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Dr. Rosinha: Será o Queiroz o único que consegue colocar um buçal no Bolsonaro?
Arapuca

Dr. Rosinha: Será o Queiroz o único que consegue colocar um buçal no Bolsonaro?


25/08/2020 - 22h12

por dr. Rosinha*

Ouvi muitas vezes, e eu mesmo fiz, quando pré-adolescente, chamar o outro de “boçau” ou boçal.

Confundia as grafias e a pronuncia. Sequer sabia o significado completo da palavra, mas o revide era de pronto: “boçau – boçal – é você”.

Após a troca destas farpas boçais, a paz estava feita e a brincadeira ou o diálogo infanto-juvenil era retomado.

Mesmo sem saber o significado da palavra, sabíamos que era um tipo de xingamento, uma desqualificação, mas como tudo era entre “amigos” ficava elas por elas.

Ou mesmo – dependendo do momento e do emprego da palavra – éramos todos boçais.

Essas observações são porque o Jair Bolsonaro demonstrou não só toda sua boçalidade, mas também violência, ao ameaçar o repórter Daniel Gullino de porrada.

Precisamente ele disse: “encher tua boca com uma porrada”.

Numa briga entre boçais comuns, há quem queira encher a boca do outro de porradas e pode em tom alto gritar: “vou te encher a boca de porrada”.

Mas, um presidente pode?

Pode.

Pode e teria consequências se o presidente não fosse o Bolsonaro.

Imagine se fosse a Dilma: o machismo cairia matando em cima dela.

Se o presidente não fosse o boçal atual, teria sérias consequências.

Imediatamente, a mídia comercial bradaria pela falta de educação, hombridade — mesmo que a presidenta fosse a Dilma — compostura para o cargo e imediatamente iniciaria campanha pelo impeachment.

Nada vai ocorrer.

A fala de Bolsonaro agrada a horda de fascistas e boçais existentes no Brasil.

Boçais inclusive da mídia corporativa.

Exemplo concreto  foi o editorial da Folha de S. Paulo, no mínimo estúpido:”Jair Rousseff”

Mesmo após a avalanche de críticas, inclusive interna, e a fala boçal e violenta do presidente, o editorial foi reproduzido no jornal Agora SP, do grupo Folha.

A frase “vou te encher a boca de porrada” pode ter saído de maneira espontânea.

Pura demonstração do caráter de Bolsonaro, mas não deve ser lida fora do contexto político dos últimos anos: mesmo que espontânea, faz parte de sua estratégia de governo.

A ameaça à integridade física do repórter é uma boçalidade, mas ela faz parte da estratégia traçada para elegê-lo e para manter o apoio popular, que ainda alcança cerca de 30% da população, que – em pensamento – são seus semelhantes.

Segundo o Houaiss, boçal é

 aquele que é falto de cultura; ignorante, rude, tosco

aquele que é desprovido de inteligência, sensibilidade, sentimentos humanos; besta, estúpido, tapado”.

Aí, vem a interrogação: mas como a burguesia brasileira tolera isso?

Tolera porue a própria burguesia é parte disto: falta de cultura, ignorante, rude não tem sensibilidade e sentimentos humanos.

Parte não é boçal, mas necessita de um presidente que possam colocar o buçal.

Informo o Bolsonaro – apesar de ele se dizer um cavalariano – que buçal é “parte do arreamento do cavalo que se prende à sua cabeça e ao pescoço; cabresto forte, com focinheira; buçá”.

Informo também que no texto uso a palavra no sentido figurado. Tenho que me proteger de um processo.

Simbolicamente buçal é o que o Centrão – formado por deputados e senadores representantes dos interesses da burguesia – liderado por Rodrigo Maia,  com apoio de parte dos militares (integram o staff do governo) e da mídia comercial, está tentando colocar no Bolsonaro.

Até colocaram por uns dias e ele permaneceu calado.

Reconheço que em alguns momentos me sinto um boçal e necessito de um freio nas palavras.

Mas, sinceramente, não quero a paz para voltar a qualquer diálogo com o “amigo” presidente e sua gente.

Gente que como ele e sua turma precisam de buçais no linguajar.

Mas, como não quero fazer coro aos boçais pergunto: “presidente, por que sua esposa, Michelle, recebeu R$ 89 mil do Queiroz?”

É só uma pergunta. Não precisa se preparar para me encher de porrada.

Também pergunto: “quando a Rede Globo será investigada?”

Afinal, agora há fato concreto  de Dario Messer, o “doleiro dos doleiros”, ter dito que lavou mais de um bilhão de reais para a Globo.

Será que o único que consegue colocar um buçal no Bolsonaro é o Fabrício Queiroz?

Dr. Rosinha é médico pediatra, militante do PT. Pelo PT do Paraná, foi deputado estadual (1991-1998) e federal (1999-2017).  De maio de 2017 a dezembro de 2019, presidiu o PT-PR. De 2015 a 2017, ocupou o cargo de Alto Representante Geral do Mercosul. 



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2 comentários

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Zé Maria

27 de agosto de 2020 às 23h29

O Fim de Paulo Guedes e o Início do Populismo de Direita

Por Luis Nassif: https://t.co/taqelHGtuC

https://twitter.com/luisnassif/status/1299119779471478785

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Zé Maria

27 de agosto de 2020 às 23h25

A Maior Ameaça à Democracia Vem do Teto de Gastos

O PERIGO REAL VEM DO AJUSTE FISCAL permanente,
representado pelo torniquete do teto de gastos.
É PRECISO TER EM MENTE A BRUTALIDADE DA MEDIDA.

Por Gilberto Maringoni, no Jornal GGN

Bolsonaro entrou no jogo que repudiava em campanha:
acertou-se com o centrão e percebeu que medidas sociais,
como o auxílio emergencial, alavancam sua popularidade.

Acabou a ameaça golpista por parte do capitão.
Ele ainda vai falar muita boçalidade por aí – como tem feito -,
mas são urros que fazem parte de seu show.

Repetindo: a ameaça principal à democracia não vem de Bolsonaro,
por mais incrível que possa parecer.

Vem dos mercados, dos farialimers, da alta finança, da mídia e de gente
que diz desejar apenas que os mercados funcionem livremente.

Íntegra: https://jornalggn.com.br/artigos/a-maior-ameaca-a-democracia-vem-do-teto-de-gastos-por-gilberto-maringoni/

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