de maio de 2021 às 00h33

Ora, mas se o senado aprovar a essencialidade da educação deve aprovar também a devolução da verba orçamentária equivalente a época do impeachment da presidenta Dilma, corrigido pela taxa de crescimento dos anos dos governos petistas. Me parece justo e mais adequado aos gestores públicos decentes.

Responder

Zé Maria

01 de maio de 2021 às 20h31

.
“As Palavras Macabras de Paulo Guedes sobre o SUS”
Talvez não tenha sido casual que o ministro
[da anti-Economia] tenha criticado as pessoas
por quererem viver muito quando a CPI do
Senado investiga a conduta do Presidente
durante a pandemia, a qual lhe valeu a crítica
de estar provocando um Genocídio Nacional
com seu Negacionismo e sua Rejeição à Vacina.

Não podemos nos esquecer de que uma das
primeiras declarações do capitão [SK do PLanalto]
sobre a pandemia foi que “todos nós vamos morrer”,
e que afinal os que mais se contaminam e morrem
são os idosos e os doentes crônicos, já que os
atletas como ele e os fortes resistem melhor.

Foi então quando ele revelou que o que mais
lhe preocupava na pandemia era o problema
econômico.
Por isso, que morressem idosos e doentes
importava menos, já que eles não são parte
da força de trabalho. Seriam uns parasitas
que consomem sem produzir.
[Juan Arias, no El País BR]
.
.
Comentário

Então é deliberada a Permissividade do
desgoverno Genocida/Guedes/Mourão
com o Garimpo ilegal em terras indígenas,
o incentivo ao Desmatamento na Amazônia,
o descontrole das Queimadas no Pantanal,
a Privação dos Meios de Subsistência e o
Estímulo à Disseminação entre a População
de Doenças Infecto-Contagiosas no Brasil.

Tudo isso se resume a um Projeto de Controle
Demográfico do Crescimento Populacional
para evitar as Despesas Obrigatórias da União
em Prestação de Serviços Públicos Essenciais,
ou seja, nos Direitos Sociais Consagrados no
Artigo 6º, Capítulo II, Título II (“Dos Direitos e
Garantias Fundamentais”) da Constituição
Federal de 1988, como “Educação, Saúde,
Alimentação, Trabalho, Moradia, Transporte,
Previdência Social, Proteção à Maternidade e
à Infância, Assistência aos Desamparados”,
dentre outros.

E, assim sendo, os gastos governamentais
se restringiriam apenas ao Pagamento de
Juros e Amortização da Dívida Pública, ao
Financiamento de Corporações Econômicas,
à Segurança dos Bilionários garantida pela
Polícia Militar e pelas Forças Armadas, e à
Remuneração de Membros do Sistema
Judicial (Polícias, MP e Judiciário) e do
Congresso Nacional, além dos Próprios
Proventos do Presidente e de seus Ministros;
objetivando implementar o mesmo Projeto.

Isto é, uma Evolução ou ‘Aprimoramento’ do
Programa Eugenista Aktion T4 (“Solução Final”)*
implementado a partir de 1939 na Alemanha
Nazista, contra todos os Princípios Éticos
da Humanidade.

* (https://bit.ly/3eaP6ot)
Um decreto secreto do Ministério do Interior em agosto de 1939
tratou do planejamento do extermínio direcionado de crianças
portadoras de deficiência mental.
No mesmo período, foi preparada a organização da “Eutanásia” Geral.
Isso marcou o início do capítulo mais sombrio da história da medicina alemã.
Além da Associação Médica Federal Alemã (Bundesärztekammer-BÄK),
o projeto foi apoiado pela Fundação Alemã de Pesquisa e pela
Fundação Robert Bosch.
Para a profissão médica alemã, a apresentação do banco de
dados eletrônico [“Inventário das Fontes para a História dos Crimes de ‘Eutanásia’ 1939-1945” do Arquivo Federal de Berlim] foi ao mesmo tempo um renovado compromisso com a
cumplicidade.
“A percepção de que os médicos não apenas olharam para
o outro lado e permaneceram em silêncio [CFM?], mas também
participaram ativamente do assassinato sistemático de doentes
e dos chamados grupos marginalizados, é difícil de suportar”,
disse Karsten Vilmar, Presidente Honorário da Associação Médica Federal Alemã (BÄK).
| Reportagem: Horst von Buttlar | Der Spiegel | 1º/10/2003 |
Íntegra:
(https://www.spiegel.de/wissenschaft/mensch/nazi-euthanasie-forscher-oeffnen-inventar-des-schreckens-a-267983.html)
.
.

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