Comissão de Saúde da Câmara elege presidente antivacina
Cherini (PL-RS) nega consensos científicos, como a crise climática e a vacinação. Em seu discurso de posse, defendeu saúde preventiva e prometeu emendas para hospitais
O deputado Giovani Cherini (PL-RS) foi eleito presidente da Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados nesta quarta-feira, 5/2, com 38 votos favoráveis e 6 em branco. Cherini sucede o também bolsonarista Zé Vitor (PL-MG), consolidando a ocupação da comissão pela extrema direita.
Cherini é infame pela defesa de medicamentos sem comprovação científica para combater a covid e promoção da hesitação vacinal.
Enquanto milhares de brasileiros morriam, o deputado atacou, em discurso na Câmara, o que chamou de “vacina experimental” e defendeu uso de medicamentos comprovadamente ineficazes contra covid, como cloroquina e ivermectina.
Cherini é conhecido por questionar também outros consensos científicos, como o aquecimento global.
O deputado tentou boicotar a agenda da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP-30) e chegou a propor, durante sessão na Comissão de Agricultura, em abril de 2024, que trouxessem especialistas para falar sobre “isso que chamam de aquecimento global” e esclarecer o “interesse por trás de terremotos e vendavais”. Veja em vídeo.
Poucos dias depois, o Rio Grande do Sul foi devastado pela crise climática, com enchentes massivas que mataram mais de 200 pessoas e desabrigaram quase meio milhão.
Para o epidemiologista Heleno Corrêa, integrante do Conselho Consultivo do Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes), a escolha reflete “excrescências de um Brasil cujo congresso é controlado por inimigos do povo”.
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“Como médico sanitarista, epidemiologista e professor há 50 anos, não tiro de minha cabeça o assombro pelo atraso da maioria dos deputados e senadores. Como é possível em 2026 que não se consiga eleger bons deputados com conhecimento do tema que deveriam estudar para representar? Como é possível ter gente representando o voto popular que agride a ciência, desrespeita o conhecimento, ignora a história da saúde, propõe coisas absurdas, e se acha no direito de dizer bestialidades impunemente ao abrigo do que supõe ser ‘liberdade de expressão’?”, questiona Heleno.
Emendas
Em seu discurso de posse, Cherini defendeu criação de um “sistema de saúde preventiva”, embora a promoção da Saúde e prevenção de doenças estejam entre os eixos do SUS.
Afirmou, ainda, que vai apoiar emendas parlamentares. “Meu compromisso é priorizar emendas parlamentares aqui para que elas sejam executadas onde precisam ser executadas. Vocês sabem que muitos hospitais hoje vivem das emendas”, afirmou.
Cronicamente subfinanciada, a Saúde tem o maior número de emendas parlamentares no orçamento de 2026. A dependência de emendas fragiliza o planejamento e a equidade da Saúde.
A Saúde está no centro da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 854, na qual o Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucional o chamado “orçamento secreto”.
O STF determinou a adoção de medidas para garantir a transparência e a rastreabilidade dos recursos de emendas parlamentares.




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