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Diário da Resistência


Heleno Corrêa Filho: Vídeo prova que presidente do CFM mandou às favas a ética e a medicina baseada em evidências
Heleno Corrêa Filho é médico sanitarista, professor aposentado da Unicamp e pesquisador colaborador da UnB. De joelhos para Bolsonaro, o presidente do CFM, Mauro Ribeiro. Fotos: Agência Senado, PR e rede social
Blog da Saúde

Heleno Corrêa Filho: Vídeo prova que presidente do CFM mandou às favas a ética e a medicina baseada em evidências


09/10/2021 - 18h39

por Conceição Lemes

Ao médico, segundo o Código de Ética Médica, é vedado:

* Causar dano ao paciente, seja por ação ou omissão.

* Divulgar tratamento não reconhecido cientificamente por órgão competente.

O profissional que fizer uma ou outra coisa infringe o Código, corre o risco de o caso ser denunciado ao Conselho Regional de Medicina (CRM) do seu estado, julgado e eventualmente punido.

Mas a palavra final é do Conselho Federal de Medicina (CFM), que tem o dever de zelar pela ética da prática médica em todas as instâncias.

Paradoxalmente, em 23 de abril de 2020, o CFM autorizou o uso de cloroquina/hidroxicloroquina para covid-19, apesar de as evidências científicas já na época mostrarem que não traziam benefício no tratamento e prevenção da infecção pelo novo coronavírus, e ainda podiam causar efeitos colaterais graves, como arritmias fatais, insuficiência renal e hepática.

O anúncio foi feito pelo próprio presidente do CFM, Mauro Luiz Ribeiro, após reunir-se com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o então ministro da Saúde, Nelson Teich, e entregar-lhes um parecer sobre a administração dos dois medicamentos em pessoas com covid-19.

Bolsonarista de carteirinha, Mauro Luiz Ribeiro foi também o relator do parecer do CFM e o seu garoto-propaganda.

No mesmo 23 de abril de 2020, em entrevista a esta repórter, o médico sanitarista Heleno Corrêa Filho, professor aposentado da Unicamp e pesquisador colaborador da Universidade de Brasília (UnB), criticou duramente a decisão.

“Ao decidir permitir o emprego de terapêutica que não tem suporte científico publicado, o Conselho Federal de Medicina extrapolou suas competências e atribuições”, afirmou.

“O seu presidente está agindo essencialmente por motivações político-partidárias, atropelando a ética”, acrescentou.

Bingo.

Vídeo revelado pelo jornalista Samuel Pancher, no Metrópoles, comprova a relação promíscua entre o Conselho Federal de Medicina e o Palácio do Planalto.

Ele está topo, no tweet de @sampancher.

O fato aconteceu em 7 de maio de 2020.

Mauro Ribeiro participou de uma live com um representante do Conselho Regional de Medicina de Goiás(Cremego), que não é identificado.

Na conversa, Ribeiro disse:

— Existem estudos observacionais em relação à hidroxicloroquina, mas não existe nenhuma evidência científica, nada de uma medicina baseada em evidências, que comprove alguma eficácia da hidroxicloroquina

— Mas nós, numa decisão bastante fora das nossas normas, acabamos liberando o uso da hidroxicloroquina.

— Fizemos uma análise grande do que existe na literartura. E não tem nenhum trabalho que realmente sustente a hidroxicloroquina como recomendável para o tratamento da covid-19.

— No entanto, o Conselho Federal de Medicina liberou o uso. Não recomendou, mas liberou o uso.

Na sequência, atacou a ex-presidenta Dilma Rousseff (PT) e o ex-ministro Alexandre Padilha pela abertura de escolas médicas:

— Nós teremos aproximadamente 1,5 milhão de médicos no Brasil. É a popularização da medicina.

Prosseguindo, disse que o CFM apoia @jairbolsonaro:

— O presidente Bolsonaro já nos recebeu cinco vezes no Palácio do Planalto, desde que ele assumiu o poder.

— Todas as nossas reivindicações foram atendidas pelo presidente da República.

— Aí, as coisas ficam mais fáceis. Quando existe diálogo, antes que as normas sejam postas, você tem a oportunidade de consensuar aquilo que vai ser proposto. E este é o caminho que nós estamos seguindo no governo Bolsonaro.

— Então existe, sim, o apoio do Conselho Federal de Medicina ao Ministério da Saúde, ao presidente, porque nós temos diálogo.

— Nós estivemos com o presidente Bolsonaro há pouco mais de uma semana atrás, o presidente ficou surpreso quando contamos que esse artigo havia sido vetado na lei. Ele disse que nós podemos trabalhar para que este veto seja revertido no Congresso Nacional com o apoio do presidente Bolsonaro.

Neste sábado, 9 de outubro de 2021, com a descoberta do vídeo, voltei a entrevistar o médico sanitarista e pesquisador Heleno Corrêa Filho.

Viomundo — Surpreso com o que presidente do CFM disse numa live de 7 de maio de 2020?

Heleno Corrêa Filho — Não. Somente confirmou o que eu supus no dia em que o CFM liberou o uso da cloroquina/hidroxicloroquina, em 23 de abril de 2020.

O tempo todo, o dirigente do CFM atuou e atua politicamente, utilizando a incerteza científica como pretexto para autorizar práticas desautorizadas.

Viomundo — Tal conduta configura o quê?

Heleno Corrêa Filho — Exercício de má prática profissional acobertada por normas em conflito de interesse.

O CFM mandou às favas a ética médica e a medicina baseada em evidências científicas.

Viomundo — Os conselhos regionais de medicina — os CRM — fizeram o mesmo?

Heleno Corrêa Filho — A conduta criminosa do Conselho Federal de Medicina se disseminou feito praga. Num efeito manada, a maioria dos CRMs passou a reproduzi-lo.

É o caso Conselho Regional de Medicina de Brasília (CRMDF).

Nós fizemos um manifesto contra o CRMDF, assinado por mais de 700 médicos, mencionando os crimes éticos e profissionais replicados pelo presidente do órgão, o médico Farid Buitrago Sánchez.

Ele engavetou sem responder, pública ou pessoalmente.

O negacionismo é uma praga que assola os órgãos que deveriam controlar o exercício profissional médico.

Viomundo — O que acha desse tipo de negacionismo?

Heleno Corrêa Filho — Criminoso!

Viomundo — Nesta semana, o presidente do CFM se tornou alvo da CPI da Pandemia no Senado. Segundo o senador Renan Calheiros (MDB/AL), relator da comissão, na condição de investigado. O que acha?

Heleno Corrêa Filho — Este senhor Ribeiro tem que ser investigado, sim. O CFM respaldou o governo Bolsonaro na disseminação de tratamento ineficaz contra a covid-19. Oxalá, ele seja processado por esses crimes.





11 comentários

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Riaj Otim

11 de outubro de 2021 às 21h14

essa é entidade privada e a lei não deve se meter no que se faz em privada. De fato, esse representa o direito dos médicos ser livre com direito e fazer o que quiser e como quiser.

Responder

Henrique Martins

11 de outubro de 2021 às 17h15

https://www1.folha.uol.com.br/poder/2021/10/romario-diz-que-prefere-bolsonaro-a-lula-e-que-antes-o-pais-estava-uma-merda.shtml

Pois é Romário. É por causa de gente que pensa como você que o país está no esgoto que não carrega uma merda só e sim muita merda. Falou….

Responder

Carlao

11 de outubro de 2021 às 12h48

Depois ainda enchem a boca e dizem: Lula ladrao.
Se esse governo desgraçado nao faz nada pra onde está indo o nosso dinheiro, no que e em quem investem e onde e como ? Cadê o dinheiro dos impostos, esta sendo empregado no que ?

Entendem. O governo nao fez nada x nada. ONDE tá sendo posto todo esse dinheiro dos impostos.
Cade a grana.

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Ibsen Marques

10 de outubro de 2021 às 15h39

Quer dizer, dane-se a ciência e a saúde; o que vale é o corporativismo. Mau caráter com cara deslavada.

Responder

Zé Maria

10 de outubro de 2021 às 15h31

Sobra Anti-Ética – para não dizer Crime – no desgoverno BozoGenocida.

#PandoraPapers
Recapitulando:

Ministro da Economia e Presidente do Banco Central com
Dólares em Empresas em Refúgio Fiscal Estrangeiro.

Pandora Papers, projeto do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ), revela as atividades offshore de 35 líderes mundiais
e 336 funcionários públicos [de Alto Escalão de Governo] em mais de
90 países.

Entre eles, estão Paulo Guedes e Roberto Campos Neto, presidente do
Banco Central.

Em 2014, Guedes abriu a Dreadnoughts International nas Ilhas Virgens
Britânicas e aportou, qemuse 10 Milhões de dólares, o equivalente a
R$23 milhões.
Hoje em dia, [com a variação cambial] esse valor é de +de R$51 milhões.
Ele continua no controle direto da offshore mesmo enquanto ministro
da Economia, o que é proibido.
Roberto Campos Neto criou a offshore Cor Assets S.A. em 2004, sediada no Panamá, na qual investiu, em dólares, o equivalente a R$3,3 milhões
— que hoje valeriam R$5,8 milhões.
Entre 2007 e 2016, ele manteve outra offshore, a ROCN Limited, nas
Ilhas Virgens Britânicas.
A Cor Assets S.A. foi fechada em 2020, quando Neto já ocupava
a presidência do Banco Central desde fevereiro de 2019.
Assim como no caso de Guedes, sua atuação no governo
enquanto controlador de uma offshore também infringe o Código
de Conduta da Alta Administração Federal.

Siga o fio: (https://mobile.twitter.com/cartamaior/status/1445064898115952652)

Responder

Zé Maria

10 de outubro de 2021 às 11h13

.
“Se eu entendi bem, o presidente do CFM afirmou que,
como Bolsonaro atendeu reivindicações corporativas
da categoria, ele liberou o governo para promover
desinformação que causou a morte de milhares de
brasileiros. Isso é caso para tribunal internacional.”
https://twitter.com/Haddad_Fernando/status/1446535800817082373
.
Há tempos, não há no CFM a Figura do Médico que
busca a Cura Humana, senão o Dinheiro e o Poder.

Não à toa, a Diretoria do Conselho fez Campanha
insidiosa contra Dilma e o Programa Mais Médicos.

Hoje, os Povos Nativos da Amazônia e do Pantanal
são Entupidos de Cloroquina por Mengeles do CFM.

Mesmo agora, com todas as evidências científicas
atestando que a Cloroquina não tem Eficácia para
tratamento de Coronavírus nem de Nenhum Vírus,
muitos ‘Médicos’ Inescrupulosos – ou incompetentes –
continuam receitando ou recomendando pacientes
a fazer uso desse falso medicamento para COVID-19.

Atualmente, o Brasil é o Único País no Mundo em que
médicos receitam o tal Kit-COVID para ‘tratamento’ de
Infecção por SARS-COV-2.
E o mais Grave, com Autorização Oficial por Resolução
do Conselho Federal de Medicina (CFM).

O CFM é Autarquia Federal que por meio do atual
Presidente confessa a prática de Crime contra a
Humanidade.
Esse Conselho deve ser urgentemente interditado.
.
“Bolsonaro tem de ser julgado em tribunal
internacional pelo genocídio brasileiro.
Nós não podemos naturalizar esta barbárie.
Crimes comuns em série foram cometidos.
E Lira deve ser esculhambado noite e dia,
é inadmissível que este genocida
continue a nos matar.”
#ImpeachmentJá
https://twitter.com/Maria_Fro/status/1446862278775775247

“Todos os cúmplices de Bolsonaro devem ser punidos.
Do juiz ladrão aos militares de pijama, de Little, anão
ao CFM, passando pela prevent senior.
São 600 mil vidas perdidas pra uma política deliberada
de ampliar o contágio e usar remédios ineficazes,
e matar vítimas asfixiadas”
https://twitter.com/Maria_Fro/status/1446867660701057025
.

Responder

André Álvaro Hinnah

10 de outubro de 2021 às 09h13

A medicina, especialmente no Brasil, com a honrosa exceção de alguns poucos profissionais, é exercida apenas para ganhar dinheiro. Não há a preocupação com a ética e o bem estar do paciente. A fala do presidente (como não foi destituído por seus pares?) do CFM, criticando a popularização da profissão, é sintomática. Eles querem manter a elitização da medicina para garantir seus elevados e vergonhosos ganhos.

Responder

Marco Vitis

09 de outubro de 2021 às 20h00

Os médicos do CFM são cúmplices de Bolsonaro. Merecem ser julgados e presos pelas mortes provocadas

Responder

Zé Maria

09 de outubro de 2021 às 19h59

Presidente do CFM. “Médico”. Criminoso. Bandido. Delinqüente.

Responder

    Zé Maria

    11 de outubro de 2021 às 13h59

    CFM E O “TRETAMENTO” PRECOCE

    Não é uma ‘Questão de Política’,
    É uma “Questão de Polícia”.

    (https://youtu.be/d5g87ZWQApA?t=97)

    “O Conselho Federal de Medicina nunca
    preconizou o Tratamento Precoce …,
    tampouco proíbe o Tratamento Precoce.” [SIC]

    Presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM)
    no Canal do CFM no YouTube. [Outra vez Confesso].

    Zé Maria

    11 de outubro de 2021 às 14h06

    Esse Vídeo do Delinqüente do CFM, Puxa-Saco do Bozo,
    foi direcionado aos Mercenários Charlatões Bolsonaristas.


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