Parecer sobre Monteiro Lobato causa debate entre os comunistas

publicado em 10 de novembro de 2010 às 11:17

Está dando o que falar, entre os comunistas do PCdoB, o parecer do Conselho Nacional de Educação sobre trecho de uma obra de Monteiro Lobato. Aqui, duas opiniões bem distintas publicadas pelo Vermelho (a primeira delas, do deputado Aldo Rebelo, saiu na Folha):

7 de Novembro de 2010 – 10h44

Aldo Rebelo: Monteiro Lobato no tribunal literário

O parecer do Conselho Nacional de Educação (CNE) de que o livro “Caçadas de Pedrinho” deve ser proibido nas escolas públicas, ou ao menos estigmatizado com o ferrão do racismo, instala no Brasil um tribunal literário.

A obra de Monteiro Lobato, publicada em 1933, virou ré por denúncia — é esta a palavra do processo legal de um cidadão de Brasília, e a Câmara de Educação Básica do Conselho opinou por sua exclusão do Programa Nacional Biblioteca na Escola.

Na melhor das hipóteses, a editora deverá incluir uma “nota explicativa” nas passagens incriminadas de “preconceitos, estereótipos ou doutrinações”. O Conselho recomenda que entrem no índex “todas as obras literárias que se encontrem em situação semelhante”.

Se o disparate prosperar, nenhuma grande obra será lida por nossos estudantes, a não ser que aguilhoada pela restrição da “nota explicativa” — a começar da Bíblia, com suas numerosas passagens acerca da “submissão da mulher”, e dos livros de José de Alencar, Machado de Assis e Graciliano Ramos; dos de Nelson Rodrigues, nem se fale. Em todos cintilam trechos politicamente incorretos.

Incapaz de perceber a camada imaginária que se interpõe entre autor e personagem, o Conselho vê em “Caçadas de Pedrinho” preconceito de cor na passagem em que Tia Nastácia, construída por Lobato como topo da bondade humana e da sabedoria popular, é supostamente discriminada pela desbocada boneca Emília, “torneirinha de asneiras”, nas palavras do próprio autor: “É guerra, e guerra das boas”.

Não vai escapar ninguém — nem Tia Nastácia, que tem carne negra. Escapou aos censores que, ao final do livro, exatamente no fecho de ouro, Tia Nastácia se adianta e impede Dona Benta de se alojar no carrinho puxado pelo rinoceronte: “Tenha paciência — dizia a boa criatura. Agora chegou minha vez. Negro também é gente, sinhá…”.

Não seria difícil a um intérprete minimamente atento observar que a personagem projeta a igualdade do ser humano a partir da consciência de sua cor. A maior extravagância literária de Monteiro Lobato foi o Jeca Tatu, pincelado no livro “Urupês”, de 1918, como infamante retrato do brasileiro. Mereceria uma “nota explicativa”?

Disso encarregou-se, já em 1919, o jurista Rui Barbosa, na plataforma eleitoral “A Questão Social e Política no Brasil”, ao interpretar o Jeca de Lobato, “símbolo de preguiça e fatalismo”, como a visão que a oligarquia tinha do povo, “a síntese da concepção que têm, da nossa nacionalidade, os homens que a exploram”.

Ou seja, é assim que se faz uma “nota explicativa”: iluminando o texto com estudo, reflexão, debate, confronto de ideias, não com censuras de rodapé.

O caráter pernicioso dessas iniciativas não se esgota no campo literário. Decorre do erro do multiculturalismo, que reivindica a intervenção do Estado para autonomizar culturas, como se fossem minorias oprimidas em pé de guerra com a sociedade nacional.

Não tem sequer a graça da originalidade, pois é imitação servil dos Estados Unidos, país por séculos institucionalmente racista que hoje procura maquiar sua bipolaridade étnica com ações ditas afirmativas.

A distorção vem de lá, onde a obra de Mark Twain, abolicionista e anti-imperialista, é vítima dessas revisões ditas politicamente corretas. País mestiço por excelência, o Brasil dispensa a patacoada a que recorrem os que renunciam às lutas transformadoras da sociedade para tomar atalhos retóricos.

Com conselheiros desse nível, não admira que a educação esteja em situação tão difícil. Ressalvado o heroísmo dos professores, a escola pública se degrada e corre o risco de se tornar uma fonte de obscurantismo sob a orientação desses “guardiões” da cultura.

Fonte: Folha de S.Paulo

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Olívia Santana: Lobato, negros e Mayaras

O Parecer nº. 15/2010 do Conselho Nacional de Educação — que identifica situações de racismo no livro Caçadas de Pedrinho, de Monteiro Lobato — causou polêmica nos meios literário e educacional. Uma passagem do referido livro diz: “Sim, era o único jeito — e Tia Nastácia, esquecida dos seus numerosos reumatismos, trepou que nem uma macaca de carvão pelo mastro de São Pedro acima, com tal agilidade que parecia nunca ter feito outra coisa na vida senão trepar em mastros”.

Por Olívia Santana*

Ora, há muito se associa a imagem das pessoas negras a macacos. Já vimos insultos a jogadores de futebol, no vôlei e em inúmeras situações da vida cotidiana. Na escola, não raro, professores despreparados chegam a justificar manifestações racistas como brincadeira.

Evitemos as saídas simples. Não se trata de defender a não exposição das crianças a um autor de méritos reconhecidos, como Lobato. Trata-se de ter visão crítica sobre possíveis racismos em expressões supostamente carinhosas, como a infantilização do negro, sua comparação com um macaco, como feito com a simpática personagem Tia Nastácia. Cabe à escola desnaturalizar estereótipos racistas.

Todo autor é fruto do seu tempo, mas o racismo atravessa o tempo e permanece arraigado às relações sociais, não nos permitindo contemporizá-lo. Ciente disso, um professor de Brasília analisou o livro em tela e formalizou denúncia junto à Ouvidoria da Secretaria Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial-SEPPIR. Por sua vez, a SEPPIR acionou o Conselho Nacional de Educação.

Com base no artigo 5º da Constituição de 1988, que criminaliza o racismo, e na LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional -9394/06, alterada pelas leis 10.639/08 e 11.645/08, para inclusão da história e da cultura afro-brasileira, africana e indígena, o CNE elaborou o Parecer nº.15/2010. Esse Parecer resgata as normas da própria Coordenação-Geral de Material Didático do MEC, que estabelecem que “na avaliação dos livros indicados para o Plano Nacional de Biblioteca nas Escolas, as obras ‘primem pela ausência de preconceitos, estereótipos e que não sejam selecionadas obras clássicas ou contemporâneas com tal teor’. Em casos em que a obra selecionada mantenha tais problemas, será acompanhada de ‘uma nota de orientação sobre a presença de estereótipos raciais’. Fato curioso é que os escritores Márcia Camargo e Vladimir Saccheta, na abertura da 3ª edição, 1ª impressão, publicada em 2009 de Caçadas de Pedrinho, devidamente atualizada no que diz respeito às novas normas da língua portuguesa, situam historicamente a obra de Lobato, explicando que na época não havia legislação protetora dos animais silvestres. Mas não há nenhuma referência à linguagem racialmente discriminatória que há no livro, em contraste com os avanços que houve no Brasil em relação ao enfrentamento do racismo, desde a Constituição de 1988.

Assim, longe de ser um ato de censura, como alguns intelectuais reclamam, o parecer orienta o trato da questão racial na escola, instituição que deve educar todo o povo brasileiro, sem discriminação de qualquer segmento que compõe a nossa matriz civilizacional.

Lobato é, sem dúvida, um grande nome da literatura nacional, o que não o impede de ter pés de barro, ou aversão ao barro negro. Há os que gritam que o Brasil trata a cidadania negra e indígena com paternalismo, e não se diz uma palavra sobre a escravidão branca. Sabe-se que brancos escravizaram brancos no passado e até negros escravizaram negros. Toda forma de escravidão deve ser rechaçada em nome da humanização, da evolução dos sistemas de organização social e da socialização da riqueza que o trabalho é capaz de gerar. Mas povos brancos se lançaram a escravizar outros povos e reelaboraram simbolicamente as experiências que travaram contra os seus. Quando se pensa em escravidão branca, nos invade a imagem do glorioso Spartacus, o grande e bravo líder de uma rebelião escrava que confrontou o poder na Roma Antiga. Como se reelabora a tragédia vivida pelos povos negros? O que nossas crianças e adultos sabem sobre a escravidão negra? O navio negreiro, a subalternidade, a desumanização do continente africano. A indústria cultural e a literatura hegemônica não deram voz e imagem de dignidade aos vencidos e suas formas de resistência. Não fosse o Movimento Negro, Zumbi não seria mais que um espectro entre os morto-vivos a povoar histórias de terror.

O ser humano é um ser cultural e politicamente construído. Seu imaginário de sucesso ou de fracasso é, também, feito de símbolos construídos na dinâmica social concreta. A verdade é que as crianças têm recebido na escola uma enxurrada de livros que enaltecem a branquitude e a riqueza. Branca de Neve, Bela Adormecida, Rapunzel, Gata Borralheira… Os famosos contos dos irmãos Grimm dominam o ranking literário infantil.

A turma do Sítio do Pica Pau Amarelo é um contraponto à exaltação do herói e da heroína europeus, afirma a cultura nacional, mas o lugar do negro nas histórias de Lobato é silenciado, inviabilizado: é um não-lugar. A única criança negra é o saci, um diabo, que fuma e tem uma perna só. Tia Nastácia e Tio Barnabé não têm família, vivem na cozinha e nos fundos da casa de dona Benta, são subservientes, infantilizados, ainda que cuidadosos. A criança negra que cresce ouvindo essas histórias, sem uma abordagem crítica e sem outras histórias que possam valorizá-las, é efetivamente vítima silenciosa da violência simbólica. Reeducar o povo brasileiro é um desafio a ser vencido, sob pena de continuarmos produzindo Mayaras e outros jovens que odeiam negros, índios e nordestinos.

Há que se contestar as injustiças, mesmo que estas tenham sido cometidas por um notável pioneiro da literatura infantil. E despertar na criança a capacidade de análise crítica, para que possam ver os pés de barros de muitos mestres. Mas será que a escola aguenta este outro tipo de modelo de educação que tanto beneficiaria negros e brancos e contribuiria para interações não hierárquicas e estereotipadas?

*Olívia Santana é vereadora de Salvador e Coordenadora de Combate ao Racismo do PCdoB

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O parecer da discórdia

A íntegra do parecer do Conselho Nacional de Educação (CNE) está aqui. Ele foi aprovado por unanimidade, apenas aguarda a homologação pelo Ministério da Educação (MEC).

A não leitura do parecer está levando muitos a conclusões precipitadas. Por isso destacamos alguns trechos importantes:

“…as ponderações feitas pelo Sr. Antônio Gomes da Costa Neto, conquanto cidadão e pesquisador das relações raciais, devem ser consideradas (…) coerentes . A partir delas, algumas ações deverão ser desencadeadas” :

“a) a necessária indução de política pública pelo Governo do Distrito Federal junto às instituições do ensino superior – e aqui acrescenta-se, também, de Educação Básica – com vistas a formar professores que sejam capazes de lidar pedagogicamente e criticamente com o tipo de situação narrada pelo requerente, a saber, obras consideradas clássicas presentes na biblioteca das escolas que apresentem estereótipos raciais.

b) cabe à Coordenação-Geral de Material Didático do MEC cumprir com os critérios por ela mesma estabelecidos na avaliação dos livros indicados para o PNBE, de que os mesmos primem pela ausência de preconceitos, estereótipos, não selecionando obras clássicas ou contemporâneas com tal teor;

c) caso algumas das obras selecionadas pelos especialistas, e que componham o acervo do PNBE, ainda apresentem preconceitos e estereótipos, tais como aqueles que foram denunciados pelo Sr. Antônio Gomes Costa Neto e pela Ouvidoria da SEPPIR, a Coordenação-Geral de Material Didático e a Secretaria de Educação Básica do MEC deverão exigir da editora responsável pela publicação a inserção no texto de apresentação de uma nota explicativa e de esclarecimentos ao leitor sobre os estudos atuais e críticos que discutam a presença de estereótipos raciais na literatura Esta providência deverá ser solicitada em relação ao livro Caçadas de Pedrinho e deverá ser extensiva a todas as obras literárias que se encontrem em situação semelhante.

d) a Secretaria de Educação do Distrito Federal deverá orientar as escolas a realizarem avaliação diagnóstica sobre a implementação das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana, inserindo como um dos componentes desta avaliação a análise do acervo bibliográfico, literário e dos livros didáticos adotados pela escola, bem como das práticas pedagógicas voltadas para a diversidade étnico-racial dele decorrentes;

e) que tais ações sejam realizadas como cumprimento do Plano Nacional de Implementação das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico- Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana:

“A literatura pode ser vista como uma das arenas mais sensíveis para que tomemos providências a fim de superar essa situação.

Portanto, concordando com Marisa Lajolo (1998, p. 33) analisar a representação do negro na obra de Monteiro Lobato, além de contribuir para um conhecimento maior deste grande escritor brasileiro, pode renovar os olhares com que se olham os sempre delicados laços que enlaçam literatura e sociedade, história e literatura, literatura e política e similares binômios que tentam dar conta do que, na página literária, fica entre seu aquém e seu além.”

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Manifesto de apoio ao parecer 15/2010 do Conselho Nacional de Educação

A discussão equivocada tem sido tamanha que Alzira Rufino,presidente da Casa de Cultura da Mulher Negra, e professora Urivani Rodrigues de Carvalho, diretora de Arte da Revista Eparrei, fizeram uma carta aberta ao ministro da Educação, Fernando Haddad, parabenizando o parecer do Conselho Nacional de Educação.

A carta (abaixo) virou um manifesto de apoio: www.euconcordo.com/com-o-parecer-152010

Professoras(es), gestoras(es), pesquisadoras(es) e vários setores da sociedade civil parabenizam a iniciativa do parecer 15/2010 que prima pela políticas de promoção da igualdade racial.

Nós estamos de acordo com a recomendação do parecer.

Enfatizamos que, numa sociedade democrática e em um ministério da educação que tem se colocado parceiro na luta por uma educação anti-racista, o aprimoramento da análise das obras do programa nacional biblioteca escola (PNBE) está em conformidade com os preceitos legais e constitucionais da nossa sociedade.

Está condizente com a garantia da diversidade étnico-racial, o pluralismo cultural, a equidade de gêneros, o respeito as orientações sexuais e às pessoas com deficiência.

Nosso entendimento é de que o parecer 15/2010 em nenhum momento faz menção à censura. Mas, tão somente, ponderações responsáveis e necessárias numa sociedade democrática. Na sociedade brasileira 50,6% da população é negra, o que está confirmado pelos dados do censo do IBGE.

Portanto, a discussão do parecer não desconsidera a liberdade de expressão ou a licença poética, muito menos pode ser interpretada como um excesso de didatismo. Trata-se de uma recomendação necessária de contextualização dos autores e suas obras que circulam nas escolas, a qual já tem sido adotada pelas instituições escolares, porém, na maioria das vezes sem considerar o peso da questão racial na formação da nossa sociedade.

Vale registrar que o problema não é a obra de Monteiro Lobato. A questão vai mais além. Entendemos que o que o CNE está propondo é o aprofundamento do estudo sistemático e cuidadoso das obras literárias que já conhecemos e a devida contextualização dos autores no tempo e no espaço, sem perder a dimensão da arte, da criatividade e da emoção que caminham juntos com a boa literatura.

Portanto, concordamos que o CNE, quando consultado, é o órgão responsável por orientar educadores e sistemas de ensino sobre procedimentos indispensáveis para garantir uma escola democrática.

O objetivo do parecer é aprimorar ainda mais o trabalho que já tem sido feito na escolha de obras literárias e demais materiais que circulam nas escolas, ou seja, primar pela ausência de preconceitos, estereótipos ou doutrinações.

Recomenda-se que este princípio seja realmente seguido para análise de todas as obras do PNBE, quer sejam elas clássicas ou contemporâneas.

Caso sejam clássicos e todos reconhecemos a importância do lugar da obra clássica, e estes venham apresentar estereótipos raciais , já discutidos pela produção teórica existente, que os mesmos sejam discutidos na forma de nota explicativa, ou seja, numa contextualização do autor e sua obra. Entendemos que, nesse caso, não há nenhuma censura à obra literária. Há o cuidado com os sujeitos e com a diversidade étnico-racial presente na escola brasileira.

Contando com seu compromisso democrático como educador e cidadão, em favor da diversidade étnico-racial e pela importância do cargo que ocupa como ministro da educação do brasil, esperamos, sinceramente, que o senhor defenda o valor da literatura como bem inestimável da cultura humana e também defenda uma política educacional voltada para a promoção da igualdade racial, homologando o parecer do CNE. É papel do Estado cuidar da democracia , do direito à liberdade de expressão sem discriminação.

 

334 Comentários para “Parecer sobre Monteiro Lobato causa debate entre os comunistas”

  1. [...] Aldo Rebelo, o Prof. Deonísio da Silva, Augusto Nunes e dezenas de tuiteiros fizeram uma tempestade numa xícara d’água contra uma suposta “censura” sofrida pelo autor de Urupês. Em comum entre todos eles, a ausência de qualquer citação do parecer que foi pedido ao MEC sobre Caçadas de Pedrinho (ou, no caso de Aldo, a presença de citações distorcidas do texto). O blogueiro do Serra, que eu saiba, ainda não surtou com o tema, mas não duvide. Se, depois de ler algo da obra infantil de Lobato, você ler o parecer do MEC sobre o tema, perceberá a pobreza da indústria do escândalo. [...]

  2. turmadazica disse:

    Pensei agora… Hoje, nas novelas quase sempre as cozinheiras ou empregadas são nordestinas… Mesmo quando a novela não se passa aqui em SP (a elite branca separatista de Higienópolis)… #medo #sabotagem #valetudo

  3. Alexandra Peixoto disse:

    [email da minha irmã, Michelle Peixoto, que nem facebook tem, nem orkut, nem nada, só email e celular a muito custo, rs, mas é pedagoga, se especializando em pedagogia Waldorf, contadora de histórias, leitora voraz de literatura infanto junvenil e ficou sabendo dessa polêmica por meu intermédio]

    Pois é, ainda não me interei bem dessa polêmica (logo mais vou ler os outros artigos que ele indica etc), mas só posso franzir a testa e me lembrar…
    De quando eu tinha uns oito anos e ganhei aquela coleção do Lobato e passei a ler um livro atrás do outro com uma paixão religiosa!
    Apesar dessa veneração toda que eu tinha pela Emília e cia., não me lembro nunca de ser influenciada pelos seus comentários racistas a ponto de eu mesma concordar com eles. Na verdade, acho mesmo que esses comentários passaram batidos pela minha consciência de criança, muito mais preocupada com o
    que me dizia respeito – a coragem destemida do Pedrinho, a audácia de dizer o que pensava da Emília (na maior parte das vezes, ficava muito claro que a Emília era uma tolinha superficial sem coração nem piedade que, eventualmente, tinha alguma idéia bastante criativa…), a fantasia fértil da Narizinho, a inteligência acadêmica do Visconde, o talento de tia Nastácia na cozinha (que vontade de comer seus bolinhos…) e para lembrar das histórias do povo (que vontade de ouvir suas histórias…), a amorosidade da vovó Benta na educação de seus netos, etc. etc.
    Mas talvez eu nem desse ouvido a esse racismo implícito (que hoje em dia me parece gritante, tenho que concordar) porque sempre fui criada por minha mãe para não ser preconceituosa, para valorizar todas as etnias e culturas existentes, para respeitar as diferenças humanas sejam quais forem – com exceção àquela gente que, ao contrário de nós, quer dominar o outro por se achar superior. Nesses daí, minha mãe dá guarda-chuva na cabeça ou, no mínimo, um sermão bem dado!
    Bom, mas pra quem quer servir de advogado do diabo e tentar botar panos quentes no Lobato, sugiro a leitura d´O Saci. Esse personagem que habitualmente é visto como um pretinho abusado e impertinente, que só presta para fazer maldades por aí, no livro de Lobato se torna uma voz denunciante e crítica. Quem quiser saber o que ele critica, vai lá ler, uai. Vai ver que o neguinho não tem nada de burro não, é até muito mais esperto que a Emília…
    E pra terminar, que tal as próprias professoras resgatarem seu papel histórico e social e assumirem de uma vez por todas um olhar crítico sobre todo e qualquer material que utilizarem em sala de aula? Afe, precisa o MEC ainda pra dizer o óbvio e ululante (que toda obra deve ser contextualizada, blá blá blá). Ê povo, cresce e aparece!
    O problema, a meu ver, é o da polícia do politicamente correto, que ao invés de olhar o problema radicalmente, fica roendo pelas beiradas (quero saber se o povo que tá aí reclamando do racismo da Emília é a favor de cotas nas universidades…) e arrotando hipocrisia.
    Monteiro Lobato teve muitas outras idéias equivocadas – por exemplo, apostou irrestritamente no petróleo como salvação da lavoura. Taí a gente agora no meio de um colapso ambiental e continuando a jogar as fichas em quem? No pré-sal.
    Mas o cara foi um gênio literário, um empreendedor como poucos (a primeira editora nacional, gente!) e um defensor da escola para todos.
    Guardadas às críticas aos seus preconceitos (muitos!), fez uma revolução tão importante na literatura infanto-juvenil, que eu considero um crime não apresentá-lo às crianças.
    Claro, com uma professora tão consciente quanto a minha mãe contextualizando seus textos para as crianças. E incluindo outros textos que interajam com a Emília, apresentando a cultura afro-brasileira com a beleza e a riqueza que ela continua tendo. Viva tia Nastácia, tio Barnabé e sua cultura popular. E viva a Emília e sua independência ou morte!

    Michelle Peixoto

  4. [...] Aldo Rebelo, o Prof. Deonísio da Silva, Augusto Nunes e dezenas de tuiteiros fizeram uma tempestade numa xícara d’água contra uma suposta “censura” sofrida pelo autor de Urupês. Em comum entre todos eles, a ausência de qualquer citação do parecer que foi pedido ao MEC sobre Caçadas de Pedrinho (ou, no caso de Aldo, a presença de citações distorcidas do texto). O blogueiro do Serra, que eu saiba, ainda não surtou com o tema, mas não duvide. Se, depois de ler algo da obra infantil de Lobato, você ler o parecer do MEC sobre o tema, perceberá a pobreza da indústria do escândalo. [...]

  5. [...] Aldo Rebelo, o Prof. Deonísio da Silva, Augusto Nunes e dezenas de tuiteiros fizeram uma tempestade numa xícara d’água contra uma suposta “censura” sofrida pelo autor de Urupês. Em comum entre todos eles, a ausência de qualquer citação do parecer que foi pedido ao MEC sobreCaçadas de Pedrinho (ou, no caso de Aldo, a presença de citações distorcidas do texto). O blogueiro do Serra, que eu saiba, ainda não surtou com o tema, mas não duvide. Se, depois de ler algo da obra infantil de Lobato, você ler o parecer do MEC sobre o tema, perceberá a pobreza da indústria do escândalo. [...]

  6. [...] Tanto Aldo Rebelo como o Prof. Deonísio da Silva como Augusto Nunes como dezenas de tuiteiros fizeram uma tempestade numa xícara d’água contra uma suposta “censura” sofrida pelo autor de Urupês. Em comum entre todos eles, a ausência de qualquer citação do parecer que foi pedido ao MEC sobre Caçadas de Pedrinho (ou, no caso de Aldo, a presença de citações distorcidas do texto). O blogueiro do Serra, que eu saiba, ainda não surtou com o tema, mas não duvide. Se, depois de ler algo da obra infantil de Lobato, você ler o parecer do MEC sobre o tema, perceberá a pobreza da indústria do escândalo. [...]

  7. [...] Aldo Rebelo, o Prof. Deonísio da Silva, Augusto Nunes e dezenas de tuiteiros fizeram uma tempestade numa xícara d’água contra uma suposta “censura” sofrida pelo autor de Urupês. Em comum entre todos eles, a ausência de qualquer citação do parecer que foi pedido ao MEC sobreCaçadas de Pedrinho (ou, no caso de Aldo, a presença de citações distorcidas do texto). O blogueiro do Serra, que eu saiba, ainda não surtou com o tema, mas não duvide. Se, depois de ler algo da obra infantil de Lobato, você ler o parecer do MEC sobre o tema, perceberá a pobreza da indústria do escândalo. [...]

  8. CC.Brega.mim disse:

    trechinho de Rosa pra esquentar a discussão…

    Mãitina gostava dele, por certo, tinha gostado, muito, uma vez, fazia tempo. Miguilim agora tirava isso, da deslembra, como as memórias se desentendem. Ocasião, Mãitina sempre ficava cozinhando coisas, tantas horas, no tacho grande, aquele tacho preto, assentado na trempe de pedras soltas, lá no cômodo pegado com a casa, o puxado, onde que era a moradia dela — uma rebaixa, em que depois tinham levantado paredes: o acrescente, como se chamava. Lá era sem luz, mesmo de dia quase que só as labaredas mal alumiavam. Miguilim era mais pequeno, tinha medo de tudo, chegou lá sozinho para espiar, não tinha outra pessôa ninguém lá, só Mãitina mesmo, sentada no chão, todo o mundo dizia ela feiticeira, assim preta encoberta, como que deve de ser a Morte.

  9. Gerson Carneiro disse:

    Não queria citar o que citarei aqui para não soar como soberba. Entretanto me vejo obrigado a revelar, especialmente pelo que tem dito o comentarista Orlando.
    Tenho uma sobrinha negra. Nasceu , mora e estuda (em universidade) aqui no Nordeste.
    Rala pra caramba de estudar. Permaneceu o semestre passado em Chicago, estudando, através da universidade . Exatamente ontem, foi para Berlim, em seguida irá para Stuttgart. Tudo através das pesquisas que ela desenvolve na universidade aqui no Nordeste.
    Desde pequena foi estimulada a estudar, pela mãe e pelo pai dela (que eram professores de escola do antigo “segundo grau”).
    Sabe qual o grau de influência do Monteiro Lobato no destino dela? Zero.
    Fosse ela absorver o que o Monteiro Lobato pretendeu imputar o destino dela seria outro.
    É isso que estou tentando expor e não estou sendo entendido. O negro deve ser estimulado a ser capaz de ler a obra e recusá-la por conclusões próprias, e não porque haverá uma nota de esclarecimento na capa.
    Esse é o tipo de medida que eu chamo de ”dose homeopática de caridade”. Eu a recuso.

    • Jair de Souza disse:

      Realmente, Gerson, você está indo além do que eu imaginava. Você quer tornar a exceção em regra. Será que é difícil dar-se conta de que o contexto é fundamental para a formação de nossa consciência? Por que será que te incomoda tanto que um trabalho com conceitos racistas de Monteiro Lobato tenha uma introdução que alerte os leitores para tal problema? Então você acredita que independentemente daquilo a que as crianças são expostas (mesmo as negras), elas quase sempre reagirão como sua sobrinha? Sinceramente, não dá para entender sua compreensão desta questão. E não vamos falar de proibição ou censura no parecer do CNE, pois isto não existe!

      • Gerson Carneiro disse:

        O que me incomoda tanto são medidas paliativas.

        O que tem que ser feito é encarar a Educação Pública de forma definitivamente séria e responsável. Fazer com que a Educação Pública seja capaz de tirar todas as crianças e adolescentes da condição passiva, de aceitação de qualquer tipo de preconceito. Fazer com que a Educação Pública dê de verdade condição para que o aluno(independentemente da etnia) se sinta estimulado a permanecer na escola e mais do que tudo aprenda e goste de estudar. Dê condição ao aluno de mudar para melhor o seu destino. Aí não serão necessárias medidas paliativas como essa, como cota para negros nas universidades, como a ladainha do José Serra de implantação de escolas técnicas profissionalizantes, como o engodo da tal progressão automática, e etc.

      • Gerson Carneiro disse:

        Lugar de negro e de quem quer que seja é na universidade pública. E só uma Educação Pública eficiente,eficaz,é capaz de mudar para melhor a condição de quem é discriminado. Chega de nhenheném de medidas paliativas.

        O que tanto me incomoda é que minha sobrinha é a exceção, quando não deveria ser.

        Portanto, urge uma revolução estrutural na Educação Pública, sem isso haverá sempre a necessidade de medidas paliativas. E cada vez mais aumentará o exército de pessoas que absorvem e propagam aquelas mensagens horripilantes que foram propagadas contra a Dilma durante a campanha eleitoral.

    • Orlando disse:

      Gerson Carneiro

      Sempre quando ocorre um debate sobre a questão étnica brasileira, chovem opiniões sobre como o negro, no Brasil, deveria agir face a questão do racismo. Não raro, essas pessoas não são negras. Na verdade, repete-se uma mania, bem brasileira, de tentar decodificar o que o negro pensa ou sente. Ou mesmo, quem é ou não negro. Freire, Fernando Henrique Cardoso, Florestan Fernandes, Oracy Nogueira, Yvone Maggie, Peter Fry, Demétrio Magnoli, Ali Kamel e tantos outros ousaram fazer isso. Algo como usar o negro como rato de laboratório para determinar o quão ele, negro, está equivocado em ter a ousadia de confrontar/afrontar as doutas opiniões dos intelectuais supra citados.
      Não dá para pegar a sua sobrinha como regra – ela é excessão.
      Gerson, vivemos em um país sem identidade étnica e, sobretudo, com um forte anseio caucasiano e eurocentrista. Brasil onde tudo se amalgama com a farsa ideológica e politica da miscigenação. Miscigenação essa que não se traduz em igualdade de condições na pirâmide social e econômica brasileira. Ou seja, o negro está na base dessa pirâmide e os brancos ou não negros estão na parte mais alta. Isto é, não há equidade ou isonomia de oportunidades. Depois de séculos de escravidão e décadas [pós escravidão] de racismo e de tentativas [início do século passado - branqueamento por meio da vinda de imigraantes europeus etc..], a autoestima do negro no Brasil está combalida e a literatura racista e eugenista de Lobato não iria ajudar em nada.

      [[[[Esse é o tipo de medida que eu chamo de ”dose homeopática de caridade”. Eu a recuso.]]]]

      Ao contrário, eu diria ao invés de caridade que o negro tenha a dignidade e respeito por si de recusar que estranhos à comunidade negra digam o que é certo ou errado para o negro fazer.

      • Gerson Carneiro disse:

        Então não poderei discutir sobre quem quer que seja porque não sou quem quer que seja? Simplista sua tese.

        O que me incomoda é que minha sobrinha é a exceção, e não deveria ser. E não é medida paliativa que vai mudar esse quadro. Ficaremos eternamente patinando se o que precisa ser feito não for feito, que é uma revolução estrutural na Educação Pública. Do que adianta medidas como essa se continuaremos tendo a tal progressão automática, por exemplo. Tem que estimular as crianças e os adolescentes a estudar, aprender a pensar.

      • Alice Matos disse:

        Gérson, por que perdeu o eixo?
        Incrível! Saiba que sua postura é uma das muitas ferramentas pelas quais o racismo opera.

      • Gerson Carneiro disse:

        rsrsrs… aconteceu um episódio aqui e quando eu voltei perdi a linha de raciocínio.

      • Orlando disse:

        Gerson Carneiro
        Você não poderá discutir sobre determinado assunto se você não dominá-lo. No caso, sobre a questão érnica no Brasil, você não sabe muito.

        Quando a minoria dos estudantes de escolas públicas eram negros, cerca de 50 anos atrás, elas eram de excelente qualidade. Hoje todos nós sabemos a ruindade que é. Coincidênica talvez…

      • Gerson Carneiro disse:

        Se não discuto o que não domino, não aprendo. E ao que sei os negros foram vítimas também do cerceamento desse direito. Ou não?

    • manolo disse:

      poiis entao nao cite

    • José Carlos disse:

      Concordo plenamente com você, Gerson. As notas explicativas se sucederão, daqui por diante, sempre que qualquer minoria se supôr atingida.

  10. MirabeauBLeal disse:

    ENQUANTO ISSO, NA TERRA DOS ORIXÁS:

    A sessão de violência e tortura sofrida pela líder religiosa – que é filha de Oxóssi, uma entidade do Candomblé – começou na tarde do dia 23 de outubro, um sábado, quando um destacamento da PM baiana invadiu o Assentamento D. Hélder Câmara, à procura de um homem que supostamente teria escondido drogas no local.

    Os policiais continuaram sua incursão, invadiram a sede da Associação de Moradores, vasculhando tudo o que encontravam pela frente. Foi então que a líder religiosa foi mais incisiva: “É melhor vocês se retirarem. Isso aqui é uma área privada, um assentamento. Vocês podem entrar nas casas de quem não conhece as leis. Mas aqui nós não somos abestalhados”, afirmou.

    Tortura

    Foi o bastante para que o PM que comandava a patrulha, identificado como Adjailson, lhe desse voz de prisão por desacato e começasse a sessão de torturas que – após o lançamento no formigueiro – terminou com ela jogada num camburão e depois numa cela masculina, de onde só saiu horas depois, por intervenção de lideranças do movimento negro.

    Guedes, o soldado identificado por Jesus e outro aspirante de oficial, Adjailson – a arrastaram pelos cabelos até um formigueiro próximo para, segundo ironizavam “tirar o demônio do corpo”. “Os PMs riam e diziam que estavam tirando o demônio “em nome de Jesus. Essas pessoas não têm nenhuma condição de lidarem com seres humanos e vestem a farda do Estado”, acrescentou Bernadete.

    A mãe de santo não lembra quanto tempo ficou na cela masculina no 7º COORPIN, de Ilhéus, para onde foi levada, porém, recorda um detalhe: “Teve um momento que o preso que estava na cela tentou se aproximar de mim e aí alguém [que ela diz não saber quem] não deixou. Imagino que fiquei de três a quatro horas presa na cela”.

    As consequências da tortura ainda estão nas pernas de Bernadete, que foi jogada em um formigueiro pelos policiais.
    http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/campanha-

  11. Wanderson Brum disse:

    Acho que a discursão tem um q de monomania mas vá lá…

    A mim o que importa é discutir a implementação de medidas como a a Lei 10.639/03( http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/2003/L1… ) que versa sobre o ensino da historia africana e afrodispórica entre outras coisas. É compativel a um estado que tem a igualdade como principio fundamental de sua carta magna e que edita tal norma como a acima sinalizada, permitir que material seja lá for que ameace tal principio seja distribuido sem a devida contextualização necessária para o melhor entendimento do conteúdo da obra e do contexto em que ela foi elaborada ?

  12. Fabrício disse:

    Daqui a pouco o livro As Caçadas de Pedrinho se tornará A Luta ambiental de Pedrinho.

    • José Carlos disse:

      É por aí. Não demora o "Dom Casmurro" vai ter a tal nota, para alertar que Capitu era inocente. Ou alguém propõe que a nota seja para advertir sobre o comportamento adúltero da moça.
      Em vez da tal nota explicativa, vamos oferecer a molecada boa literatura produzida por negros.
      Negros como Machado de Assis, por exemplo.

  13. RBM disse:

    Era uma vez um país em que os leitores não caíam em manipulação fabricada pela IMPRENSA, e procurava se informar bem antes de formar opinião. Um país em que os leitores não papagueavam as acusações infundadas contra profissionais sérios. Em que os leitores tinham o cuidado de ler na íntegra o Parecer do CNE, e descobriam que foram vítimas de manipulação vazia pois notavam que tal documento não falava em proibição.

  14. JORNAL DO POVÃO disse:

    serracista.blogspot.com – JORNAL DO POVÃO
    jornal.povao@bol.com.br / 15 MILHÕES E-MAILS NEGROS.
    OS NEGROS AFRO-DECENDENTES O POVO UNIDO JAMAIS SERA VENCIDO ,AGORA É DILMA PRESIDENTE.CHEGA DE RACISMO, SEGREGAÇÃO, IMPERIALISMO FACISTA JUDAICO SIONISTA, GLOBALIZAÇÃO PERVERSA,
    PATRIA INDEPENDENCIA OU MORTE VENCEREMOS.
    VIVA BRASIL PARA POVO BRASILEIRO!
    VIVA ZUMBI! VIVA MANDELA,HUGO CHÁVEZ,LULA VIVA! DILMA PRESIDENTE É NÓS.
    CAMPANHA NACIONAL PRÓ SERRA, SERRA EM-SERRA,
    POR FAVOR, PARA O BEM DO BRASIL?
    Patrocínios; Globo, Bandeirantes,SBT,Recorde,RBS,CBN,Cultura Veja Abril,Estadão,Folha SP,Bancada Ruralista,UJSB União Judaica Sionista Brasileira,TFP Tradição Família e Propriedade Instituto Millenium etc.

  15. Mariana Rodrigues disse:

    Em carta a Godofredo Rangel (1908), Lobato disse que “a associação entre miscigenação entre raças muito desiguais e degeneração física e admitia que o regime de segregação adotado nos EUA fosse a atitude correta para evitar a miscigenação entre brancos e negros no Brasil.”

    (Fátima Oliveira, In Tua raça não morreu, Jim…, 20.01.08 http://www.vermelho.org.br/coluna.php?id_coluna_texto=13...

    • José disse:

      A palavra de ordem é PROIBIR?
      Vamos jogar a história e a literatura na lata do lixo em nome de, supostamente, evitar o racismo na escola? Vamos abolir toda a literatura que expressar algum tipo de preconceito? Infelizmente não vai sobrar nada na estante, mas isso é um mero detalhe.
      É assim que nossas crianças vão se tornar cidadãs melhores, não sendo expostas às diversas vozes de diferentes épocas, sobre os mais diferentes assuntos?
      Sei… quem gostava de índice de obras proibidas era a Santa Inquisição.

    • José Carlos disse:

      Tudo bem, Mariana. Mas há hipocrisia na tal nota a ser impressa no livro.
      Os nossos professores são todos não-racistas? Vão todos realmente dar importância a isso?
      Alguém supõe que haverá a discussão sobre se Emília é o alter-ego de Lobato? No Ensino Fundamental?
      A escola é uma instituição separada da sociedade, casta e pura?

  16. Fabio_Passos disse:

    Por que tanto receio em discutir nossa história e como as pessoas, inclusive autores de obras clássicas, foram influenciadas pelo contexto em que viviam?

    Boa discussão também no Nassif:

    "As teorias eugenistas do início do século 20"
    Por Miguel Javaral http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/as-teori

    "
    O fato é que o pensamento eugenista, ainda que com contornos locais, penetrou profundamente no pensamento sobre a nação brasileira naquele momento. O interesse de Monteiro Lobato pela eugenia, que depois foi de certa forma atenuado pela sua ênfase no higienismo, decorre exatamente de seu sincero nacionalismo. E ele não era, de forma nenhuma, excessão.

    (…)

    … já que muitos de nós cresceram cercados pela literatura infantil de alta qualidade do criador do Sítio do Pica-pau Amarelo (sem prestar muita atenção em qualquer estereótipo racista que por ventura ali se apresentasse), mas acho que a esfera pública brasileira precisa discutir a sério a presença de uma herança racialista no seu patrimônio de alta cultura.
    "

    • CC.Brega.mim disse:

      Fabio, cuidado com essas coisas de não era exceção…
      em todas as épocas pessoas lúcidas formaram exceções incríveis
      exceção ao eugenismo ao nazismo ao racismo…
      se aderiu deve ser criticado e exposto sim.

      e a qualidade é sempre discutível, redefinida, repensada…
      minha colega negra na pós graduação, a única pessoa de sua comunidade
      a chegar à pós graduação (vinda de uma grande favela de belo horizonte)
      não conseguia ler Casa grande e senzala
      e isso me fez repensar muitas naturalizações que aceitamos sem refletir
      acho o debate ótimo
      e sua inclusão na escola essencial…

      • Fabio_Passos disse:

        Concordo.
        Mas penso que quando o Miguel Javaral explica as posições de Monteiro Lobato, afirmando que ele não era exeção, não significa que ele era a regra, mas quer dizer apenas que haviam muitos influenciados na época.

  17. Valéria disse:

    Um conto que me impressionou muito na juventude foi Negrinha onde são relatados com pormenores o modo como as crianças eram mal tratadas na casa dos patrões, brancos.. por acaso o autor desta obra prima é exatamente Monteiro Lobato. O autor sempre demonstrou em sua obra a forma de pensar da classe dominante no Brasil, e tia Anastácia é apenas um de seus personagens . Dizer que " lugar do negro nas histórias de Lobato é silenciado, inviabilizado: é um não-lugar." é uma afirmação de alguém que ignora a obra de Monteiro Lobato. Aliás tal assunto deveria ser melhor pesquisado junto a criticos literários , pesquisadores da obra do autor. Poderiam os jornalistas ou jornais procurar tais pessoas?

    • Alice Matos disse:

      Valéria, quanta quilometragem de leitura te falta, hein? Leia, leia, leia… e encontrará todas as respostas que te faltam

    • CC.Brega.mim disse:

      a opinião do especialista vale tanto quanto a sua ou a minha…

      mas, do que vi entre os que pensam a questão racial na sociologia e na literatura
      incomoda sim e muito o lugar do negro "oferecido" pela classe dominante
      suas condescendências são pura violência
      e não são recebidas com ingenuidade no debate racial.

  18. Gerson Carneiro disse:

    Em Campinas-SP, terra de branco (onde se diz que foi a última cidade do Brasil a abolir a escravidão), o time da Ponte Preta é conhecido como "A Macaca". E a massa de torcedores é conhecida como "A Macacada". E eles adoram. E aí, quem vai lá dizer pra eles que isso pode ser racismo?

    Somos um país de misigenação. Racismo fez parte da nossa história e não deve ser ocultado. Não deve ser praticado, mas não deve ser ocultado da nossa história.

    Como diz Jerônimo em "eu sou negão": "É má cuchi, e muita onda"

    • Orlando disse:

      Gerson Carneiro

      Racismo faz, desde sempre, parte da história do nosso Brasil. Pelo menos da vida do negro brasileiro… E podes ter certeza não é nada agradável…

      • Thais disse:

        A questão é que a imensa maioria das vezes em que termos como "macaco" são utilizados, trata-se de sentido pejorativo, com intenção de inferiorizar o outro.
        Esse exemplo da Ponte Preta é EXCEÇÃO, e, como tal, confirma a regra.

      • Alice Matos disse:

        Gérson, só para sua reflexão.
        Dois vizinhos pobres, bem pobres. São pobres e moram no mesmo lugar. Possuem filhos, que brincam juntos todos os dias. São amigos, do peito, até o dia em que o menino negro bate no branco, que chega em casa chorando…
        Ivariavelmente o pai ou mãe desse menino branco dira: "Eu já te disse pra não brincar com preto!". Se ao branco pobre resta a sua branquitude, ao preto, pobre ou rico, o racismo. É por isso que só questão de classe não explica o racismo.

      • Gerson Carneiro disse:

        Alice, não gostaria que fosse exclusivamente "para a minha reflexão", mas sim para a nossa.

  19. MirabeauBLeal disse:

    .
    Antes de emitirem qualquer parecer sobre Monteiro Lobato,

    leiam o livro "O Choque das Raças ou O Presidente Negro"

    em que o autor (Monteiro Lobato) imagina

    como seria a eleição, no ano 2228, de um presidente negro

    nos Estados Unidos da América do Norte.

    O candidato negro concorria com outros dois:

    uma mulher feminista e um branco, candidato à reeleição.
    .

    O livro de Lobato, publicado em 1926,

    trouxe à tona a discussão sobre o racismo e o machismo,

    vigentes na sociedade norteamericana e, sugestivamente, no Brasil.
    .
    Resenha em: http://www.jayrus.art.br/Apostilas/LiteraturaBras
    .

    • Mariana Rodrigues disse:

      Prezada Sra. MirabeauBLeal, sobre o tal livro eu confio no que escreveu Fátima Oliveira sobre ele:
      " Intriga-me a citação exaustiva, no Brasil, com status de Nostradamus, de "O Choque das Raças" ou "O Presidente Negro: romance americano do ano 2228" (Monteiro Lobato, 1926). Pra quem ainda não sabe, Lobato compartilhava das falsas teorias científicas racistas de inferioridade dos negros, ideário que permeia sua obra, hegemônicas em seu tempo. O fim do seu romance só poderia ser a extinção da raça negra: "Tua raça morreu, Jim…"
      . (F.O, in Tua raça não morreu, Jim…, 20.01.08 http://www.vermelho.org.br/coluna.php?id_coluna_texto=13...

    • Mariana Rodrigues disse:

      Mais ainda de Fátima Oliveira:

      Analistas têm dito que em "O Presidente Negro" Lobato foi clarividente. Engendrou um conflito racial eleitoral em 2228, quando os brancos se dividiram em Partido Masculino e Partido Feminino, possibilitando que o presidente da Associação Negra, Jim Roy, vencesse as eleições. Ganhou, mas não levou! Sequer tomou posse. Morreu antes. Vingativos, os brancos criaram uma tecnologia (raios ômega) que, ao alisar os cabelos dos afro-americanos, os esterilizava. E eles se apresentaram como manadas de bois aos "Postos Desencarapinhantes"! O presidente Kerlog, que era candidato à reeleição, casa-se com a líder do Partido Feminino, Evelyn Astor, e assim recupera o poder. Sem mais comentários (…)
      . (F.O, in Tua raça não morreu, Jim…, 20.01.08 http://www.vermelho.org.br/coluna.php?id_coluna_texto=13...

    • Orlando disse:

      MirabeauBLeal

      Na verdade, o presidente negro, só apresenta e fundamenta o pensamento racista e eugenista de Lobato. Não é uma critica, é quase um plano de ação. Ou um projeto – para o Brasil…

  20. Eduardo Soares disse:

    Ouvi toda a coleção infantil de Monteiro Lobato antes aprender a ler e me alfabetizei com eles. E isto não me tornou racista ou coisa que parecida. Criticar as obras de Monteiro Lobato acusando-as de racistas ou coisa que o valha é no mínimo uma sandice. Ela é atemporal como são as Graciliano Ramos e Castro Alves. Se formos atrás destas opiniões exdrúxulas. Vamos queimar também Memórias do Cárcere que em seu primeiro volume descreve a situação de um negro no navio que o levou para uma prisão.. Ou Navio Negreiro onde há "Legiões de Negros como a Noite" como relata Castro Alves. Será que a Vereadora e os Autores leram por acaso Negrinha ou o Presidente Negro do mesmo autor? Acho que não pois se o lessem conheceriam melhor Monteiro Lobato. E mais tanto não conhecem o autor de Taubaté, que esquecem o importante papel de Tia Nastácia na obra. Esquecem que ela é uma criadora. Criou a genial Emília de retalhos de pano, o sábio Visconde de Sabugosa de um sabugo de milho além de um boneco de pau. Era também exímia contadora de histórias em sua Tia Nastácia era demais!!

    • Bonifa disse:

      E também a maravilhosa cozinheira cujos bolinhos de polvilho amansaram o próprio Minotauro e o deixaram tão gordo que ficou inofensivo. Por causa destes bolinhos São Jorge não queria que ela fosse embora da Lua.

  21. H.José C.Campos disse:

    Que vontade de vomitar que essa idiotíssima discussão me dá.
    Vamos parar com isto e eleger logo o censurador do ano, e ver o que ele vai proibir as crianças de lerem.
    É preciso que se diminua a leitura no Brasil, onde se tem lido demais.
    Separemos para queima os livros de Monteiro Lobato (maldito racista, inumano, eugenista, fumante de cigarros, irônico), Guimarães Rosa (tem sacanagem em Sagarana), Hilda Hillst (que horror seu o caderno de Lori Lamb, com o horroroso prefácio de um professor universitário que "dá licença aos leitores de seguirem com a leitura do livro- ex-libris- votarei nele pra censor brasileiro), Pedro Nava (ele conta em Bicho Urucutum como perdeu a virgindade com uma empregada, no Rio de Janeiro, essa maldita e perniciosa cidade erótica), Jorge Amado (quanta sacanagem em Dona Flor e seus DOIS Maridos – que vergonha, tanto adultério!), além dos livros estrangeiros de Henry Miller, Anais Nin, Salinger (o menino de O Apanhador no Campo de Centeio tenta transar com uma prostituta – que horror!), Gore Vidal, além daquele livro cheio de homossexualismo, adultério, canibalismo, assassinato, injustiça, um tal de Bíblia.
    Façamos uma limpeza na cultura do Brasil, não deixemos nossas crianças leram nem as revistas da Mônica, porque ela bate nos amiguinhos e eles a chamam de "baixinha e dentuça", uma ofença que mostra que há muito bullying acontecendo no Brasil. Estudemos o bullying, evitemos o bullying, acabemos com o bullying.
    Censores, unidos, jamais serão vencidos!
    (TODOS JUNTOS)
    Censores, unidos, jamais serão vencidos! Censores, unidos, jamais serão vencidos! Censores, unidos, jamais serão vencidos! Censores, unidos, jamais serão vencidos! Censores, unidos, jamais serão vencidos! Censores, unidos, jamais serão vencidos!

    • CC.Brega.mim disse:

      José
      você tem razão e não tem…
      verdade que a liberdade fica ameaçada pela censura
      mas em nome dela não se pode fechar os olhos
      o politicamente correto é desprezível porque é hipócrita
      quer fazer na linguagem o que não se faz nas ações
      manter no terreno privado o que publicamente não se aceita
      mas…

      é fato que o respeito na linguagem trouxe frutos
      hoje as vozes tem que ser ouvidas
      e todos concordam que todas as vozes tem que ser ouvidas

    • José Carlos disse:

      Brilhante a referência à Mônica.
      Será que o Maurício de Souza não ridicularizava as dentuças quando moleque, e que o Cebolinha não é seu alter-ego?
      Será que não educou seus filhos dessa forma?
      Seus filhos não terão se sentido compelidos a agir como o Cebolinha ou o Cascão?

  22. Marcelo de Matos disse:

    http://www.cepa.if.usp.br/energia/energia1999/Gru… “Foi somente em janeiro de 1939 que se revelou a existência de petróleo no solo brasileiro, no poço de Lobato – BA, perfurado pelo Departamento Nacional de Produção Mineral, órgão do governo federal. O poço de Lobato produziu 2.089 barris de óleo em 1940”. Portanto, graças a Lobato que defendeu ferrenhamente a idéia de que devíamos pesquisar e explorar petróleo, o governo brasileiro acabou descobrindo o óleo negro. A luta de Lobato foi reconhecida e o primeiro poço levou seu nome. O autor de Zé Brasil, depois de preso por divulgar sua idéia fixa, foi finalmente reconhecido.

  23. Fabio_Passos disse:

    Contextualizar obras clássicas não é censura. Pelo contrário. Enriquece a leitura.

    Não vejo razão para negar uma contextualização na dimensão dos preconceitos do autor.
    O que há de errado em discutir os preconceitos de autores clássicos?

  24. Marcelo de Matos disse:

    http://www.cepa.if.usp.br/energia/energia1999/Gru… “Foi somente em janeiro de 1939 que se revelou a existência de petróleo no solo brasileiro, no poço de Lobato – BA, perfurado pelo Departamento Nacional de Produção Mineral, órgão do governo federal. O poço de Lobato produziu 2.089 barris de óleo em 1940”. Portanto, graças a Lobato que defendeu ferrenhamente a idéia de que devíamos pesquisar e explorar petróleo, o governo brasileiro acabou descobrindo o óleo negro. A luta de Lobato foi reconhecida e o primeiro poço levou seu nome. O autor de Zé Brasil, depois de preso por divulgar sua idéia fixa, foi finalmente reconhecido.

  25. Bonifa disse:

    Mestre Azenha e amigos, não quero me estender sobre o que penso de Monteiro Lobato. Mas se idiotices como a proibição disto e daquilo vingarem no Brasil, a obra de Hemingway e de oitenta por cento dos grandes escritores mundiais terá aqui de ser proibida. E se Tia Nastácia fosse nordestina, embora branca? O mais importante é o amor que Lobato passa e perpassa através de Nastácia e do Tio Barnabé também, este sendo um grande sábio negro popular. Esta bobagem está além de hipocrisia. É perigoso atentado à cultura. A propósito, é bom que leiam O Presidente Negro, de Lobato, que antecipa em décadas a eleição de Obama e os gigantescos problemas que isto viria causar.

    • RBM disse:

      Meu amigo Bonifa, você faria melhor se simplesmente lesse a íntegra do Parecer do CNE. Em nenhum momento se fala em proibir livro algum, e as recomendações são sóbrias e sensatas. Que história é essa de proibição? Não seja inocente útil para jornalista tendencioso. E tudo de bom (é muita coisa) que existe na obra de Monteiro Lobato coexiste com seu notório racismo, já apontado em mais de um estudo sem que o mundo caísse. Respeite os profissionais do CNE, eucadores todos muito sérios. Eles não merecem a pecha de censor. Essa ladainha manjada de "atentado à cultura" foi apontada para o lado errado. Também se poderia dizer que estão cerceando a liberdade de expressão dos profissionais do CNE. Mas é falta de leitura mesmo. Como se diz no meu nordeste: "Quem vai pela cabeça dos outros é piolho."

      • Bonifa disse:

        Confesso que não li o tal parecer, meu caro. Mas nem de longe há notório racismo na obra de Lobato. Até há o contrário. Como o conto-denúncia "Negrinha" Lobato era homem de idéias ocasionais fortes e equivocadas, como sua posição, nna Revolução de 34, pela "hegemonia ou separação" de São Paulo. Ou em seu arrasador artigo contra a Exposição de Arte Moderna de 22. Mas nada disso está inscrito em sua obra infantil. Ao contrário, quando Pedrinho pergunta a Dona Benta, em História do Mundo para Crianças, se o comunismo era uma boa coisa, Dona Benta responde sabiamente que só o tempo será capaz de dizer.

      • Bonifa disse:

        Só para colocar melhor, referia-me à exposição de Anita Malfatti na Semana de Arte Moderna de 22. E quanto ao conto Negrinha, ao lado de um outro conto de Coelho Neto que não recordo o título, no qual a Sinhá manda quebrarem todos os dentes de uma outra negrinha mucama só porque seu marido elogiou a beleza de seu sorriso, são os dois libelos mais terríveis contra o racismo e a condição social dos negros submetidos ao escravagismo ou semi-escravagismo no Brasil. Quanto ao CNE, nada tenho contra ele e creio que não lhe faltei com o respeito. Apenas acho que o tema fugiu de sua alçada e está clamando por uma discussão que elimine qualquer ovo de uma possível futura maldita serpente. Não posso me conformar com o bloqueio cruel que fazem à obra de seu conterrâneo nordestino Gustavo Barroso, possivelmente o maior intelectual brasileiro de sua época, pelo fato de que ele tenha sido um ferrenho integralista. E quanto aos piolhos, deve dizer-lhe que todos nós somos piolhos. Nada mais fazemos do que nos alimentarmos na cabeça dos outros. Nem os nordestinos, pessoas com toda razão muito orgulhosas de sua origem, podem escapar desta contingência humana.

  26. Lucho disse:

    Depois dessa história toda, só me resta dar três vivas:
    .
    * Um viva ao pogreçismo.
    * Um viva a essas pessoinhas que se ofendem com qualquer besteira.
    * E um viva, em especial, para o politicamente correto.

  27. RBM disse:

    Há mais de um estudo sobre os preconceitos de toda ordem do maravilhoso e humano Lobato. Não me lembro de ninguém com uma tese séria contestando isso no meio acadêmico. Se há um patrulhamento, é primeiramente contra o CNE, que, acionado, cumpriu seu papel. E eu, que adoro Lobato, convido a todos que enxergaram no Parecer uma censura ou proibição, a exercitar o saudável hábito de LER não só esse autor, mas tudo (o que inclui pareceres e notícias da imprensa), não só como um exercício de decodificação visual, mas com os sentidos apurados. Quem sabe assim a gente desenvolva um antídoto contra a manipulação e enxergue intenções pouco evidentes no que somos instados a simplesmente engolir.

  28. RBM disse:

    Talvez devamos descer dos pedestais do debate ideológico, e imaginar que a origem da polêmica seja mais fisiológica, estomacal. Quiçá o interesse editorial, incomodado com a recomendação do CNE que poderia gerar a obrigação de ajustes na edição (notas de esclarecimento, e tome dinheiro a mais), quiçá o interesse editorial tenha acionado o interesse jornalístico. A ser verdade, é estarrecedor a imagem que os agentes de imprensa fazem dos seus leitores: pessoas que se contentam com informações pela metade, lacunosas; pessoas que não têm o senso crítico nem o hábito de conferir a veracidade dos dados; cidadãos manipuláveis, ovelhas dóceis, inocentes, massa de manobra. Exatamente o tipo de gente que gosta de Monteiro Lobato pelo que assistiu na TV, e só; ou que não tem a disposição de ir a fontes originais; ou que desprezam o aprofundamento de questões. Essa talvez tenha sido a aposta.

  29. RBM disse:

    O mais grave nessa história toda é o modo como as pessoas se lançam numa apaixonada discussão sem o cuidado de procurar a verdade factual. O parecer do CNE estava disponível o tempo todo, na íntegra. O próprio presidente da ABL deveria ter o cuidado de lê-lo, mas não o fez, antes de emitir uma nota sobre o caso. Brandiu a espada contra um fantasma, talvez porque no Brasil poucos queiram deixar um veículo da imprensa esperando. Assim, do alto de sua autoridade simbólica, se prestou ao pouco lisonjeiro papel de inocente útil.

  30. RBM disse:

    Claro está que, se levarmos a ferro e fogo o senso crítico, ninguém mereceria ser lido. Ou talvez os "problemas" desse tipo tornem a leitura mais instigante. Não preciso endossar o racismo de Lobato. Gosto de ler as obras dele, muito mais interessantes que os paradidáticos literalmente infantis de hoje. Mas continuo "desmascarando-o" quanto aos seus juízos politicamente incorretos, embora compreensíveis numa época em que se podia alardear o racismo sem maiores consequências. Vou lê-lo a vida toda. Mas não vou ficar cego aos seus disparates, e meus alunos aprenderão a reconhecê-los como exercício de desenvolvimento do senso crítico, se o lerem sob minha orientação. A riqueza das obras de Lobato não pode ser reduzida a isso, obviamente.

  31. Marcelo de Matos disse:

    Monteiro Lobato não merece o que estão querendo fazer com ele os burocratas do MEC. Pierre Lucena, do blog Acerto de Contas, chama esse pessoal de educocratas: “Na raiz do problema estão aqueles que Elio Gaspari apelidou de Educocratas. São os “educadores” que se enfiam em um gabinete em Brasília ou nas Secretarias de Educação, “planejando” o que é o ensino, mas tem horror a uma sala de aula. Pensam como se tudo fosse fácil, mas não tem a menor noção da realidade brasileira”. Monteiro Lobato foi um dos responsáveis pela formação de nossa consciência nacional. Insistiu que no Brasil havia petróleo e deveríamos explorá-lo. Para divulgar suas idéias escreveu Zé Brasil, que o levou à cadeia. Decidiu, então, educar as crianças, mostrando a elas o que os adultos não conseguiam enxergar. A minha geração riu e se divertiu muito com O Poço do Visconde, mas, aprendeu lições sérias. Sem o escritor, o movimento “o petróleo é nosso”, que resultou na criação da Petrobrás, teria demorado mais tempo. Salve Monteiro Lobato e abaixo seus detratores!

    • RBM disse:

      Caro Marcelo, como imagino que você não seja telepata para ter certeza que os educadores do CNE são um bando de alienados sem noção da realidade educacional brasileira, gostaria de sugerir que ao menos lesse na íntegra o Parecer em questão. Vai ver que não se fala em proibir nada. O fato de os livros de Monteiro Lobato terem encantado várias gerações, e de serem melhores que os muitos medíocres que se publicam hoje em dia, ou o fato de o Brasil dever a ele o movimento "O petróleo é nosso", não deve nos deixar cegos para o racismo e outras posições moralmente duvidosas que perpassam sua ficção. Isto é inegável, aparece escancaradamente. Ele, humano que era, tinha suas contradições. Merece ser lido pela beleza do mundo imaginário que criou.

    • RBM disse:

      Numa sociedade democrática, quem publica se expõe a críticas. De onde surgiu essa paranoia de banir, proibir, expurgar etc? Com certeza não foi do CNE. Só a má-fé, a ignorância ou a ingenuidade de quem não se vê manipulado atribuirá isso aos (para mim desconhecidos, mas dignos de todo o respeito até prova em contrário) integrantes do Conselho nacional de Educação.

  32. marinildac disse:

    Melhor ler e debater. Edgar Rice Burroughs (1875-1950), o autor de Tarzan, tem falas terríveis contra os africanos em seus livros. Quanto ao Jeca Tatu, que rendeu muita crítica a Lobato, era reconhecido nas expedições dos nossos grandes sanitaristas no iníciodo século passado. As pesquisadoras Simone Petraglia Kropf e Nísia Trindade Lima, da Casa de Oswaldo Cruz, registram a resposta de Miguel Pereira à convocação dos brasileiros à Primeira Guerra (http://www.fiocruz.br/chagas/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?tpl=home):

    “É bem que se organizem milícias, que se armem legiões, que se cerrem fileiras em torno da bandeira, mas melhor seria que se não esquecessem nesse paroxismo do entusiasmo que, fora do Rio ou de S. Paulo, capitais mais ou menos saneadas, e de algumas outras cidades em que a providência superintende a higiene, o Brasil ainda é um vasto hospital. (…) Em chegando a tal extremo de zelo patriótico uma grande decepção acolheria sua generosa e nobre iniciativa. Parte, e parte ponderável, dessa brava gente não se levantaria; inválidos, exangues, esgotados pela ancilostomíase e pela malária; estropiados e arrasados pela moléstia de Chagas; corroídos pela sífilis e pela lepra; (…) Não carrego as cores ao quadro. É isso sem exagero a nossa população do interior. Uma legião de doentes e de imprestáveis”.

    Em outro discurso dias depois, o médico exaltou a descoberta da doença de Chagas e a missão social dos “homens de ciência” que, como Chagas, revelaram a triste realidade dos sertões: um Brasil abandonado, doente, que responderia aos clamores patrióticos com “um exército de sombras”. Chagas viu na fala do colega “magnífico painel de verdades melancólicas”.

  33. RBM disse:

    Essa polêmica se originou de uma má-fé. O parecer do CNE em nenhum momento menciona proibição de livro algum. As recomendações, sensatas, foram escritas em tom sóbrio e brando. Quem fez a denúncia gerou uma série de absurdos. O presidente da ABL, a própria escritora Marisa Lajolo (autora de estudo que aborda o racismo em Monteiro Lobato, estudo esse citado com propriedade no Parecer) e o público em geral caíram numa armadilha, pois quase ninguém se dignou a ler o suposto documento inquisitorial. Acho que os alvoroçados e defensores da "liberdade', que viram patrulhamento ideológico, na verdade nem leram as obras de Lobato, um genial escritor.

    • parte1 disse:

      Ler é mais que tudo, entender. Se você leu Monteiro Lobato -obra adulta ou infantil-, e o considera como autor à parte do que escreve, e, mais que isto, o considera genial, creia-me -e não se trata de gosto-, você está precisando rever seus conceitos acerca de literatura e sobretudo de genialidade.

      Francamente! Autor dissociado da obra? Obra genial? Lobato era um tremendo racista sim! E Marisa Lajolo não é referencial para aferir o que seja ou não racista. Que ela tenha a coragem de fazer o que fez o grandioso Fausto Wolf. Pinte-se de negro e saia pelas cidades brasileiras e descubra o que é de fato ser negro e viver em uma sociedade racista como a brasileira. Racista, sim! Como Lobato. Mas será que você realmente leu Lobato? Melhoras!

      Deusdédit R Morais

      • RBM disse:

        Caro amigo. Obrigado pela atenção. A opinião sobre a genialidade ou não de Lobato levaria a uma discussão que foge à polêmica inicial. Cada um de nós montaria um curso sobre isso. O que está implícito no meu texto é que, qualidades literárias à parte, Lobato foi racista, sim. Defendi o Parecer do CNE (leia, e sobretudo entenda) o conjunto de meus comentários, todos os cinco). Sou contra a imputação de patrulhamento ideológico e autoritarismo ao CNE.Li, e analisei extensamente, muitos textos de Lobato em cursos que ministrei, apontando inclusive o óbvio racismo. Eu, que ñão precisei me pintar de negro para sentir o racismo ao longo da vida. Volte ao que escrevi. Se eu abolisse o autor perderia boas leituras. Se eu não usasse os seus textos para ensinar aos jovens que comigo estudaram como por trás da aparência de inocência se escondem venenos como o preconceito, seria um omisso. E se eu negasse qualquer outro tipo de valor positivo a um autor racista, seria fundamentalista. Mas quero voltar ao ponto da defesa do CNE, vítima de acusação infundada por razões políticas não confessadas.

    • Orlando disse:

      RBM

      Não está em jogo, aqui, a genialidade de Lobato, mas o fato, inequivoco, de que Lobato era racista e eugenista. E suas obras, em que pese serem brilhantes, expressam a visão de mundo de Lobnato. Grosso modo, nociva para crianças negras e negros em geral. Isso em função do forte conteúdo racista de suas histórias. Essa é a discussão: quão nocivo é a leitura de Lobato para crianças negras ou não. Aliás, essa história de nacionalismo, não raro, está mais próximo de regimes autoritários e facistas. Enfim, Lobato gostava mesmo é do espelho…

  34. Rafael disse:

    Imagine que você tem um neto de nove anos de idade, que estuda em uma escola pública e recebe uma ligação da diretora pedindo para ir buscá-lo. Chegando lá, você o encontra sentado no chão da diretoria, chorando. Em casa, ele conta que foi chamado de "Nego, macaco e rei da cocada preta" e arrastado pelo corredor da unidade de ensino pela diretora e pela professora.
    http://jc.uol.com.br/canal/educacao/noticia/2010/

  35. Gerson Carneiro disse:

    Se essa frescura tomar proporção daqui a pouco vamos ter que queimar toda a obra do Jorge Amado, repleta de palavrões tão doces e tão insurgentes.

    Criança tem mais é que ler e aprender a interpretar o mundo por si. A Educação estaria uma maravilha se as crianças lessem mais.

    • Orlando disse:

      Gerson Carneiro

      Crianças brancas com certeza não terão nenhum prejuíso em ler Lobato. O mesmo não ocrre com as crianças negras que seriam vitimas do racismo de Lobato. Mas eu acho que você tá pouco se lichando para as crianças negras. Não és negro e, com certeza, filhos negros não deves ter…

      • parte1 disse:

        Parabéns Orlando!
        O baixo clero da intelectualidade politizada brasileira, assim como grande parte do alto, tem por nocivo somente o preconceito contra judeus e nordestinos, já o contra os negros… Bem, parece que até nisto somos de segunda classe!

        Abraços,
        Deusdédit R Morais

      • Gerson Carneiro disse:

        Orlando,

        Sou baiano, cabelo crespo, adoro sarapatel, e sou portador de traço falsiforme. Precisa dizer mais?
        No máximo, se eu pretendesse ser branco, eu diria que sou preto claro.

        Na Bahia temos orgulho de sermos negros. Eu sou contra sim a essas frescuras, inclusive contra cota para negros em universidades. Negro bom mesmo (e é difícil não ter um baiano negro bom) vai lá e entra na raça. Não precisa de caridade. Negro na Bahia anda é de cabeça erguida.

        [youtube ICtrncWfh84 http://www.youtube.com/watch?v=ICtrncWfh84 youtube]

    • RBM disse:

      Amigo, o CNE em nenhum momento falou em proibir, queimar, deixar de adotar livro algum. Leia o parecer na íntegra. Você verá que foi vítima de um exagero jornalístico muito do interesseiro.

  36. Fabio_Passos disse:

    O MEC não está censurando livros.

    Você não leu o parecer do CNE?
    Está logo ali acima…

  37. Ana Flávia disse:

    Acho que o texto do Inácio Araújo pode ajudar na discussão. Naturalizar o preconceito, como coisa normal, coisa da época, sem reflexão, sem crítica, é extremamente violento. Segue: http://inacio-a.blogosfera.uol.com.br/2010/11/08/

  38. turmadazica disse:

    Essa discussão é bizarra… Logo mais não pode mais xingar a polícia, chamar alguém de gordo, colocar escondido presunto nos sanduíches dos judeus e árabes, enfim… Isso aí é coisa de quem não tem o que fazer…

    • Orlando disse:

      Turmadazica

      Se você faz tudo isso [colocar presunto no sanduiche de judeus etc] é claro que você não tem nenhum respeito pelas diferenças. Ou seja, nenhum apreço pelo outro – seja ele negro ou judeu ou gordo. Nesse caso a filosofia de vida excludente Lobato se encaixa perfeitamente com você…

    • Thais Terceiro disse:

      "chamar alguém de gordo, colocar escondido presunto nos sanduíches dos judeus e árabes, enfim… "

      Isso sim é coisa de quem não tem o que fazer.

  39. Klaus disse:

    Muitos dos que riem de quererem censurar Monteiro Lobato, foram leitores vorazes e entusiasmados de "Para Ler o Pato Donald", um dos livros mais engraçados que já li. Quem não leu, leia.

  40. Klaus disse:

    Nuvens negras no horizonte do Brasil, querem denegrir a imagem de Lobato.

    • Orlando disse:

      Klaus

      Acho que uma nação de fato, não pode e não deve compactuar com a mentira e farsa. Lobato era racista e eugenista. Creio eu que se ele tivesse poder [politico e financeiro] talvez tivesse colocado em prática as idéias racistas e eugenistas do livro o "Presidente Negro".

      Não discuto o talento de Lobato e nem advogo que seus livros devam ser proibidos, afinal, temos, no Brasil, hoje em dia, muitos admiradores do pensamento eugenista e racista de Lobato. No entanto, acho que seus livros deveriam vir com uma advertência "conteúdo mortalmente racista"

    • RBM disse:

      Que nuvem negra, que nada, meu amigo. O racismo de Lobato é escancarado. E o parecer do CNE não fala em proibir. Não faça o papel de inocente útil nessa polêmica fabricada.

  41. ratusnatus disse:

    Continuando, e o "mé" do Mussum?

  42. LauraBeal disse:

    enquanto a educação do país desaba, se discute se Monteiro Lobato era ou não preconceituoso. É o fim.

    • Fabio_Passos disse:

      A educação do país desaba?
      De onde tirou essa idéia?

      Nossa educação melhora sensivelmente.
      Achei muito interessante a entrevista do Temporão. Ele afirmou que se compar a primeira década deste século com a última do século passado, o tempo de estudo médio do brasileiro quase dobrou.

      Pode não ser o mundo dos sonhos mas é uma evolução sensível.

    • RBM disse:

      Como é que é? então a educação do país desaba? Que eu saiba, ela nunca foi excelente. Mas já está bem mehor. Quando fiz o vestibular, por exemplo, a decoreba era a lei. Hoje, gostaria de ser jovem para fazer o ENEM, que só é ruim para a indústria de adestradores dos cursinhos, hoje perdidos porque têm de ensinar a refletir e não sabem.

  43. Alessandro Lino disse:

    "Cêis qué sabê"????Pra mim isso é coisa do resquício da campanha o Serra e do vice dele, o Malafaia.Vão satanizar escritores agora.Tudo é preconceito,diabo,satanás.
    Eu sou historiador,existe um tempo histórico.Uma obra perpassa o tempo com o que nos chega de moderno,de usável,de verdade.O resto sempre vem a reboque de um tempo,nós pertencemos e nos restringimos a um tempo que é mutável,como foi o Brasil de Monteiro e de todos nós agora.
    Mas esqueçam o que eu disse agora:eu tô satanizado e defendendo o preconceito e sei lá mais o quê…
    Obs: Tenho uma deficiência física,já fui chamado de aleijado,deficiente e etc.Eram nomenclaturas da época.Hoje é "portador de necessidade especial".Vou culpar as pessoas que historicamente me chamavam assim???Amanha a nomenclatura é outra e aí?
    Deixem o Monteiro em paz!!!e o Serra e o Malafaia também!!!!rsrsrsrsrsrsrsrs

    • Orlando disse:

      Alessando Lino

      Como historiador, você deve saber que, pelo menos em uma coisa, o Brasil de Lobato e o atual são similares: o racismo. Hoje mais hipócrita e safado do que na época de Lobato, no entanto, não menos virulento e cruel. Negar esse fato [racismo] é negar a própria evidência histórica que o cotidiano brasileiro nos dá.

      Como racista e eugenista que Lobato era, de certa forma, podemos dizer que a literatura de Lobato era o veículo para se passar a mensagem da eugenia e racismo. Em vista disso, crianças negras em idade escolar não podem, hoje em dia e mesmo desde sempre, ficarem expostas ao racismo ou ódio étnico contido nos livros de Lobato. Com o risco, dessas crianças negras terem sérios problemas de autoestima.

      • Alessandro Lino disse:

        Caro Orlando,

        Entendo perfeitamente sua preocupação,de fato ela é muito válida.Eu mesmo que o diga,como expus em forma de brincadeira minha situação.Mas a minha preocupação é a paranoia,o excesso.Praticamente todos os escritores até o seculo 19 e metade de 20 eram racistas ou tiveram passagens por suas obras onde isso era exposto.Sentimento quase comum de uma época.É fácil,penso eu, trabalhar o olhar crítico de uma época a uma criança do que eliminar grandes escritores que enriqueceram e enriquecem a cultura do país e do mundo.Se formos eliminar tudo,o que sobrará?E o preconceito de alguns escritores era muito mais que racial.Mais fácil falar com as crianças sobre racismo,até usando essas obras,do que eliminar escritos e escritores.Mas é somente minha humilde opinião.
        Muito obrigado por ter lido meu post e divergido,isso é extremamente democrático.Até!!!

      • Eduardo Soares disse:

        .Monteiro Lobato racista? Eugenia? Você acha que somente os negros sofrem preconceito no Brasil? Você já conviveu ou convive com pessoas com deficiência? Acho que se convivesse saberia que o preconceito para estes quase 25 milhões de brasileiros existe e é mais cruel. Ou com os LGTB. Acho sim os seu comentário preconceituoso e mal informado.As crianças negras têm direito a uma educação libertadora sim, mas não que as tolham ou escondam a realidade que vão encontrar ao longo da vida. Elas têm o direito de saber que Tia Nastácia filha de escravos e exímia cozinheira de Dona Benta era uma criadora de vidas e histórias. Que conviveu com São Jorge e personagens como príncipes e princesas de maneira igual. Os "sérios problemas de autoestima" ocorrerão somente se os pais negros destas crianças não as educarem em prol de uma sociedade inclusiva e plena em Direitos Humanos. E não é com preconceito e o obscurantismo proposto por aqueles membros do CNE que chegaremos a uma verdadeira Democracia Racial.

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