VIOMUNDO

Diário da Resistência


Heleno Corrêa Filho desmascara planos de saúde: É mentira que aliviarão custos e carga humana no SUS;  ainda retardarão diagnóstico precoce
Saúde

Heleno Corrêa Filho desmascara planos de saúde: É mentira que aliviarão custos e carga humana no SUS; ainda retardarão diagnóstico precoce


29/11/2021 - 15h05

Restrição e lucro contra o SUS Único, Universal e Equânime

Cebes (Centro Brasileiro de Estudos em Saúde)

O médico Heleno Corrêa Filho (Veja PS do Viomundo) faz um alerta sobre a manobra em benefício dos planos de saúde, em artigo que fala sobre os riscos contra o sistema público e universal de saúde no Brasil.

Para ele, “a discussão de como lucrar com a morte alheia negando atendimento e negando fluxo compatível com a Pandemia foi tomada em benefício da “sustentabilidade dos planos” com pleno conhecimento de seu impacto, e baseado na propagação da falsa ideia de que Planos Privados beneficiam a carga pública das doenças agravadas pela Pandemia de COVID-19.”

Heleno faz um alerta para um mito a ser destruído: “O sistema de Saúde Suplementar não alivia os gastos e a carga humana do SUS”.

O que deveria mover a análise de desempenho e projeto dos planos privados de saúde para a saída da pandemia seria uma análise do paradoxo representado pelos 612 mil mortos por covid-19, 22 milhões de casos (3º país no mundo), 297 pessoas testadas por MILHÃO de habitantes (ridículo índice de ausência de testagem), mais de 25% de testes positivos quando países sob controle esperam 2 a 3% de testes positivos em política de testagem ampla, tudo isso contraposto aos altos lucros das operadoras dos planos e da porta giratória dos gestores da ANS.

Convivemos com grandes denúncias de restrições de cobertura, grandes chamamentos pela “sustentabilidade financeira dos planos de saúde” por parte de seus lobistas de portas giratórias na ANS e no Congresso Nacional, aumentos das prestações mensais para idosos excluindo pessoas acima de cinquenta anos de idade pela impossibilidade de continuar vivendo e pagando, e propaganda de “planos baratos” com a venda terceirizada de bairros inteiros de grandes e médias cidades para operadoras piratas de planos de saúde tipo ONG, OSCIP, e mesmo milícias locais como no Rio de Janeiro.

De um lado, se morre e falta tudo. Do outro, se cobra e se exclui quem possa dar despesas.

A Pandemia não atingiu a “sustentabilidade dos planos”.

Pelo contrário. A covid-19 lhes deu forças para continuar minerando o fluxo de capital pessoal tirado diretamente do bolso de famílias trabalhadoras de renda média e baixa.

Estão avançando agora sobre os de renda muito baixa com a Agência de Atenção Primária à Saúde – ADAPS.

Poderão cobrar consultas e exames de dez reais sem cobertura de referência e contra-referência.

Por dois dólares por procedimento farão muitas consultas e exclusões indevidas de busca ativa para acumular mais fluxo de capital dos trabalhadores na ausência da obrigação de provimento pelo estado por meio do SUS.

Durante os picos das três ondas de contágio e morte pela covid-19 entre março de 2020 e outubro de 2021 os planos sequer montaram estratégias de testagem, vacinação e acolhimento com isolamento e distanciamento para seus filiados pagadores.

Os poucos exames de testagem que grandes operadoras de planos privados de saúde aceitaram pagar foram restritos a indicações emergenciais gritantes com “provas” de atestados médicos para que seus gestores e reguladores internos tardassem até quinze dias para autorizar um teste laboratorial que podia significar a diferença entre contagiar a família ou morrer por COVID-19 grave por atendimento apropriado tardio.

Pior que isso. Algumas operadoras investiram fortemente em distribuir “kitcovid” amparadas por pareceres do Conselho Federal de Medicina que se baseou na conveniência política e não no conhecimento científico de seus dirigentes.

O mote de lucrar durante a pandemia saiu das práticas de Planos Privados de Saúde, que investiram em apressar as altas seja por curas charlatanísticas, seja pelas restrições de atenção em cuidados críticos, acelerando altas por mortes.

Isso é impossível de regular, dado que a decisão é inalcançável a quem está habituado a regular padrões de custo-efetividade fora de cenários pandêmicos.

Sem indicadores de custo-efetividade controlado paritariamente pelos usuários não é possível controlar planos e seguradoras.

A epidemiologia do consumo de serviços de saúde não é cenário para gestores em salas fechadas sem dar satisfações aos usuários.

Em cenário de pandemia todos os indicadores usuais perdem sua relevância por que os indicadores deveriam ser ajustados para medir taxas de internações e mortes por morbidade específica sem a possibilidade de “mudar o diagnóstico” quando a doença dura além do que a economia do plano planejou.

A discussão de como lucrar com a morte alheia negando atendimento e negando fluxo compatível com a pandemia foi tomada em benefício da “sustentabilidade dos planos” com pleno conhecimento de seu impacto, e baseado na propagação da falsa ideia de que planos privados beneficiam a carga pública das doenças agravadas pela pandemia de covid-19.

Os planos privados de saúde pedem maiores “facilidades” para vender.

Mais facilitação aos planos privados do que o governo já faz tirando recursos do SUS, subsidiando o imposto de renda dos contribuintes de planos, criando a ADAPS – Agência privada para sabotar, terceirizar, precarizar e vender a atenção básica, só partindo para o assalto dos milicianos armados de porta em porta.”

É, portanto, um mito a ser destruído: “O sistema de Saúde Suplementar não alivia os gastos e a carga humana do SUS”.

Os planos privados que vão tomar de assalto o terreno preparado pela ADAPS são conhecedores de que não vão prover algo que o SUS deixará de receber como sobrecarga.

Pelo contrário. Vão retardar o diagnóstico precoce, vão atrasar processos diagnósticos complexos em rede, vão filtrar direitos que impliquem em gasto acima de seus orçamentos regionais e locais.

Depois vão descarregar nos hospitais secundários e terciários as patologias agravadas dos sobreviventes que demandarão técnicas diagnósticas e terapêuticas de alta complexidade e custo.

Um câncer de mama e de útero que poderia ser diagnosticado por procedimentos simples será enviado em maior proporção nas fases tardias para maior sofrimento e despesa do SUS em seus sistemas de referência.

O SUS será ainda mais o receptor de descarregamento das patologias que sobreviverem à falta da rede de referência por contenção de custos.

Não há como prever outra coisa diante do paradoxo mencionado. O Brasil se tornou terra arrasada pela covid-19 e pela falta de vacinas e, mesmo assim, os planos de saúde lucraram como nunca durante o processo destrutivo da pandemia.

A lição a ser tirada não poderia ser outra.

A falta de participação popular direta nos comitês gestores da ANS deixando o controle principal para gestores e representantes empresariais também não faz prever outra coisa.

Como os que pagam planos privados de saúde não têm nenhum controle sobre a gestão, a avaliação de qualidade e as programações de oferta de serviços, não resta outra coisa a não ser pagar e saber que não vai receber o que foi prometido.

Não é que a ANS seja ineficiente. É que as operadoras e seus representantes na agência são, sim, eficientes em bloquear o controle, a regulação e a participação popular direta que não é paritária nas decisões como no Conselho Nacional de Saúde.

A ANS não presta contas a ninguém, nem aos usuários, nem ao SUS, muito menos ao Conselho Nacional de Saúde.

*Heleno Corrêa é médico epidemiologista, pesquisador aposentado da Universidade de Brasília (UnB) e diretor do Centro Brasileiro de Estudos em Saúde (Cebes).





7 comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do VIOMUNDO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie. Leia o nosso termo de uso.

Nelson

30 de novembro de 2021 às 12h51

A prioridade primeira de uma empresa capitalista – não raro a única – é a obtenção de lucros, sempre maiores, para seu dono e/ou acionistas.

E é com esse intuito que se estabelecem novos planos de saúde privados no Brasil. Nada tem a ver com entregar a qualidade no atendimento à saúde a que cada brasileiro e cada brasileira tem direito.

Se um plano de saúde privado – que é uma empresa capitalista – for entregar a seus usuários a qualidade que tanto propagandeia não vai obter lucro; é bem possível que nem empatar suas contas consiga e o prejuízo se faça eterno.

Então, a propaganda vai prometer um quase-paraíso para cada desavisado que cair na arenga em favor da saúde privada, mas, na hora da necessidade, de entregar o que é esperado pelo usuário….

Assim, nada podemos esperar de bom com o aniquilamento do SUS e a privatização da saúde.

Portanto, se as brasileiras e os brasileiros ainda quiserem ser respeitados em sua condição humana, em seu direito à saúde, bora defender com todas as forças possíveis o SUS.

Responder

Zé Maria

30 de novembro de 2021 às 07h26

.
Ômicron tem sintomas leves até agora, diz médica que descobriu a variante

Segundo uma das cientistas que ajudou a identificar a Ômicron, nova variante da Covid-19, os sintomas dela são leves e quem é infectado por ela não perde o olfato e o paladar, como acontecia a princípio com infecções pelo vírus.

A médica Angelique Coetzee foi uma das primeiras a reparar que os sintomas dos pacientes de covid-19 estavam diferentes, para dizer o mínimo.

Angelique, que dirige um consultório particular na África do Sul, disse ao The Telegraph que “os sintomas da variante eram tão diferentes e leves dos que havia tratado antes”, sem a perda dos sentidos, mas com outros indicadores incomuns, como fadiga intensa e pulso acelerado.

Foi então que Angelique avisou conselho consultivo de vacinas da África do Sul, em 18 de novembro, quando cuidou de uma família de quatro pessoas — todos apresentando fadiga intensa após o teste positivo para o novo coronavírus.

Coetzee garantiu ao The Telegraph que os novos sintomas que ela observou eram “leves” e que todos os pacientes que ela estava tratando haviam se recuperado bem.

“Tivemos um caso muito interessante, de uma criança de cerca de seis anos, com febre e batimentos cardíacos muito altos, e eu me perguntei se deveria interná-la. Quando fiz o acompanhamento, dois dias depois, ela estava muito melhor”, contou a médica..

“Os pacientes se queixavam principalmente de dores no corpo e cansaço, um cansaço extremo em pacientes jovens, não em pessoas mais velhas. Então não estamos falando de pacientes que vão logo para o hospital e são internados”, disse Coetzee.

“Clinicamente, o que estamos vendo na África do Sul — e eu estou no epicentro, realizando atendimentos — são casos extremamente leves. Ninguém precisou ser internado”,
afirmou..

“Conversei com colegas e eles relatam a mesma coisa.”

Mais Detalhes em,:
https://www.bbc.com/portuguese/internacional-59455619

Parece que estão tentando transformar a África na Grande Vilã.
No momento os maiores perigos para o Brasil são a Europa e os EUA

Responder

    Zé Maria

    01 de dezembro de 2021 às 00h14

    Apenas par efeito de Comparação, até agora, os
    58 Paises e Territórios da África tem ao todo
    8 Milhões e 730 mil Casos, e 223 Mil e 571 Óbitos,
    causados por COVID-19. A Oceania, 367.754 Casos.

    A Europa já tem 73.675.037 Casos e 1.415.069 Óbitos.
    Somente a Alemanha já tem mais de 10 Milhões de
    Casos de Covid-19.

    A Ásia possui acumulados mais de 82 Milhões de Casos.

    Os 3 Países da América do Norte já somam 55 Milhões
    de Casos, e mais de 1,1 Milhão de Mortes por COVID-19.
    Nos EUA, houve mais de 49 Milhões de Infectados e já
    morreram por COVID mais de 800 Mil Pessoas.

    Na América do Sul são quase 39 Milhões de Casos
    e 1,18 Milhão de Óbitos por COVID-19.
    O Brasil acumula mais de 22 Milhões de Casos e
    quase 615 Mil vidas perdidas por COVID-19.

    Nos EUA houve hoje um acréscimo de 55.153 Casos
    e mais 959 pessoas morreram Infectadas por COVID.
    Na Alemanha são 55.880 novos casos, na França mais
    47,17 Mil Casos, na Rússia outros 32,6 Mil Novos Casos.
    No Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte
    são mais 39.716 Casos e 4,24 Mil Óbitos pela Doença.

    Na África houve hoje pouco mais de 6 Mil Novos Casos
    e morreram 51 (cinquenta e uma) pessoas no dia.

    E o Problema do Mundo é a África. SQN.

    Zé Maria

    01 de dezembro de 2021 às 00h21

    https://www.worldometers.info/coronavirus/#countries

    Zé Maria

    01 de dezembro de 2021 às 01h44

    O Império do Norte-Americano e as Matrizes Coloniais Européias fizeram um Recuo Estratégico, anunciando
    hoje que a tal Variante Ômicron Detectada na Holanda
    possivelmente surgiu antes do que a da África do Sul.
    Ou seja, a Nova Cepa já estava circulando na Europa
    antes de ser notificada à OMS pela África.

    https://ansabrasil.com.br/brasil/noticias/mundo/noticias/2021/11/30/omicron-apareceu-na-holanda-antes-de-deteccao-na-africa-do-sul_c6a581d3-fc7d-448e-844e-9daeb98f2737.html

Henrique martins

29 de novembro de 2021 às 22h04

https://www.correiobraziliense.com.br/brasil/2021/11/4966824-queiroga-diz-que-omicron-nao-e-variante-de-desespero-e-ve-brasil-preparado-para-nova-onda.html

Omicrom não trará desespero é para quem é vacinado senhor ministro.
Para quem é negacionista ela trará desespero sim senhor.

Responder

Henrique martins

29 de novembro de 2021 às 17h38

https://www.brasil247.com/brasil/lula-eleitoralmente-viavel-e-o-moderado-afirma-reinaldo-azevedo

Reinaldo tem razão porque é óbvio que o vice de Lula terá que ser empresário. Será que somente eu que acha que não há ninguém melhor que a Trajano – a dona do Magazine Luiza?

Responder

Deixe uma resposta

Apoie o VIOMUNDO - Crowdfunding