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Cartas de Minas
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Marcelo Zero: O voo de galinha da economia acabou, mas a mídia que apoiou o golpe se esforça para esconder isso de você

03 de dezembro de 2017 às 11h55

A Galinha Pousou

por Marcelo Zero, via e-mail

A mídia e o governo tentam disfarçar, mas o resultado pífio do terceiro trimestre de 2017 desapontou todo o mundo.

O crescimento foi de apenas 0,1% sobre o trimestre anterior, quando a prévia do Banco Central era de 0,58%.

Na prática, isso significa economia estagnada. Mais que “pibinho”, é PIB microscópico, um “nanopib”.

O “nanopib” do Golpe foi aferido após o IBGE revisar a sua série e dessazonalizá-la.

Descobriu-se, com isso, que a “recuperação” econômica, o voo de galinha do início deste ano, impulsionado pelas exportações agrícolas e pela liberação do FGTS, perdeu força.

A galinha pousou, como mostra o gráfico a continuação.

Neste ano, ao contrário das previsões panglossianas dos apoiadores do Golpe e da sua ultraortodoxia, o crescimento ficará abaixo de 1%.

Zero vírgula alguma coisinha ridícula. Um “nanopib” anual.

A mídia e os “especialistas”, no entanto, tentam disfarçar o desastre com contorcionismos lógicos e sofismas que fariam corar Górgias.

Falam do crescimento de 1,2%, neste terceiro trimestre, do consumo das famílias, como se isso fosse algo extraordinário.

Porém, no acumulado do ano, o consumo das famílias acumula um aumento irrisório de 0,4% sobre o mesmo período de 2016, o qual foi um período terrível, um fundo de poço abissal.

Comemora-se, assim, algo menos pior que o desastre total.

Comemorar um resultado desses é como comemorar Nagasaki depois de Hiroshima, pois a primeira matou menos que a última.

No acumulado do ano, os investimentos, a formação bruta do capital fixo, continua fortemente negativa, mesmo com os esforços desesperados dos golpistas para vender a estrangeiros tudo o que for possível: pré-sal, Petrobras, Eletrobrás, jazidas minerais, terras.

Tudo a preços de liquidação da soberania.

Ressalte-se que, em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, a formação bruta de capital fixo caiu 0,5%

Quando se analisa o crescimento por setor, vê-se que apenas a agropecuária apresentou crescimento expressivo, impulsionado, sem dúvida, pelas exportações de commodities agrícolas, que tiveram boa recuperação, e pelas ótimas safras deste ano.

A indústria e os serviços, apesar dos soluços recentes na indústria de transformação e no comércio, continuam em situação negativa, no acumulado do ano.

Assim, não fosse a performance da agropecuária, teríamos um PIB negativo, em 2017.

Agora, imagine o leitor se estes “números extraordinários”, comemorados efusivamente pela mídia que apoia o golpe, tivessem sido obtidos na época de Dilma ou Lula.

Haveria, é claro, um oceano ácido de críticas e previsões sombrias sobre o governo “incompetente” e seus “pibinhos”.

Essa mesma mídia que hoje aplaude um crescimento de 0,1% foi a mesma que chamou um crescimento de 2,7% de “pibinho”.

Essa mesma mídia, que dizia que o “ciclo do crescimento baseado no consumo estava esgotado”, hoje comemora um crescimento do consumo das famílias de 1,2%%, no terceiro trimestre, e de ridículo 0,4%, no acumulado do ano.

Essa mídia hipócrita, que desdenhava dos 22 milhões de empregos formais gerados nos governos do PT e do maior processo de distribuição de renda da nossa história, que resgatou dezenas de milhões da miséria e tirou o Brasil do Mapa da Fome, hoje aplaude a pequena queda no desemprego baseada, em praticamente 100%, na geração de ocupações precárias e informais, no trabalho de conta própria e de empregados sem carteira de trabalho e sem direitos.

Aplaudem, desse modo, a precariedade laboral e o fim dos direitos trabalhistas.

Comemoram as demissões dos trabalhadores com carteira e sua transformação em motoristas de Uber e vendedores de quentinhas.

Observe-se que, ao longo dos governos do PT, a formalização no mercado de trabalho aumentou de apenas 45,7%, em 2003, para 57,7%, em 2014.

Contudo, os “especialistas” criticavam o aumento dos “custos do trabalho”.

Mas a verdade é que o Golpe e sua política ultraortodoxa não serão capazes de gerar um crescimento sustentável e socialmente inclusivo.

Com essa política irracional e de austeridade suicida, o Brasil só terá voos de galinha, com aumento da pobreza e da desigualdade.

As privatizações, a venda predatória do patrimônio público e o setor externo não trarão o crescimento sustentado e inclusivo de volta.

Ao contrário do que se diz, o principal fator para o desenvolvimento brasileiro nos tempos dos governos do PT, foi o mercado interno de consumo de massa, não o ciclo internacional das commodities.

As exportações como um todo representam cerca de 11% do PIB e a das commodities, em particular, apenas 6,8% do PIB.

Em contraste, o consumo das famílias representa mais de 60% do PIB.

Portanto, o crescimento sustentado passa necessariamente pela distribuição da renda e pela geração de emprego de qualidade, com bons salários e todos os direitos assegurados.

Passa também pela ampliação do Estado de Bem Estar, pelos programas sociais e pela Previdência como instrumento de inclusão social.

O crescimento sustentável num país continental como o Brasil, que tem a quinta população do mundo, passa, como diz Lula, pelo processo de colocar dinheiro nas mãos dos pobres.

Contudo, o governo golpista está fazendo o contrário de tudo isso.

Está, na verdade, tirando dinheiro das mãos dos pobres e colocando-o nas mãos dos ricos.

É um Robin Wood ao contrário.

Promove a volta da informalidade e da precariedade laboral, com a Deforma Trabalhista, e arruína os mecanismos de inclusão social e atenuação da pobreza, com sua infame Reforma da Previdência, que afeta, sim, os mais pobres.

Além disso, o governo golpista está destruindo todos os mecanismos estatais de estímulo à economia.

A surreal Emenda Constitucional nº 95, que contrai os investimentos públicos por 20 anos, algo que não existe em nenhum país do mundo, impede o Estado de retomar seus imprescindíveis gastos e destrói os orçamentos em Ciência e Tecnologia, Saúde e Educação.

O fim da política de conteúdo local da Petrobras elimina os empregos na cadeia do petróleo.

A ofensiva contra o BNDES, nosso grande banco de desenvolvimento, impede os investimentos pesados de longo prazo em infraestrutura.

Com essa política irracional e destrutiva, não há como se gerar um novo ciclo de desenvolvimento sustentável.

Não há nenhum país do mundo que tenha conseguido crescer, de forma sustentada, com austeridade permanente e desinvestindo em sua população, como pretende o governo do Golpe.

E não há também nenhum país do mundo que tenha conseguido crescer com taxas de juros extorsivas como as nossas e câmbio tão sobrevalorizado como o do Brasil.

Dessa maneira, restará a nossa mídia golpista e aos seus “especialistas” hipócritas comemorar “nanopibs” e voos de galinha.

“Nanopibs”, com “nanoempregos”, “nanosalários” e “nanodireitos”, num “nanobrasil”.

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3 Comentários escrever comentário »

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Jardel

04/12/2017 - 22h21

E os coxinhas e paneleiros que apoiaram o golpe permanecem com suas panelas enfiadas no rabo.

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Messias Franca de Macedo

03/12/2017 - 19h49

Cafezinho e o jurista e deputado federal Wadih Damous conversam sobre Tacla Durán e a conjuntura política
https://www.youtube.com/watch?v=wdDUGatR1BQ

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Julio Silveira

03/12/2017 - 18h45

A midia corporativa de donos corruptos, e uma maioria de empregados de etica no minimo duvidosa, que ignoram suas responsabilidades humanas e culturais e que são seduzidos pela cantilena oportunista de lucros, por tudo isso, a muito tempo, deixaram de lado o que seria o ideal de um bom jornalistimo para o povo e consequentemente o país. Tornaram a visão mercantilista, da formação de seus principios, determinante, como tem sucedido boa parte das profissões de fundo humanistas, distorcendo a finalidade etica de sua criação. A visão que essa gente construiu se restringe a capacidade de conquistar bens materiais e com exclusividade para seus nucleos familiares e de inter relacionamentos, estanques aí nesses elos, e ignorar aqueles que não fazem parte deles, mas de maneira venal e oportunistica ostentando a velha conversa hipocrita de afinidades com populares, treinada para angariar afinidades.

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