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Cartas de Minas
Cartas de Minas

Laura Carvalho, sobre a reforma trabalhista: Iludem-se os empresários que acham que só trabalhadores pagarão o pato

14 de julho de 2017 às 19h31

Lula Marques/AGPT

Na economia, o todo é diferente da soma das partes

por Laura Carvalho, na Folha, sugestão de Ignácio Godinho Delgado

Hoje em dia, para livrar-se do trânsito, basta seguir a rota sugerida por um aplicativo da moda.

Mas o algoritmo de um bom aplicativo deve estar preparado para mudar a rota quando o trânsito piorar porque todo o mundo resolveu seguir a rota inicialmente indicada.

De mesma forma, em um estádio de futebol, é só ficar de pé para enxergar melhor. Salvo quando todos resolvem levantar-se. Nesse caso, todos perdem visão e conforto.

As chamadas falácias da composição consistem em afirmar que o todo possui a mesma propriedade que as partes que o integram.

Na economia, essas falácias impedem que raciocínios que valem para um agente econômico —uma família ou uma firma, por exemplo— possam ser transferidos para o sistema econômico como um todo. Daí a importância da distinção entre a macro e a microeconomia.

Talvez a falácia da composição mais conhecida na macroeconomia seja o chamado paradoxo da poupança —um dos elementos centrais no desenvolvimento da economia keynesiana e do princípio da demanda efetiva.

Em suma, se uma família resolve consumir menos, sua poupança será maior. Mas, se todas as famílias tomam a mesma decisão, cai a demanda agregada e a própria renda nacional, fazendo com que a poupança total não aumente.

Um outro paradoxo macroeconômico refere-se ao endividamento. Se uma família ou empresa decide gastar menos para pagar suas dívidas, o seu nível de endividamento cai em relação à sua renda. Mas, se todas as famílias, firmas e governo resolvem cortar seus gastos ao mesmo tempo para pagar suas dívidas, a renda nacional cai e o endividamento total aumenta em relação ao PIB.

Da mesma forma, na teoria de deflação de dívidas de Irving Fisher, grandes depressões surgem quando muitos agentes ao mesmo tempo resolvem pagar suas dívidas por meio da venda de seus ativos: o resultado é que o preço dos ativos cai e o endividamento líquido sobe.

Outra falácia da composição está na essência das chamadas guerras fiscais: o Estado que consegue reduzir impostos pode até atrair mais empresas e acabar arrecadando mais, mas, se todos os Estados reduzem impostos, nenhum deles torna-se mais atrativo do que o outro e todos perdem arrecadação.

Por fim, todo empresário sabe que reduzir o custo com a mão de obra é uma forma muito eficaz de ganhar competitividade em relação aos seus concorrentes e/ou aumentar seu lucro.

Mas, se uma mudança reduz o custo com a mão de obra de todos os empresários ao mesmo tempo, não é possível ganhar competitividade em relação aos concorrentes nacionais.

E os exportadores, por sua vez, só ganham competitividade junto a concorrentes estrangeiros que não tenham seguido a mesma estratégia.

Sabemos que não é esse o caso de boa parte do mundo globalizado nas últimas décadas.

E o que é pior. Se vale o chamado paradoxo dos custos de Kalecki, uma redução generalizada de salários em uma economia diminui também o mercado consumidor, reduzindo vendas e lucros.

Em outras palavras, de nada adianta ter uma fatia maior de um bolo menor.

É por essas e outras que a reforma trabalhista aprovada na terça-feira (11) pelo Senado deve, no futuro, decepcionar até mesmo os empresários que a apoiaram. Na verdade, iludem-se os que hoje acham que só os trabalhadores pagarão o pato.

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6 Comentários escrever comentário »

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BRENO

15/07/2017 - 18h54

Nem um estado liberal de economia faria uma reforma desta. No maior exemplo de economia liberal…Todos podem saber quem é a mão de obra é valorizada e com isto existe um grande mercado consumidor. Também existe o mercado do luxo que sao das celebridades do esporte de hollywood.

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Mineiro

15/07/2017 - 18h29

Nunca que vai dar ,o mundo querendo ou não os facistas, a desgraça da burguesia e tudo o quanto é desgraçado imbecil que existe na face da terra ,o mundo não é 1700 ,1800,1900 é agora . As coisas evoluíram, nisso o que aconteceu nesses anos do governo do Pt melhorou e muito, a renda ,o povo passou a viver melhor. Como que esses ratos facistas vai querer que um povo em pleno 2017 viva como em 1800? Da onde ,que um trabalhador trabalhe 12 h ,gestante trabalhe em local insalubre, nem se for gestante não pode trabalhar em local insalubre. Eles aprovaram a deforma trabalhista pode derruba-la amanhã, quem garante . Eles não é dono do mundo e nem do tempo,apesar que esses b….acham que é ,mas não é .

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robertoAP

15/07/2017 - 15h59

Se o empresário brasileiro,que além de anta, é incompetente e vigarista, pensa que vai ter funcionários trabalhando duro, ganhando uma mixaria e perdendo todos os direitos, inclusive a aposentadoria, vai quebrar a cara 100%.
Vai ser melhor trabalhar em casa,vender comida ou qualquer coisa, não pagar nenhum imposto, não declarar IR, operar só com papel moeda e comprar ouro com o que sobrar. Pro governo,…nadinha, nem qualquer informação.
Aí a renda vai ser melhor dividida à força, e quem vai perder serão os ricos que ficarão pobres e o governo que vai se afogar no próprio vômito e sumir como no tal ARREBATAMENTO, só que para baixo em direção àquele lugar bem quentinho ,com cheiro de enxofre.

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a.ali

14/07/2017 - 23h59

é que a “patronada” não raciocina e está em busca do lucro fácil sobre o lombo do trabalhador. não conseguem enxergar um palmo à frente,,, sabe estilo “bumerangue”? pois é isso mesmo e tem otário que acredita. cavaram o próprioo buraco, fazer o quê, né?

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Liberal

14/07/2017 - 20h33

Essa menina não é redatora do Greg news?
Quem leva a sério oq ela diz?

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    Eu

    15/07/2017 - 02h30

    Ela é economista, professora-doutora do Departamento de Economia da FEA-USP com doutorado na New School for Social Research (NYC). E você, quem é para sabermos se podemos ou não levar a sério o que escreve?

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