VIOMUNDO

Luana Tolentino: Carta aberta ao Grupo Antiterrorismo de babás

30 de março de 2011 às 19h52

Reminiscências de “Casa Grande e Senzala”: carta aberta ao Grupo Antiterrorismo de babás

por Luana Diana dos Santos Tolentino*

“A nossa escrevivência não pode ser lida como história de “ninar os da casa-grande”, e sim para incomodá-los em seus sonos injustos”

(Conceição Evaristo)

Recebo das minhas companheiras, Blogueiras Feministas, a matéria publicada no site do Estadão no último domingo, 27 de março – “Mães criam grupo “antiterrorismo” contra empregadas”. De acordo com a reportagem, um grupo de mulheres da elite paulistana fundou há cinco anos o GATB – Grupo Antiterrorismo de Babás. No “estatuto” da organização, estão previstas as medidas a serem tomadas contra os “desaforos” de babás, faxineiras e empregadas domésticas.

Para as senhoras do GATB, a exigência de direitos trabalhistas nos quais toda trabalhadora ou trabalhador tem direito, não passam de petulância e falta de educação. Eis aqui, o depoimento de uma das integrantes do Grupo:

“Minha babá veio com uma história sem pé nem cabeça, de que eu estou devendo todos os feriados em dinheiro, porque existe uma lei agora, onde ela tem esse direito. Estou meio tonta com a atitude, decepcionada com a falta de educação e gratidão por tudo que já fiz por ela, mas gostaria de saber se sou obrigada a pagar. Quando achamos que estamos com uma babá ótima, lá vêm as bombas!”

Com o intuito de contribuir para que não haja quaisquer dúvidas entre as senhoras do GATB, dirijo algumas palavras a elas:

Caríssimas,

Acredito que as senhoras, representantes da alta sociedade paulistana, possuam um nível de conhecimento elevadíssimo. Em meio aos chás da tarde, às compras nos shoppings e às fofoquinhas básicas, tenho certeza que em algum momento vocês devam se lembrar que a escravidão acabou. Já se vão quase 123 anos da Abolição, não é mesmo?!

Infelizmente, o 13 de maio não foi capaz de sepultar o passado escravista do nosso país. As reminiscências desse período estão presentes por todos os lados. Na violência policial contra a população negra, na morosidade em relação a implementação do sistema de cotas no ensino superior, na precariedade do acesso aos serviços básicos garantidos pelo Governo. O trabalho doméstico também é parte desse processo histórico de invisibilidade e desrespeito às afro-brasileiras.

Recentemente, o IPEA, a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres e a UNIFEM realizaram em conjunto um estudo sobre o trabalho doméstico remunerado. Os dados obtidos, certamente são imperceptíveis para muitas de vocês: a maioria das empregadas são negras, recebem baixa remuneração, e somente 25% possui registro em carteira, o que revela o aspecto discriminatório existente nesse tipo de ocupação.

Ao menor sinal de dúvidas quanto a obrigatoriedade ou não do pagamento dos dias de trabalho exercidos em feriados, sugiro-lhes algo bem simples: basta lembrar que empregada doméstica também é gente. Por que as mulheres que lavam, passam, cozinham e cuidam de toda limpeza de suas casas devem receber um tratamento diferenciado dos demais trabalhadores? Para que não fique qualquer tipo de incerteza, em 2006, por meio das pressões dos movimentos sociais, entrou em vigor a Lei 11.324, que garante às domésticas piso salarial, férias de 30 dias, folgas semanais e licença-maternidade. As senhoras estão agindo conforme determina a lei?

Não levem para o lado pessoal as reclamações de suas funcionárias. Na adolescência, fui empregada doméstica, babá e faxineira. Conheço de perto os motivos de tantos descontentamentos. Trabalhei numa casa imensa. Imagino que seja bem parecida com a de vocês. Era tanta coisa para lavar que meus pés racharam ao ponto de minar sangue. Sentia uma dor enorme. Mal conseguia calçar sapatos. E não foi só isso. Fui acusada de um crime que não cometi: minha patroa disse que eu havia comido as maçãs que estavam na geladeira. Sem direito a defesa, recebi a sentença: vigilância extrema durante as 10 horas de trabalho. Chorava pelos cantos. Um choro de raiva, ódio e revolta. Em pouco tempo, minhas lágrimas deram lugar a convicção de que não ficaria me submetendo a esse tipo de humilhação.

O que vocês entendem como ingratidão e arrogância, nada mais é que um ato de insubordinação. Assim como as senhoras não esqueceram as lições deixadas pelas sinhás da Casa Grande, também aprendemos a lutar e a resistir como as negras das senzalas. Estou certa que as mulheres que lhes prestam serviços não precisam da compaixão e da piedade das senhoras. Elas querem somente um salário digno, condições justas de trabalho e o direito de almejar uma vida melhor.

Espero ter contribuído de alguma forma. Na verdade, mais do que por fim às suas dúvidas, queria ensiná-las a tratar com respeito e dignidade essas mulheres que muitas vezes são responsáveis pela educação de seus filhos e filhas. Gostaria de extirpar todo esse racismo que existe dentro de vocês. Tarefa mais difícil do que limpar vidros sem deixar manchas. Como disse a Dra. Fátima Oliveira, “a superação do racismo exige uma faxina ética”. Pelo visto, não é todo mundo que está disposto a fazê-lo. É mais fácil empurrar a sujeira para o quartinho de empregada.

*Luana Diana dos Santos Tolentino é Historiadora e Professora da Rede Estadual de Ensino de Minas Gerais.

[email protected]

Investigação VIOMUNDO

Estamos investigando a hipocrisia de deputados e senadores que dizem uma coisa ao condenar Dilma Rousseff ao impeachment mas fazem outra fora do Parlamento. Hipocrisia, sim, mas também maracutaias que deveriam fazer corar as esposas e filhos aos quais dedicaram seus votos. Muitos destes parlamentares obscuros controlam a mídia local ou regional contra qualquer tipo de investigação e estão fora do radar de jornalistas investigativos que trabalham nos grandes meios. Precisamos de sua ajuda para financiar esta investigação permanente e para manter um banco de dados digital que os eleitores poderão consultar já em 2016. Estamos recebendo dezenas de sugestões, links e documentos pelo [email protected]

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Feministas apoiam Dilma: "Os avanços conquistados nesses 12 anos não podem ser interrompidos" « Viomundo - O que você não vê na mídia

26/09/2014 - 00h10

[…] Os leitores do Viomundo já conhecem Luana, através de vários de seus textos que publicamos, como este e este. […]

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"Minha empregada é como se fosse da família" - Blogueiras Negras

24/09/2013 - 14h13

[…] cerca de 10% delas são contempladas pelos direitos trabalhistas. Luana Tolentino ao escrever a Carta Aberta ao Grupo Antiterrorismo de Babás, sinaliza […]

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“Minha empregada é como se fosse da família” | Africas

15/04/2013 - 18h41

[…] cerca de 10% delas são contempladas pelos direitos trabalhistas. Luana Tolentino ao escrever a Carta Aberta ao Grupo Antiterrorismo de Babás, sinaliza […]

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“Minha empregada é como se fosse da família” | Blogueiras Negras

15/04/2013 - 15h31

[…] cerca de 10% delas são contempladas pelos direitos trabalhistas. Luana Tolentino ao escrever a Carta Aberta ao Grupo Antiterrorismo de Babás, sinaliza […]

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Ana Luisa

16/01/2013 - 07h39

Nem sei o que falar, pois tenho uma ajudante que trabalha em minha casa há anos,e minha relação com ela e de amizade , de sentarmos a mesa , contar coisas que nos acontecem no dia a dia, e sinceramente , ela eh livre pra fazer o que quer , e tem mais educação que muita gente que se diz educada.
Nao sei se o que pago eh um mega salário , nem compro coisas caras pra comparar , sei que ela conquista coisas com sua garra , tem filhas honestas e que trabalham em empresas multinacionais , ela nao trabalha fins de semana, nem feriados , nao deixo de ajudar ela no dia a dia , tive alem dela uma baba que me ajudou com meu filho em seus 2 primeiros anos de vida, ele depois disso comecou a ficar na escolinha. Tento fazer aos outros, o que gostaria que fosse feito a minha pessoa. Porem o mundo esta mudando, cada dia se exige mais direitos e se extingue mais os capacitados. Vejo uma geração de pessoas que deixam de seguir seu dom , pois pra mim quem escolhe o trabalho domestico tem um dom de dar inveja a qualquer um, saber organizar uma casa , nao eh pra quem quer eh pra quem realmente sabe. Vejo que muitas deixam o proprio preconceito falar mais forte, e ai fazem um curso rapido de enfermagem , seguem como técnicas e acabam entrando em hospitais e cometendo erros gigantescos e grotescos. Alem de trabalharem horas e horas pra ganharem um bom salário. Bom falei tudo isso pois acho que todo trabalho e digno, nao importa sua escolha, porem acredito que para mudar esta realidade , bastaria cobrar por hora… Como já acontece na Europa, nos EUA… E ai ninguem mais teria carteira assinada, nem ferias, nem fgts , nem 13 … Enfim cada um seria dono de sua vida, de seus horários de suas decisoes. Eu com certeza iria preferir pagar por horas , do que pensar que contribui para uma sociedade escravista.

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Babás e empregadas domésticas: relações que perpetuam racismo e machismo

15/01/2013 - 05h02

[…] parte desse processo histórico de invisibilidade e desrespeito às afro-brasileiras. Referência: Carta aberta ao Grupo Antiterrorismo de babás por Luana […]

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Quando foi que as babás viraram coisas? - Durante a escravidão.

14/01/2013 - 19h15

[…] O que vocês entendem como ingratidão e arrogância, nada mais é que um ato de insubordinação. Assim como as senhoras não esqueceram as lições deixadas pelas sinhás da Casa Grande, também aprendemos a lutar e a resistir como as negras das senzalas. Estou certa que as mulheres que lhes prestam serviços não precisam da compaixão e da piedade das senhoras. Elas querem somente um salário digno, condições justas de trabalho e o direito de almejar uma vida melhor. (TOLENTINO, Luana. Carta aberta ao Grupo Antiterrorismo de babás) […]

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Quando foi que as babás viraram coisas? Durante a escravidão | BiDê Brasil

14/01/2013 - 12h14

[…] O que vocês entendem como ingratidão e arrogância, nada mais é que um ato de insubordinação. Assim como as senhoras não esqueceram as lições deixadas pelas sinhás da Casa Grande, também aprendemos a lutar e a resistir como as negras das senzalas. Estou certa que as mulheres que lhes prestam serviços não precisam da compaixão e da piedade das senhoras. Elas querem somente um salário digno, condições justas de trabalho e o direito de almejar uma vida melhor. (TOLENTINO, Luana. Carta aberta ao Grupo Antiterrorismo de babás) […]

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Luana Tolentino: “Nunca duvidei de que eu podia e merecia muito mais. Batalhei. Revidei. Virei o jogo” « Viomundo – O que você não vê na mídia

04/05/2012 - 13h45

[…] ter cruzado com ela nos comentários ou lido algum dos seus textos que publicamos. Estreou aqui com Carta aberta ao grupo antiterrorismo de babás, que nos submeteu por e-mail. O mais recente foi Martinho da Vila, o PT e […]

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Luana Tolentino: Luana Tolentino: “Nunca duvidei de que eu podia e merecia muito mais. Batalhei. Revidei. Virei o jogo” « Viomundo – O que você não vê na mídia

04/05/2012 - 13h43

[…] ter cruzado com ela nos comentários ou lido algum dos seus textos que publicamos. Estreou aqui com Carta aberta ao grupo antiterrorismo de babás, que nos submeteu por e-mail. O mais recente foi Martinho da Vila, o PT e […]

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Patrícia

04/05/2012 - 10h53

Luana, vou utilizar seu texto numa postagem num blog q mantenho. Não tem centenas de leitores :-) mas faz parte da blogosfera materna e acho que precisa ser lido por todas as mães do mundo!
Bjus e boa sorte nos projetos que vem por aí, garota!

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Luana dos Santos: Carta aberta ao Grupo Antiterrorismo de babás | Livros e afins

02/05/2012 - 15h02

[…] um bando de dondocas que se dedica a falar mal daquelas que cuidam de seus filhos a baixo custo [Clique aqui para ler mais] Postado em Notas. Compartilhe […]

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1º de maio e the help: a classe trabalhadora tem raça e gênero

02/05/2012 - 07h55

[…] Se formos observar de forma cuidadosa percebemos que o trabalho exercido por estas mulheres é essencial, é ele quem permite outras mulheres sairem de casa e ocuparem postos no mercado de trabalho, atividade esta não contabilizada para aposentadoria daquelas que não tem como pagar outra pessoa para ficar em seu lugar garantido que este trabalho reprodutor seja realizado, atividade precarizada na qual pouquíssimas pessoas tem asseguradas seus direitos e ainda é preciso pressão sobre a grande maioria dos patrões para que estes sejam obrigados a cumprir a legislação, mesmo muitas vezes eles se colocando no lugar da vítima neste debate. […]

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Mary

02/05/2012 - 01h56

A sua carta é tocante Luana..E por experiência própria sei o que você passou..Pq atualmente tb vivo a mesma coisa. Sou empregada doméstica e folguista de uma família. Folgas uma vez na semana, sem feriados, e os finais de semana sempre trabalhando.
Ás vezes a gente tenta se enganar quando a patroa faz uma caridade. E acha que é a pessoa mais solidária do mundo, quando sabe que lá no fundo vc é paga pra limpar o vaso que ela defeca (desculpe), o chão onde ela pisa. E enquanto vc está trabalhando, a patroa está dormindo no quarto, e seus filhos sendo cuidados pela babá. Duas empregadas na mesma casa, com uma patroa que não trabalha. Só no Brasil mesmo existe essa cultura escravista. Outro dia achei um absurdo quando era minha folga e ela me pediu pra ir em um aniversário pra cuidar das crianças. Meu Deus! Será que é incapaz de cuidar das crianças que pariu? Um casal não consegue cuidar de duas crianças em uma festa? E como uma babá consegue?
Achei mais absurdo ainda foi chegar na festa e perceber que não tinha mais nenhuma babá além de mim. Mas diferente das pessoas que se acomodam, que enchem a boca de orgulho pra dizer que está a 10 anos trabalhando (sendo escrava) para “D. Fulana”. eu estou tentando fazer diferente. Estudando para mudar, pelo menos a minha história. Sou muito grata pelo que fizeram, mas também tenho vida própria.
Ouvi falar outro dia que está faltando empregadas domésticas no mercado….Graças a Deus! Já somos a 6ª economia, então temos que criar hábitos de países de 1º mundo e deixar esse sistemas escravista para trás.

*Empregada doméstica e Estudante de Engenharia Civil em uma das melhores universidades de São Paulo.

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Papo de doméstica

17/04/2012 - 19h57

Quanta generalização! Tem gente boa e ruim tanto no time de patroas como de empregadas. Não vou perder meu tempo aqui defendendo nem acusando ninguém. Mas quero deixar claro aqui que sempre fui contra o trabalho dos empregados domésticos. Todo mundo devia limpar a própria sujeira se não for incapaz fisicamente. E quem tem baixa escolaridade que vá reivindicar ao Governo um ensino melhor! Saúde de qualidade! Que votem conscientemente pra eleger gente que defenda seus interesses na política. E Luana, sinto muitíssimo pelo seu trauma.

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    Patrícia

    04/05/2012 - 10h18

    Para Papo de Doméstica, uma perguntazinha: porque uma pessoa tão cheia de opinião não se identifica? Vamos brincar de se expor? Debates úteis e inteligentes se dão assim, viu? Tenha um ótimo findi!

    Rafaeli

    17/01/2013 - 13h22

    Concordo com você, não se pode generalizar, tem excelente colaboradoras e excelente patroas e geralmente os iguais se atraem, uma vez alguém disse: Para bons patrões bons funcionários e para bons funcionários, bons patrões. Funcionário bom não para com patrão ruim, pode escolher serviço, sei bem disso.

Luana

23/08/2011 - 08h54

Uma pesquisadora do Núcleo de Teledramaturgia da Globo leu a Carta. Recebi um email dela ontem, dizendo que ficou muito sensibilizada e que gostaria do meu auxílio numa pesquisa sobre o universo do trabalho doméstico no Brasil. Fiquei muito feliz! Estou muito feliz!

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    andre

    14/07/2012 - 10h44

    e pelo jeito a história virou novela…

    parabéns pelo texto e que ainda exista esperança de um país mais igual!!!

    Rafaeli

    17/01/2013 - 13h25

    Que coisa boa, porque a rede globo contribui bastante com o estereotipo ”domestica = quartinho dos fundos – entrada e saída de serviço”, através das novelas, e não estou bem certa se é um bom estereotipo… O que você acha?

A Vida Sem Empregada | Groselha News

29/06/2011 - 06h33

[…] Carta Aberta ao Grupo Antiterrorismo de Babás. Texto da historiadora, professora e ex-empregada doméstica Luana Diana dos Santos. […]

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Minhas observações sobre o BloguemusMG « Cynthia Semíramis

24/06/2011 - 14h18

[…] branca é pra casar, negra é pra trabalhar, mulata é pra fornicar. Chorou e nos fez chorar com a Carta aberta ao Grupo Antiterrorismo de babás, que é de leitura e reflexão obrigatória, especialmente nestes dias em que a mídia saudosa do […]

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Dia Nacional das Trabalhadoras DomésticasBlogueiras Feministas | Blogueiras Feministas

28/04/2011 - 01h47

[…] Carta Aberta ao Grupo Antiterrorismo de babás. Texto da Luana dos […]

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Dia Nacional das Trabalhadoras Domésticas

27/04/2011 - 10h49

[…] [+] Carta Aberta ao Grupo Antiterrorismo de babás […]

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Seja empregada doméstica ou tercerizada a sina é a mesma: Invisibilidade « BiDê Brasil

27/04/2011 - 01h43

[…] Se formos observar de forma cuidadosa percebemos que o trabalho exercido por estas mulheres é essencial, é ele quem permite outras mulheres sairem de casa e ocuparem postos no mercado de trabalho, atividade esta não contabilizada para aposentadoria daquelas que não tem como pagar outra pessoa para ficar em seu lugar garantido que este trabalho reprodutor seja realizado, atividade precarizada na qual pouquíssimas pessoas tem asseguradas seus direitos e ainda é preciso pressão sobre a grande maioria dos patrões para que estes sejam obrigados a cumprir a legislação, mesmo muitas vezes eles se colocando no lugar da vítima neste debate. […]

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fernanda

03/04/2011 - 16h40

Olhem, por favor, ninguém aqui está escravizando ninguém, as babás recebem salários dignos e entram nas nossas casas e são recebidas como familiares, colocamos nossos filhos em suas mãos por termos que trabalhar e cooperar com o orçamento da casa, já essas profissionais, são extremamente ingratas e por saberem que temos NECESSIDADE dos seus serviços nos fazem de gato e sapato. Acordo todo dia com a babá conversando com a empregada na minha casa e falando mal de mim, que trabalho que nem uma louca pra pagar seus salários e faço vista grossa e finjo que não vejo….não se apegam a nada nem a ninguem, pelo contrario, recebem todos os seus direitos, são muito bem tratadas e mesmo assim cospem no prato que comem…..a cultura de pobres coitados já passou, e de que só dondocas precisam de babás tbem…mas não adianta nada dinheiro sem cultura tanto pra um lado quanto pra outro….

Responder

    Marcello

    03/04/2011 - 23h36

    Fernanda, estes seus argumentos são precisamente os mesmos que a carta aberta que você comenta, escrita em defesa das "ingratas" das suas serviçais, procura descontruir (ou, dispensando os eufemismos, DESTRUIR… Um a um!) Portanto, fazfavor: caia na real!

    Fernanda

    04/04/2011 - 10h57

    Lindinho, acho que vc não entendeu…..

    Luana M.

    12/04/2011 - 12h28

    2 mil reais é um digno salário??? Depende do paradigma, não é mesmo??? Quanto é que você pagou na última bolsa da moda?
    E vc precisa entender que funcionárias que falam mal de vc não servem para cuidar dos seu filhos, simples assim!!!!!! Pelo pouco que escreveu, vc parece ser extremamente irresponsável de sair para "contribuir com o orçamento doméstico" e deixar um filho sob o cuidado de duas futriqueiras que não estão contentes com as condições de trabalho. Entenda que o mercado doméstico mudou muito, e você precisa analisar se compensa MESMO deixar a educação dos seus filhos durante TODO O DIA, sob os cuidados de pessoas despreparadas (ao meu ver isso é um absurdo completo, inaceitável). Se você não tem alternativa, colooque-os numa escola decente e liberte-se dessa cultura de ter funcionárias em casa. Estamos em outro século, os papéis não são mais os que vc julga praticar com honra e louvor.

    Marie

    04/04/2011 - 00h10

    Fernanda, defina o que é um salário digno. Só isso que te peço.

    Fernanda

    04/04/2011 - 10h55

    Um salário digno pra mim, é um salário de R$2.000,00 além de INSS, cesta básica, plano de saúde e horas extras, vc concorda que esse salário dignifica uma profissional ou não????

    Patrícia

    04/05/2012 - 10h29

    Fernanda, tbm não faz parte do presente (vc trabalha “fora”, deve saber) ser fiel a um empregador. Vc deve ter suas reclamações e se não conversar com os colegas ou marido ou [email protected] deve ter pelo menos um terapeuta que a escute. Se eestiver insatisfeita no seu trabalho e puder ir para outro, você vai. Sugiro que vc procure compreender que os TEMPOS MUDARAM, sugiro a leitura de Casa Grande e Senzala também e reveja a reorganização de seu lar, pois empregadas como vc está acostumada (talvez as tivesse na casa de seus pais) não existem mais e mesmo as suas terríveis estão em extinção. Que tal a gente se juntar numa marcha à Brasília e pedir mais creches em nossos estados?

Escravidão

01/04/2011 - 14h27

Conheci uma pobre senhora que trabalha para a mesma patroa desde os 10 anos, hoje tem 52, não nasceu em São Paulo e para cá veio fugindo da miséria.Iniciou como babá e nunca se alfabetizou. Até hoje presta serviços na mesma casa, das 5:30 da manhã até altas horas da noite. E chama a senhora "sua dona" de mãe! Em 12 anos que eu saiba ela tirou férias duas vezes. E tem verdeiro fascínio pela ricaça que lhe "emprega". Ela lava, passa, cozinha, vai a feira, etc. Trabalha há aproximadamente 40 anos na casa. Entrega as refeições na bandeija para a "patroa". A noite dorme no quarto/senzala. Resumi o que presenciei (percebi a alienação da senhora, que tem família, mas não dedica o meo tempo à sua própria família)com uma degradação humana. A mulher feita empregada sai do seu eu e vive para servir a ricaça exploradora.

Responder

    Patrícia

    04/05/2012 - 10h38

    Isso tbm ocorre na nossa relação com as empresas, quando fazemos horas extras ou chegamos em casa tão exaustas que não conseguimos nem ler ou brincar com nossas crias, no máximo ajudar na tarefa e olhe lá. Precisamos estar atentas a um novo (nem tão assim) tipo de escravidão!

Historiadora escreve carta aberta ao Grupo Antiterrorismo de babás « CartaCapital

01/04/2011 - 09h49

[…] *Matéria publicada originalmente em Vi o Mundo. […]

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Carolina

01/04/2011 - 00h28

Concordo com o Gil Texeira. É como eu penso. E como já havia ouvido falar em sala de aula, até que um dia presenciei uma criança escrevendo um nome de forma muito colorida numa atividade de desenho livre e ao perguntar de quem era este levei aquele choque e a confirmação do meu pensamento de que, cada vez mais, quem educa os filhos da elites de forma mais próxima do que eles próprios, são a classe operária. Em outras palavras, os serventes são seus mestres.

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Carolina

01/04/2011 - 00h06

Concordo com o Gil. É como eu penso. E como já havia ouvido falar em sala de aula, até que um dia presenciei uma criança escrevendo um nome de forma muito colorida numa atividade de desenho livre e ao perguntar de quem era este levei aquele choque e a confirmação do meu pensamento de que, cada vez mais, quem educa os filhos da elites de forma mais próxima do que eles próprios, são a classe operária. Em outras palavras, os serventes são os mestres.

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Carla

31/03/2011 - 19h09

Tendo uma educação europea, sempre achei um absurdo essa exibição de babas em shoppings, restaurantes e hoteis… será possível que pai e mãe não podem gerir seus filhos nos fins de semana como fazem no mundo inteiro? Essas madames, que tanto amam os EU, sabem que por lá não registrar uma babá ou uma empregada dá cana? Que lá esse pessoal é pagado bem e trabalha no máximo 8 horas por dia. fins de semana excluidos? É impressionante como a fina flor da elite brasileira entrega suas crias para essas pessoas que considera inferiores… nunca entendi isso. Mas, tomara, o Brasil esteja mudando mesmo! Não aguento mais ver pai e mãe passear nos fins de semana com filho e babá… chega!

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    Patrícia

    04/05/2012 - 10h52

    Já notou que enquanto os patrões comem nos restaurantes as babás ficam com as crianças e que depois todo mundo vai embora sem a babá colocar uma só garfada na boca?

GilTeixeira

31/03/2011 - 19h01

Minha esposa trabalha em uma escola frequentada por gente da mais 'alta estirpe', tem inclusive uma criança que chega cercada com seis seguranças, e vira e mexe chegam crianças chorando desesperadas por que a mãe mandou a babá embora. O que acontece: as dondocas soltam tudo nas mãos delas, é a babá que cobra a lição, que ensina boas maneiras, da banho, brinca com elas e na maioria das vezes é ela quem dá o carinho, pois a mãe não tem tempo com manicures, cabelereiros, clubes, shoppings e etc. Então a criança desenvolve uma relação de respeito com suas babás e com as mães a relação não passa do medo dela mandar a próxima embora!

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Luz

31/03/2011 - 18h05

Patroas malvadas. tratavam a Luana como se fosse uma gata borralheira, e ela aguentando.

Responder

Luci

31/03/2011 - 18h02

Professora Luana Diana dos Santos, meus respeitos, sua resposta/mensagem é aula de cidadania e humanismo.

Responder

Fátima

31/03/2011 - 17h17

"Assim como as senhoras não esqueceram as lições deixadas pelas sinhás da Casa Grande, também aprendemos a lutar e a resistir como as negras das senzalas". Que frase maravilhosa, posso fazer algo com ela, talvez camiseta, adesivo, sei lá? Sinto que preciso socializá-la com o mundo!

Responder

    Luana

    31/03/2011 - 17h37

    Pode sim, Fátima. Agradeço imensamente pela consideração e pelas palavras generosas.

    Um grande abraço,

    Luana

    Patrícia

    04/05/2012 - 10h49

    Putz, que ótima ideia!

bissoli junior

31/03/2011 - 16h49

não acabou o espírito (histórico) da escravidão no Brasil.
é por isso que:
um cara com um carro importado e blindado acha que um Fusca tem que lhe dar passagem;
o transporte coletivo é uma desgraça (é para os pobres irem e virem vender sua força de trabaho);
ainda ouvimos "sabe com quem estás falando?";
os pretensos "elite" não lavam o próprio carro ou a própria casa;
a maioria do degrau de baixo quer subir a escada social para fazer as mesmas coisas que lhes fizeram os de cima, qual seja, pisar no direito do outro.

Responder

Marcelo Fraga

31/03/2011 - 16h40

Estes são os chamados cidadãos de bem (ou Benz, tanto faz).
Lutam pela manutenção da moral e dos bons costumes.
São católicos fervorosos, mas não vão à igreja.
Admiram a TFP e a Ternuma, como pessoas decentes que são.
E, claro, assinam a Veja para mostrar o quão politizados são.

Responder

Cláudia Pereira

31/03/2011 - 13h58

Luana, pela maior parte dos comentários vemos o quanto é difícil entender a cabeça do ser humano. Há gente que, sem perceber, defende que os patrões "comprem" o silêncio das domésticas permitindo-lhes que estudem à noite; outras há ainda que imaginam que os filhos da elite que queimaqm índios o fazem por terem sido educados por babás. Entendo que muita gente não perceba que é nesses pequenos detalhes que mora todo o preconceito; que é no fato de nos acharmos uns melhores que os outros que reside a desigualdade, a gfalta de humanidade!
Parabéns pela lucidez, por não se tornar insensível diante desse mundinho doido, por manter no sangue o orgulho da raça e a capacidade de indignar-se perante as injustiças.

Responder

Jose Bentes

31/03/2011 - 12h36

Essa Luana .

Responder

augusto

31/03/2011 - 12h28

Trate muito bem a empregada e baba que encontrares e com quem tiveres um bom dialogo. Mande-de-a estudar a noite e facilite isso. Ela te servira com alguma dose de satisfaçao apesar de tudo, e nao te deixara na mao. Ela tera filhos que vao estar na universidade.
E eles lembrarao que isso foi uma etapa em seu crescimento. E tu tambem terás boas lembranças dela.
Isso é como soldado na guerra. Mais tarde ele envergonhado nada vai dizer. Mas vai contar com orugu7lho aos netos sometne os atos dehumanidade e benignidade de na guerra tenha realizado. É assim q funciona.

Responder

    Luana M.

    12/04/2011 - 12h39

    Augusto, acordaaaaaaaaaaaaaaaa desse sonho louco que vc vive!!!!! "Trate muito", "Mande-a estudar", "facilite", "te servirá", "satisfação", "não te deixará", "é assim q funciona". Vc pensa MESMO que são escravas, que precisam da SUA autorização para respirar, para estudar, para comer?…. como um soldado em guerra????/ Rapaz, a lei áurea foi assinada, lembra???? Pelo jeito esqueceu! VERGONHA DE GENTE COMO VC!

Marcia Costa

31/03/2011 - 12h23

Tenho dó dessas crianças, filhas dessas senhoras que delegam a terceiras a atribuição de amar a seus filhos mediante parca remuneração. è por isso que crescem sem qualquer valor humano e saem por aí a queimar índios, mendigos em locais públicos e a espancar barbaramente mulheres que julgam ser prostitutas em pontos de ônibus. desde cedo aprendem a desqualificar e explorar aqueles a quem nós, como sociedade, deveríamos esclarecer e auxiliar no seu progresso humano e material. A babá não seria paga se a mãe se ocupasse de seus filho(a) nos feriados e fins-de-semana. Em shoppings caros e modernos vemos um exército silencioso de mulheres de branco a cuidar de crianças mal-criadas, enquanto a cabloca-burguesa vai à frente olhando na vitines suas novas aquisições de consumo vazio. Essas mulheres são um desserviço à nossa luta por igualdade e repeito às nossas condições.

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SILOÉ

31/03/2011 - 02h46

É só criar também uma entidade de babás , faxineiras, empregadas domésticas e afins, colocando no estatuto a lista da GATB para consultas e deixarem essas dondocas na mão.

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    ricardo

    31/03/2011 - 07h16

    gostei dessa….hehehe

Edinho

30/03/2011 - 23h26

Minhas sincero apoio às madames. Depois do fim da escravidão, depois da promiscuidade envolvendo brancos, negros e nativos (não é mesmo, Bolsonaro?!), depois dos Direitos Trabalhistas, depois do direito de voto universal, depois da ampliação do acesso à universidade, agora mais este ato terrorista contra as "famílias de bem": as mortíferas babás-bomba conscientes de seus direitos!!!!!

Mas, o que é isso? Aonde é que estamos? Que país é este que não respeita as tradições? Aonde é que já se viu um empregado dirigir a palavra ao patrão?! Pior que isso, aonde é que já se viu um empregado cobrar seus direitos?! Como ousam? Enquanto a Terra for plana e o Sol girar em torno do nosso planeta, defenderei a ordem e as tradições das boas famílias! Madames, contem comigo! Marchemos pela tradição, pela família, pela propriedade! E contra as babás….. Para o alto e avante!

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    @ceff156

    10/04/2011 - 03h51

    Edinho, é melhor você voltar a viver nos séculos passados… Saiba conviver com as mudanças! Chega de tanto atraso! Tem razão mesmo em reivindicar seus direitos SIM! Só um lembrete: as tradições mudam! Pense nisso…

    Dianne

    02/05/2012 - 20h58

    Acredito que ele estava sendo irônico…

    Patrícia

    04/05/2012 - 10h44

    Sim, estva sendo irônico, e o fez muito bem :-)

Emilio Matos

30/03/2011 - 23h02

Parece haver mesmo uma espécie de arcabouço inconsciente escravagista que permeia as relações sociais. É fácil encontrar pessoas que conscientemente acham um absurdo ideologias de superioridade racial, e parecem achar isso de maneira genuína, num nível consciente, mas que demonstram ao mesmo tempo nos recantos escondidos de seus julgamentos tantos resquícios escravagistas e racistas que resultam em opiniões e atitudes completamente revoltantes. Muitas vezes tentei trazer à consciência de outras pessoas essas contradições, mas sempre tive muita dificuldade. Parece haver um monte de julgamentos tácitos de que nem todo mundo é gente, que pobres são pobres exclusivamente por algo que fazem, que pobres são pobres porque não têm qualificação profissional, apesar de todas as evidências de que pobres não têm qualificação profissional porque são pobres.

Eu desanimo ao ver essas contradições e ver que é extremamente difícil, se não impossível, convencer alguém que todo mundo é gente, todo mundo, no fundo, é mais ou menos igual. Como é que se acaba de vez com a escravidão?

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Abel

30/03/2011 - 22h34

Nos States não tem essa história de empregada doméstica. Só os muito ricos podem se dar a esse luxo (e pagando bem por ele). Aqui no Brasil, qualquer dondoca de classe média já quer ser chamada de sinhazinha…

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    Patrícia

    04/05/2012 - 10h43

    Pior: a situação aqui é tão sinistra que a babá deixa seus próprios filhos com outra miserável que ganha ainda menos que ela e por aí vai…

Jair Almansur

30/03/2011 - 21h14

A escravidão quase acabou. Pois trabalhadores domesticos não têm todos os direitos trabalhistas devidos a um trabalhador comum tais como fundo de garantia, horas extras etc. Além disso sofrem agressões morais e fisicas sem que tenham para onde recorrer.

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pap

30/03/2011 - 21h13

Simples:

As madames que façam os serviços que tanto querem!

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Márcio Passamani

30/03/2011 - 21h11

Para muitos a Lei Áurea foi populismo do Imperador Pedro II, e deveria ser revogada em nome dos bons costumes e da família, pois prejudica a economia e a população.

O que me espanta é muita gente dizer que não devia pagar nada para domésticas, já que dá comida e teto sem aplicar chicote.

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    rosa

    31/03/2011 - 13h24

    Acredito que a Lei Áurea realmente não teve muita importância no tocante à Libertação dos Escravos. Creio, eu, que eles foram LIBERTOS e já conquistaram algum espaço nessa sociedade HIPÓCRITA, graças à sua DETERMINAÇÃO e ao exemplo de seu GRANDE LIDER Zumbi dos Palmares.

Elton

30/03/2011 - 21h10

Logo logo essa "turminha" de fúteis socialites não encontrará quem se sujeite a ser empregada doméstica ou babá…………talvez só por salários beeeeem maiores do que se dispõe a pagar.

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    GilTeixeira

    31/03/2011 - 06h41

    Elas começaram a importar babás do Paraguai. Aí a moça está em situação bem cômoda para a patroa: Não relacionamentos no Brasil! e como fatalmente estarão ilegais e desconhecer a lei já viu, né!

tunico

30/03/2011 - 20h50

Tenho certeza que esse tal grupo GATB, um dia, ainda será premiado por relevantes serviços prestados a sociedade, por uma academia que com certeza ainda será criada, a AMD – Academia das Madames Desocupadas. Claro que a cerimônia de premiação será restrita à nata da elite paulista.

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Frederico

30/03/2011 - 20h47

É verdade. Muita gente, principalmente da elite econômica, esquece que a escravidão acabou. Muito bem lembrado.

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P A U L O P.

31/03/2011 - 06h57

E o sinhozinho, perde o seu 'precioso tempo' lendo um 'post' de alguém, que, segundo o mesmo, 'não tem o que fazer',, e não estar em alguma reunião da TFP, OPUS DEI, etc….

Ou é um troll, ou um tucanalha, o que dá no mesmo………

Inté…………….

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