VIOMUNDO

Wilson Cano: Economia sente os efeitos do desmonte neoliberal

09 de abril de 2014 às 19h02

Para economista, país está sem rumo e falta um projeto nacional

Por Vanessa Jurgenfeld | De Campinas

do Valor Econômico, sugerido pela Sec Geral do MST

Estudioso das questões do desenvolvimento econômico há décadas, Wilson Cano, professor do Instituto de Economia da Unicamp, diz que o Brasil está sem rumo e falta um projeto nacional de desenvolvimento.

Para o economista, um dos grandes problemas é a perda do controle sobre os instrumentos de política macroeconômica depois das reformas neoliberais dos anos 1980-1990 e as “amarras” com a Organização Mundial do Comércio (OMC). Diz que sem o controle desses instrumentos, cedendo às pressões do organismo internacional e do capital financeiro, é impossível fazer uma política industrial efetiva, reanimar a indústria e o próprio crescimento do país. A seguir, trechos da entrevista:

Valor: Como o sr. analisa o baixo crescimento da economia brasileira nos últimos anos?

Wilson Cano: Nós tivemos um curso da nossa história que foi truncado em 1970 com a crise da dívida. De lá para cá, as diferenças são que, nos anos 80, o PIB cresceu a 1% ou menos, nos 90 cresceu a 2%, depois a 2,5%, depois, entre 2003 e 2009, graças ao boom de commodities da China, crescemos a 4,5%, 5%.

Agora, se você tirar a média histórica de 80 para cá, é simplesmente deprimente. E parte da crise social não está pior porque a taxa de crescimento demográfico baixou muito. A demografia nos livrou de problemas bastante sérios que teríamos que enfrentar agora. Então, nossa crise é estrutural e de 30 anos, vem dos anos 80, trazendo efeitos cumulativos.

Valor: Quais efeitos cumulativos?

Cano: Os erros da ditadura militar, que geraram a crise do endividamento, e depois os erros crassos da adoção de uma política neoliberal, que foram e são calamitosos.

Valor: A quais erros da política neoliberal o sr. se refere?

Cano: Os erros advindos do neoliberalismo são as reformas do Consenso de Washington — desregulamentação financeira, abertura comercial, as reformas da relação capital-trabalho, reforma da previdência social, privatização e encolhimento do aparelho do Estado. Essas coisas, que motivaram palmas e elogios na mídia durante muito tempo a muitos empresários, cobram um preço muito pesado para o futuro.

Nos livramos das estatais e nos livramos também da possibilidade de atuar diretamente no comando da política econômica de vários setores-chave. Se hoje estamos com problemas de logística, de comunicações, de energia, em parte se deve a isso. Simplesmente se entregou a coisa ao setor privado, achando que ele iria resolver os problemas. O setor privado se move com uma perspectiva de uma taxa de lucro. Quando essa taxa estremece, ele recua. Além disso, infraestrutura exige pesado financiamento de longo prazo, portanto, imobilização de recursos por muito tempo.

É muito complexo deixar exclusivamente na mão do setor privado. E foi muito pior, porque foi uma privatização de fato e de direito. Aquilo que estava afeto a ministérios, controlar telecomunicações, eletricidade, navios, virou todo um arremedo de controle público que são as agências, como Anatel e Aneel. Aquilo é um conjunto de pessoas que vieram do setor privado e que não são o Estado. É um ente híbrido e que, portanto, não pode fazer uma administração pública desses setores. Então, o Estado foi desmantelado.

Valor: E isso gerou impacto nas políticas de desenvolvimento?

Cano: O Ministério do Planejamento hoje se converte em um ministério de contabilidade pública. Não é um ministério que usa orçamento público como instrumento de política de desenvolvimento. Você não tem uma estratégia de planejamento. Então, crescemos pouco, porque nos amarramos não só a essas reformas [neoliberais], mas também nos amarramos com a OMC.

Valor: Em que sentido “nos amarramos” com a OMC?

Cano: A abertura comercial, além de reduzir as tarifas violentamente e eliminar um monte de entraves às importações, escancarou o parque produtivo nacional à competição internacional. Essas falas — ‘vamos elevar a produtividade’, ‘vamos introjetar ciência e tecnologia’ –, eu ouço desde pequenininho, como se tecnologia fosse uma maria-mole que você compra na venda da esquina e dá para criança. Isso passa por decisões de empresários e por questões que não são fáceis de ser administradas.

Valor: Alguns economistas defendem que é preciso melhorar a produtividade do capital e do trabalho para o país avançar mais…

Cano: O empresário introjeta tecnologia e ciência quando tem expectativa de retorno. Se você está destruindo a sua indústria, encolhendo cadeias produtivas, importando as coisas mais complexas e mais caras e deixando a coisa mais fácil e simples para se fazer aqui, que ciência e tecnologia vai embutir aqui? O pior é que, como você não tem rumo, não há um projeto nacional, não sabe o que fazer também com o sistema educacional.

Aí inventa educação sem fronteiras e está uma festa. Estão mandando aluno para tudo que é lado no mundo, como se o cara fosse aprender algo muito inteligente no interior de Portugal, que é um submisso na União Europeia. Estamos fazendo essas barbaridades.

Valor: Há economistas e empresários que dizem que houve nos últimos anos aumento do Estado na economia e isso seria um dos principais problemas…

Cano: É o contrário. O Estado se retirou da economia. Era responsável por cerca de 50% da Formação Bruta de Capital Fixo do país. Hoje, não responde nem por 20%. O investimento público federal foi ao chão, e o dos Estados e municípios está rastejando. A presidente Dilma Rousseff ainda elevou o investimento público federal, mas muito pouco. E ela não consegue mudar isso.

Antes você tinha um orçamento público federal e havia uma fatia que você podia dedicar ao investimento público, ao financiamento público das estatais, ou o que quer que fosse. Agora entraram aí juros, que consomem 40% da receita federal líquida, consomem cerca de 5% do PIB. Isso era a participação do Estado na taxa de inversão. Então, a nossa taxa de investimento não pode subir. E não há economia que cresça de forma sustentada e elevada, se a sua taxa de investimento não sobe.

Valor: Qual a profundidade do problema da competitividade da indústria brasileira?

Cano: O que fizeram Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul? Eles transferiram à China boa parte da sua capacidade de produção industrial pelos salários mais baixos e condições da economia muito melhores. Lá eles poderiam realmente ter uma competitividade avaliada em moeda e inundaram o mundo com manufaturas da China, desde as simples até as de maior complexidade.

É um mito pensar que poderíamos enfrentar China, Japão, Coreia. Simplesmente porque, ao escancarar essas condições externas [abertura, entrada na OMC], você acabou com um instrumento poderoso que o Estado tinha, que era o de fazer controle do comércio exterior, de tentar proteger determinados segmentos da produção nacional. Você não pode mais fazer isso.

Valor: Por causa da OMC?

Cano: A OMC não deixa. Ela só te permite fazer alguma restrição diante de uma crise grave de balanço de pagamentos e durante certo tempo. Já estão exigindo do Brasil que acabe com a tarifa de 30% dos automóveis. E tem um outro lado ainda mais cruel, que é a exacerbação do sistema financeiro internacional.

Com a longa crise que vem dos anos 70, arrefeceram-se os níveis de produção, o crescimento desacelerou no mundo, e o capital, que antes tinha ovos produtivos e os colocava num ninho para gerar mais produção, diminuiu esses ovos na produção e passou a colocá-los no ninho financeiro. O capital foi deixando de ser basicamente produtivo para se converter cada vez mais em capital financeiro. E o que sucedeu com os empresários que receberam uma cacetada diante da abertura? Reduziram níveis de produção e colocaram mais ovos na cesta financeira.

De lá para cá, uma fatia crescente da massa de lucro das empresas não é fruto de produção, mas de aplicações no sistema financeiro. Hoje, há empresários ganhando mais dinheiro no sistema financeiro do que produzindo sapatos, salsichas ou lingotes de ferro. Quando se eleva a Selic, chiam porque pagarão financiamento mais caro, mas riem de felicidade, porque a aplicação financeira dará lucro maior do que se fizessem sapatos.

Valor: É uma contradição?

Cano: É uma contradição que se refletirá no sistema de tomada de decisões nacional. O poder não vai ter mais uma frente empresarial, como nos anos 1970, que dava sustentação ao avanço da industrialização.

Valor: Outros países, como Estados Unidos, parecem mais preocupados com uma reindustrialização, após perder indústrias para Ásia….

Cano: Eles perderam em termos. A desindustrialização no Hemisfério Norte tem caráter distinto da desindustrialização aqui. As duas diminuíram a proporção da indústria de transformação no PIB, só que a do Brasil diminuiu de maneira precoce, porque não fez crescer o que deveria crescer. Aquela diminuiu porque os serviços cresceram muito, talvez tenham perdido um pouco de indústria. Mas as empresas americanas estão na China e mandando lucro aos EUA.

Essa perda é bem relativa, diferente da nossa. Nós perdemos mesmo, porque não temos estratégia nenhuma. E isso não é uma debilidade do governo Dilma, Lula ou FHC. Mas é que, com adoção dessas políticas macro, você não tem direito de formular nenhum programa nacional de desenvolvimento.

Valor: Quais as principais consequências em não se ter um projeto nacional de desenvolvimento?

Cano: Sem isso, não há rumo, porque as decisões passam a ser tomadas porque o mercado financeiro gritou, porque a bolsa caiu, o dólar subiu, enfim, você volta a viver as pressões diárias do tal do mercado financeiro, que é quem no fundo faz as pressões na política econômica que nos restou, que é elevar os juros e aumentar o superávit primário para poder pagar juros a ele.

Valor: Alguns economistas dizem que há recuperação da indústria brasileira nos dados do início deste ano. Como o sr. analisa isso?

Cano: A indústria não se recuperou coisa nenhuma. Isso é produto de determinadas flutuações estatísticas. Houve erro de política industrial, mas o crucial é o modelo de crescimento e de política econômica que encarnamos em 1990 e não mudamos. E é por isso que a oposição é fajuta. Para ser oposição, teria que poder criticar. Mas não pode, porque foi ela que inaugurou esse modelo de política de juros altos, câmbio valorizado e superávit primário.

Valor: O sr. acredita que o modelo macro vai seguir sendo o atual?

Cano: Acho que sim, só que certas coisas têm limites. Em economia, nada é eterno, nada é contínuo. Por exemplo, cuidado com as contas do setor externo, porque [alguns dizem que] a vulnerabilidade do país baixou consideravelmente, porque exportamos commodities e acumulamos US$ 370 bilhões de reservas. Mas eu digo: alto lá, cavalheiro.

Essas reservas são fruto de quê? Um país acumula reservas por três razões: porque tem superávits comerciais, por receber notáveis fluxos de investimentos externos produtivos e por ter recebido capitais de empréstimo, ou mesmo especulativos, em quantidade apreciável, que o ajudaram a fazer caixa. E esse [último] é o nosso caso. Nosso saldo comercial já foi para o brejo. Estamos com déficit. E o déficit da conta de serviços e de rendas supera nos últimos 15 anos largamente os superávits comerciais.

O país vem tapando buraco à custa de investimentos diretos, que não cresceram como eram no passado, mas principalmente com investimentos financeiros, como derivativos, dívida pública. Nossas reservas não têm um lado real da economia. Estão calçadas em capital temporário, de alto risco. Se vier realmente uma ventania forte, que é algo que está na agenda de vários autores, essas reservas não sustentarão o equilíbrio do país, corremos o risco de enfrentar crise severa.

Valor: Qual deveria ser o modelo para reanimar a indústria?

Cano: Aí é que está o problema. O governo vestiu uma camisa de força. Você tem seus músculos, seu cérebro, mas numa camisa de força você não consegue se mover. Se você não pode mover os instrumentos do juro, do câmbio, do crédito e das contas públicas, está amarrado. Esses instrumentos são fortemente interdependentes nesse jogo político internacional que entramos.

Você está com um avião e não consegue fazer voo alto. Não adianta, como fazem alguns economistas, dizer que precisamos de política industrial mais inteligente. É impossível. Você pode desenhar a política industrial que quiser, mas política industrial precisa de juros, de câmbio, de financiamento, de um grau de protecionismo à indústria nascente para introjeção de alta tecnologia. E você cedeu todos esses instrumentos ao admitir seu ingresso na OMC e fazer as reformas neoliberais.

A possibilidade de mudança é mínima. Pode fazer política de desenvolvimento agrícola com recursos do Banco do Brasil. Faz uma estradinha, dá uma ‘garibada’ no porto, mas fazer uma fábrica de chip, avançar na petroquímica, na química fina, aí você não vai.

Valor: Por que esses setores especificamente seriam importantes?

Cano: Fábrica de chip foi uma coisa estratégica para quem quisesse enveredar no ramo da microeletrônica. Você não tem o comando, o nervo da criação tecnológica na microeletrônica, se não fabrica chip. Aí tem que comprá-lo da Coreia, da China… Mas posso dar outros exemplos. O déficit de exportações na indústria química é severo, complexo.

Ficaram fazendo bobagens com a Petrobras, de comprar refinaria em vários países, fazendo coisas do arco da velha, e não cuidaram como deveriam da petroquímica e da Petrobras aqui dentro. Agora, ela paga caro, toma grandes empréstimos lá fora e estamos com problema no abastecimento de derivados de petróleo, uma política em parte equivocada. E vamos afundar o setor de etanol, com essa política de preços de combustíveis.

Valor: O governo tentou enfrentar a pouca competitividade industrial com subsídios, por exemplo.

Cano: São paliativos usados muito mais na hora que a onça vai beber água. Na crise do ‘subprime’, que ia bater aqui, eles correram e deram estímulos, mas que têm limites estreitos. A OMC não aceita isso em caráter permanente.

Valor: O resultado do PIB de 2013 mostrou avanço da taxa de investimento. Há uma mudança?

Cano: Mesmo nos anos melhores, o investimento não atingiu nem 20% do PIB. Tivemos 25% nos anos 70. E há também uma diferença qualitativa.

Economistas pecam porque olham a taxa de investimento e não a sua estrutura. Nos anos 70, a parte alocada na indústria de transformação era substancial. Hoje, não. E isso se reflete também na estrutura do investimento direto externo, que vem muito mais para serviços, agrobusiness, mineração e pouco à indústria.

Valor: Há economistas que defendem criação de grandes grupos nacionais como forma de melhorar a competitividade. O que o sr. acha?

Cano: Essa ideia foi fruto de um fato que ocorreu no capitalismo. Quem mostrou realmente capacidade de engendrar gigantes foram os americanos. Os alemães já tinham noção disso com as políticas de cartelização no século XIX, tinham corporações fortes; aí os japoneses copiaram isso, os coreanos também; e a China, que tinha as suas estatais. Mas eles possuem muito mais do que apenas grandes empresas.

Têm moeda conversível internacionalmente, reservas, controle sobre o câmbio, sobre os juros. Nós não temos. Que grande empresa internacional você vai fornecer, se não tem moeda, se não há controle sobre a política macroeconômica? É até apostar demais que aquele grupo privado beneficiado por financiamento público é tão schumpeteriano que vai ter sucesso internacional descomunal para virar grande grupo. Não creio nisso. Várias apostas já foram feitas de maneira errada. Esse Eike [Batista]…Há anos que chamo a atenção de meus alunos de que ele é o “Farquhar” brasileiro.

Valor: Farquhar?

Cano: Teve um financista americano hábil no início do século XX, chamado Percival Farquhar, que montava castelos de cartas. Um dia alguém puxou uma cartinha…

É evidente que isso é um fenômeno especulativo. Nós embarcamos nessa canoa. E o BNDES não tem que ficar nisso.

Valor: Qual seria a saída?

Cano: Pode ser que se consiga diante de certas circunstâncias internacionais montar uma saída de médio a longo prazo, cuidadosa, gradual, para que se possa administrar os inevitáveis confrontos externos e internos. Se vou mexer nos juros, desvalorizar o câmbio e até subir um pouco a inflação, posso ter chiadeira nacional e o sistema financeiro sairá de armas na rua.

Tenho que administrar isso, a indústria, o agronegócio. Qualquer peça que se mexa neste tabuleiro afeta interesses cristalizados. Se quiser aumentar proteção à indústria nacional, vai vir a OMC e dizer não. Então, chegará um momento em que você vai ter que dizer não à OMC. É uma briga feia e complicada. Quem sabe haveria com isso possibilidade de realmente se montar uma integração latino-americana. Não que isso resolva a magnitude dos problemas que temos. Mas seria um contraponto interessante.

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Nelson

12/04/2014 - 23h01

Emprego público (*) em relação ao total de ocupados (em %) 1995-2005

1995 2005
ALEMANHA (**) 15,5 14,7
AUSTRÁLIA 15,2 14,4
BÉLGICA 19,3 19,5
CANADÁ 19,9 16,3
CORÉIA 6,6 6,3
DINAMARCA 39,3 39,2
ESPANHA 15,4 14,3
ESTADOS UNIDOS 14,9 14,8
FINLÂNDIA 25,7 23,4
FRANÇA(**) 24,6 24,9
HOLANDA 15,5 14,6
JAPÃO 7,0 6,3
PORTUGAL 14,4 15,1
SUÉCIA 33,5 30,9
SUÍÇA 8,3 8,4
TURQUIA 10,1 10,7
BRASIL 11,3 10,7

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Bernardo Leal

12/04/2014 - 16h26

Ja passou da hora do governo se livra do tal tripé da política econômica. O professor está certíssimo. Este mecanismo que combina juros altos, câmbio valorizado e superávit primário garantido é o ganha pão da banca e do empresariado parasitário que se expressa através dos grandes grupos de midia. Infelizmente não temos uma força política de esquerda forte e consequente o suficiente para fazer o enfrentamento deste modelo que foi inaugurado pelo PSDB. A oposição, incluindo Eduardo Campos/Marina, não oferece alternativa. A minha esperança é que a Dilma num segundo mandato reveja isto.

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Maria Rita

12/04/2014 - 09h23

Como o governo não tem estratégia? E o PACI e PACI? Não se chamam PROGRAMA DE ACELERAÇÃO DO CRESCIMENTO? A gerente do Lula para isso era a Dilma, do qual ele deixou aí para implementar e finalizar os programas. Agora, se há muito problema, realmente há. Como no caso dos 42% do dinheiro do orçamento da união que é pago aos bancos. Isso é realmente um grande problema.

Tem mais? tem. e muitos. Agora dizer que o Brasil fez mal em entrar para a OMC?

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Bernardo

11/04/2014 - 17h16

Porque ele está reclamando da OMC, que o Brasil não tem dinheiro para investir, estamos de mãos atadas? Ao que me consta o ano passado foi o recorde de recolhimento de impostos por parte do governo, nunca tivemos tanto dinheiro para investir na história, o problema é que o governo está tão inchado, que o dinheiro vai para o ralo ou para algumas “escolhas erradas” do governo. E o cidadão ainda defende inchaço de Estado, alguém acha que o Estado brasileiro lhe representa? Vejam publicações e vídeos sobre o foro de são paulo e a tentativa de integração da América Latina que os senhores irão se espantar.

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    Nelson

    12/04/2014 - 23h11

    “o problema é que o governo está tão inchado”.

    Usando de argumento puramente neoliberal, hein, meu caro Bernardo?

    A tabela que expus acima faz a comparação do contingente de trabalhadores no setor público em vários países. Por ela podemos constatar o quanto é falacioso esse argumento.

    Você pode ler muito mais acessando o estudo realizado pelo Ipea, publicado ainda em março de 2009. Para tanto, clique em http://www.sinagencias.org.br/conteudo_arquivo/121109_E94922.PDF.

    Nelson

    12/04/2014 - 23h16

    Outro estudo do Ipea que deita por terra o argumento de que o Estado brasileiro é inchado pode ser lido acessando
    http://www.ipea.gov.br/agencia/images/stories/capt0708_politicafiscal.pdf.

    Aproveite, Bernardo, e deixe de “botar água no moinho” dos neoliberais.

Glub

11/04/2014 - 17h00

Quando Miriam Leitão e FHC dizem que o governo atual não tem estratégia aluma de desenvolvimento, o pessoal do PT reclama.
Não é o que está dito com todas as letras na entrevista do prof. Wilson Cano?
A eleitor é dada a seguinte hipótese: não queremos neoliberalismo. Mas se é pra escolher entre o neoliberalismo envergonhado e incompetente do PT e o neoliberalismo que funciona que Aécio propõe, qual a escolha menos dolorosa?
Não vale a pena arriscar?

Responder

    Nelson

    12/04/2014 - 22h29

    “o neoliberalismo que funciona”.

    Funciona para quem, cara-pálida? Para trabalhadores, donas de casa, crianças, idosos, micro, pequenos e médios empresários e agricultores? Não. De jeito nenhum.

    O ideário neoliberal foi elaborado para garantir que o grande empresariado pudesse continuar a acumular lucro sobre lucro. Algum ganho para os grupos citados acima, só como rebarba.

    O que Aécio nos propõe só pode ser mais do mesmo; mais ainda daquilo com que FHC já tinha nos brindado que, repito, deixou o povo brasileiro genuflexo perante o grande capital, nacional e estrangeiro.

Nelson

11/04/2014 - 16h51

Dia desses, fui dar uma rápida espiada no sítio http://www.aloysiobiondi.com.br para me certificar, nas colunas escritas pelo saudoso jornalista sobre a economia nos anos FHC, quanto às remessas de lucros e dividendos para o exterior àquela época.

E tive a confirmação. A remessa de lucros ainda antes da grande onda de privatizações de FHC, ou mesmo imediatamente após, era bem baixa: entre R$ 1 bilhão e R$ 2 bilhões.

Pois bem. Passou-se década e meia após essas privatizações de FHC, que foram seguidas de mais privatizações e PPP’s do Lula e da Dilma, e a remessa de lucros em 2013 fechou em nada menos que R$ 95 bihões.

E eu ainda vejo gente que se diz esperta, bem informada, etc. a deitar elogios às privatizações.

Responder

    Nelson

    11/04/2014 - 17h44

    Abaixo, reproduzo um trecho do artigo cujo título é “Queremos o Brasil de volta”. O artigo foi escrito por Aloysio Biondi para a revista Bundas de 21 dezembro de 1999 e eu o pesquei em http://www.aloysiobiondi.com.br/spip.php?article732. Com isso, faço uma correção nos números que lancei em meu comentário sobre a remessa de lucros no governo FHC.

    Ainda assim, a diferença entre os R$ 7 bilhões remetidos em 1997 e os R$ 95 bilhões remetidos em 2013 é abissal, resultante, em grande parte das privatizações, como já alertava o próprio Biondi em seus artigo.

    “Veja-se bem: as remessas de lucros e dividendos das multinacionais para as matrizes não passavam dos 700 milhões (com m) de dólares, no começo dos anos 90. Com o início da abertura da economia, no governo Collor, elas passaram para a faixa de 2,4 bilhões no começo do mandato de FHC.”

    “Em 1997, já haviam chegado aos 7,0 bilhões de dólares, isto é, triplicado no governo FHC e crescido dez vezes em relação aos valores históricos. Esses números em si já são alarmantes. E, o que é pior, eles deveriam avançar ainda mais explosivamente daqui para a frente, puxados pelo ritmo das privatizações, com as estatais entregues a grupos estrangeiros – e pelo processo de desnacionalização da economia em geral. As perspectivas já eram sombrias, com uma sangria de bilhões de dólares todos os anos, para todo o sempre, colocando o Brasil na posição de colônia obrigada a encher os cofres da Corte, e sujeita a retaliações, sanções quando não conseguisse quitar os compromissos – isto é, sujeito a crises e recessões periódicas.”

Nelson

11/04/2014 - 16h42

“Nos livramos das estatais e nos livramos também da possibilidade de atuar diretamente no comando da política econômica de vários setores-chave.”

Aqui, o professor Cano nos mostra o quão prejudiciais são as privatizações para a construção do país. As empresas públicas/estatais devem servir de instrumentos para um determinado governo impulsionar seu projeto nacional.

E os nossos sociólogos, economistas, administradores, todos graduados, pós-graduados, educados, renomados, embarcaram na “canoa furada” neoliberal da privatização. O resultado está aí: um governo, um Estado, que não tem capacidade para quase nada além de “elevar os juros e aumentar o superávit primário’ para pagar mais juros ao mercado financeiro. Mercado financeiro que é hegemonizado pelo grande empresariado privado, que prefere o rentismo à produção.

Responder

Nelson

11/04/2014 - 16h33

Há duas classes de comentaristas que se destacam por aqui. Uma, que votou ou vota no PT, não admite críticas aos governos Lula/Dilma. Outra, que aderiu ao ideário neoliberal, não suporta ver qualquer análise que não convirja para seu ponto de vista. Nem preciso citar nomes para que sejam reconhecidos.

A análise que faz o professor Cano é clara, límpida, transparente, plenamente intelígivel. Como se diz no popular, o professor “vai no rim”.

A sinuca em que estamos metidos tem origem, sim, no início dos anos 1980, com o endividamento de grandes proporções e foi dramaticamente agravada com a adesão faceira ao neoliberalismo (desregulamentações, privatizações, etc).

Fernando Siqueira já afirmou, em entrevista recente, que o governo FHC foi o pior da história brasileira. Concordo com ele. FHC nos deixou genuflexos diante do grande capital, nacional e estrangeiro, tanto faz. E dessa posição, eu temo que nunca mais consigamos sair.

Responder

Vicente

11/04/2014 - 15h17

Por exemplo, ele faz a crítica ao modelo de crescimento com endividamento público dos militares. O que era esse modelo? Fazer dívida pública para obter recursos que fossem direcionados para investimento em infraestrutura pesada, de transportes, petróleo, energia, siderurgia, etc. Não à toa tivemos o milagre econômico. Mas aquela loucura cobrou a conta na década de 80. Na essência, as reformas ditas neoliberais foram uma resposta àquela crise, de tentar buscar um modelo de crescimento não mais baseado no endividamento público.

O Wilson Cano peca nisso. Reconhece os erros dos militares, critica as reformas neoliberais, mas deseja de volta o “projeto nacional de desenvolvimento”, que nos conduziu à crise da década de 1980. O modelo que temos hoje é o correto, não queremos mais um crescimento de 10% ao ano por cinco ou seis anos. Vamos ficar com essa média entre 2% e 3%, mas de forma sustentada. Nosso problema é outro. É elevar a poupança nacional, para que dependamos menos de recursos externos e não tenhamos que conviver com taxas de juros nas alturas. Não adianta baixar juros à força se não tiver correspondência pelo lado da poupança.

Responder

Vicente

11/04/2014 - 15h08

O problema do Wilson Cano e de vários outros economistas que defendem esse “projeto nacional de desenvolvimento” é que eles rejeitam a teoria macroeconômica.

Responder

Bacellar

11/04/2014 - 15h03

Vou estar concordando.

Na década de 90 os ideais chicagoanos fizeram o Brasil acreditar no pressuposto estrambótico de que botar um peso pena pra enfrentar um peso pesado seria interessante para o pena pois o obrigaria a desenvolver plenamente suas potencialidades para suportar o combate.

Resultado? Nocaute no terceiro round.

Graças aos entusiastas do chicagoanismo a indústria nacional agora tem o dinamismo de um cágado!

Responder

Alemao

10/04/2014 - 17h35

Que vergonha alheia, já há mais de 150 anos essa babaquice toda já foi desmascarada e ainda tem dinossauros pregando mais do mesmo placebo

Responder

Aline C. Pavia

10/04/2014 - 16h13

A economia brasileira está tão ruim que o Brasil está entre os 9 países do mundo que cresceram mais do que 2,0% em 2013.

Responder

Jonas Moreira

10/04/2014 - 13h21

Como sempre, o Prof Cano é muito competente no olhar para trás. No entanto, não tem uma palavra sobre como romper ou ultrapassar esses limites e olhar para a frente. É como se o presente não existisse e o futuro não tivesse importância.

Responder

Marcelo

10/04/2014 - 12h05

A culpa é sempre do governo anterior, do tomate, do alface

Ta faltando gente pra colocar a culpa.

Meu Deus quanto absurdo se lê nesse blog

Responder

    Julio Silveira

    10/04/2014 - 16h55

    Amigo, absurdo é você ver a Globo trazer a opinião do FMI quando faz analise para o Brasil de um futuro que só eles já tem, provavelmente por possuírem um crono visor. E muita gente sorve tudo isso com os tímpanos, as pupilas, e a goela completamente abertas, sem que o desconfiômetro interno seja acionado, tendo em vista q

    Julio Silveira

    10/04/2014 - 17h19

    Complementando por falha minha no envio:
    tendo em vista sabermos que o era dos profetas ficou no passado.
    Meu caro, é evidente que o Brasil carece de uma politica econômica marcada por nossos interesses e nossas peculiaridades. Carece de planejamentos que afirmem a nossa própria identidade cultural, inclusive na economia. Olhos um pouco mais atentos poderão identificar que o neoliberalismo foi uma invenção econômica feita para gerar um fluxo financeiro que desague em seu principal difusor.
    Esse que usa forte coação, através de seus vários instrumentos, muitos ilegais, até militares, para formar esse consenso que enfraquece nações estado. Inclusive na sua principal defensora. Gera benefícios para algumas corporações, mas as mais poderosas economicamente, que ganham força de países podendo ser comparadas a corporações estado. Com mais, muito mais, peso politico e poder que o todo da cidadania dos países em que emergem. Lógico meu caro, criando uma casta de cidadãos especiais, os que estão por trás, seus principais dirigentes, cidadãos diferenciados em vários aspectos, não só econômicos, mas principalmente na questão da cidadania. Esses viram super cidadãos, causando uma completa deturpação de princípios constitucionais.
    Meu caro, preste atenção, o Brasil vive isso e a luta mostra, a luta dos blogs mostram. Só não enxergam os conformados, os acomodados displicentes e aqueles sem qualquer consciência cidadã.

    Marcelo

    10/04/2014 - 21h04

    eu realmente não estou falando da globo nem do FMI.

    Estou falando deste fraco artigo.

    Para de usar estratégia petista e para fugir de um problema explora outro.

    Tipo CPI da Petrobras que o PT fala pra fazer CPI de Suape e do Metro.

    Todos estão errados, mas bananas sao bananas e laranjas são laranjas, um de cada vez e dois errados não fazem um certo.

    Me bate um absurdo quando discuto com petista é isso.

    Argumentos do tipo, ahhh podemos mecher no tesouro nacional porque o Fernando henrique também fez isso no governo dele.

    E Daí??

    Dois errados. Dois Lixos!!!

    Julio Silveira

    11/04/2014 - 08h21

    Marcelo, engana-se quando me credita ser petista, não sou. Mas como sou um cidadão de mais de meio seculo de vida, que já vive a politica desde a época da ditadura, e vou te dizer mais, também não sou empregado de nenhuma estatal ou órgão publico, sou um profissional autônomo, desvinculado de qualquer grei partidária, mas isso não implica que eu feche meu olhos para as novidades que vem acontecendo neste país, apesar de sua corrupta estrutura secular.
    Ainda que eu tenha minhas criticas ao PT, e olha que não são poucas(já li muitas broncas as minhas criticas vindas de petistas também), vou te dizer, me sinto muito mais confortável com eles governando o nosso país. Quem teve um passado vivenciando governos anteriores trágicos sob todos os aspectos sabe.
    De corruptos a excludentes permitiam poucas possibilidades de reação da cidadania brasileira, sabe por que? por que os instrumentos de pressão da cidadania eram apenas blefe, como por exemplo CPIs, que eram abafadas sempre que haviam questionamentos a fazer, inclusive com apoio de Abafador. O que me conforta com o PT no poder, por mais incrível que possa a você parecer é justamente o motivo que te chateia, ou seja saber que contra o PT tudo vem a tona. O que te mostra por sinal que são eles os únicos com direito a cela na papuda. Fossem os outros meu caro, que fazem parte dessa articulação mafiosa mídia corporativa e seus venais associados políticos, você sequer poderia estar questionando a lisura nos contratos da Petrobras. Pois, com grande possibilidade de acerto, ela seria da Chevron. Antene-se meu caro, sou tão brasileiro quanto você e como você também quero o melhor para meu país, a diferença entre nós pode estar apenas no fato de que por ter vivido já bastante tempo neste país, conhecendo a trupe que faz o poder, e que obrigou o PT a se associar para governar, sou mais difícil de cair no conto do vigário dessa mafia, que nunca, no secular domínio nacional, ajudou a maioria da cidadania deste país.

José Souza

10/04/2014 - 11h33

É muito bom quando se lê opinião coincidente. O nosso país parece não ter uma equipe de pensadores estratégicos no governo. Faz-se necessário a criação de um grupo que pense alternativas para o desmonte das amarras a que estamos submetidos. Não devemos esperar do nosso Congresso propostas para o desenvolvimento pois a preocupação de nossos representantes é exclusivamente política eleitoreira, fato que dificulta e/ou paralisa as administrações. Corrigir erros passados e redefinir rumos para a economia demanda tempo, requer união e, principalmente, não alterar os objetivos. Para que o sucesso seja alcançado faz-se necessário que a população impeça o retorno de governantes de pensamento neoliberais. Mas isso já é uma outra história.

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Zanchetta

10/04/2014 - 10h14

KKKKKKKKKKK… depois de 12 anos no poder, a culpa ainda é do governo anterior. Diz a verdade, o Lula deu uma sorte com a China que a Dilma não teve…

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