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Dr. Rosinha: Máscara cirúrgica de Bolsonaro é só fantasia; vital rasgá-la para expor a verdadeira face
Bolsonaro se atrapalhou com a máscara durante coletiva. Reprodução de vídeo
Arapuca

Dr. Rosinha: Máscara cirúrgica de Bolsonaro é só fantasia; vital rasgá-la para expor a verdadeira face


19/03/2020 - 19h55

Fantasia

Dr. Rosinha*

A primeira e única vez que usei uma fantasia foi num carnaval da década de 1970, fui de pirata da perna de pau.

Turbante, tapa olho –não podia mostrar o olho de vidro; só  me faltava o papagaio no ombro.

Arrastando uma perna, desci a avenida cantando: “Eu sou o pirata da perna de pau / Do olho de vidro, da cara de mau”.

A fantasia e o carnaval duraram só um dia.

No interior, o carnaval era assim: limitado a um dia,  alegre e cheio de brincadeiras.

No dia a dia, as pessoas costumam ter uma ou mais fantasias.

Pode ser só o sonho acordado, só a “faculdade de imaginar” ou ser uma “obra criada pela imaginação, coisa puramente ficcional, sem ligação com a realidade”, diz o Houaiss.

O importante é separar a fantasia da realidade.

Ou seja, não fazer da fantasia a própria vida, a menos que a fantasia resulte em arte.

Nos carnavais do passado, além das fantasias, muitos usavam também máscaras.

Hoje, as máscaras, principalmente nas ruas, são proibidas por questão de segurança.

No momento, só são permitidas as máscaras usadas por médicos, dentistas, enfermeiros e demais trabalhadores da saúde para cobrir a boca e o nariz, para prevenir contágios e infecções.

Foi mascarado e, ao mesmo tempo, fantasiado que Jair Bolsonaro fez uma live chamando para os atos de rua, do domingo passado, 15 de março, contra o Congresso e o STF.

E o pior. No domingo, ele, que deveria estar em quarentena, foi à rua apoiar o golpe.

Ontem, dia 18, agora com um grupo de ministros apareceu novamente mascarado.

Era nítida a dificuldade dele em usar a máscara.

Ali, como em outros tantos momentos, é nítida a relutância de Bolsonaro usar máscara  no cotidiano.

Ou melhor, colocar uma máscara (no caso, agora, a cirúrgica) por cima de outra. Ele não consegue, não aceita.

A original, aquela do dia a dia, é natural.

Como todo hipócrita, Bolsonaro tem “duas faces”.

Ao usar a máscara cirúrgica nos dias 12 e 18, não dava para saber qual  estava valendo. A colocada no rosto (a cirúrgica) ou o próprio rosto.

Nesses dois momentos dos dias 12 e 18 provavelmente a máscara (cirúrgica)  era apenas uma fantasia.

Bolsonaro é assessorado por hipócritas e/ou por pessoas de mau caráter, como, por exemplo, seu secretário de Comunicação, Fábio Wajngarten.

Quando noticiado que provavelmente estava contaminado pelo coronavírus, ele escreveu no twitter:

“Em que pese a banda podre da imprensa já ter falado absurdos sobre a minha religião, minha família e minha empresa, agora falam da minha saúde. Mas estou bem, não precisarei de abraços do Drauzio Varella”.

Horas depois saiu o resultado do teste de Fábio Wajngarten. Deu positivo. Estava contaminado pelo coronavírus.

Quanto à contaminação de Wanjgarte não se sabe ainda se ele levou o vírus do Brasil para os Estados Unidos ou se o trouxe de lá.

Alô, vigilância do Ministério da Saúde (MS). O que tem a dizer a respeito?

A Vigilância em Saúde do MS tem muito a explicar.

Bolsonaro viajou para os Estado Unidos em 7 de março e retornou no dia 10.

Nos EUA, já no dia que chegou, participou de um jantar com Donald Trump.

Desde o retorno ao Brasil, está comprovado  que, pelo menos, 18 pessoas que tiveram contato com comitiva de Bolsonaro testaram positivo, inclusive o prefeito de Miami, Francis Suarez.

O último é o general Alberto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional.

Quem contaminou quem?

Resposta necessária para os brasileiros e para a saúde pública.

Ainda nos Estados Unidos, assim como Donald Trump, Bolsonaro fez pouco caso da pandemia:

“Muito do que tem ali é mais fantasia, a questão do coronavírus, que não é isso tudo que a grande mídia propaga”.

Mas, Trump, logo depois reviu sua posição, reconheceu a existência da pandemia, sua gravidade e passou a adotar medidas de contenção da catástrofe.

No entanto, Bolsonaro continuou a desdenhá-la.

O máximo que fez até o dia 18 foi colocar uma máscara para fazer uma live ao lado do Ministro da Saúde.

Agora, na eminência de uma das maiores epidemias e da perda total da capacidade de governar, Bolsonaro pede ao Congresso a declaração de estado de emergência.

Já deveria ter feito isto no final da semana passada, antes do ato do dia 15.

Antes tarde do que nunca.

Mas temos que ter cuidado: a fantasia do capitão Bolsonaro é ir além.  É mandar sozinho, instalar uma ditadura.

É necessário rasgar esta fantasia e expor a verdadeira face.

Bolsonaro não é um “pirata da perna de pau”, é um capitão expulso do exército.

Sem a máscara cirúrgica, ele não só tem “cara de mau”. É mau mesmo.

*Dr. Rosinha é médico pediatra, militante do PT. Pelo PT do Paraná, foi deputado estadual (1991-1998) e federal (1999-2017).  De 2015 a 2017, ocupou o cargo de Alto Representante Geral do Mercosul.

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2 comentários

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Zé Maria

22 de março de 2020 às 18h21

O desgoverno Bolsonaro/Guedes/ Moro
fala em adiar as Eleições de Outubro,
primeiro, porque vão levar uma sova,
e segundo, porque a Virose vai longe.

Responder

Zé Maria

19 de março de 2020 às 20h53

É simbólico:
Presidente Mascarado
Duplamente Fake .

Responder

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