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Dr. Rosinha: Cada vez mais se confirma que “Bolsonaro, acabou!”, como lhe disse o haitiano; vídeo
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Arapuca

Dr. Rosinha: Cada vez mais se confirma que “Bolsonaro, acabou!”, como lhe disse o haitiano; vídeo


03/04/2020 - 15h00

Acabou

por Dr. Rosinha*

Em 28 de junho de 1914, em Sarajevo, Gravilo Princip, militante da organização sérvia, Mão Negra, assassinou o arquiduque Franz Ferdinand da Áustria, herdeiro do Império Austro-húngaro.

Princip fazia uma luta política e jamais imaginou que seu ato acarretaria o inicio da primeira Guerra Mundial.

Em dezembro de 2010, Mohamed Bouazizi, jovem tunisiano de 27 anos, ateou fogo ao próprio corpo em protesto às condições de vida que vivia –e ainda vive –a maioria do povo da Tunísia.

O gesto individual de Bouazizi levou a uma onda de protestos no país, fazendo com que o presidente, Zine el-Abdine Ben Ali, dez dias depois, renunciasse.

A partir desses protestos –sem entrar no mérito do apoio dos EUA –nasceu a chamada Primavera Árabe. Esta “Primavera” levou alguns países ao caos, como Líbia e Síria, para ficar só em dois exemplos.

Mohamed Bouazizi, assim como Princip, não tinha a mínima ideia do que ocorreria após seu gesto. Bouazizi talvez nem tenha pensado que custaria sua própria vida.

As consequências dos atos — planejados como o assassinato de Franz Ferdinand e talvez espontâneo como o de Mohamed Bouazizi — só serão medidas e/ou analisadas dentro de um processo histórico, ou seja, a posteriori.

Só o haitiano sabe se foi pensada ou espontânea sua fala à Bolsonaro no dia 17 de março quando disse:

“Bolsonaro acabou. Você está recebendo mensagens no seu celular, todo mundo está recebendo mensagens no celular. Você não é presidente mais”.

Em 17 de março –número da sorte de Bolsonaro –, o presidente, como acontece todos os dias, estava na frente do Palácio Alvorada, fazendo proselitismo, agredindo a inteligência de muita gente e ouvindo os louvores de seus apoiadores, sob o grito de “mito”, quando ouviu da boca de um haitiano a frase que poderá significar o inicio de um processo histórico.

Bolsonaro escutou, mas não ouviu essa voz, que naquele momento era  a de muitos brasileiros e brasileiras.

Afinal, ouvir a voz de um negro, haitiano, migrante e que. segundo os seguidores de Bolsonaro, vêm para o Brasil só para “roubar empregos”.

Por que dar ouvidos?

A repercussão do que falou o haitiano foi enorme no Brasil por uma simples razão: o governo de Bolsonaro, realmente, acabou.

Acabou não por desejo individual de alguns, acabou porque o comportamento arrivista e tresloucado de Bolsonaro levou-o a perder todo o respeito e representatividade perante as instituições e grande parcela da população brasileira.

Desde o dia 15, quando, contrariando todas as orientações de autoridades mundiais e nacionais de saúde pública, compareceu a uma manifestação contra o Congresso e o STF, perdeu o pouco do respeito que ainda tinha.

Como o governo acabou, restam quatro alternativas à elite – burguesia (principalmente a paulista)– para serem oferecidas a Bolsonaro e aos militares, de tal maneira que não percam o poder.

1) Cassação da chapa – Ações tramitando no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedindo a cassação de chapa Bolsonaro/Mourão não faltam, tampouco faltam crimes eleitorais. Durante o processo eleitoral, cometeram crimes aos cântaros e já provados. Foram, pela internet, milhões de mensagens mentirosas.

Seria a maneira mais rápida de tirar Bolsonaro do governo e convocar eleições diretas. Mas a elite escravocrata brasileira não quer, afinal não tem outro para colocar no lugar.

2) Impeachment – É uma possibilidade, mas só para o ano que vem. Apesar de já haver  razões de sobra para ser aplicado, não o farão antes de dois anos de mandato, pois significaria novas eleições diretas, coisa que não interessa à elite brasileira, principalmente a paulista e aos militares.

O impeachment pode até ter inicio no segundo semestre deste ano para concluí-lo no início de 2021.

3) Renúncia – É algo que interessa à elite. Depois de elegê-lo, pela vergonha e prejuízo que passam, não o suportam mais.

Apesar de aventada há mais de um mês, Bolsonaro resiste. Em 27 de fevereiro deste ano, ele afirmou em transmissão ao vivo em seu Facebook: “Não vou renunciar ao meu mandato…”.

A renúncia interessa à burguesia e aos militares. Sem golpe, e com a consciência tranquila, assumem através de um general a presidência.

O problema é Bolsonaro. Como convencê-lo?

4) Licença médica – É rápida e indolor para os “democratas”. Tiraria uma licença — razões há de sobra — por um período, até que se encontre a solução do  que fazer.

Seria uma saída honrosa para ele, para a elite e para os militares.

No último artigo, Pronunciamento, publicado aqui no Viomundo em 26 de março, escrevi que Bolsonaro está jogando no tudo ou nada e, que uma ditadura, sob a sua batuta, era o seu desejo.

Essa possibilidade diminuiu, mas continua no radar.

Diminui porque dia a dia Bolsonaro vem se degradando, envergonhando e desagradando parte importante da elite brasileira e de setores das Forças Armadas, principalmente do exército.

Depois das últimas presepadas de Bolsonaro, os generais, em grande parte, imagino, não vão se colocar a favor de uma ditadura, tendo-o no comando.

General não bate continência para capitão, principalmente expulso do exército.

É só esperar um pouco mais e executar a segunda  alternativa acima e assumir, sem golpes.

Assim como a ação de Gravilo Princip, o ato de Mohamed Bouazizi entraram para a história, o do haitiano (por favor, se alguém souber coloque o nome dele nos comentários) também entrou.

Cada dia que passa mais se confirma o que ele disse: “Você não é presidente mais”.

Bolsonaro, acabou.

*Dr. Rosinha é médico pediatra, militante do PT. Pelo PT do Paraná, foi deputado estadual (1991-1998) e federal (1999-2017).  De 2015 a 2017, ocupou o cargo de Alto Representante Geral do Mercosul.

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1 comentário

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Zé Maria

03 de abril de 2020 às 18h28

https://pbs.twimg.com/media/EUsWf73XkAImGho?format=jpg
https://twitter.com/lauraabcarvalho/status/1243959139044413441

Sei não. A Oposição não deveria comemorar tanto o Datafolha.
Com toda a Sociopatia do Serial Killer do Palácio do Planalto,
ainda há 1/3 (um terço) de Parvos/Insanos apoiando o Criminoso,
muitos são pessoas de renda média ou baixa (neopentecostais?).
Para Renúncia ou Afastamento, é deveras um apoio muito alto.

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