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Dr. Rosinha: Bolsonaro e seus fascistas jogam com tudo ou nada, até a armas recorrerão
Reprodução do Instagram do presidente Jair Bolsonaro
Arapuca

Dr. Rosinha: Bolsonaro e seus fascistas jogam com tudo ou nada, até a armas recorrerão


10/05/2020 - 15h28

Estratégia

por Dr. Rosinha*

“Estratégia é a técnica utilizada para alcançar um objetivo (individual ou coletivo, privado ou público, pacífico ou bélico-militar). O uso material de uma arma é, pois, a fase final de um complicado processo, iniciado com a definição de um objetivo, determinação da estratégia mais apta a alcançá-lo e escolha dos meios mais eficazes; as armas poderão ser usadas, mas, por vezes, bastará que sejam apenas exibidas para se obter a adequação da vontade do adversário ao objetivo prefixado”  Norberto Bobbio, Nicola Matteucci e Gianfranco Pasquino, em Dicionário de Política

Jair Bolsonaro no início de sua vida pública, quando eleito, em 1988, vereador da cidade do Rio de Janeiro pelo Partido Democrata Cristão, não tinha individual ou coletivamente uma estratégia de como chegar à presidência da República e implantar uma ditadura fascista.

Pelo menos é o que eu creio.

Provavelmente, após os primeiros discursos, tenha constatado que eram suficientes para mantê-lo na vida pública como vereador ou deputado pelo tempo que quisesse.

E a indicação dessa possibilidade se deu já em 1990, quando elegeu-se deputado federal. Foi o mais votado do Rio de Janeiro, com 6% dos votos do eleitorado.

Nesse momento, constatou também — e, aí, sim, traçou uma estratégia — que esse mesmo discurso poderia ser estendido ao clã e, assim, passou a eleger os filhos.

Com o passar do tempo o discurso de ódio – com conteúdo fascista, racista, machista, homofóbico, xenófobo, em defesa da família e principalmente contra o comunismo e a esquerda – passou a ganhar mais adeptos e visibilidade nacional.

E a estratégia, que era individual/familiar, tornou-se coletiva e já com objetivo.

De início, não estava presente o de chegar à presidência do Brasil.

A chegada foi consequência de uma série de fatores, como os discursos de ódio, anti-política e anti-político, contra os comunistas e a esquerda e a inviabilização de Lula e do PT.

Outro fator que permitiu Bolsonaro chegar à presidência foi não ter sido barrado antes por seus ataques à democracia.

Durante seus 28 anos na Câmara dos Deputados, os democratas, principalmente a esquerda, permitiram que ele atacasse continuamente a democracia, mostrasse todo o seu preconceito, fobia  e  ódio a tudo e todos que pensassem diferente dele.

Sequer uma pedra colocaram no caminho de Bolsonaro.

Nunca foi aberto um processo consequente  na Comissão de Ética da Câmara dos Deputados contra ele.

Escrevo consequente porque os partidos democratas e de esquerda nunca se articularam com afinco para cassá-lo.

Não o fizerem porque entendiam que Bolsonaro era só um desequilibrado, louco, cretino e hipócrita e que seus discursos não trariam maiores consequências.

Ocorre que esse discurso fóbico/preconceituoso de Bolsonaro tornou-se estratégia coletiva de chegar à presidência e continua como estratégia de aglutinação de forças para implantar uma ditadura fascista no Brasil.

O que Bolsonaro faz e fala não é só cretinice, hipocrisia e ignorância.

É estratégia de construção de um golpe dentro do golpe. E ele joga no tudo ou nada.

No artigo O Jair que há em nós, Ivann Carlos Lago, ao falar sobre a vitória eleitoral de Bolsonaro em 2018,  diz que está

“cada vez mais convencido de que Bolsonaro é uma expressão bastante fiel do brasileiro médio, um retrato do modo de pensar o mundo, a sociedade e a política que caracteriza o típico cidadão do nosso país”.

Se cientificamente ou não, Bolsonaro e seu grupo de fascistas “leram” o pensamento desse brasileiro médio e, a partir daí , traçaram a sua estratégia eleitoral e o início do governo.

O fato é que jogam com a possibilidade do tudo (ditadura fascista) ou nada (impeachment).

Nesse jogo do tudo ou nada ninguém vai ditar e/ou disciplinar os discursos do mito.

Eles continuarão a aglutinar militantes e milícias.

E se for preciso não só mostrarão as armas, também as usarão.

Dr. Rosinha é médico pediatra, militante do PT. Pelo PT do Paraná, foi deputado estadual (1991-1998) e federal (1999-2017).  De 2015 a 2017, ocupou o cargo de Alto Representante Geral do Mercosul.



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1 comentário

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Sandra

11 de maio de 2020 às 10h58

Roberto Jefferson que já sacou a metralhadora para proteger o “parmito” (apelido do Bozo por ter pernas finas) surgiu no programa Povo na TV da antiga TVS, atual SBT, mostrando a morte de um bebê ao vivo
https://noticias.uol.com.br/colunas/reinaldo-azevedo/2020/05/11/jefferson-governista-surgiu-em-tv-que-levou-ao-ar-morte-de-bebe-no-estudio.htm

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